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Auto-retrato Pete
Sampras
Timothy A. Clary/AFP
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O
americano Pete Sampras, de 36 anos, é considerado o maior tenista de todos
os tempos, dono do maior número de títulos de Grand Slam (catorze)
e recordista em prêmios em dinheiro. Aposentado desde 2002, Sampras vem
ao Brasil pela primeira vez em maio, para disputar um torneio de veteranos em
São Paulo. Ele falou ao repórter Alexandre Salvador de sua casa,
na Califórnia.
O suíço
Roger Federer está prestes a bater os seus recordes. Isso o incomoda?
Adoro meus recordes e gostaria que durassem para sempre, mas eles estão
aí para ser batidos. Se eu pudesse escolher quem deve quebrá-los,
seria justamente Roger. Ele é um sujeito fantástico e um campeão
humilde, qualidades que admiro em qualquer esportista. Quem
é o melhor? Eis aí uma discussão eterna. Pelé
ou Maradona? No tênis, três atletas estão em um patamar superior
a todos os outros: eu, Roger e (o australiano) Rod Laver. São três
jogadores que dominaram suas gerações. É difícil definir
quem é o melhor. Enquanto estive no auge, eu me sentia imbatível.
Hoje, Roger Federer deve pensar a mesma coisa. Em certo sentido, ele me superou
ao ganhar tantos títulos em tão pouco tempo. Por
que você decidiu parar de jogar profissionalmente? Foi uma decisão
emocional. Não tinha mais o mesmo ânimo para treinar forte e seguir
viajando para jogar. Nos dois últimos anos, passei um período longo
sem títulos. Depois de vencer o US Open, em 2002, e provar a mim mesmo
que ainda era capaz, concluí que havia conquistado tudo o que imaginara
para minha carreira. Então decidi parar e seguir a vida. Como
se manteve em forma? Quando me aposentei, fiquei quase dois anos sem fazer
nada. Ganhei alguns quilos e comecei a me sentir um pouco mal com isso. Percebi
que estava engordando quando fui vestir uma calça jeans e ela estava apertada.
Hoje me alimento melhor, jogo basquete duas vezes por semana e faço algumas
horas de academia todos os dias. Não jogo tênis regularmente. Quando
decido disputar uma partida de exibição, passo a treinar de três
a quatro vezes por semana. Por que
você voltou a jogar? Estava na hora de fazer algo mais animado do
que jogar golfe. Eu estava aposentado havia três anos e começava
a ficar um pouco entediado. Passei a jogar algumas partidas de exibição
e gostei. Participo de um evento a cada dois ou três meses. Jogar um pouco
ajuda a me sentir desafiado e motivado. Meu plano é manter essa rotina
nos próximos cinco anos. A
dedicação total ao tênis roubou parte de sua juventude?
Não trocaria o tênis por alguns anos de faculdade, pelos namoros
da juventude ou pelo baile de formatura que não tive. Eu estava sempre
muito ocupado disputando torneios e não me arrependo. O tênis foi
feito para o meu corpo, e não consigo imaginar minha vida sem ele. Como
você gasta os 43 milhões de dólares que acumulou durante a
carreira? Minha preocupação é dar conforto à
minha família. Também doei parte a instituições de
caridade. No começo, realizei alguns sonhos de infância. Quando tinha
22 ou 23 anos, comprei um Porsche. Foi ótimo poder assinar um cheque tão
gordo, tirar o carro da concessionária e dar umas voltas com ele. Qual
é sua opinião sobre o brasileiro Guga, que se aposenta neste ano?
O Gustavo tem uma grande personalidade e é um sujeito bem descontraído.
Foi um ótimo jogador. É uma pena ele ter de parar por causa de uma
lesão no quadril. O sentimento mais frustrante que existe para um atleta
é não conseguir repetir as atuações do passado. Tenho
sorte de não ter enfrentado a mesma situação que Guga.
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