
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Quanto
pior, melhor
As coisas andam mal em Brasília?
Isso
é ótimo para Porto dos Milagres
Ricardo
Valladares
Divulgação Rede Globo
 |
| Lima
e Fagundes: personagens às voltas com fitas, dossiês e agências picaretas |
A
novela das 8 da Rede Globo, Porto dos Milagres, está sofrendo
uma metamorfose. Originalmente, ela era apenas uma trama regionalista
das mais desenxabidas, baseada livremente na obra do escritor baiano Jorge
Amado. Há cerca de um mês, no entanto, o folhetim ganhou
contornos políticos, inspirados nas últimas notícias
do Planalto. "A história da conversa gravada entre o senador Antonio
Carlos Magalhães e três procuradores federais estava nas
manchetes e nós decidimos brincar com aquilo", conta Ricardo Linhares,
autor da novela ao lado de Aguinaldo Silva. A primeira providência
foi chamar o ator Lima Duarte para fazer uma participação
especial, no papel de um senador suspeitíssimo. Como o público
gostou, as referências políticas se multiplicam desde então.
Os personagens agora fazem menção à "Sudeporto",
uma agência de desenvolvimento fictícia no estilo da extinta
Sudam, e volta e meia surgem diálogos estrelados por um certo "dossiê
Barbados", que provaria a existência de uma conta bancária
no Caribe em nome do prefeito Félix (Antonio Fagundes). Para as
próximas semanas, os autores prometem, além do retorno do
personagem de Lima Duarte, um apagão que deverá assombrar
os habitantes de Porto dos Milagres.
As novelas com fundo político têm tradição
na TV brasileira. A primeira e mais famosa foi O Bem-Amado, de
1973. Escrita por Dias Gomes, ela trazia o ator Paulo Gracindo no papel
do inescrupuloso (e hilário) chefão nordestino Odorico Paraguaçu.
Benedito Ruy Barbosa e Lauro César Muniz também exploraram
esse filão. O primeiro colocou lavradores sem-terra e o chatíssimo
senador Caxias em O Rei do Gado. O segundo inventou Sassá
Mutema, um bóia-fria que virava prefeito em O Salvador da Pátria.
Porto dos Milagres entrou nessa galeria pela porta dos fundos, graças
ao senso de oportunidade de seus autores e às estripulias sem fim
dos políticos nacionais. Quanto mais as coisas se complicam em
Brasília, melhor para o ibope da novela.
Fernando Seixas
 |
Rede Globo
 |
| Paraguaçu
(Paulo Gracindo), em O Bem-Amado, e Caxias (Carlos Vereza),
em O Rei do Gado: exemplos de uma tradição |
|
|
 |
|
 |

|
 |