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Livros Sem
sedução Saramago revisita Don
Giovanni numa peça fraca  Jerônimo
Teixeira
Mais célebre conquistador da literatura,
Don Juan surgiu no século XVII, em uma peça assinada por um tal
Tirso de Molina ao que tudo indica, pseudônimo do frei espanhol Gabriel
Téllez. Desde então, o personagem que "desonra" sucessivas mulheres
para depois ser morto pela estátua do pai de uma de suas vítimas
foi retomado por vários escritores e ganhou a ópera com o Don
Giovanni, de Mozart. O Nobel português José Saramago resolveu
meter sua colher nesse generoso sopão de letras com a peça Don
Giovanni ou o Dissoluto Absolvido (Companhia das Letras; 136 páginas;
29 reais). Sua ambição é purgar o moralismo da morte de Don
Juan. O problema é que essa revisão do mito literário ficou
a meio caminho. Don Juan ainda é castigado por sua vaidade, mas, como bom
comunista, Saramago dispensou o aparato infernal e a moral religiosa imaginados
por Molina. Don Giovanni foi escrito para servir de argumento a uma ópera
do compositor italiano Azio Corghi. Ou seja, antes de ser um texto teatral, é
um pretexto para a música o que explica os trechos ridículos
em que alguns personagens falam em coro. A praia de Saramago é mesmo o
romance. |