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Edição 1 702 - 30 de maio de 2001
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Estão de olho em você

Câmaras, satélites, computadores
e até um chip implantado sob a pele
compõem a rede global para espionar
as pessoas. A novidade é que isso
também ajudou a melhorar a vida

Giancarlo Lepiani


Montagem sobre fotos de Pedro Rubens

No mês passado, chegou ao mercado americano uma novidade que parece saltar das telas de cinema para a realidade. É um chip de computador chamado Digital Angel (Anjo Digital, em inglês). Do tamanho de uma moeda de 1 centavo, ele pode ser embutido num relógio de pulso, numa fivela de cinto, na argola de um brinco. Ou, numa hipótese mais surpreendente, ser implantado sob a pele de uma pessoa, onde passa a funcionar por anos a fio. Alimentado apenas pela energia gerada pelo próprio corpo, o chip envia e recebe sinais eletrônicos que podem ser captados por um satélite. Por meio desse sistema, é possível rastrear e localizar uma pessoa em qualquer lugar do planeta. O chip também registra os sinais vitais do usuário, como batimento cardíaco e pressão arterial.

Kiko Ferrite

Na internet, os sites oferecem serviços e informações úteis. Em troca, pedem dados dos usuários para identificar seus hábitos e lhes fazer ofertas cada vez mais personalizadas


Imagine o Digital Angel em mãos erradas – o que um ditador como Hitler ou Stalin seria capaz de fazer com um recurso como esse à sua disposição? Poderia implantá-lo no corpo de seus opositores e, dessa forma, controlar todos os seus passos. Ou determinar que, ao nascer, todos os bebês fossem obrigados a carregar o chip, de modo a poder vigiar os movimentos daqueles que o interessassem de maneira particular. A perspectiva tem um lado assustador, mas o uso do Digital Angel também pode ser benéfico. Com o consentimento do usuário, ele pode enviar sinais a um centro médico, avisando que a pessoa sofreu um acidente ou teve um ataque cardíaco. Também permite que a vítima de um seqüestro seja imediatamente localizada e libertada pela polícia. Uma criança perdida ou roubada seria facilmente encontrada pelos pais.

O lançamento do Digital Angel é um exemplo extremo das mudanças que envolvem um dos aspectos mais prezados da vida em sociedades avançadas: o direito à privacidade. Aparatos tecnológicos de vigilância estão hoje por toda parte. Na prática, você já é bastante observado por pessoas que não conhece. Se mora numa grande cidade, muitos de seus movimentos são acompanhados e registrados por câmaras de vídeo. Só em São Paulo existem 125.000 delas, espalhadas por restaurantes, bares, academias de ginástica, lojas, shoppings, supermercados, portarias de edifícios, ruas e avenidas. Da mesma forma, cada pagamento com cartão eletrônico ou de crédito permite identificar onde você esteve e o que fez nos últimos meses. Se usa o telefone celular, antenas conseguem captar seus movimentos pelos sinais que o aparelho móvel emite.


Egberto Nogueira

Cartões bancários já são mais usados que cheques no Brasil. Há 30 milhões em circulação e permitem saber onde e quando a pessoa sacou dinheiro e também o que comprou ultimamente


Só em animais – Nada disso é ficção. Aprovado em dezembro de 1999 pelo serviço de patentes do governo americano, o Digital Angel está à venda por 300 dólares a unidade. Temendo uma reação desfavorável à novidade, a fabricante Applied Digital Solutions, empresa com sede na Flórida, afirma que, por enquanto, ele será utilizado apenas para seguir os movimentos de animais de estimação e ajudar a recuperá-los em caso de perda. Com o chip, garante a empresa, acabou aquela história de colocar faixa na rua com o apelo: "Perdeu-se gata siamesa. Criança desesperada. Recompensa-se bem". Orientado por satélites, o "Anjo Digital" informa onde o animal está. E pronto. Do mesmo modo, pais preocupados em perder crianças pequenas na praia ou no shopping podem usar a novidade para mantê-las sob vigilância. Nesse caso, porém, em vez de implantá-lo sob a pele do bebê, basta embuti-lo numa pulseira ou colar. Estima-se que o mercado mundial para esse tipo de equipamento possa chegar a 100 bilhões de dólares.

