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Edição 2058

30 de abril de 2008
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Aviação
Conversa nas alturas

A Europa autoriza o uso de celulares a bordo.
Para muitos passageiros, vai ser um incômodo


Rafael Corrêa

Aos poucos, o uso de telefones celulares em aviões começa a ser liberado. Há três semanas, a União Européia aprovou a utilização de um novo sistema desenvolvido pelas companhias aéreas e por seus parceiros para instalar telefonia móvel em aeronaves, concluindo que ele não oferece risco aos equipamentos de navegação. Diante disso, a Air France já começou a realizar os primeiros testes, com passageiros usando seus celulares a 12 000 metros de altitude, e deve ser seguida em breve pela irlandesa Ryanair e pela inglesa BMI. O sistema é baseado num aparelho chamado picocell, instalado dentro do avião, que funciona como uma miniestação de telefonia para captar os sinais dos celulares e transmiti-los a um satélite (veja o quadro abaixo). A miniestação só é ativada quando o avião atinge altitude de cruzeiro, permanecendo desligada durante pousos e decolagens.

A decisão da União Européia não foi recebida com entusiasmo por todas as companhias aéreas. A Lufthansa, a segunda maior da Europa, disse que não vai empregar o novo sistema. Uma pesquisa entre seus passageiros concluiu que o barulho dos toques dos celulares e das pessoas falando ao aparelho seria um estorvo durante as viagens. Companhias que têm interesse em oferecer o serviço ainda estudam a melhor maneira de controlar o uso de celulares a bordo. A Emirates, companhia dos Emirados Árabes Unidos, há um mês liberou os celulares em uma de suas aeronaves, mas os passageiros são aconselhados a deixar os aparelhos no modo silencioso.

Nos Estados Unidos, o uso de celulares em aviões continua proibido. Uma pesquisa encomendada pelo órgão que regula as telecomunicações no país mostrou que muitos americanos são contra a utilização dos aparelhos durante os vôos. No Brasil, ainda deve demorar até que os celulares sejam liberados a bordo. A TAM afirma que está estudando a implantação do serviço, mas para isso precisa de autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O órgão, por sua vez, teria de fazer estudos técnicos para emitir seu parecer.

 
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