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Especial A
maré da democracia O Líbano está
na vanguarda das manifestações de vontade popular no mundo árabe
e é o exemplo mais promissor das mudanças que se delineiam no horizonte.
Pressão internacional e protestos nas ruas já conseguiram que a
Síria começasse a retirar tropas que ocupavam o país havia
quase trinta anos  Vilma
Gryzinski, com fotos de Paulo Vitale, de Beirute
 | FÚRIA
E EUFORIA A praça é deles: repúdio ao assassinato
do ex-primeiro-ministro Hariri e alegria pelas primeiras vitórias |
A história está
dando um de seus saltos à frente no Líbano e o faz da maneira
colorida, passional, contraditória e única que é tão
típica do país. Pela primeira vez, a palavra intifada rebelião,
em árabe é usada nessa parte do mundo para caracterizar um
movimento inteiramente pacífico. Pela primeira vez, enormes massas saem
às ruas pedindo o básico em boa parte do planeta, mas mercadoria
escassa entre seus vizinhos: liberdade, soberania, justiça. Pela primeira
vez, guiadas pelo mais arrebatado realismo, pediram e conseguiram
o impossível: a retirada das tropas sírias que entraram no país
em 1976, no início da guerra dos quinze anos, e pareciam fadadas a permanecer
eternamente por lá. Pela primeira vez, o alinhamento dos astros no céu
da geopolítica favorece o Líbano, tão castigado no passado
pelos conflitos entre interesses externos e seus próprios impulsos autodestrutivos.
E, por fim, pela primeira vez, cristãos e uma parte da população
muçulmana estão unidos numa aliança de sangue, que pode impulsionar
o passo adiante da história, tornando o país o exemplo mais promissor
das mudanças que começam a despontar no mundo árabe.  | A
REVOLUÇÃO DE JIHAD Com a filhinha de 6 anos,
diante da sepultura de Hariri, o engenheiro Jihad Chokr reavalia Bush: "Tem gente
mudando de opinião sobre ele" |
Duas
tragédias de enorme repercussão, uma de alcance global e outra local,
entrecruzaram-se para produzir a confluência de acontecimentos que coloca
o Líbano na vanguarda das transformações que se delineiam
no horizonte. A primeira foi o 11 de Setembro, seguido do choque em toda a concepção
de política externa dos Estados Unidos, das invasões do Afeganistão
e do Iraque, da reeleição de George W. Bush e, agora, da reativação
da "revolução permanente" preconizada pelo governo americano para
espalhar a democracia entre os países muçulmanos. Entoado como um
mantra nos minaretes metafóricos de Washington, o apoio à democracia
somou-se às ameaças despejadas sobre a Síria e tornadas
indiscutivelmente factíveis pela presença de 150 000 soldados americanos
estacionados do lado de lá de sua fronteira, no Iraque, em condições
de transformar a retórica em bombardeio de verdade. Sem o peso da pressão
americana, a Síria faria o de hábito: reprimiria qualquer tentativa
de protesto, e quem insistisse teria muitas chances de ir para a cama no Líbano
e acordar num lugar inóspito. A tragédia
local, que empurrou uma parte da população libanesa para as ruas
e as tropas sírias para fora do país, foi o inacreditável
atentado que incinerou em plena orla de Beirute a comitiva de carros blindados
e a coorte de guarda-costas na qual se deslocava o homem mais admirado do Líbano,
o bilionário Rafik Hariri. Como primeiro-ministro, ele selou a reconciliação
nacional, iniciou a normalização política, reconstruiu o
país literalmente no chão depois de quinze anos de guerra e recuperou
a auto-estima dos libaneses de uma forma que o presidente Lula, um apreciador
do tema, só poderia sonhar. Rompido com a Síria, da qual foi aliado
de circunstância durante quase uma década e meia, Hariri levou perigosamente
para perto da oposição seu bloco de parlamentares, muçulmanos
sunitas. Quando ele foi pelos ares, no dia 14 de fevereiro "Choviam carros
em chamas do céu", contou uma testemunha que viu a cena apocalíptica
da janela do escritório , a culpa recaiu imediatamente sobre o regime
sírio e seus pretorianos locais.  | CARLOS,
O BRASILEIRO Criado no Brasil, Carlos
Eddé lidera uma ala da oposição (seu
avô, Émile, no retrato, foi o primeiro presidente do Líbano):
"Depois de quase trinta anos, influência americana é positiva" |
É impossível superestimar a revolta, o choque
e a fúria da maioria dos libaneses ante a hediondez do atentado, equivalente,
pela preeminência de Hariri, a um magnicídio. As primeiras reações
foram completamente espontâneas, desencadeando um movimento que se tornou
permanente. Todo dia, centenas de jovens comparecem à Praça dos
Mártires, no centro de Beirute, para protestar outros tantos estão
acampados e dali não saem. Há duas semanas, uma manifestação
gigante reuniu lá cerca de 1 milhão de libaneses ou quase
um terço da população do país , formando uma
infindável maré humana encimada por uma floresta de cedros, a árvore
mítica que enfeita a bandeira nacional, e arrastada pelo tipo de entusiasmo
libertário que desde sempre é o motor de guinadas históricas.