A privacidade virou uma moeda de troca. Ao aceitar as comodidades oferecidas pela tecnologia, as pessoas concordam em renunciar a parte de sua individualidade. Em compensação, isso permite que passagens por supermercados, hotéis ou restaurantes sejam registradas e gravadas. "O mais surpreendente nessa história é que as pessoas estão abrindo mão de sua privacidade voluntariamente", diz o escritor canadense Reg Whitaker, professor da Universidade de York, em Toronto, e autor de um livro sobre o assunto. "Elas fazem isso em troca de produtos, serviços e segurança. O que torna esse processo irreversível é que ninguém está impondo nada a ninguém. É tudo consensual."

Antonio Milena

No Brasil, há quase 24 milhões de telefones celulares. Eles podem ser rastreados por uma das 12 560 torres de operação do país, para saber onde está o proprietário do aparelho


Sem sair de casa – Nos Estados Unidos, 150.000 casas já estão equipadas com os novos aparelhos de TV interativos. Além de oferecer uma programação sob medida para o usuário, eles permitem acesso à internet e a vários outros serviços, como fazer compras e efetuar operações bancárias sem sair de casa. Mas esses dispositivos também registram cada toque no controle remoto e enviam de volta para a operadora dados sobre tudo o que foi visto pelo dono do equipamento – incluindo quanto tempo o telespectador gastou vendo novelas, futebol ou filmes eróticos. De posse das informações, as empresas conseguem identificar os hábitos dos consumidores diante de um aparelho de televisão e com isso podem oferecer-lhes novos produtos, compatíveis com suas preferências. Uma pessoa que goste de assistir a documentários, por exemplo, estará mais disposta a aceitar uma oferta desse tipo de programa que outra que prefira ver partidas de futebol ou corridas de carro.

Na internet, os sites oferecem uma infinidade de serviços e informações úteis – com a condição de que o usuário preencha um cadastro com nome, idade, endereço, rendimento, preferências pessoais e, às vezes, até o número do cartão de crédito. Igualmente, ao permitir a instalação de uma câmara no elevador ou na entrada do edifício, para nos alertar contra a invasão de um assaltante, também concordamos com que nossos passos sejam seguidos pelo porteiro ou pelos vizinhos.

Antonio Milena

O empresário Correa Lima sob a mira da câmara na Rua Pernambuco: fim dos roubos


É um negócio milionário, que pode transformar o mundo da publicidade e do lançamento de produtos. Além do fabricante do Digital Angel, outras duas empresas já anunciaram a criação de aparelhos parecidos. Entre os possíveis clientes estão médicos e hospitais interessados em monitorar pacientes com doenças como o mal de Alzheimer (em que uma deficiência da memória faz com que as pessoas se percam facilmente) e penitenciárias preocupadas em localizar eventuais condenados fugitivos.

Menos crimes – Hoje, o mecanismo mais banal de vigilância são as câmaras de vídeo. Dependendo de sua rotina, um paulistano de classe média pode ser filmado mais de duas horas por dia, desde que sai de casa, pela manhã, para trabalhar até o momento em que volta, à noite, para dormir. Cada um dos 75 hipermercados Carrefour no país tem uma média de trinta aparelhos que captam o movimento dos clientes em diferentes ângulos. No total, a rede tem no Brasil mais de 2.000 câmaras, com o intuito de inibir pequenos furtos nas prateleiras e também afastar assaltantes dos caixas. Os equipamentos ajudam a reduzir crimes e acidentes nas grandes cidades e são cada vez menores e mais potentes. Embutidos em painéis de controle de elevadores ou camuflados atrás de espelhos, alguns são praticamente invisíveis.

