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Edição 1 800 - 30 de abril de 2003
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2000|01|02|03


 

BRECHA NA LEI

 
Fotos Claudio Rossi

A advogada Luciana Rosanova Galhardo é sócia do escritório Pinheiro Neto, um dos mais conceituados de São Paulo. Participou da equipe que cuidou da burocracia da instalação de uma montadora Renault no Paraná, em 1997. Após a instalação, a Renault brasileira teria de pagar à matriz francesa pelo serviço prestado – e sobre esse dinheiro seria recolhido imposto de renda. Debruçando-se sobre os tratados comerciais entre Brasil e França, Luciana descobriu um detalhe segundo o qual uma companhia brasileira que paga a uma empresa francesa por prestação de serviços está isenta de imposto. Seria um caso de bitributação, já que a empresa francesa já paga imposto em seu país. Graças à interpretação de Luciana, a Renault economizou uma quantia considerável e os tratados do Brasil com a França foram modificados para não permitir mais a brecha.

 

INVENTO RENTÁVEL

 

O brasiliense Adriano Sabino é formado em administração de empresas, com pós-graduação na França. Iatista amador, teve a idéia de usar um material auxiliar na flutuação de veleiros – a espuma de polietileno – para fabricar bóias para crianças. "Percebi que era um material mais higiênico, porque não acumula bactérias, e seguro, pois continua flutuando mesmo quando é furado", diz Sabino. Ele criou o espaguete de piscina e patenteou o produto. Em seguida, abriu uma empresa para comercializá-lo – a Toy Power –, que já vendeu cerca de 2,5 milhões de unidades de sua invenção. Hoje, a empresa desenvolve brinquedos em várias áreas e ensaia parcerias com fábricas da Suécia e da Alemanha.

 

PARCERIA AFINADA

 

Os paulistas Wilson Maciel Ramos e Márcio Zapparoli trabalham na companhia de aviação Gol, respectivamente como vice-presidente e gerente financeiro. No ano passado, a Gol queria ganhar clientes entre pequenas empresas, mas esbarrava num problema. Não tinha estrutura para avaliar quais eram boas pagadoras, num mercado com alto índice de inadimplência.

Encarregados de resolver o problema, Wilson e Márcio tiveram a idéia de fazer uma parceria com um banco, para lançar um cartão de afinidade, e com uma rede de hotéis, para conseguir descontos em diárias. Com isso, criaram um serviço de viagens para oferecer a empresas. O melhor de tudo: o banco se encarregaria de administrar o crédito. O ovo de Colombo fez com que a Gol dobrasse o número de clientes no segmento em 2002.

 

CAMPEÃO DE PATENTES

 
Oscar Cabral

O químico carioca Carlos Khalil trabalha na Petrobras há 23 anos, e é considerado um dos grandes inventores da empresa. De seu laboratório já saíram mais de trinta patentes. Entre elas, destaca-se a do processo químico desenvolvido por ele para desentupir oleodutos em grandes profundidades. Sua tecnologia, patenteada em 1997, vem sendo aplicada em vários países, como Argentina, Espanha e Noruega. "Aumentando periodicamente a vazão dos tubos, há um crescimento da produtividade. Isso significa que a invenção de Khalil é responsável pelo acréscimo de alguns milhares de dólares à receita da Petrobras", diz Elias Menezes Oliveira, que responde pelo departamento de pesquisas da empresa.

 

UM NOVO FILÃO

 
Antonio Milena

Eliane Macari, paulista de Campinas, trabalha na área de marketing da multinacional americana 3M, baseada em Sumaré (SP). Ela foi posta diante de um desafio: vender produtos da empresa para cozinhas industriais. Em vez de apenas criar uma campanha de marketing, Eliane resolveu conhecer a fundo seu público-alvo e fez uma descoberta que mudou tudo. Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde elas são 100% mecanizadas, as cozinhas industriais brasileiras trabalham com vários funcionários. Sua idéia foi desenvolver uma nova linha de produtos para eles: aventais, toucas, luvas protetoras etc. Graças a sua iniciativa, Eliane criou um novo negócio dentro da 3M. Como recompensa, além de prêmios internacionais, passou a chefiar a área a que ela própria deu origem.

 

NA LINHA DE FRENTE DE BILL GATES

 
AP

O carioca Henrique Malvar, 45 anos, é engenheiro elétrico com pós-graduação no MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Até 1993, dava aulas na Universidade de Brasília. Foi quando recebeu um convite para trabalhar nos Estados Unidos, na PictureTel, uma empresa fundada por ex-colegas do MIT. Lá, Malvar desenvolveu uma câmera para transmissão de videoconferências que focalizava automaticamente o ponto de onde vinha a voz. O invento rendeu milhões para a companhia e prestígio para o seu autor, que em quatro anos já era vice-presidente da PictureTel. Graças a seu currículo, Malvar foi contratado pela Microsoft. Hoje, ele mora em Seattle e chefia uma equipe que desenvolve novas tecnologias para a empresa de Bill Gates.



   
 
   
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