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Edição 2058

30 de abril de 2008
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Auto-retrato
Pete Sampras

Timothy A. Clary/AFP
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O americano Pete Sampras, de 36 anos, é considerado o maior tenista de todos os tempos, dono do maior número de títulos de Grand Slam (catorze) e recordista em prêmios em dinheiro. Aposentado desde 2002, Sampras vem ao Brasil pela primeira vez em maio, para disputar um torneio de veteranos em São Paulo. Ele falou ao repórter Alexandre Salvador de sua casa, na Califórnia.

O suíço Roger Federer está prestes a bater os seus recordes. Isso o incomoda?
Adoro meus recordes e gostaria que durassem para sempre, mas eles estão aí para ser batidos. Se eu pudesse escolher quem deve quebrá-los, seria justamente Roger. Ele é um sujeito fantástico e um campeão humilde, qualidades que admiro em qualquer esportista.

Quem é o melhor?
Eis aí uma discussão eterna. Pelé ou Maradona? No tênis, três atletas estão em um patamar superior a todos os outros: eu, Roger e (o australiano) Rod Laver. São três jogadores que dominaram suas gerações. É difícil definir quem é o melhor. Enquanto estive no auge, eu me sentia imbatível. Hoje, Roger Federer deve pensar a mesma coisa. Em certo sentido, ele me superou ao ganhar tantos títulos em tão pouco tempo.

Por que você decidiu parar de jogar profissionalmente?
Foi uma decisão emocional. Não tinha mais o mesmo ânimo para treinar forte e seguir viajando para jogar. Nos dois últimos anos, passei um período longo sem títulos. Depois de vencer o US Open, em 2002, e provar a mim mesmo que ainda era capaz, concluí que havia conquistado tudo o que imaginara para minha carreira. Então decidi parar e seguir a vida.

Como se manteve em forma?
Quando me aposentei, fiquei quase dois anos sem fazer nada. Ganhei alguns quilos e comecei a me sentir um pouco mal com isso. Percebi que estava engordando quando fui vestir uma calça jeans e ela estava apertada. Hoje me alimento melhor, jogo basquete duas vezes por semana e faço algumas horas de academia todos os dias. Não jogo tênis regularmente. Quando decido disputar uma partida de exibição, passo a treinar de três a quatro vezes por semana.

Por que você voltou a jogar?
Estava na hora de fazer algo mais animado do que jogar golfe. Eu estava aposentado havia três anos e começava a ficar um pouco entediado. Passei a jogar algumas partidas de exibição e gostei. Participo de um evento a cada dois ou três meses. Jogar um pouco ajuda a me sentir desafiado e motivado. Meu plano é manter essa rotina nos próximos cinco anos.

A dedicação total ao tênis roubou parte de sua juventude?
Não trocaria o tênis por alguns anos de faculdade, pelos namoros da juventude ou pelo baile de formatura que não tive. Eu estava sempre muito ocupado disputando torneios e não me arrependo. O tênis foi feito para o meu corpo, e não consigo imaginar minha vida sem ele.

Como você gasta os 43 milhões de dólares que acumulou durante a carreira?
Minha preocupação é dar conforto à minha família. Também doei parte a instituições de caridade. No começo, realizei alguns sonhos de infância. Quando tinha 22 ou 23 anos, comprei um Porsche. Foi ótimo poder assinar um cheque tão gordo, tirar o carro da concessionária e dar umas voltas com ele.

Qual é sua opinião sobre o brasileiro Guga, que se aposenta neste ano?
O Gustavo tem uma grande personalidade e é um sujeito bem descontraído. Foi um ótimo jogador. É uma pena ele ter de parar por causa de uma lesão no quadril. O sentimento mais frustrante que existe para um atleta é não conseguir repetir as atuações do passado. Tenho sorte de não ter enfrentado a mesma situação que Guga.



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