Um simples passar de olhos pela praça registra
a notável concentração de elementos indicadores da diversidade
libanesa: de um lado, a enorme mesquita ainda em construção junto
à qual foram sepultados Hariri e seus guarda-costas; de outro, uma Virgin
Megastore; no centro, o monumento aos mártires da independência cravado
de balas disparadas durante a guerra, quando por ali passava a linha dividindo
cristãos e muçulmanos; abaixo da superfície, as mais antigas
ruínas fenícias do país. Nesse cenário carregado de
heranças do passado, os libaneses estão construindo um futuro potencialmente
melhor. Os nomes que se dão ao movimento são variados. A intifada
da independência ou a Revolução dos Cedros são alguns
deles. Fala-se também em Primavera de Prada, ironia inventada pelos governistas
para tentar desqualificar um movimento em que, reconheça-se, damas da sociedade
desfilam roupas e acessórios das grifes mais finas Prada rima com
Praga, a do levante anti-soviético de 1968, mas, nesse sentido, poderia
também ser a revolução da Chanel, da Gucci ou da Louis Vuitton.
É ainda a rebelião das barriguinhas de fora das estudantes cristãs
que usam o uniforme universal jeans de cintura baixa, top curtinho
para ir à manif, como se diz, à francesa. Ou da turma que
protesta, fala ao celular e tira fotos com ele, tudo ao mesmo tempo, como se estivesse
na balada. Ou ainda das garotas muçulmanas de véu na cabeça
e roupas moderninhas; das mulheres de costumes e tatuagens tribais que vêm
ulular, enlutadas, pela morte de Hariri; dos grandalhões com catadura de
guarda-costas uma profissão com demanda permanente no Líbano
que choram sinceramente emocionados diante da sepultura do líder
assassinado. Desde a semana passada, o túmulo simples, como exige
a religião muçulmana, mas transformado numa verdadeira instalação
pela concentração de velas, símbolos religiosos variados,
bandeiras, retratos e pombas, vivas e brancas passou a receber uma nova
leva de peregrinos. São xiitas, adultos ou crianças de escolas e
organizações controladas pelo Hezbollah. Misto de facção
religiosa, exército regional, organização terrorista e partido
político legítimo, o Hezbollah é armado e solidamente apoiado
pela Síria, à qual manifesta lealdade inquebrantável. O fato
de que esteja mandando sua gente ao coração do território
oposicionista, para homenagear Hariri, indica que também está sentindo
a ventania da mudança.  | MURAD,
O MINISTRO Representante do regime, Abdul Rahim
Murad, o ministro da Defesa, que já morou em São Paulo, reclama: "É feio xingar
os sírios" |
A indignação
com o atentado foi tamanha que hoje são creditados à Síria
e a seu autocrata hereditário, Bashar Assad, três milagres involuntários.
O primeiro foi unir cristãos e muçulmanos sunitas, que no passado
se odiaram e se mataram, como tantas das facções do país.
