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Edição 1 800 - 30 de abril de 2003
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Felipe Patury [e-mail: fpatury@abril.com.br]


GOVERNO

Teto de 3 600 reais
Um dos pontos que atravancam a reforma da Previdência é a definição do valor do teto das aposentadorias dos funcionários públicos. A Força Sindical defende 2.400 reais. A CUT quer 4.800 reais. Lula pediu que defendam juntos uma pensão média de 3.600.

O Gol de 1 milhão
Os usineiros de São Paulo compraram o Gol que Lula ganhou da Volkswagen há um mês. Pagaram 1 milhão de reais. O dinheiro vai para o Fome Zero e o carro será sorteado entre os empresários.

Liberdade de expressão
A economista Maria da Conceição Tavares sabe separar as coisas. Na hora de criticar o governo Lula, ela critica, como fez na semana passada ao se referir a integrantes da equipe econômica como "um grupo de débeis mentais do Rio de Janeiro". Na hora de nomear amigos e parentes para cargos públicos do mesmo governo em que atuam "débeis mentais", ela nomeia. Além de diretores do BNDES, emplacou o neto, Ivan Soares, para um cargo na assessoria da presidência do banco.

 

Os afilhados de Sarney no governo do PT

Roberto Castro/AE
O presidente do Senado: gente em bancos e elétricas


O presidente do Senado, José Sarney, nomeou mais gente para o governo do que muitas facções do PT. Indicou um diretor para o Banco do Brasil, um para a Caixa Econômica e preservou afilhados na Eletronorte. Ele havia indicado o presidente da empresa, o diretor financeiro e dois gerentes estaduais. Outros diretores, escolhidos pelo PT, se esforçam para conviver com tal influência. Dilson Trindade, de Comercialização, por exemplo, tem despachado com adjuntos dos gerentes de Sarney.

 

SEGURANÇA

O nosso Al-Sahaf
As declarações de Josias Quintal, demitido da Secretaria de Segurança do Rio na semana passada, eram tão absurdas que os cariocas já o comparam ao porta-voz de Saddam Hussein, Mohamed Said al-Sahaf, aquele que proclamava a vitória do Iraque enquanto as tropas fiéis a Saddam eram dizimadas. Uma das pérolas do ex-secretário, sobre o poder bélico da criminalidade: "O crime organizado encontra-se em perigo". Dois dias depois, os bandidos atacaram o Corcovado.

Curso anti-seqüestro
Dez dos maiores empresários do país pediram ao secretário de Segurança de São Paulo, Saulo de Castro, que lhes desse aula sobre como reagir em caso de seqüestro e como evitá-lo. Por medida de segurança, um dos presentes pediu a VEJA que os nomes dos empresários não fossem revelados.

 

TELEFONIA

Telemar vai às compras
A privatização pulverizou o sistema telefônico, criando uma concorrência jamais vista. Cinco anos depois, em meio ao processo de reconcentração, a Telemar procura companhias celulares para concorrer com a Vivo, sociedade da Telefónica e da Portugal Telecom em vinte Estados. No mercado, aposta-se que o objetivo é a BCP, negócio de 700 milhões de dólares.

 

PROPAGANDA

Bom para os dois lados
O secretário de Comunicação de Lula, Luiz Gushiken, convocou representantes das principais emissoras de TV para discutir uma nova regra de desembolso na publicidade oficial. As redes precisam a partir de agora conceder ao governo – na condição de maior anunciante do país, dono de uma carteira superior a 700 milhões de reais por ano entre ministérios e estatais – descontos semelhantes aos que oferecem à iniciativa privada. Em compensação, Brasília pagará adiantado a conta do ano inteiro.

 

EDUCAÇÃO

Exemplo de cima
O Brasil ficou com o último lugar num ranking de interpretação de texto feito pela OCDE, o clube dos países ricos. A organização descobriu que um operário americano compreende a leitura de um texto com maior facilidade do que um brasileiro que estuda em bons colégios. A explicação: 60% dos professores brasileiros não têm o hábito de ler.

 

MEDICAMENTOS

Boa reputação
Os laboratórios foram bombardeados pelo governo FHC nos últimos anos, mas continuam em alta com a população. É o que mostra pesquisa da agência SNBBnovagência. "Os ataques não atingiram a credibilidade dos remédios que os laboratórios fabricam", diz o publicitário Nelson Biondi.

 

TRABALHO

O problema está nas cidades
A dificuldade dos jovens para conseguir o primeiro emprego é um fenômeno das grandes cidades. Estudo do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que 40% dos desempregados com menos de 20 anos moram nas metrópoles. Só 8% vivem no campo.

 

CINEMA

Perigo para o lanterninha
O Festival Internacional de Cinema de Brasília garantiu a exibição de setenta filmes estrangeiros, mas corre o risco de não acontecer por falta de dinheiro. Até agora, só três empresas – todas estatais – se interessaram em patrocinar a mostra. Se o dinheiro não aparecer até junho, adeus, festival.

 

TURISMO

Apesar da língua negra
O mercado aguarda com ansiedade o projeto do ministro Walfrido Mares Guia, do Turismo, para atrair turistas estrangeiros ao Brasil. Ele promete reunir argumentos poderosos para convencer os gringos a visitar um país onde os bandidos atiram nos hotéis, as praias são sujas e falta infra-estrutura. O anúncio deve sair nos próximos dias.

 

BNDES dá mão forte à Embraer

 
Antonio Milena
A fábrica de aviões em São José dos Campos

Um dos preceitos da boa técnica bancária é diversificar o risco. Um padrão aceito no mundo inteiro recomenda aos bancos não concentrar mais de 10% do volume de empréstimos no mesmo setor da economia nem mais de um terço desses 10% numa única empresa. O BNDES reservou no ano passado 47% de todos os recursos reservados ao financiamento à exportação a uma só companhia, no caso a Embraer. Mesmo se tratando de uma firma equilibrada, é um risco. Um exemplo disso é que o 11 de setembro, a crise no Iraque e a pneumonia asiática levaram a empresa a reduzir sua produção em 23% no primeiro trimestre.

 

Colaborou Julio Cesar de Barros

 
 

 

Foto divulgação

 

   
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