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Edição 2058

30 de abril de 2008
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Cartas

"Li a reportagem ‘Frios e dissimulados’ (23 de abril). Meu coração está dilacerado. Minhas mãos suam frio e marcam as páginas de VEJA. Olho para minha filha de 2 anos e me falta o ar."
Kátia Peixoto Gazano
São Vicente, SP

Caso Isabella

Gostaria de parabenizar VEJA pela seriedade com que vem tratando o caso Isabella: provas, perícia, laudos, testemunhas, sangue, pegadas, um automóvel, um buraco na tela e o arremesso de uma criança de 5 anos do 6º andar do Edifício London numa madrugada em São Paulo. Os indiciados: o pai e a madrasta que têm dois filhos. A pena deve ser proporcional ao crime hediondo com todas as suas agravantes e também à dor causada à mãe de Isabella, aos seus familiares e amigos.
Mônica Ponzi
Rio de Janeiro, RJ

VEJA foi muito corajosa. Resta esperar que a Justiça se faça presente e crimes hediondos como esse não fiquem impunes!
Tania Rangel
Mogi das Cruzes, SP

É triste que, em meio ao clamor da imprensa e da população por justiça no caso Isabella, nenhum destaque seja dado ao comportamento sereno e forte da mãe da menina, Ana Carolina Oliveira, um exemplo a ser seguido em meio a tanta dor e tanto sofrimento. Ela somente pede justiça e que se lembrem da alegria da garota em vida.
Reinaldo Lepsch Neto
Itu, SP

A mãe de Isabella deve estar passando pelo pior momento de sua vida. Que Deus a ajude a enfrentar tudo isso. Estou rezando por ela e por Isabella!
Milene Gissoni Ribeiro
Pouso Alegre, MG

Existe uma testemunha ocular de todo o drama da menina Isabella: seu irmãozinho Pietro, de 3 anos. O Ministério Público vetou seu testemunho, como se isso fosse diminuir o trágico drama vivido pelo garoto. Acho que em outro país seria designado um profissional, psicólogo talvez, que de maneira adequada ouvisse dele o que aconteceu. A polícia tem seu parecer, que é de todo provável. O relato do garoto poderia confirmar a tese policial e dirimir de vez as dúvidas.
Milton Onofre Gouveia
Recife, PE

O caso Isabella foi a gota d’água no copo que já estava transbordando de violência contra as nossas crianças. Precisamos nos unir e exigir de nossos parlamentares severas mudanças no Código Penal, ultrapassado e altamente benevolente com os criminosos. Será que nossos parlamentares não se mexem para mudá-lo com medo de dar um tiro no próprio pé?
Polyana Alencar Façanha
Aracaju, SE

Mais um crime sem precedentes abala o país. Nossas leis parecem antiquadas e por demais fossilizadas para tratar do assunto crime no Brasil. A insegurança parece tomar as ruas e a vida dos brasileiros. Existe uma saída, mas ela só será encontrada quando houver um esforço maior daqueles que criam leis para combater o crime, sem negociações ímpias que tanto corroem a alma do poder brasileiro.
João Barbosa de Oliveira Jr.
Maputo, Moçambique

Com a morte de Isabella, o Brasil tem uma reflexão profunda a fazer, reconhecendo que o verdadeiro valor do homem é a fraternidade. Como é chocante a ação dos adultos contra a vida das crianças indefesas!
Moritoshi Hiramine
Olinda, PE

 

Gilmar Mendes

Brilhante e animadora a entrevista concedida pelo novo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, a VEJA (Amarelas, 23 de abril). Entre outros comentários lúcidos, o ministro revela sua preocupação com uma possível reforma de mandatos eletivos. Gilmar Mendes também deixa claro que, num estado de direito, não há soberanos, pois todos estão submetidos às regras constitucionais. Uma pena que muitos dos atuais ocupantes dos palácios, ministérios ou parlamentos finjam não ter conhecimento sobre o que reza a Constituição do Brasil. Insistem em se colocar acima da lei maior e, assim, enfraquecem o regime democrático.
Paulo Alonso
Rio de Janeiro, RJ

