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Um nervo exposto
em Brasília
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| A
capa de VEJA: reportagem investigativa |
VEJA publicou
na semana passada uma reportagem
investigativa que apresentou os indícios mais fortes até
agora de que, quando da virada da política cambial há dois
anos, no comando do Banco Central, o economista Francisco Lopes passou informações
privilegiadas e deu ajuda bilionária indevida a banqueiros em dificuldade.
Segundo a apuração da revista, um desses banqueiros, Salvatore
Cacciola, do banco Marka, conseguiu o benefício por meio de uma chantagem
que obrigou Lopes a contrariar a ortodoxia desse tipo de ajuda e salvar
a fortuna pessoal do banqueiro em prejuízo de seus investidores.
A reportagem de VEJA veio à luz num momento delicado da vida política
brasileira. Um momento em que o governo enfrenta um conjunto de crises.
Há um apagão enfezando a opinião pública e uma
oposição que, declaradamente, quer "inviabilizar" a administração
federal. Tudo isso em meio a uma tensão pré-eleitoral já
desencadeando suas ondas desestabilizadoras pelo Planalto.
Como as
estiagens ou os raios, porém, os fatos não escolhem hora
para surgir. A obrigação de uma publicação
que leva a sério sua missão de informar é divulgá-los
quando eles aparecem, mesmo sabendo que pinçariam um nervo aberto.
A questão agora, reconheça-se, não é esmiuçar,
dois anos depois, se o presidente Fernando Henrique Cardoso ou o ministro
da Fazenda, Pedro Malan, souberam das circunstâncias da ajuda. Por
um motivo ou outro eles descartaram Francisco Lopes apenas duas semanas
depois da virada do câmbio e dos eventos em questão. Agiram
prontamente, portanto. O que precisa ser apurado é como Lopes salvou
a pele de Cacciola com dinheiro público, deixando-o de posse de
seus bens, enquanto seus investidores amargavam perdas. Graças
à reportagem de VEJA, as autoridades retomaram o ânimo na
apuração do escândalo, que andava meio esquecido.
É bom notar que esse tipo de vazamento ocorre no mundo inteiro.
Quando descobertos, é imperativo que seus responsáveis sejam
punidos exemplarmente por atentarem contra o sistema financeiro, um dos
mecanismos fundamentais de produção de prosperidade do capitalismo.
Se – como tudo indica – houve crime nesse caso, seria calamitoso que no
Brasil passasse impune. Veja
reportagem.
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