Ana Araujo

O consultor Alex Rodrigues com seu GPS: guiado por sinais de satélites

Os moradores da Rua Pernambuco, vizinhos do prédio onde reside o presidente Fernando Henrique Cardoso, no bairro paulistano de Higienópolis, instalaram dezenas dessas câmaras de vigilância. Voltadas para a calçada, entradas de garagens e portarias de edifícios, elas captam as imagens de cada palmo da rua e as transmitem para monitores instalados em guaritas de segurança. Também podem ser vistas pelos próprios moradores, dentro dos apartamentos. Graças ao sistema de vigilância, ali o número de roubos e assaltos caiu a zero. E pouca gente reclama da falta de privacidade. "No mundo todo, as pessoas estão recorrendo a esse tipo de proteção", afirma o empresário Joaquim Correa Lima, que lá reside há oito anos. "A tendência é que seja usado cada vez mais."

Os satélites são a vanguarda nessa área. No Brasil, há dez empresas que oferecem esse serviço. Elas vendem, em média, cerca de 2.000 aparelhos por ano. Eles custam cerca de 500 reais a unidade e permitem que um carro e seu motorista sejam imediatamente localizados em caso de roubo, seqüestro ou acidente. Com sede em Uberlândia, o grupo Martins utiliza o sistema de vigilância por satélite em 1.000 caminhões de sua frota de distribuição. Com ele, a central da empresa, em Minas Gerais, consegue acompanhar o movimento de cada veículo. Além disso, a qualquer momento o cliente pode saber a localização exata de sua carga acessando um mapa na internet. O recurso melhorou o rendimento da frota em 10% e reduziu a ocorrência de roubos e furtos a praticamente zero.

Na área da saúde, o potencial de aplicação desses sistemas é enorme. Nos Estados Unidos, onde 8 milhões de pessoas precisam de cuidados médicos em casa, estima-se que a telemedicina já responda por mais de 100.000 consultas a distância por ano. Os pacientes usam equipamentos que medem a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a taxa de açúcar no sangue e captam outras informações que podem ser monitoradas a distância pelos médicos. Os aparelhos transmitem dados por sinais de rádio ou pela internet e custam cerca de 100 dólares a unidade. Os maiores usuários são pessoas com problemas cardíacos, diabetes, asma aguda ou outras doenças que requerem vigilância permanente do estado de saúde do paciente. No Brasil, os hospitais Albert Einstein e Incor, de São Paulo, estão testando sistemas de acompanhamento com monitores virtuais. As máquinas podem enviar através da internet, em tempo real, mais de 270 informações. "Com o uso da internet na medicina, tudo ficou mais fácil", diz o médico Flávio Muroclawski, do Einstein.

Reuters

Os satélites fotográficos, que antes eram utilizados apenas para fins militares, agora fazem fotografias sob encomenda de qualquer pessoa disposta a pagar por elas – e com precisão cada vez maior. Esta foto mostra o Capitólio, a sede do Congresso americano, visto pelas lentes de um satélite espião

Um dos fundamentos da nova economia é recolher o máximo de dados pessoais dos consumidores, de modo a reconhecer antecipadamente suas necessidades. A tecnologia permite fazer isso de forma discreta e eficiente. "O acúmulo e o intercâmbio de informações pessoais nos dias de hoje são um movimento sem precedentes na história humana", afirma o escritor Jeffrey Rosen, professor de direito na Universidade George Washington e autor do livro The Unwanted Gaze (O Olhar Indesejado).

Em nenhum outro lugar é tão difícil manter vida privada como na internet. A arma mais comum usada pelos sites para bisbilhotar seus usuários é o cookie (biscoito, em inglês). O cookie é um registro eletrônico que o site envia para o disco rígido do computador sem que o usuário saiba. É como uma impressão digital, pela qual seu equipamento será imediatamente reconhecido na próxima vez em que voltar a esse site. Quando alguém entra na Amazon.com, a maior livraria virtual do planeta, uma mensagem pisca imediatamente na tela de seu computador, chamando-o pelo nome. "Olá, fulano de tal", diz o texto, "estas são as sugestões que reservamos para você nesta semana." Em seguida, aparece uma lista de lançamentos, selecionada de acordo com as obras compradas da última vez. Se você adquiriu livros de história e de ciência, as sugestões estarão ligadas a esses dois temas. Caso seja realmente um apaixonado por história e ciência, provavelmente se sentirá bem tratado e, principalmente, tentado a comprar os títulos que lhe estão sendo indicados.