Gilmar Mendes mostra-se sereno e sobretudo racional, apto a exercer seu mister perante a nossa Suprema Corte. Parabéns a VEJA pela pertinência da entrevista! Contrariando Aristóteles, o qual dizia que "a paixão perverte os magistrados e os melhores homens: a inteligência sem paixão – eis a lei", Mendes mostra-se apaixonado na luta pela afirmação do estado democrático de direito.
Adolfo José Francioli Celinski
Maringá, PR

Sou advogado e professor universitário de curso de direito em João Pessoa, Paraíba. Tive oportunidade de conhecer outros ordenamentos jurídicos, como os da Inglaterra e da Espanha. Considero o nosso Supremo Tribunal Federal um dos mais sérios do mundo. A chegada do jovem ministro Gilmar Mendes à sua presidência representa uma vitória do jurisdicionado brasileiro. Homem sério, jurista brilhante, pensador competente, Gilmar Mendes vai se consagrar definitivamente no Supremo nestes dois anos de mandato. Ele resume tudo o que queremos ouvir quando diz que, no julgamento da utilização de células embrionárias humanas em pesquisas científicas, o ideal é a corte chegar a "um resultado mais científico e menos dogmático". Esperemos para ver.
Daniel César Franklin Chacon
João Pessoa, PB

O ministro Gilmar Mendes deu uma entrevista emblemática, lúcida, corajosa, que precisa ser lida por todos os que acreditam em estado democrático de direito no Brasil. Por sua importância doutrinária, didática, ela merecia ser distribuída nos cursos jurídicos de todo o país e debatida pelos estudantes nas salas de aula.
Zeno Veloso
Professor de direito na Universidade Federal do Pará (UFPA)
Belém, PA

 

Carta ao leitor

As Páginas Amarelas retrataram de maneira clara os dois poderes: Legislativo e Judiciário. O primeiro, com o título "O Congresso na UTI", e o segundo, "Fumaça de casuísmo" ("O grito das instituições", Carta ao leitor, 23 de abril). Caso venha a existir uma entrevista com o responsável pelo Executivo, sugiro o título: "Um Executivo imPACtado".
José Andrade Filho
Fortaleza, CE

 

Família

Muito boas as considerações apresentadas pelo psicanalista francês Charles Melman, lacaniano, sobre a realidade contemporânea. Para quem atua em clínica psicológica, a análise do doutor Melman é incontestável e, infelizmente, preocupante! Destaca-se que o papel de autoridade do pai (bem diferente de autoritarismo!) vem, gradativamente, se enfraquecendo e desaparecendo, declínio este responsável, entre outros fatores, por tornar nossos jovens menos propensos a batalhar pelo sucesso e a estabelecer um ideal de vida, por falta de modelo mais forte, com o qual possam se identificar. Em vez disso, eles se acomodam com o que recebem, não organizam sua existência nem o futuro, buscam apenas o prazer imediato de maneira inconseqüente.
Eustázio Alves Pereira Filho
Psicólogo clínico e psicoterapeuta
Santos, SP

 

General Augusto Heleno Pereira

Felizmente ainda temos em nosso Exército comandantes que põem o Brasil acima das perspectivas pessoais. A posição firme, corajosa, patriótica e correta do general-de-exército Augusto Heleno Pereira, comandante militar da Amazônia, merece apoio incondicional e serve de advertência aos que, embebidos pelo poder, atentam contra nossa soberania ("Selva é com ele", 23 de abril).
Marco Pollo Giordani
Porto Alegre, RS

A verdade dói. Toda vez que se toca o dedo na ferida o governo vem dizer que são devaneios dos militares, entre outras coisas mais. O posicionamento do general Heleno em relação à Amazônia e à política indigenista do governo repercutiu nacional e internacionalmente. É grave a situação. O mando e o desmando de ONGs picaretas em território nacional são uma verdadeira afronta e um descaso do governo. Não se pode brincar! Soberania nacional é coisa séria.
Nilton Oliveira
Porto Velho, RO

