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Felipe Patury
[e-mail:
fpatury@abril.com.br]
GOVERNO
Teto de 3 600 reais
Um dos pontos que atravancam a reforma
da Previdência é a definição do valor do teto
das aposentadorias dos funcionários públicos. A Força
Sindical defende 2.400 reais. A CUT quer 4.800 reais. Lula pediu que defendam
juntos uma pensão média de 3.600.
O
Gol de 1 milhão
Os usineiros de São Paulo compraram o Gol que Lula ganhou da Volkswagen
há um mês. Pagaram 1 milhão de reais. O dinheiro vai
para o Fome Zero e o carro será sorteado entre os empresários.
Liberdade
de expressão
A economista Maria da Conceição Tavares sabe separar as
coisas. Na hora de criticar o governo Lula, ela critica, como fez na semana
passada ao se referir a integrantes da equipe econômica como "um
grupo de débeis mentais do Rio de Janeiro". Na hora de nomear amigos
e parentes para cargos públicos do mesmo governo em que atuam "débeis
mentais", ela nomeia. Além de diretores do BNDES, emplacou o neto,
Ivan Soares, para um cargo na assessoria da presidência do banco.
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Os
afilhados de Sarney no governo do PT
Roberto Castro/AE
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| O
presidente do Senado: gente em bancos e elétricas |
O presidente do Senado, José Sarney, nomeou mais gente para
o governo do que muitas facções do PT. Indicou um
diretor para o Banco do Brasil, um para a Caixa Econômica
e preservou afilhados na Eletronorte. Ele havia indicado o presidente
da empresa, o diretor financeiro e dois gerentes estaduais. Outros
diretores, escolhidos pelo PT, se esforçam para conviver
com tal influência. Dilson Trindade, de Comercialização,
por exemplo, tem despachado com adjuntos dos gerentes de Sarney.
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SEGURANÇA
O nosso Al-Sahaf
As declarações de Josias
Quintal, demitido da Secretaria de Segurança do Rio na semana passada,
eram tão absurdas que os cariocas já o comparam ao porta-voz
de Saddam Hussein, Mohamed Said al-Sahaf, aquele que proclamava a vitória
do Iraque enquanto as tropas fiéis a Saddam eram dizimadas. Uma
das pérolas do ex-secretário, sobre o poder bélico
da criminalidade: "O crime organizado encontra-se em perigo". Dois dias
depois, os bandidos atacaram o Corcovado.
Curso
anti-seqüestro
Dez
dos maiores empresários do país pediram ao secretário
de Segurança de São Paulo, Saulo de Castro, que lhes desse
aula sobre como reagir em caso de seqüestro e como evitá-lo.
Por medida de segurança, um dos presentes pediu a VEJA que os nomes
dos empresários não fossem revelados.
TELEFONIA
Telemar vai às compras
A
privatização pulverizou o sistema telefônico, criando
uma concorrência jamais vista. Cinco anos depois, em meio ao processo
de reconcentração, a Telemar procura companhias celulares
para concorrer com a Vivo, sociedade da Telefónica e da Portugal
Telecom em vinte Estados. No mercado, aposta-se que o objetivo é
a BCP, negócio de 700 milhões de dólares.
PROPAGANDA
Bom para os dois lados
O
secretário de Comunicação de Lula, Luiz Gushiken,
convocou representantes das principais emissoras de TV para discutir uma
nova regra de desembolso na publicidade oficial. As redes precisam a partir
de agora conceder ao governo na condição de maior
anunciante do país, dono de uma carteira superior a 700 milhões
de reais por ano entre ministérios e estatais descontos
semelhantes aos que oferecem à iniciativa privada. Em compensação,
Brasília pagará adiantado a conta do ano inteiro.
EDUCAÇÃO
Exemplo de cima
O
Brasil ficou com o último lugar num ranking de interpretação
de texto feito pela OCDE, o clube dos países ricos. A organização
descobriu que um operário americano compreende a leitura de um
texto com maior facilidade do que um brasileiro que estuda em bons colégios.
A explicação: 60% dos professores brasileiros não
têm o hábito de ler.
MEDICAMENTOS
Boa reputação
Os
laboratórios foram bombardeados pelo governo FHC nos últimos
anos, mas continuam em alta com a população. É o
que mostra pesquisa da agência SNBBnovagência. "Os ataques
não atingiram a credibilidade dos remédios que os laboratórios
fabricam", diz o publicitário Nelson Biondi.
TRABALHO
O problema está nas cidades
A dificuldade dos jovens para conseguir
o primeiro emprego é um fenômeno das grandes cidades. Estudo
do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas,
mostra que 40% dos desempregados com menos de 20 anos moram nas metrópoles.
Só 8% vivem no campo.
CINEMA
Perigo para o lanterninha
O
Festival Internacional de Cinema de Brasília garantiu a exibição
de setenta filmes estrangeiros, mas corre o risco de não acontecer
por falta de dinheiro. Até agora, só três empresas
todas estatais se interessaram em patrocinar a mostra. Se
o dinheiro não aparecer até junho, adeus, festival.
TURISMO
Apesar da língua negra
O
mercado aguarda com ansiedade o projeto do ministro Walfrido Mares Guia,
do Turismo, para atrair turistas estrangeiros ao Brasil. Ele promete reunir
argumentos poderosos para convencer os gringos a visitar um país
onde os bandidos atiram nos hotéis, as praias são sujas
e falta infra-estrutura. O anúncio deve sair nos próximos
dias.
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BNDES
dá mão forte à Embraer
Antonio Milena
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| A
fábrica de aviões em São José dos
Campos |
Um
dos preceitos da boa técnica bancária é diversificar
o risco. Um padrão aceito no mundo inteiro recomenda aos
bancos não concentrar mais de 10% do volume de empréstimos
no mesmo setor da economia nem mais de um terço desses 10%
numa única empresa. O BNDES reservou no ano passado 47% de
todos os recursos reservados ao financiamento à exportação
a uma só companhia, no caso a Embraer. Mesmo se tratando
de uma firma equilibrada, é um risco. Um exemplo disso é
que o 11 de setembro, a crise no Iraque e a pneumonia asiática
levaram a empresa a reduzir sua produção em 23% no
primeiro trimestre.
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Colaborou
Julio Cesar de Barros
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