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CINEMA
Fotos divulgação
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| Kamchatka:
o golpe militar pelos olhos de um
garoto |
Kamchatka (Argentina/Espanha, 2002. Estréia nesta sexta-feira
no país) Em 1976, dias depois do golpe militar que instaurou
o terror entre os argentinos, um menino é retirado da escola por
sua mãe (Cecilia Roth) e levado, juntamente com seu pai (Ricardo
Darín) e o irmão caçula, para uma chácara
no interior. Os pais fazem o possível para que a fuga pareça
apenas uma temporada de férias e a escolha de novos nomes para
toda a família, uma brincadeira. Mas o garoto, que está
na pré-adolescência, adivinha que a mudança tem algo
a ver com o novo regime e os policiais que estão em toda parte.
Além do ótimo elenco (a começar pelo novato Matías
Del Pozo, que faz o protagonista), é nesse ponto de vista incompleto,
cheio de ansiedade e também de descoberta que reside o grande mérito
do filme do diretor Marcelo Piñeyro que aqui opta por um
registro bem mais acadêmico do que em seu trabalho anterior, Plata
Quemada. Em tempo: Kamchatka, uma península na Rússia
Oriental, é um dos territórios a ser conquistados num jogo
de estratégia com que pai e filho se entretêm, e também
um ponto imaginário em que ambos poderão continuar seu relacionamento
interrompido.
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| Jack
Nicholson, em A Promessa: o
embate entre salvação e danação |
A
Promessa (The Pledge, Estados Unidos, 2001. Estréia
no país nesta quinta-feira) Em seus três filmes como
diretor (além deste, Unidos pelo Sangue e Acerto Final),
Sean Penn trata de um mesmo tema: o embate entre salvação
e danação, com nítida vantagem no placar para esta
última. Jack Nicholson interpreta aqui Jerry Black, um policial
que, a horas da aposentadoria, é chamado para ver o corpo de uma
menina assassinada. Jerry promete à mãe da vítima
que vai encontrar o criminoso. Um índio (Benicio Del Toro) é
preso, mas o veterano não se convence. "Por que Deus é tão
ganancioso?", indaga a avó da menina (Vanessa Redgrave), inconsolável,
ao policial. Quanto mais Jerry procura a resposta, mais ele se perde
em todos os sentidos. Baseado num romance do suíço Friedrich
Dürrenmatt, A Promessa se passa em Nevada, com as paisagens
dramáticas e ideais de machismo solitário que o cinema cuidou
de associar ao Oeste americano. Mas Penn, com seu talento singular, desmonta
esse mito. A fronteira que ele retrata é feita de cidades feias,
com gente de dentes malcuidados e consangüinidade excessiva
ao que ele alude nos vários personagens vítimas de deficiência
mental. O inferno, diz ele, é real. Já o paraíso
pode não passar de uma miragem.
LIVROS
Meus
Vizinhos Italianos, de Tim Parks (tradução de Carlos
Mendes Rosa; Publifolha; 319 páginas; 39 reais) Nascido
na Inglaterra, Parks casou-se com uma italiana e resolveu acompanhá-la
de volta ao país de origem quando ela ficou grávida, em
1981. Os dois se instalaram num vilarejo próximo a Verona, e o
romancista e professor inglês mergulhou então num mundo diferente.
Os contatos com o padre e o farmacêutico, com a viúva amalucada
da cidade e o cachorro Verga, que todos na vizinhança gostariam
de envenenar, compõem uma deliciosa coleção de anedotas.
O livro de Parks pertence à mesma família daqueles que o
americano Peter Mayle escreveu sobre a Provença, na França.
Com muita graça, cria no leitor um sentimento de intimidade com
um belo país estrangeiro.
Assuntos
de Família, de Rohinton Mistry (tradução
de Anna Olga de Barros Barreto; Objetiva; 466 páginas; 55,90 reais)
Escritores-imigrantes são um fenômeno marcante na
ficção de língua inglesa recente. São figuras
como Salman Rushdie ou Michael Ondaatje, que saíram de seu país
para fazer sucesso em Londres, Nova York ou Toronto. Mistry, que nasceu
na Índia e vive no Canadá, é um jovem integrante
desse grupo. No centro de seu terceiro romance está uma família
parse (indianos de origem persa e religião zoroastrista). O patriarca
sofre de mal de Parkinson e precisa de seus enteados. E é aí
que os problemas começam. Mistry não se limita a enfocar
esse pequeno grupo. À moda de Dickens, que descreveu a Londres
sombria da Revolução Industrial, ele cria um painel sufocante
de uma metrópole pobre sua Bombaim natal. Leia
trechos do livro.
DISCOS
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| Rolling
Stones: jóias do início de carreira |
Aftermath
e Beggar's Banquet (Universal) Uma das acusações
mais comuns feitas aos Rolling Stones de início de carreira é
que eles eram meros larápios dos acordes de Muddy Waters e Chuck
Berry. Não é bem assim, como mostram esses dois CDs, destaques
num pacote de 22 dedicados à banda. Aftermath, de 1966,
foi o primeiro disco composto apenas com canções de Jagger
e Richards, e mostra que seu real talento era traduzir a música
negra americana para o resto do mundo. Ele traz, entre outras gemas, a
balada Lady Jane e o rock Under My Thumb. Já Beggar's
Banquet mostra os dotes de Jagger como letrista em faixas como Sympathy
for the Devil que cita o autor modernista russo Mikhail Bulgakov.
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Elza:
um disco que
estava fora de
catálogo
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A
Bossa Negra, Elza Soares (Dubas) Lançado em 1961
e há décadas fora de catálogo, o segundo disco de
Elza Soares é uma aula sobre como cruzar MPB com música
negra americana. Elza coloca aqui as suas arrancadas roufenhas à
la Louis Armstrong a serviço de um repertório calcado em
sambas-canções dos anos 40 e 50. Astor Silva, maestro responsável
pelos arranjos do disco, sonhava em fazer da cantora uma Sarah Vaughan
brasileira referência da qual Elza, que teve infância
miserável, nunca ouvira falar. Uma das melhores faixas do disco
é Boato,
na qual ela mostra sua versatilidade vocal ao imitar com perfeição
os ídolos Dalva de Oliveira, Alaíde Costa e Miltinho.
TELEVISÃO
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| Conspiração:
a "solução final" |
Conspiração
(Conspiracy, Estados Unidos/Inglaterra, 2001. Estréia
no sábado 3, às 21 horas, na HBO) Em 1942, Adolf
Hitler encarregou o general Heydrich de reunir o comando nazista numa
mansão em Wannsee, próximo a Berlim, para discutir a chamada
"solução final": o extermínio das populações
judias da Europa. Em menos de duas horas repletas de intimidação
e duríssimas disputas de poder , o destino de milhões
de judeus foi selado. Só uma cópia da ata da Conferência
de Wannsee sobreviveu, e é dela que parte o excelente filme dirigido
pelo americano Frank Pierson para a TV a cabo. Kenneth Branagh está
soberbo como Heydrich, e vem seguido de perto por outros grandes atores,
como Stanley Tucci (no papel de Adolf Eichmann) e David Threlfall (Wilhelm
Kritzinger, o chanceler do Reich).
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