Edição 1898 . 30 de março de 2005

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Roberto Pompeu de Toledo
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

Segundas intenções
José Dirceu recebeu o deputado peemedebista Eliseu Padilha para uma conversa que durou uma hora na terça-feira passada. É o segundo peemedebista da ala de oposição ao governo com quem Dirceu se encontra em pouco tempo. Alguns dias antes, reuniu-se com Geddel Vieira Lima. Oficialmente, o governo dirá que é para garantir a tal da governabilidade – mas já são afagos voltados para a eleição de 2006.  

Tempo perdido
Veja como a malograda reforma ministerial expôs políticos de primeira grandeza. Uma semana antes de Lula mandar a reforma para o espaço, Aloizio Mercadante e Roseana Sarney combinavam estratégias conjuntas de atuação quando ela assumisse como coordenadora política do governo – cargo para o qual chegou a ser convidada.  

De boca não vale
Há, no entanto, forte crença de que Roseana será ministra em breve. O compromisso de dar uma cadeira a ela na Esplanada continua de pé. Mas, como se viu na semana passada, tem horas em que a promessa só vira mesmo realidade com a chancela no Diário Oficial.  

Operação
A propósito, Roseana Sarney deve sofrer nova cirurgia nesta semana, em São Paulo.  

Qualidade rara
É notável a peculiar capacidade do governo Lula de fabricar crises políticas com a economia funcionando bem.

 

• ECONOMIA

Ladeira acima
No Banco do Brasil, os pedidos de financiamento para novos projetos aumentaram 25% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

 

• ELEIÇÕES 2006

Corrêa vem aí
Maurício Corrêa, ex-senador, ex-ministro e ruidoso ex-presidente do STF, prepara sua entrada no PDT com uma idéia fixa: ser o candidato da legenda à Presidência, em dobradinha com o PPS. As articulações estão a todo o vapor. É um candidato com chance zero de se eleger, mas com boas perspectivas de fazer algum barulho à esquerda de Lula.

 

Ele equilibra-se em carreiras paralelas

Daniela Toviansky
Gil: uns trocados a mais


O ministro Gilberto Gil vai aproveitar sua estada em Paris para participar de eventos do Ano do Brasil na França para faturar uns trocados. Por um cachê de 30 000 euros (cerca de 110 000 reais), fará um show em Paris no dia 13 de julho – acompanhado de outros cantores brasileiros. Aliás, Gil não tem do que reclamar de sua temporada no governo. Antes de ser ministro, cobrava entre 70 000 e 100 000 reais para ser a estrela de shows fechados (aqueles comprados por empresas). Agora, seu cachê está na faixa dos 200 000 reais.

 

• CUBA

Pretensão brasileira
Em seu encontro com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, no início do mês, José Dirceu fez uma proposta inusitada. Qual um chanceler, sugeriu que o Brasil poderia mediar eventuais conversações entre os EUA e Cuba.

 

• RECEITA FEDERAL

Leão depurado
Sem alarde, a Receita Federal em 2004 botou para fora de seus quadros 33 funcionários por "práticas suspeitas" – um eufemismo para fraude e corrupção. Neste ano, o número dos que estão na prancha, ou seja, sob investigação cerrada, já soma 71 servidores.

 

• REFRIGERANTES

As tubaínas recuam
O avanço das tubaínas, aqueles refrigerantes populares campeões do preço baixo e da sonegação de impostos, não é inexorável como se imaginava. Pelo menos é o que revelam os últimos números do Instituto Nielsen. Em dezembro de 2002, eles detinham 34% do mercado. Agora, descem a 30%, a menor marca em cinco anos. É uma rara vitória contra a informalidade que campeia no país.

 

• CONSUMO

Alta rotatividade 1
Você troca seu celular a cada dezenove meses? Se troca, saiba que pelo menos isso você tem em comum com os habitantes do Primeiro Mundo. Uma pesquisa inédita feita pela Motorola (mas que abrange aparelhos de todos os fabricantes) revela que o brasileiro está mudando de celular em períodos cada vez mais curtos. No fim de 2003, os consumidores trocavam de celular a cada 24 meses. Um ano depois, essa média baixou para dezenove meses – uma queda significativa considerando a base total instalada. Para se ter uma idéia do que isso representa, é a mesma média registrada na rica Inglaterra.

Alta rotatividade 2
Naturalmente, a turma mais ávida pelas novidades é a dos jovens. Na faixa entre 14 e 24 anos, substitui-se o aparelho a cada treze meses.

 

• FUTEBOL

Ronaldo e a Vivo
Ronaldo "Fenômeno" é contratado da TIM e não pode aparecer na propaganda de uma concorrente, certo? Errado. Se a Vivo quiser poderá usar o craque da seleção em outdoors. No contrato que a Vivo fechou com a CBF, há uma cláusula que reza: qualquer jogador do time pode aparecer vestindo a camisa amarela, desde que na peça publicitária ele seja fotografado ao lado de no mínimo dois outros atletas. Ou seja, a Vivo se quiser pode ter Ronaldo em alguma campanha, para o horror da TIM.

 

• BRASIL  

Falta dinheiro para a passagem de volta
Duas semanas após a polícia de São Paulo e a Polícia Federal prenderem 108 nigerianos no centro da capital, eles voltaram a circular por ali. Até agora, nenhum dos detidos levados à PF foi deportado para o país de origem – embora pelo menos 46 deles estivessem em situação irregular, passíveis de extradição. O motivo: falta de verba da PF, a quem cabe deportá-los.

 

Os milhões da Copa do Mundo brasileira

Eduardo Monteiro
Teixeira: plano de montar um comitê de notáveis


Se o Brasil for mesmo escolhido pela Fifa para sediar a Copa do Mundo de 2014 – o que é quase certo –, a CBF montará um comitê executivo separado da entidade para a preparação do evento. Ali, se sentarão notáveis da área empresarial ao lado de Ricardo Teixeira, o único representante da CBF no grupo. Ao comitê caberá, entre outras atribuições, cuidar do dinheiro que a Fifa mandará para a montagem do megaespetáculo. E o que deve pingar é grana altíssima: estima-se que já em 2008 desembarquem por aqui algo como 400 milhões de dólares. Será apenas um aperitivo – depois, está prevista uma segunda (e também gorda) remessa.

 

 

 

 

NESTA REPORTAGEM
Quadro: O trio de ouro da ginástica

 

 
 
 
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