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REPORTAGENS RELACIONADAS ÀS CARTAS
A matéria
de capa da última edição de VEJA, além de
primorosamente redigida, é mais um sinal da altíssima qualidade
da revista e a certeza de que a imprensa, no Brasil, representa hoje um
dos fundamentais pilares da construção de uma sociedade
democrática ("Ele jogou o BC na lama", 23 de maio). A leitura
da reportagem mexeu demais comigo. Não consegui lê-la de
uma vez. Precisei parar e refrear minha indignação, que
se transformou, confesso, em raiva intensa. Que tipo de homem dirige nossa
pátria, conspurcando-nos a esperança, a fé, a alegria
e as riquezas? VEJA está
de parabéns pelo enfoque que vem dando a reportagens que, com nítido
equilíbrio e objetividade, abordam os escândalos que o governo
tenta encobrir. Há
pelo menos vinte e tantos anos que eu me vejo gritando aos quatro cantos:
basta!. Como resultado, já estou rouco, e não se vê
o fim desses absurdos. Não
é a reportagem que estarrece, mas o fato de pessoas assim continuarem
livres neste país.
Chega a
ser revoltante o descaramento com que o governo nos trata nessa situação,
como em tantas outras. A tal crise, na verdade, é resultante da
falta de investimentos, pelos quais nós, consumidores, pagamos
durante anos, em cada conta exorbitante que quitamos. Onde foi parar o
fundo de reserva para esses investimentos ("A culpa é deles...
e nós é que (a)pagamos", 23 de maio)? Que duas
coisas fiquem bem claras: primeiro, que a culpa por tudo isso é
única e exclusivamente do responsável pelo governo federal,
eleito para administrar o país da melhor forma, que será
devidamente cobrado nas eleições do ano que vem. E, em segundo,
que ninguém, absolutamente ninguém, vai entrar em minha
casa sem uma ordem judicial e desligar a luz, cujo consumo está
sendo pago pontualmente. Ao pagar a conta de luz, estou cumprindo com
minha obrigação. Que a outra parte cumpra com a sua. É
lamentável ver um país tão grande e tão rico
quanto o Brasil passar por uma situação dessas. O presidente
garantiu que não haveria multas e que confiava na solidariedade
do povo. O que aconteceu? Ficamos não-confiáveis nós
ou o presidente? Que vou ter
de economizar não tenho dúvida, que devo contribuir com
minha parcela de sacrifício também não, mas quero
ver os incompetentes nominados e exonerados.
Eu gostaria
de manifestar minha indignação em relação
à reportagem "Pronto para a renúncia" (23 de maio). Fui
à passeata e vi muita gente ser fortemente agredida. A polícia
soltou cachorros da raça rottweiler em cima dos manifestantes,
atirou bomba de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás
de pimenta. Meu colega de escola que foi comigo perdeu a audição
do ouvido esquerdo, quase ficou cego e deu entrada no hospital com ferimentos
no rosto e no braço.
Arc Arc, você
leu VEJA da semana passada? Eu li sobre o golpe bilionário que
jogou o nome do BC na lama, a violação do painel eletrônico
do Senado, a pizza recheada de arquivamentos de processos contra o senador
Jader, a falta de controle dos testes de Aids para bancos de sangue, o
recorde de destruição da Amazônia, a maior crise energética
da nossa história etc. Se você ler, duvido que ainda queira
viver no Brasil. É melhor esperar um pouco mais, quem sabe daqui
a alguns anos melhore a situação por estas bandas. Avisarei
quando for possível.
É
estarrecedor saber que, com tantos investimentos na Amazônia, ainda
ocorrem desmatamentos gigantes. Eu só queria entender como a mídia
fica a par de tais crueldades e o governo não ("Um campo de futebol
a cada 8 segundos", 23 de maio).
Já
estamos acostumados a ver nas colunas sociais as jovens que se casam com
velhotes babões endinheirados e são felizes até que
a partilha dos bens e as graúdas pensões os separem. Mas
o que chama a atenção no caso de Jair Coelho e da bela jovem
Ariadne (rei e rainha das quentinhas) é a desumanidade a que chegou
esse senhor, a ponto de matar um bicho de estimação a "pontapés".
Fiquei indignada pelo bicho, que é um ser indefeso e inocente.
É realmente muito difícil comprar a felicidade ("Coelhos
desfeitos", 23 de maio).
Se Jesus
e Francisco de Assis retornassem hoje, o mais provável é
que sofressem o repúdio e o desprezo dos "donos da fé".
O que temos visto é que no mundo inteiro existem os "Franciscos
de Assis" que trabalham no anonimato, ajudando os que precisam sem fazer
barulho ("O santo de Assis", 23 de maio).
Li em sua
última coluna que você está querendo mudar-se e encontra-se
em dúvida sobre alguns lugares. Eu já me mudei inúmeras
vezes, de casa, de cidade, de país, e, se quiser uma sugestão
(creio que você não precisa muito), escolha o lugar pelas
pessoas, não pelo que a cidade oferece. Ao lado de quem você
gosta, a vida será bem mais agradável, e a cidade também
se tornará mais bonita. No final, é só isso que conta
mesmo, o amor que você deu e recebeu, nada mais ("Penso em mudar",
23 de maio)...