O segundo, quase tão impossível quanto, foi colocar no mesmo barco
os dois líderes ocidentais mais congenitamente antagônicos, Bush
e o francês Jacques Chirac. Adversários nada cordiais em razão
da invasão americana no Iraque, Bush e Chirac disputam agora quem dá
mais vergastadas na Síria bloco ao qual se somaram, com menos estridência
mas não veemência, os dois países árabes mais importantes,
o Egito, pelo tamanho e pela história, e a Arábia Saudita, pelos
petrodólares. Demorou um pouco para cair
a ficha em Damasco. "A Síria não levou as ameaças americanas
a sério. Estava acostumada a brandir a retórica anti-americana em
público e a fazer acordos por baixo do pano. Também não entendeu
que a questão libanesa, antes um assunto marginal, ganhou vida própria.
De fator estabilizador, a Síria passou a ser vista como fator desestabilizador",
analisa o professor Farid Khazen, chefe do Departamento de Estudos Políticos
e Administração Pública da Universidade Americana de Beirute.
Jibran Tueini, dono do jornal An Nahar e feérica estrela da oposição,
seqüestrado uma vez e ferido duas durante a guerra, faz uma comparação
entre os pais e os filhos que se sucederam no poder em Damasco e Washington para
explicar quão distinto é o pano de fundo contra o qual se desenrola
a revolução dos cedros. "O Assad não é Hafez", diz,
referindo-se ao falecido ditador sírio, reputado pelas doses iguais de
brutalidade e astúcia, características que o filho parece tentar
imitar, sem sucesso. "E o George tem um W antes do Bush", acrescenta. Para a oposição
anti-Síria, o primeiro presidente Bush foi o homem que "vendeu" o Líbano
em nome das considerações práticas e pouco éticas
da realpolitik. Depois da primeira guerra contra Saddam Hussein, em 1991,
na qual os sírios tiveram uma discreta participação com os
americanos, selou-se o arranjo que endossou a intervenção síria
no Líbano, em nome da estabilização do país. O acordo
assinado na cidade saudita de Taif previa uma retirada eventual, que o regime
sírio ignorou acintosamente, até ser obrigado a iniciá-la,
sob a dupla pressão da rebelião interna no Líbano e das exigências
americanas. "Todo dia tem discurso de Bush, a França também bate
na mesma tecla sem parar. O panorama internacional nos favorece", exulta Tueini.
 | A
PRIMAVERA DE PRADA Na casa da carioca Regina Fenianos
(primeira à esquerda), chiquérrimas damas da sociedade planejam
sua participação nas manifestações de protesto: intifada
no high society |
"Não estamos
esperando que a frota americana aporte em Beirute, mas o fator tempo está
do nosso lado", concorda Walid Jumblatt, o líder druso que hoje é
a figura mais importante da oposição. Irônico, eternamente
impaciente, com os olhos azuis arregalados que o deixam cada vez mais parecido
com a criatura Gollum, de O Senhor dos Anéis, Jumblatt se reveza
entre viagens internacionais para consolidar o apoio à oposição
e recepções políticas em seu castelo nas montanhas, dotado
de todos os confortos modernos, inclusive uma biblioteca que parece uma caverna
high-tech, com as obras completas de Lenin na estante (sim, o senhor feudal dos
drusos já foi socialista e cliente dos soviéticos) e riachos canalizados
de água cristalina. Matizar a importância da pressão americana
sobre a Síria faz parte do repertório de todo oposicionista libanês
pelo menos em público. Em particular, falando reservadamente, as
pessoas se soltam mais. "Se não fossem os americanos, não teríamos
coragem de sair à rua para protestar", diz uma jovem da sociedade cristã.
E a posição do Hezbollah, que representa uma parte substancial dos
xiitas, hoje 40% da população libanesa? "De que adianta os xiitas
serem tantos e terem tantas armas se os americanos têm os Tomahawk?", rebate
um renomado advogado, invocando o poder irrefutável dos mísseis
de longa distância do arsenal dos Estados Unidos. "Se não aceitarem
os princípios básicos da democracia, inclusive a alternância
no poder, é Tomahawk neles." O Hezbollah
é um dos grandes complicadores, embora não o único, do futuro
político libanês. Como em outros países árabes, os
xiitas sempre foram a parcela da população mais pobre e marginalizada
do Líbano. A revolução dos aiatolás, no Irã,
começou a mudar a correlação de forças. Financiados
e ideologicamente formatados pelos iranianos, xiitas libaneses viraram uma milícia
temível, durante e depois da guerra. De terroristas que agiam nas franjas
passaram ao centro do espectro político pela resistência ao Exército
de Israel, que manteve a região sul do Líbano sob ocupação
até o ano 2000. Em todos os meios políticos, repetem-se os elogios
à habilidade política do Hezbollah, que diversificou atividades
e hoje participa da vida parlamentar, com nove deputados. Conta-se que até
um bispo maronita ficou encantado depois de receber uma delegação
de religiosos do Hezbollah: durante três horas, discutiram de igual para
igual o pensamento de Santo Tomás de Aquino. "Eles são bons interlocutores",
avalia, com frieza de analista político, o paulista Carlos Eddé.