A tentação totalitária – A ameaça à privacidade já serviu de tema para inúmeras obras literárias, que apontavam o fim da individualidade como o perigo mais palpável de um mundo no qual pessoas sem direito de pensar nem de decidir sozinhas seriam controladas por regimes totalitários amparados pela tecnologia. No livro 1984, a mais conhecida delas, o escritor inglês George Orwell criou um sistema de vigilância batizado de Grande Irmão (Big Brother, em inglês), capaz de observar cada passo das pessoas e puni-las diante da menor transgressão à ordem estabelecida. No filme Blade Runner, as ruas são varridas por holofotes instalados em máquinas que sobrevoam as cidades e observam o que acontece embaixo.

Num famoso escrito de 1890, o juiz da Suprema Corte Americana Louis Brandeis definiu a privacidade como "o direito de ser deixado em paz". Significa que o cidadão tem o direito de ser protegido tanto de bisbilhotices e fuxicos dos vizinhos quanto da interferência do Estado. Segundo Brandeis, sem a garantia dessa proteção, todos os demais direitos civis ficam vulneráveis. Se tudo que uma pessoa pensar e fizer estiver sujeito ao escrutínio público, ela provavelmente não terá como exercer seu direito de livre escolha na hora de votar, por exemplo. É o direito à privacidade que garante que uma pessoa não terá sua casa invadida pela polícia no meio da noite nem seu telefone grampeado ou suas cartas censuradas antes de chegar ao destino. Por essa razão, o respeito à privacidade é uma das linhas que definem a fronteira entre democracia e ditadura. Não é à toa que todas as obras de ficção sobre os perigos que rondam essa questão têm como cenário regimes totalitários, nos quais as pessoas não conseguem reagir contra a invasão de sua individualidade. Quanto mais democrática e organizada for uma sociedade, mais habilitada estará para se defender desse tipo de agressão.

Segredos pessoais – O grande desafio agora é definir o limite entre o que é aceitável e o que é abuso contra a privacidade dos cidadãos. Os dados de bilhões de pessoas que hoje estão sendo armazenados nos computadores serão, para sempre, uma janela permanente aberta para nosso passado. "Computadores são como elefantes, eles jamais se esquecem das coisas", alerta o americano Richard M. Smith, membro de um grupo chamado Privacy Foundation. Manter segredos pessoais será cada vez mais difícil. Dados médicos, desempenho escolar e profissional, histórico familiar – tudo isso, e muito mais, já está disponível em bancos de dados.

Quer fazer um teste? Acesse qualquer sistema de busca da rede e digite a palavra Xuxa. Você encontrará nada menos que 38.400 referências à apresentadora da TV Globo, incluindo biografia, sites de fã-clubes, galerias de fotos e notícias. Em seguida, tente os seguintes nomes: Wagner Canhedo, Wanderley Luxemburgo e Ricardo Mansur. O resultado são mais de 15.500 páginas da internet com informações sobre eles, nas quais se fica sabendo que Canhedo, dono da Vasp, é acusado de dar o calote nos credores, Luxemburgo tem processos por sonegação de impostos e Mansur é procurado pela polícia por fraudes nas falências do Mappin e da Mesbla. Evidentemente, não são apenas celebridades ou gente com problemas na Justiça que aparecem na internet. Toda pessoa que tenha feito um exame vestibular ou participado de uma festinha de formatura do colégio provavelmente encontra seu nome registrado na rede mundial de computadores.

No Yahoo!, o serviço de busca mais popular da internet, existem mais de 100 opções para quem quiser vasculhar o passado de alguém nos Estados Unidos, onde os registros públicos já são completamente informatizados. Por menos de 20 dólares é possível obter uma ficha completa de qualquer cidadão. Ali se descobre, por exemplo, que os atores Robert Downey Jr. e Hugh Grant já tiveram problemas com a polícia – o primeiro por porte de drogas e o segundo por envolvimento com uma prostituta em Los Angeles.

