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VEJA Recomenda DVDs
Entre Dois Amores (Out of Africa, Estados
Unidos, 1985. Universal) Na primeira década do século XX,
ao se mudar para uma fazenda no Quênia, a aristocrata dinamarquesa Karen
Blixen (Meryl Streep) cai de amores pela África e, dadas as infidelidades
de seu marido (Klaus Maria Brandauer), apaixona-se também pelo aventureiro
inglês Denys Finch-Hatton (Robert Redford). Sua batalha para permanecer
no continente e o sofrimento de ter de deixá-lo, em 1931, são o
pano de fundo para esse romance filmado pelo diretor Sydney Pollack e adaptado
da autobiografia de Karen, que se tornou escritora famosa sob o pseudônimo
Isak Dinesen. Há um tanto de louvor ao colonialismo na história,
mas a dupla central e as paisagens são de matar e aparecem ainda
mais bem exploradas nessa edição dupla, repleta de extras.
Marcelo
Carnaval/Ag. O Globo
 | | Ônibus
174: bom cinema e bom documento |
Ônibus
174 (Brasil, 2002. LK-Tel) Em 12 de junho de 2000, um coletivo
lotado foi seqüestrado durante o dia, em plena Zona Sul carioca. As televisões
acompanharam em tempo real os desdobramentos dramáticos do episódio,
que culminou com a morte de uma refém e do seqüestrador, Sandro do
Nascimento. O diretor desse documentário excepcional, José Padilha,
aproveita essas imagens, além de numerosas entrevistas e reconstituições,
para fazer uma investigação em profundidade do caso do ônibus
174 e da trajetória de Nascimento. O que emerge de seu trabalho é
uma radiografia perturbadora de várias instituições brasileiras.
O resultado é excelente como cinema e imprescindível como documento.
Veja
cenas.
LIVROS G,
de John Berger (tradução de Roberto Grey; Rocco; 342 páginas;
38 reais) Vencedor do prestigioso Prêmio Booker de 1972, esse romance
do escritor, pintor e crítico de arte inglês John Berger conjuga
a ambição dos melhores romances históricos com o erotismo
cru de um Henry Miller. É um painel das mudanças políticas
e sociais que abalaram a Europa e o mundo entre o fim do século XIX e o
início do XX. O livro percorre, entre outros grandes momentos históricos,
a luta de Giuseppe Garibaldi pela unificação da Itália, a
Guerra dos Bôeres, na África do Sul, e a I Guerra Mundial. Todos
esses eventos são vistos pela perspectiva de Giovanni o G do título
, conquistador que faz uma vigorosa carreira sexual, mas permanece sempre
um solitário.
O
Navegante (tradução de Rodrigo Garcia Lopes; Lamparina;
80 páginas; 25 reais) Essa elegia do século IX sobre o fascínio
e os perigos do mar consagrou-se como um clássico da literatura anglo-saxã.
Só uma cópia do texto cujo autor é desconhecido
chegou a nossos dias, preservada na Catedral de Exeter, na Inglaterra. Bastou
para conquistar a admiração de alguns escritores modernistas, como
o poeta americano Ezra Pound, que traduziu a obra para o inglês moderno.
A versão de Pound, aliás, aparece em apêndice nessa caprichada
edição. A tradução do poeta Rodrigo Garcia Lopes é
excelente, e seu ensaio sobre o poema é esclarecedor. O texto bilíngüe
permite ao leitor conhecer a estranheza da língua anglo-saxã, que
é muito diferente do inglês moderno.
Era
Bom que Trocássemos umas Idéias sobre o Assunto, de Mário
de Carvalho (Companhia das Letras; 246 páginas; 37 reais) Funcionário
dedicado, mas sem talento, o cinqüentão Joel Strosse Neves não
consegue se adaptar à modernização da empresa onde trabalha,
em Lisboa. Deslocado para um gabinete sem importância, ele afinal se revolta:
tira o pó dos livros de Marx e decide se tornar comunista. Mário
de Carvalho um dos muitos bons nomes da literatura portuguesa contemporânea
narra os dramas de Joel com um sarcasmo irredutível. O romance é
um retrato satírico da geração que amadureceu nos anos 70,
durante a redemocratização de Portugal, e que hoje não sabe
mais o que fazer de seus antigos ideais socialistas. Leia
trecho.
DISCOS Human
After All, Daft Punk (EMI) Dos grandes grupos de tecno aqueles
que devem ficar na história do pop , o Daft Punk, formado pelos franceses
Thomas Bangalter e Guy Manuel de Homem Christo, sempre foi o mais acessível.
Agrada tanto aos roqueiros alternativos quanto aos ouvintes de FMs comerciais,
com suas batidas dançantes e seu modo irônico de lidar com referências
musicais. A novidade nesse novo disco, o primeiro em quatro anos, é a maior
presença de guitarras, numa linha que se poderia batizar de "cyber-metal".
Até mesmo grupos de heavy metal, como o Black Sabbath e o Deep Purple,
são homenageados, nas faixas Brainwasher e Television Rules the
Nation. No mais, mantém-se o clima celebratório e festeiro de
trabalhos anteriores além dos vocais "robóticos" obtidos
com o vocoder, recurso popularizado nos anos 70 e que é uma das marcas
registradas do Daft Punk. Oscar
Cabral
 |  | | O
saxofonista Meirelles: retorno em alto estilo | |
Esquema
Novo, Meirelles e os Copa 5 (Dubas) Em Mulheres Apaixonadas,
novela da Rede Globo exibida em 2003, o ator Tony Ramos interpretou Téo,
saxofonista do caído Nick Bar. Toda vez que se atrasava no serviço,
o chefe de Téo ameaçava demiti-lo e "chamar o Meirelles". Referia-se
a J.T. Meirelles, um dos músicos mais brilhantes do cenário instrumental
brasileiro, que acabava de ressurgir com o disco Samba Jazz!!, depois de
uma hibernação de 28 anos. Esquema Novo é o segundo
álbum da retomada de Meirelles. A maioria das faixas é no estilo
suingado característico do saxofonista, mas ele também se aventura
por outros gêneros. É o caso de Asa Delta, que tem sotaque
nordestino. |