O general Heleno foi modesto em suas declarações sobre a política indigenista brasileira. Com certeza, a situação é muito mais grave e absurda. Os índios não precisam de imensas áreas de terra; eles precisam, sim, é de acesso a escola, saúde, alimentação e, mais importante ainda, inserção no mercado de trabalho, como brasileiros que são. Estão querendo amputar vastas áreas do Brasil a pretexto (lorota) de proteger os índios. Parabéns ao patriota general Heleno.
Luciano C. Barbosa
Campo Grande, MS

O general Augusto Heleno falou do que conhece, e muito bem. Morei em Roraima e vi o absurdo de perto. Uma área assustadoramente grande para abrigar "meia dúzia de índios". Lamento que o Brasil não saiba o que se passa naquela região: tráfico de pedras preciosas, drogas, gasolina etc. Daí o grande interesse e a polêmica! Causou-me estranheza o presidente Lula cobrar explicações do comandante do CMA por falar a verdade. Nunca o fez com outros membros de sua equipe, que vivem dando informações desencontradas. O último episódio foi com o ministro Celso Amorim, que sinalizou publicamente ser favorável ao reajuste dos valores pagos ao Paraguai. O presidente negou. Nesse caso, o chanceler não deve explicações? Ah! Ele não é militar!
Anderson Almeida
Por e-mail

O Brasil é um vasto canteiro de problemas, mas, quando um brasileiro sério e competente sai do hipnotismo, como fez o general-de-exército Augusto Heleno Pereira, que denunciou com bravura a situação lamentável e caótica da política indigenista, o fato ganha dimensão e torna-se polêmico. Para que tanta terra reservada aos índios, que são tão poucos e abandonados? Precisam, sim, é de uma assistência mais digna por parte das autoridades competentes. Sabemos todos que o Brasil está em tempo de mudança. É preciso eliminar os velhos e injustos cerceamentos, abrindo um amplo e equânime leque de oportunidades sociais a todas as classes. Sabemos que não devemos esperar milagres, mas podemos, com inteligência, sanar muitos problemas que nos afligem.
Humberto Figliuolo
Manaus, AM

Quando tudo e todos parecem perdidos em meio a tanta omissão e desmando, surge alguém que sabe do que fala e o faz com coragem. Vamos aguardar para ver se o STF terá a mesma atitude do general Heleno para julgar a demarcação das terras na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, de onde querem expulsar quem trabalha e produz.
Maria Alice Costa Corrêa
Santa Maria, RS

Até a semana passada ninguém tinha ouvido falar em um general chamado Augusto Heleno. Em menos de uma semana ele se tornou um queridinho. Fiquei espantada com a quantidade de assinaturas a seu favor num abaixo-assinado que circula na internet, pedindo que ele se candidate à Presidência da República. No início dos anos 60, vimos que a insatisfação popular com a corrupção que campeava no país levou o general Castello Branco a assumir o poder com forte apoio popular e da imprensa. Será que teremos bis? É bom ficar de olho!
Luciana Lopez
Brasília, DF

 

Escândalo das ONGs

Sobre a reportagem "A fraude documentada" (23 de abril), que aborda o tema do desvio de recursos públicos por parte de ONGs, o ex-ministro Agnelo Queiroz esclarece: 1) Que nunca ouvira falar de Michael Vieira da Silva até a publicação do texto da revista VEJA; 2) Que conhece Luiz Carlos de Medeiros, e que este atuou como um dos simpatizantes a sua campanha ao Senado Federal, e que não recebeu nenhuma colaboração financeira ou material, como os computadores citados na matéria; 3) Que suas contas de campanha foram aprovadas por unanimidade no TRE; 4) Que espera e desafia a testemunha denunciante a provar as declarações de entrega de dinheiro, e que, caso isso não ocorra espontaneamente, terá de fazê-lo judicialmente. Agnelo Queiroz reafirma publicamente o compromisso com a verdade e a transparência que sempre nortearam sua vida pessoal e pública. E, por acreditar que uma democracia só se consolida com o respeito às instituições, ao estado de direito e à liberdade de informação, coloca-se à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Rosa Sarkis
Assessoria de comunicação de Agnelo Queiroz
Brasília, DF

