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VEJA Recomenda
Como Eu Festejei o Fim do Mundo (Comment JAi Fêté la Fin du Monde, Romênia/França, 2006. Desde sexta-feira em cartaz) Depois do excepcional 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, eis mais uma chance de conferir por que o cinema romeno anda tão falado. Em Como Eu Festejei está-se em 1989, literalmente às vésperas do colapso do bloco socialista um desenlace que a oprimidíssima Romênia nem imagina estar a caminho. Numa escola da capital, Bucareste, a adolescente Eva (a notável Doroteea Petre) e seu namorado, Alex, provocam uma comoção ao acidentalmente derrubar e quebrar um busto do ditador Nicolae Ceausescu. O pai de Alex é membro do Partido Comunista, e ele se safa da punição. Eva não tem ninguém que a proteja e é enviada para um reformatório, onde conhece o também rebelde Andrei, com quem passa a tramar uma fuga da Romênia, cruzando o Rio Danúbio a nado. Como nos outros novos filmes romenos, o cenário político é uma moldura para os dramas do dia-a-dia, que são tingidos e intensificados pela repressão ideológica. Como Eu Festejei não tem a contundência de 4 Meses, mas vem enriquecido pela experiência pessoal: quando Ceausescu caiu, o diretor Catalin Mitulescu tinha a mesma idade de sua protagonista.
LIVRO
Lisboa O que o Turista Deve Ver, de Fernando Pessoa (tradução de Maria Aurélia Santos Gomes; Companhia das Letras; 192 páginas; 39 reais) A capital portuguesa fornece o ambiente de grande parte da poesia de Fernando Pessoa (1888-1935). Maior nome da poesia moderna de Portugal, Pessoa definia-se como um "nacionalista cosmopolita". O presente livro é, como o título anuncia, um guia turístico, recheado de informações históricas e arquitetônicas sobre a cidade. Mas, entre uma data e um nome de rua, transparece o entusiasmo do autor por sua capital, descrita sempre em cores esplendorosas e ensolaradas. Escrito originalmente em inglês, provavelmente em 1925, o livro permaneceu inédito até ser redescoberto por pesquisadores em 1987. Essa primeira edição brasileira é bilíngüe. Leia trecho.
DVDs O Anjo Embriagado (The Drunken Angel, Japão, 1948. Lume) O cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998) tinha um carinho especial por essa produção: foi o primeiro filme em que pôde burilar seu estilo, depois aprimorado em obras-primas como Os Sete Samurais e Trono Manchado de Sangue; e marcou o início de sua longa parceria com o ator Toshiro Mifune (1920-1997). Célebre pela forma amarga como encarnava tipos embrutecidos, Mifune vive Matsunaga, um gângster que descobre estar com tuberculose. Ele procura a ajuda de um médico alcoólatra, que tenta convencê-lo a abandonar o crime. Anjo Embriagado tem momentos primorosos, como as cenas passadas no bairro do médico em que o manguezal poluído é uma representação da degradação e a luta entre Matsunaga e um rival, da qual ambos saem salpicados de tinta branca. Quincy Jones: 50 Years in Music, Quincy Jones e convidados (ST2) É impossível falar da música americana do século XX sem citar o nome de Quincy Jones. Esse maestro, arranjador e produtor trabalhou com uma constelação de artistas, de ícones do jazz, como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, ao astro pop Michael Jackson. Fez ainda incursões por gêneros musicais diversos, incluindo o hip hop. Em 1996, ele comemorou cinqüenta anos de carreira no festival de jazz de Montreux, na Suíça. À frente de uma big band e acompanhado pelos cantores Chaka Khan e Mick Hucknall (menos histérico do que de costume) e pelos músicos David Sanborn (saxofone) e Toots Thielemans (gaita), Jones revisita temas como Moanin e Miss Celies Blues. Atente para as "aulinhas" que o maestro dá antes de cada canção, explicando como elas foram compostas e qual a sua importância. A Tribute to Piaf, vários intérpretes (ST2) Em 2004, o pianista francês Baptiste Trotignon foi incumbido de uma missão espinhosa: organizar uma homenagem a Edith Piaf (1915-1963), o maior nome da chanson francesa. Pelo resultado de A Tribute to Piaf, que aqui pega carona no sucesso da cinebiografia da artista, pode-se dizer que ele chegou quase lá (nenhuma versão, por melhor que seja, supera o original). Trotignon colocou um acento jazz nos sucessos de Piaf e convocou seis intérpretes, entre musas do teatro e da world music. Os destaques ficam por conta da alemã Ute Lemper, que dá teatralidade às letras de Elle Fréquentait la Rue Pigalle e LAccordéoniste, e de Catherine Ringer (vocalista do Les Rita Mitsouko), com uma versão roqueira de La Fille et le Chien. O tributo, claro, inclui La Vie en Rose interpretada em coro pelas convidadas. |
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