Neto do primeiro presidente do Líbano independente, Émile Eddé,
em cuja mansão art déco hoje mora, Eddé lidera um importante
bloco parlamentar de oposição. "Eles fazem política de maneira
inteligente. Precisam ser atraídos para a reconstrução do
país", acrescenta o deputado oposicionista Mosbah Ahdab, que é a
própria imagem do muçulmano moderno: jovem, bonito, rico, diploma
da London School of Economics e disposto a colocar o Líbano no lugar em
que merece a comunidade das nações civilizadas.  | MUÇULMANO
MODERNO O deputado Mosbah Ahdab é rico, bonito
e tem visão: "O Hezbollah precisa ser atraído para a reconstrução do país" |
Os quadros do Hezbollah também têm fama, merecida,
de honestidade ("É fácil ser honesto de barriga cheia", diz um político,
invocando o dinheiro iraniano que irriga os cofres xiitas). Honestidade é
um bem raro no Líbano, onde os ocupantes sírios se uniram aos ocupados
locais para praticar o que é definido, no mínimo, como saque generalizado.
"Qualquer generalzinho sírio que vinha para cá não voltava
com menos de 50 milhões de dólares", resume um deputado. Além
da roubalheira, a Síria estabeleceu um sistema de controle político
pelo qual escolhia os quadros mais importantes do governo, influenciava a lista
de candidatos ao Parlamento e mantinha a população em geral intimidada
pela ação do mukhabarat, palavra que designa polícia política,
encarregada tanto da repressão quanto da rede de espionagem entranhada
em todos os interstícios do tecido social, e é sempre pronunciada
com temor nos países árabes. Os sírios
estão indo embora, mas deixam para trás o regime viciado que floresceu
à sombra da ocupação. Modificá-lo, sem lançar
o país, de novo, na guerra entre facções ideológicas
e confessionais, é um dos vários obstáculos que os libaneses
ainda precisam saltar para pôr fim à ocupação síria,
realizar eleições corretas em maio, reorganizar as instituições
e retomar a normalidade. Depois é preciso ainda tratar da questão
absurdamente complicada do desarmamento do Hezbollah. Por enquanto, todos estão
se comportando muitíssimo bem. "Temos de sentar e negociar. Podemos chegar
a uma democracia que funcione convenientemente. Fui vencido no passado. Não
quero ser vencedor hoje. Isso só vai criar inimigos", diz o deputado oposicionista
Salah Honein. Bahia Hariri, a irmã do ex-primeiro-ministro assassinado
e uma das três mulheres que integram o Parlamento, está ganhando
projeção pela abertura a todas as correntes políticas. "A
união da pátria é o sustentáculo da estabilidade,
que é o alicerce da democracia", declarou ela a VEJA. Integrar ao processo
de abertura as correntes que favorecem a Síria, por ideologia ou afinidade
cleptocrata, parece de uma dificuldade alucinante. Esse é um mundo onde
se afirma, com convicção, que Hariri foi assassinado pelos americanos
os quais, naturalmente, também tramaram o 11 de Setembro, com assistência
do Mossad. Tudo, naturalmente, para impor o diktat do império americano
e favorecer Israel. Nesse mundo de teorias conspiratórias, não é
de estranhar que sejam cometidos espetaculares erros de avaliação,
como acreditar que a presença e a influência da Síria eram
inabaláveis. A convivência com o vizinho maior e mais forte, porém,
é um fato da vida.