 

André Petry

Os casos de pedofilia, de aids e de outras mazelas humanas no interior da Igreja Católica deveriam motivar reflexões. A Igreja não é a dona da verdade transcendental; é formada por homens que carregam dentro de si os mesmos deuses e demônios do resto da humanidade. Há, sem dúvida, uma espécie de corporativismo religioso quando membros da Igreja absolvem, acolhem e acobertam seus pecadores, e condenam os outros humanos, tão pecadores quanto eles próprios. E, na condição de corporação, faltam-lhe misericórdia e generosidade para com o outro pecador, que se perde nas tentações, fora da proteção dos muros das catedrais ("O papa e os pedófilos", 23 de abril).
Ângela Luiza S. Bonacci
São Paulo, SP

Não há dúvida de que os casos de violência sexual cometidos por padres representam um tema delicado e vergonhoso para todos os católicos. Entretanto, tais episódios não refletem os ensinamentos da Igreja nem a conduta da imensa maioria dos sacerdotes e fiéis; por isso mesmo, constituíram um dos muitos assuntos abordados pelo papa em sua recente viagem aos Estados Unidos, mas não o tema único, tampouco o principal. De qualquer modo, ao tratar dessa questão, os atos e palavras de Bento XVI demonstraram seu grande empenho pessoal em combatê-la.
Vitor Last Pintarelli
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

O sistema de cotas, que muitos julgam abrir oportunidades e romper com a desigualdade racial, apenas intensifica o preconceito. É preciso investir na educação. O ensino básico não deve formar negros, pardos ou brancos. As escolas existem para formar cidadãos – prontos para encarar um mundo em constante transformação ("O quilombo do mundo", 23 de abril).
Zilene Vieira da Silva
Guanambi, BA

Ao comentar o sistema de cotas raciais que se pretende adotar no ensino superior brasileiro, Diogo Mainardi acerta o alvo quando diz que a desigualdade nasce no ensino básico e certamente é lá que deve ser combatida e solucionada. De fato, o Brasil é o país que apresenta a maior desigualdade social com gastos em educação pública. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), um estudo realizado em 2005 no Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Colômbia mostrou que nosso país tem a pior distribuição de gastos com educação. Apenas 17% são destinados aos 20% mais pobres e 27% aos 20% mais ricos. O Chile tem a melhor distribuição, gastando 35% com os 20% mais pobres e 5% com os mais ricos. Por outro lado, as despesas com ensino superior no Brasil são 12,3 vezes maiores do que com o ensino fundamental. Essa relação de gasto é de 2,5, na média, nos países europeus; 2,5 nos Estados Unidos; 2,6 na Argentina; e 1,7 na Coréia. Além disso, há um tremendo desequilíbrio regional no ensino superior brasileiro. A distribuição de matrículas por 100 000 habitantes no setor público é praticamente uniforme em todas as regiões. Já no setor privado, as matrículas são fortemente dependentes da renda do estado – o que vale dizer que estados mais pobres são mal atendidos pelo setor público. Certamente está na má distribuição de gastos um dos graves problemas da educação brasileira.
Oscar Hipólito
Professor titular do IFSC, USP
São Paulo, SP

 

Música

Fiquei muito indignada ao ler os impropérios ditos por Roger Waters sobre o atraso da equipe de montagem da ópera Ça Ira, aqui em Manaus ("A ópera do roqueiro", 23 de abril). Estou manauara há pouco mais de três anos e tenho muito respeito e gratidão pelo povo caloroso dessa cidade, que recebe a todos com o maior carinho. Como fã do Pink Floyd, que, entre outros, marcou a vida de muitos, esse lamentável desabafo foi minimizado por um Waters emocionado, que, na abertura do festival, segurando com a mão trêmula um pedaço de papel, se rende ao imponente e majestoso palco do teatro que abrigou o seu desejado espetáculo.
Nely dos Santos Pereira Gomes
Manaus, AM

 



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