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Cartas
Caso Isabella Gostaria de parabenizar
VEJA pela seriedade com que vem tratando o caso Isabella: provas,
perícia, laudos, testemunhas, sangue, pegadas, um automóvel,
um buraco na tela e o arremesso de uma criança de 5 anos
do 6º andar do Edifício London numa madrugada em
São Paulo. Os indiciados: o pai e a madrasta que têm
dois filhos. A pena deve ser proporcional ao crime hediondo
com todas as suas agravantes e também à dor causada
à mãe de Isabella, aos seus familiares e amigos. VEJA foi muito corajosa.
Resta esperar que a Justiça se faça presente e
crimes hediondos como esse não fiquem impunes! É triste que,
em meio ao clamor da imprensa e da população por
justiça no caso Isabella, nenhum destaque seja dado ao
comportamento sereno e forte da mãe da menina, Ana Carolina
Oliveira, um exemplo a ser seguido em meio a tanta dor e tanto
sofrimento. Ela somente pede justiça e que se lembrem
da alegria da garota em vida. A mãe de Isabella
deve estar passando pelo pior momento de sua vida. Que Deus a
ajude a enfrentar tudo isso. Estou rezando por ela e por Isabella! Existe uma testemunha
ocular de todo o drama da menina Isabella: seu irmãozinho
Pietro, de 3 anos. O Ministério Público vetou
seu testemunho, como se isso fosse diminuir o trágico drama
vivido pelo garoto. Acho que em outro país seria designado
um profissional, psicólogo talvez, que de maneira adequada
ouvisse dele o que aconteceu. A polícia tem seu parecer,
que é de todo provável. O relato do garoto poderia
confirmar a tese policial e dirimir de vez as dúvidas. O caso Isabella foi
a gota dágua no copo que já estava transbordando
de violência contra as nossas crianças. Precisamos
nos unir e exigir de nossos parlamentares severas mudanças
no Código Penal, ultrapassado e altamente benevolente
com os criminosos. Será que nossos parlamentares não
se mexem para mudá-lo com medo de dar um tiro no próprio
pé? Mais um crime sem
precedentes abala o país. Nossas leis parecem antiquadas
e por demais fossilizadas para tratar do assunto crime no Brasil.
A insegurança parece tomar as ruas e a vida dos brasileiros.
Existe uma saída, mas ela só será encontrada
quando houver um esforço maior daqueles que criam leis
para combater o crime, sem negociações ímpias
que tanto corroem a alma do poder brasileiro. Com a morte de Isabella,
o Brasil tem uma reflexão profunda a fazer, reconhecendo
que o verdadeiro valor do homem é a fraternidade. Como
é chocante a ação dos adultos contra a
vida das crianças indefesas!
Gilmar Mendes Brilhante e animadora
a entrevista concedida pelo novo presidente do STF, ministro
Gilmar Mendes, a VEJA (Amarelas, 23 de abril). Entre outros
comentários lúcidos, o ministro revela sua preocupação
com uma possível reforma de mandatos eletivos. Gilmar
Mendes também deixa claro que, num estado de direito,
não há soberanos, pois todos estão submetidos
às regras constitucionais. Uma pena que muitos dos atuais
ocupantes dos palácios, ministérios ou parlamentos
finjam não ter conhecimento sobre o que reza a Constituição
do Brasil. Insistem em se colocar acima da lei maior e, assim,
enfraquecem o regime democrático. Gilmar Mendes mostra-se
sereno e sobretudo racional, apto a exercer seu mister perante
a nossa Suprema Corte. Parabéns a VEJA pela pertinência
da entrevista! Contrariando Aristóteles, o qual dizia
que "a paixão perverte os magistrados e os melhores
homens: a inteligência sem paixão eis a
lei", Mendes mostra-se apaixonado na luta pela afirmação
do estado democrático de direito. Sou advogado e professor
universitário de curso de direito em João Pessoa,
Paraíba. Tive oportunidade de conhecer outros ordenamentos
jurídicos, como os da Inglaterra e da Espanha. Considero
o nosso Supremo Tribunal Federal um dos mais sérios do
mundo. A chegada do jovem ministro Gilmar Mendes à sua
presidência representa uma vitória do jurisdicionado
brasileiro. Homem sério, jurista brilhante, pensador
competente, Gilmar Mendes vai se consagrar definitivamente no
Supremo nestes dois anos de mandato. Ele resume tudo o que queremos
ouvir quando diz que, no julgamento da utilização
de células embrionárias humanas em pesquisas científicas,
o ideal é a corte chegar a "um resultado mais
científico e menos dogmático". Esperemos
para ver. O ministro Gilmar
Mendes deu uma entrevista emblemática, lúcida,
corajosa, que precisa ser lida por todos os que acreditam em
estado democrático de direito no Brasil. Por sua importância
doutrinária, didática, ela merecia ser distribuída
nos cursos jurídicos de todo o país e debatida
pelos estudantes nas salas de aula.