 | PALAVRA
DE BAHIA Bahia Hariri, irmã e herdeira política
do líder assassinado: "A união da pátria é o sustentáculo da estabilidade" |
"A Síria nos ajudou muito. É muito feio xingar
os sírios na rua, como estão fazendo agora", diz num português
razoável Abdul Rahim Murad, ministro da Defesa, que morou cinco anos em
São Paulo e tem sua base política em Chtaura, numa área do
Vale do Bekaa, onde em algumas cidadezinhas a população de brasileiros,
natos ou naturalizados, chega a 70% fala-se em até 100.000 portadores
do passaporte verde. Vários desses brasileiros estão acompanhando
o processo de mudanças com cauteloso otimismo alguns até
tomaram coragem, fretaram um ônibus e participaram da grande manifestação
do último dia 14, mesmo sabendo que os chefes políticos locais estão
do outro lado. "Quem não quer ter liberdade e soberania?", pergunta, diplomaticamente,
o engenheiro Mohamed Abdouni, paulistano da Vila Mariana, um dos fundadores da
Associação de Brasileiros Residentes no Líbano. Do lado oposto
do espectro sociorreligioso, outra brasileira, a carioca Regina Fenianos, uma
das locomotivas sociais do Líbano, fez a mesma coisa: alugou um ônibus,
lotou-o de damas da sociedade e foram todas participar entusiasticamente do protesto.
Os libaneses ficam ofendidos, com razão,
quando se diz que a democracia está dando os primeiros passos no país,
sob a égide americana. Lembram que têm tradição no
ramo, não só na pluralidade política como na convivência
interconfessional, produto da singularidade libanesa decorrente da maciça
presença de árabes cristãos são, hoje, 37%
da população. Mesmo sob ocupação síria, mantiveram
elementos básicos das sociedades abertas, inexistentes nos vizinhos. Imprensa
livre, economia de mercado, sociedade civil atuante e contatos intensos com o
resto do mundo são alguns deles. Também conta no quadro da diversidade
o fato de que, na mesma cidade, seja possível ver a massa de mulheres xiitas
cobertas de negro, andando na rua com ar sério, e os meneios sensuais da
dança do ventre num dos inúmeros night clubs que animam a noite
de Beirute. A importância do fator americano na maré de transformações
em curso é absorvida, em nome do realismo. "Depois de quase trinta anos
de influência americana negativa, agora existe uma influência positiva",
diz o brasileiro Carlos Eddé.  |
CASTELO ENCANTADO Walid
Jumblatt, principal líder da oposição, recebe na biblioteca de seu castelo nas
montanhas: "O fator tempo está do nosso lado" |
Em
visita ao túmulo de Hariri com a filhinha de 6 anos, Jihad Chokr, sunita,
engenheiro de computação formado nos Estados Unidos, avança
mais um passo nesse terreno delicado. Conta que foi um dos 35.000 bolsistas bancados
pessoalmente por Hariri, casou-se com uma americana, teve uma filha nos Estados
Unidos e construiu uma vida agradável lá antes de voltar ao Líbano.
Tal como a imensa maioria dos árabes, nunca aprovou a política externa
americana, muito menos o presidente Bush. "Mas tem gente que já está
mudando de opinião. Um amigo me disse: 'Eu odiava Bush. Agora até
começo a gostar dele'." É esse o terceiro milagre operado, sem querer,
pela Síria. Ao ajudar a expulsar o Exército de ocupação,
Bush, o mais execrado presidente americano dos últimos tempos, ficou do
lado que só pode render dividendos: da justiça e da liberdade.  | O
W DA QUESTÃO Tueini, o dono de jornal: "Esse George
tem um W antes do Bush |
 |  | ESPETÁCULO
DA DIVERSIDADE Os meneios da dança do ventre
na noite de Beirute e o passo sério das xiitas cobertas da cabeça
ao pés: pluralidade e convivência numa sociedade aberta para o mundo
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 | BYE,
BYE, SÍRIOS Soldados sírios chegaram
como força de paz, em 1976, e agora começam a ir embora, levando
a foto do velho Assad e outras boas lembranças: "Qualquer generalzinho
sírio não saía daqui com menos de 50 milhões de dólares"
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