Concordo
plenamente: depois de completar 80 anos, no início de 2001, graças
principalmente às ótimas amizades que tenho feito via internet,
pela primeira vez experimentei alegria em viver e comecei a me sentir
feliz, não obstante estar atravessando dificuldades financeiras
("O poder grisalho", 16 de maio).
Gostei muito
de saber que existe uma congregação católica que
se importa realmente com os problemas dos "mais humildes". Se mais pessoas
seguissem esse exemplo, independentemente da religião, a sociedade
poderia ter um pouco mais de conforto espiritual. E quem sabe poderíamos
viver em maior harmonia uns com os outros. ("Espiões de Cristo",
23 de maio).
Na reportagem
"Jornada múltipla" (23 de maio), mais uma vez o país é
inundado com denúncias de tramóias e maracutaias no serviço
público. O mais interessante é ver a cara-de-pau dos dirigentes
dos órgãos denunciados ao se sentirem surpresos a cada fato
novo revelado.
Fiquei horrorizada
com a entrevista de Nobuyuki Idei, novo presidente da Sony. Ele tem mesmo
de exercer seu trabalho com muita competência. Mas substituir a
companhia humana por um robô é o cúmulo (Amarelas,
23 de maio)!
Mais uma
vez Roberto Pompeu de Toledo arrasou em seu ensaio sobre "Variações
em torno do mesmo tema" (23 de maio). Fico imaginando se o senhor Roberto
Marinho tivesse três redes de TV, igual a Silvio Berlusconi (na
Itália), e chegasse ao poder. Teria conseqüentemente mais
uma rede em suas mãos, a Cultura, que por sinal é a melhor
do país. O que seria do nosso Brasil? Sou italiano
e assinante de VEJA, pois sempre a achei muito interessante e além
de tudo muito imparcial e apolítica. Gostaria de esclarecer que
sou um dos 15 milhões de italianos que votaram em Berlusconi ("A
Itália elege o homem-show", 23 de maio). Fiquei horrorizado com
o tratamento que VEJA dedicou ao nosso líder. Nós, europeus,
até que podemos dar risada, mas será que os brasileiros
vão pensar que somos nós a verdadeira república das
bananas?
A reportagem
"Verdade homérica" (23 de maio) cita a invasão de Tróia
pelos gregos, escondidos dentro de um cavalo de madeira, como uma "cena
marcante da Ilíada". Na verdade, a Ilíada
encerra-se com os funerais de Heitor, e não chega a narrar a invasão
da cidade. Homero refere-se ao Cavalo de Tróia em outro poema épico,
Odisséia, quando Ulisses, incidentalmente, revela sua participação
no episódio.
VEJA Moro a 180
quilômetros de Belo Horizonte e VEJA só chegava aqui na quinta-feira.
Desde o início do mês, a revista está chegando fresquinha,
na segunda, o que deixou a todos por aqui muito felizes e com a certeza
de que a editora se preocupa sempre em melhorar e respeitar seus assinantes.
Obrigado, VEJA!
VEJA, mais
uma vez, mostra quanto está à frente de outras publicações
ao colocar à disposição de seu leitor uma área
inteiramente dedicada à educação (VEJA
Educação). Parabéns pela iniciativa,
pois com certeza essa nova seção ajudará muitos professores
e estudantes (VEJA on-line, 23 de maio).
O trecho
da reportagem "Ele jogou o BC na lama" (23 de maio) com o título
"Como o escândalo foi abafado" atribui a uma suposta conversa reservada
com senadores uma frase minha de dois anos atrás, agora publicada
em manchete de página totalmente fora do contexto em que antes
foi proferida. Ao ler a reportagem, tem-se a impressão de que a
frase foi dita recentemente e significa fato novo a denunciar ou a investigar.
Em 19 de março de 1999 concedi em Madri longa entrevista à
Folha de S.Paulo. Às perguntas, feitas em tom de brincadeira,
"Por que o senhor pediu demissão?" e "Sente-se também responsável
pelo fato de o regime cambial ter se tornado insustentável e ter
sido mudado de uma maneira que muita gente chama de infeliz?", respondi,
também em tom de brincadeira: "Não gostaria de entrar em
detalhes da história, que ficam para meu livro de memórias
que será publicado algum dia, dez anos depois de minha morte".
Esclarecimento Os telefones celulares citados na reportagem "Ele jogou o BC na lama" (23 de maio) sob suspeita da Polícia Federal são do Rio de Janeiro. Os números corretos são: (21) 9916-2833; (21) 9983-5650; (21) 9995-5055. CORREÇÃO: Os números da nota "O ritmo do crescimento" (16 de maio) referem-se ao crescimento populacional brasileiro, que inclui nascimentos, óbitos e o saldo das migrações, e não apenas ao número de nascimentos, como foi publicado.
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