Edição 1898 . 30 de março de 2005

Índice
Stephen Kanitz
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Auto-retrato
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
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VEJA Recomenda

DVDs

Entre Dois Amores (Out of Africa, Estados Unidos, 1985. Universal) – Na primeira década do século XX, ao se mudar para uma fazenda no Quênia, a aristocrata dinamarquesa Karen Blixen (Meryl Streep) cai de amores pela África – e, dadas as infidelidades de seu marido (Klaus Maria Brandauer), apaixona-se também pelo aventureiro inglês Denys Finch-Hatton (Robert Redford). Sua batalha para permanecer no continente e o sofrimento de ter de deixá-lo, em 1931, são o pano de fundo para esse romance filmado pelo diretor Sydney Pollack e adaptado da autobiografia de Karen, que se tornou escritora famosa sob o pseudônimo Isak Dinesen. Há um tanto de louvor ao colonialismo na história, mas a dupla central e as paisagens são de matar – e aparecem ainda mais bem exploradas nessa edição dupla, repleta de extras.

Marcelo Carnaval/Ag. O Globo
Ônibus 174: bom cinema e bom documento


Ônibus 174
(Brasil, 2002. LK-Tel) – Em 12 de junho de 2000, um coletivo lotado foi seqüestrado durante o dia, em plena Zona Sul carioca. As televisões acompanharam em tempo real os desdobramentos dramáticos do episódio, que culminou com a morte de uma refém e do seqüestrador, Sandro do Nascimento. O diretor desse documentário excepcional, José Padilha, aproveita essas imagens, além de numerosas entrevistas e reconstituições, para fazer uma investigação em profundidade do caso do ônibus 174 e da trajetória de Nascimento. O que emerge de seu trabalho é uma radiografia perturbadora de várias instituições brasileiras. O resultado é excelente como cinema e imprescindível como documento. Veja cenas.

 

LIVROS

G, de John Berger (tradução de Roberto Grey; Rocco; 342 páginas; 38 reais) – Vencedor do prestigioso Prêmio Booker de 1972, esse romance do escritor, pintor e crítico de arte inglês John Berger conjuga a ambição dos melhores romances históricos com o erotismo cru de um Henry Miller. É um painel das mudanças políticas e sociais que abalaram a Europa e o mundo entre o fim do século XIX e o início do XX. O livro percorre, entre outros grandes momentos históricos, a luta de Giuseppe Garibaldi pela unificação da Itália, a Guerra dos Bôeres, na África do Sul, e a I Guerra Mundial. Todos esses eventos são vistos pela perspectiva de Giovanni – o G do título –, conquistador que faz uma vigorosa carreira sexual, mas permanece sempre um solitário.

O Navegante (tradução de Rodrigo Garcia Lopes; Lamparina; 80 páginas; 25 reais) – Essa elegia do século IX sobre o fascínio e os perigos do mar consagrou-se como um clássico da literatura anglo-saxã. Só uma cópia do texto – cujo autor é desconhecido – chegou a nossos dias, preservada na Catedral de Exeter, na Inglaterra. Bastou para conquistar a admiração de alguns escritores modernistas, como o poeta americano Ezra Pound, que traduziu a obra para o inglês moderno. A versão de Pound, aliás, aparece em apêndice nessa caprichada edição. A tradução do poeta Rodrigo Garcia Lopes é excelente, e seu ensaio sobre o poema é esclarecedor. O texto bilíngüe permite ao leitor conhecer a estranheza da língua anglo-saxã, que é muito diferente do inglês moderno.

Era Bom que Trocássemos umas Idéias sobre o Assunto, de Mário de Carvalho (Companhia das Letras; 246 páginas; 37 reais) – Funcionário dedicado, mas sem talento, o cinqüentão Joel Strosse Neves não consegue se adaptar à modernização da empresa onde trabalha, em Lisboa. Deslocado para um gabinete sem importância, ele afinal se revolta: tira o pó dos livros de Marx e decide se tornar comunista. Mário de Carvalho – um dos muitos bons nomes da literatura portuguesa contemporânea – narra os dramas de Joel com um sarcasmo irredutível. O romance é um retrato satírico da geração que amadureceu nos anos 70, durante a redemocratização de Portugal, e que hoje não sabe mais o que fazer de seus antigos ideais socialistas. Leia trecho.

 

DISCOS

Human After All, Daft Punk (EMI) – Dos grandes grupos de tecno – aqueles que devem ficar na história do pop –, o Daft Punk, formado pelos franceses Thomas Bangalter e Guy Manuel de Homem Christo, sempre foi o mais acessível. Agrada tanto aos roqueiros alternativos quanto aos ouvintes de FMs comerciais, com suas batidas dançantes e seu modo irônico de lidar com referências musicais. A novidade nesse novo disco, o primeiro em quatro anos, é a maior presença de guitarras, numa linha que se poderia batizar de "cyber-metal". Até mesmo grupos de heavy metal, como o Black Sabbath e o Deep Purple, são homenageados, nas faixas Brainwasher e Television Rules the Nation. No mais, mantém-se o clima celebratório e festeiro de trabalhos anteriores – além dos vocais "robóticos" obtidos com o vocoder, recurso popularizado nos anos 70 e que é uma das marcas registradas do Daft Punk.

 
Oscar Cabral
O saxofonista Meirelles: retorno em alto estilo  

Esquema Novo, Meirelles e os Copa 5 (Dubas) – Em Mulheres Apaixonadas, novela da Rede Globo exibida em 2003, o ator Tony Ramos interpretou Téo, saxofonista do caído Nick Bar. Toda vez que se atrasava no serviço, o chefe de Téo ameaçava demiti-lo e "chamar o Meirelles". Referia-se a J.T. Meirelles, um dos músicos mais brilhantes do cenário instrumental brasileiro, que acabava de ressurgir com o disco Samba Jazz!!, depois de uma hibernação de 28 anos. Esquema Novo é o segundo álbum da retomada de Meirelles. A maioria das faixas é no estilo suingado característico do saxofonista, mas ele também se aventura por outros gêneros. É o caso de Asa Delta, que tem sotaque nordestino.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; Internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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