Carta ao leitor As Páginas
Amarelas retrataram de maneira clara os dois poderes: Legislativo
e Judiciário. O primeiro, com o título "O
Congresso na UTI", e o segundo, "Fumaça de
casuísmo" ("O grito das instituições",
Carta ao leitor, 23 de abril). Caso venha a existir uma entrevista
com o responsável pelo Executivo, sugiro o título:
"Um Executivo imPACtado".
Família Muito boas as considerações
apresentadas pelo psicanalista francês Charles Melman,
lacaniano, sobre a realidade contemporânea. Para quem
atua em clínica psicológica, a análise
do doutor Melman é incontestável e, infelizmente,
preocupante! Destaca-se que o papel de autoridade do pai
(bem diferente de autoritarismo!) vem, gradativamente, se enfraquecendo
e desaparecendo, declínio este responsável, entre
outros fatores, por tornar nossos jovens menos propensos a batalhar
pelo sucesso e a estabelecer um ideal de vida, por falta de
modelo mais forte, com o qual possam se identificar. Em
vez disso, eles se acomodam com o que recebem, não organizam
sua existência nem o futuro, buscam apenas o prazer imediato
de maneira inconseqüente.
General Augusto Heleno Pereira Felizmente ainda temos
em nosso Exército comandantes que põem o Brasil
acima das perspectivas pessoais. A posição firme,
corajosa, patriótica e correta do general-de-exército
Augusto Heleno Pereira, comandante militar da Amazônia,
merece apoio incondicional e serve de advertência aos
que, embebidos pelo poder, atentam contra nossa soberania ("Selva
é com ele", 23 de abril). A verdade dói.
Toda vez que se toca o dedo na ferida o governo vem dizer que
são devaneios dos militares, entre outras coisas mais.
O posicionamento do general Heleno em relação
à Amazônia e à política indigenista
do governo repercutiu nacional e internacionalmente. É
grave a situação. O mando e o desmando de ONGs
picaretas em território nacional são uma verdadeira
afronta e um descaso do governo. Não se pode brincar!
Soberania nacional é coisa séria. O general Heleno foi
modesto em suas declarações sobre a política
indigenista brasileira. Com certeza, a situação
é muito mais grave e absurda. Os índios não
precisam de imensas áreas de terra; eles precisam, sim,
é de acesso a escola, saúde, alimentação
e, mais importante ainda, inserção no mercado
de trabalho, como brasileiros que são. Estão querendo
amputar vastas áreas do Brasil a pretexto (lorota) de
proteger os índios. Parabéns ao patriota general
Heleno. O general Augusto
Heleno falou do que conhece, e muito bem. Morei em Roraima e
vi o absurdo de perto. Uma área assustadoramente grande
para abrigar "meia dúzia de índios".
Lamento que o Brasil não saiba o que se passa naquela
região: tráfico de pedras preciosas, drogas, gasolina
etc. Daí o grande interesse e a polêmica! Causou-me
estranheza o presidente Lula cobrar explicações
do comandante do CMA por falar a verdade. Nunca o fez com outros
membros de sua equipe, que vivem dando informações
desencontradas. O último episódio foi com o ministro
Celso Amorim, que sinalizou publicamente ser favorável
ao reajuste dos valores pagos ao Paraguai. O presidente negou.
Nesse caso, o chanceler não deve explicações?
Ah! Ele não é militar! O Brasil é
um vasto canteiro de problemas, mas, quando um brasileiro sério
e competente sai do hipnotismo, como fez o general-de-exército
Augusto Heleno Pereira, que denunciou com bravura a situação
lamentável e caótica da política indigenista,
o fato ganha dimensão e torna-se polêmico. Para
que tanta terra reservada aos índios, que são
tão poucos e abandonados? Precisam, sim, é de
uma assistência mais digna por parte das autoridades competentes.
Sabemos todos que o Brasil está em tempo de mudança.
É preciso eliminar os velhos e injustos cerceamentos,
abrindo um amplo e equânime leque de oportunidades sociais
a todas as classes. Sabemos que não devemos esperar milagres,
mas podemos, com inteligência, sanar muitos problemas
que nos afligem. Quando tudo e todos
parecem perdidos em meio a tanta omissão e desmando,
surge alguém que sabe do que fala e o faz com coragem.
Vamos aguardar para ver se o STF terá a mesma atitude
do general Heleno para julgar a demarcação das
terras na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima,
de onde querem expulsar quem trabalha e produz. Até a semana
passada ninguém tinha ouvido falar em um general chamado
Augusto Heleno. Em menos de uma semana ele se tornou um queridinho.
Fiquei espantada com a quantidade de assinaturas a seu favor
num abaixo-assinado que circula na internet, pedindo que ele
se candidate à Presidência da República.
No início dos anos 60, vimos que a insatisfação
popular com a corrupção que campeava no país
levou o general Castello Branco a assumir o poder com forte
apoio popular e da imprensa. Será que teremos bis? É
bom ficar de olho!