Em julho do ano passado, o governo britânico promulgou uma lei que autoriza a polícia a ler mensagens eletrônicas na internet sempre que houver suspeita de crime. Nos Estados Unidos, o FBI criou um sistema chamado Carnívoro, que faz a triagem das mensagens trocadas através da rede e intercepta automaticamente aquelas que tenham palavras como "bomba", "droga" ou "terror". Nesses dois países, porém, existem leis que obrigam o governo a explicar a qualquer pessoa, mediante requerimento por escrito, que tipo de informações tem guardadas sobre ela e como as utiliza.

"A internet e a comunicação global vão forçar os governos do mundo todo a assinar acordos de proteção à privacidade e aos direitos dos consumidores", diz o americano Richard Smith. "Esse processo pode até demorar, mas vai acontecer." Um aspecto importante a ser levado em conta é a transparência no uso dos dados pessoais. É preciso que todos estejam plenamente informados a respeito de como suas informações estão sendo utilizadas. No ano passado, descobriu-se que um CD-ROM infantil de videogame chamado Coelho Malvado, fabricado pela Mattel americana, enviava secretamente dados do computador para a empresa quando o usuário se conectava à internet. Dessa forma, permitia obter informações registradas na máquina. A Mattel pretendia usar essas informações para estudar os hábitos de seus consumidores na hora de desenvolver novos produtos. Quando o dispositivo foi descoberto, pais revoltados exigiram que a companhia corrigisse o problema ou impediriam as crianças de usar o software.

O mesmo aconteceu com duas gigantes da informática. A Microsoft foi forçada a alterar uma nova versão do Windows, sistema operacional mais popular do mundo, que entraria em contato com os servidores da empresa para alertar o usuário sobre atualizações nos programas. O esquema poderia funcionar também para identificar dados pessoais ou até para ver se o computador usava softwares pirateados. A Intel apostou na instalação de outro dispositivo de monitoramento no chip Pentium III. Também foi pressionada a abandonar a idéia. Há alguns meses, a Disney ofereceu 50 milhões de dólares pelas fichas cadastrais de uma loja de brinquedos na internet. A Justiça americana barrou o negócio porque faltava o consentimento das pessoas envolvidas.

Para quem se preocupa com as ameaças embutidas no avanço da tecnologia, o escritor americano Neal Stephenson, autor de dois livros sobre o assunto, aponta uma lição importante da história. "Os países onde mais a ciência evoluiu e produziu resultados até hoje foram aqueles em que existem liberdade e democracia", diz ele. "Nos países totalitários, como a Alemanha nazista ou a União Soviética, a ciência teve momentos de expansão, mas sucumbiu junto com o regime toda vez em que se tentou utilizar esses avanços para reprimir ou massacrar pessoas." É, portanto, no equilíbrio entre democracia e pesquisa científica que se situa a garantia de que o avanço da tecnologia nunca será sinônimo de opressão nem de perda dos direitos individuais.

 

Rotina de artista

Veja neste quadro quantas vezes e quantos minutos por dia a imagem da estudante Renate Suzano, de 19 anos, é captada por algumas das 125 000 câmaras de segurança existentes na cidade de São Paulo.


Com reportagem de Fernanda Guzzo

 

Veja também
Rádio VEJA
  Ouça reportagem especial sobre invasão de privacidade. Especialistas falam sobre as vantagens e desvantagens do monitoramento eletrônico

 

 

   
 

Alex Akermann


1 - Escondido sob a pele da pessoa ou embutido num relógio ou colar, um chip de computador recebe e transmite informações por sinais de satélite.
2 - Satélites ligados à rede de telefonia celular conseguem identificar o usuário do chip em qualquer lugar do planeta.
3 - Os dados captados por satélites ou antenas são enviados à empresa que administra o Digital Angel.
4 - De posse de uma senha, é possível verificar a localização e os sinais vitais de quem está usando o chip. Os dados podem ser acessados via internet, pager ou celular.

   
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