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Carta ao leitor
A epidemia democrática
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| Vilma no Líbano em 1989, com o
fotógrafo Claudio Versiani, e na semana passada, com Paulo Vitale,
editor de fotografia de VEJA |
As idéias se propagam como os vírus.
Por esse conceito, enunciado pelo cientista britânico Richard
Dawkins, pode-se dizer que o mundo árabe está vivendo
uma epidemia de idéias democráticas. Em capitais e
grandes cidades islâmicas, as pessoas, em especial os jovens,
ganharam coragem de ir às ruas em protesto contra os governos
tirânicos que há décadas as oprimem. Em alguns
casos, os donos do poder estão se apressando em propor reformas
políticas liberalizantes, como o voto direto para a escolha
de dirigentes de escalões intermediários (na Arábia
Saudita) ou a aceitação de candidatos oposicionistas
nas eleições presidenciais (no Egito). As disparidades
são imensas em uma zona geopolítica que abriga 304
milhões de pessoas 374 milhões, quando se inclui
no cenário o Irã, cujos habitantes seguem a religião
islâmica mas não são árabes. O vento
de mudança sopra com intensidade diferente mas aponta para
a mesma direção: a democracia.
Essa é uma das melhores notícias
dos últimos tempos. Desde o ataque terrorista contra os Estados
Unidos ocorrido em 11 de setembro de 2001, a política mundial
gira em torno de uma solução para a questão
islâmica. A onipresença e a imprevisibilidade do terror
islâmico vêm mantendo o mundo ocidental em constante
suspense. Mesmo distantes do epicentro da crise, os brasileiros
sentem seu impacto quando são bombardeados por imagens de
corpos dilacerados em Israel e no Iraque, em viagens ao exterior
ou quando sofrem com a disparada do preço do petróleo.
A idéia de que uma solução pode estar nascendo
nas ruas árabes pelas mãos de seus próprios
jovens é auspiciosa.
Para ver de perto esse fenômeno, VEJA
enviou a Beirute, a capital do Líbano, a editora executiva
Vilma Gryzinski e o editor de fotografia, Paulo Vitale, ambos veteranos
de coberturas jornalísticas no Oriente Médio. Vilma
cobriu a primeira Guerra do Golfo, em 1991, e esteve no Líbano
em 1989, quando o país se dilacerava em uma guerra civil
entre milícias armadas cristãs e muçulmanas.
"Beirute mudou. É hoje uma cidade cheia de vida, onde se
respira esperança", afirma Vilma. A dupla de VEJA acompanhou
as grandes manifestações públicas que forçaram
a retirada das tropas sírias invasoras do Líbano.
A reportagem escrita por Vilma começa na pág.
102. Ela informa que os próximos meses dirão
se se está diante apenas de uma revolta que ainda pode ser
sufocada ou de algo tão definitivo e duradouro quanto a queda
do Muro de Berlim, em 1989. Que vingue a última hipótese.
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