Escândalo das ONGs Sobre a reportagem
"A fraude documentada" (23 de abril), que aborda o
tema do desvio de recursos públicos por parte de ONGs,
o ex-ministro Agnelo Queiroz esclarece: 1) Que nunca ouvira
falar de Michael Vieira da Silva até a publicação
do texto da revista VEJA; 2) Que conhece Luiz Carlos de Medeiros,
e que este atuou como um dos simpatizantes a sua campanha
ao Senado Federal, e que não recebeu nenhuma colaboração
financeira ou material, como os computadores citados na matéria;
3) Que suas contas de campanha foram aprovadas por unanimidade
no TRE; 4) Que espera e desafia a testemunha denunciante a provar
as declarações de entrega de dinheiro, e que,
caso isso não ocorra espontaneamente, terá de
fazê-lo judicialmente. Agnelo Queiroz reafirma publicamente
o compromisso com a verdade e a transparência que sempre
nortearam sua vida pessoal e pública. E, por acreditar
que uma democracia só se consolida com o respeito às
instituições, ao estado de direito e à
liberdade de informação, coloca-se à disposição
para quaisquer esclarecimentos.
André Petry Os casos de pedofilia,
de aids e de outras mazelas humanas no interior da Igreja Católica
deveriam motivar reflexões. A Igreja não é
a dona da verdade transcendental; é formada por homens
que carregam dentro de si os mesmos deuses e demônios
do resto da humanidade. Há, sem dúvida, uma
espécie de corporativismo religioso quando membros da
Igreja absolvem, acolhem e acobertam seus pecadores, e condenam
os outros humanos, tão pecadores quanto eles próprios.
E, na condição de corporação, faltam-lhe
misericórdia e generosidade para com o outro pecador,
que se perde nas tentações, fora da proteção
dos muros das catedrais ("O papa e os pedófilos",
23 de abril). Não há
dúvida de que os casos de violência sexual cometidos
por padres representam um tema delicado e vergonhoso para todos
os católicos. Entretanto, tais episódios não
refletem os ensinamentos da Igreja nem a conduta da imensa maioria
dos sacerdotes e fiéis; por isso mesmo, constituíram
um dos muitos assuntos abordados pelo papa em sua recente viagem
aos Estados Unidos, mas não o tema único, tampouco
o principal. De qualquer modo, ao tratar dessa questão,
os atos e palavras de Bento XVI demonstraram seu grande empenho
pessoal em combatê-la.
Diogo Mainardi O sistema de cotas,
que muitos julgam abrir oportunidades e romper com a desigualdade
racial, apenas intensifica o preconceito. É preciso
investir na educação. O ensino básico não
deve formar negros, pardos ou brancos. As escolas existem para
formar cidadãos prontos para encarar um mundo
em constante transformação ("O quilombo do
mundo", 23 de abril). Ao comentar o sistema
de cotas raciais que se pretende adotar no ensino superior brasileiro,
Diogo Mainardi acerta o alvo quando diz que a desigualdade nasce
no ensino básico e certamente é lá que
deve ser combatida e solucionada. De fato, o Brasil é
o país que apresenta a maior desigualdade social com
gastos em educação pública. Segundo a Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal),
um estudo realizado em 2005 no Brasil, Argentina, Chile, Bolívia
e Colômbia mostrou que nosso país tem a pior distribuição
de gastos com educação. Apenas 17% são
destinados aos 20% mais pobres e 27% aos 20% mais ricos. O Chile
tem a melhor distribuição, gastando 35% com os
20% mais pobres e 5% com os mais ricos. Por outro lado, as despesas
com ensino superior no Brasil são 12,3 vezes maiores
do que com o ensino fundamental. Essa relação
de gasto é de 2,5, na média, nos países
europeus; 2,5 nos Estados Unidos; 2,6 na Argentina; e 1,7 na
Coréia. Além disso, há um tremendo desequilíbrio
regional no ensino superior brasileiro. A distribuição
de matrículas por 100 000 habitantes no setor público
é praticamente uniforme em todas as regiões. Já
no setor privado, as matrículas são fortemente
dependentes da renda do estado o que vale dizer que estados
mais pobres são mal atendidos pelo setor público.
Certamente está na má distribuição
de gastos um dos graves problemas da educação
brasileira.
Música Fiquei muito indignada
ao ler os impropérios ditos por Roger Waters sobre o
atraso da equipe de montagem da ópera Ça Ira,
aqui em Manaus ("A ópera do roqueiro", 23 de
abril). Estou manauara há pouco mais de três anos
e tenho muito respeito e gratidão pelo povo caloroso
dessa cidade, que recebe a todos com o maior carinho. Como
fã do Pink Floyd, que, entre outros, marcou a vida de
muitos, esse lamentável desabafo foi minimizado por um Waters
emocionado, que, na abertura do festival, segurando com
a mão trêmula um pedaço de papel, se rende
ao imponente e majestoso palco do teatro que abrigou o seu desejado
espetáculo.
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