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Auto-retrato Sue
Johanson A canadense Sue Johanson é a dama
do sexo na TV. Com seu jeitão de avó (ela só confirma que
tem mais de 70 anos) e sólidas credenciais acadêmicas, há
mais de duas décadas ela faz sucesso nos Estados Unidos e no Canadá
transmitindo informações sobre o tema. No Brasil, onde seu programa
é exibido pelo canal a cabo GNT, ela também conquista cada vez mais
espectadores. Sue vem ao país nesta semana e conversou por telefone com
o repórter Marcelo Marthe. QUAL O CAMINHO
PARA UMA VIDA SEXUAL FELIZ? A felicidade de um casal no sexo depende,
em primeiro lugar, de quão saudável e vibrante é sua intimidade
afetiva. É preciso conversar francamente sobre sexo, compartilhar fantasias
e esforçar-se para entender as demandas e limitações do parceiro.
Também é essencial divertir-se. Não se deve fazer do sexo
uma obrigação, uma espécie de serviço sujo que é
preciso cumprir. NOS ESTADOS UNIDOS,
O GOVERNO BUSH INCENTIVA AS ESCOLAS A ABOLIR A EDUCAÇÃO SEXUAL E
A RECOMENDAR A ABSTINÊNCIA A SEUS ALUNOS. O QUE A SENHORA ACHA DISSO?
É uma medida irresponsável, que está saindo pela culatra.
Estatísticas recentes mostram que 87% dos jovens que receberam apenas sermões
sobre abstinência quebraram o jejum sexual em menos de um ano e muitos,
sem dispor de informação, entraram para as estatísticas sobre
gravidez precoce e doenças como a aids. Educar as crianças sobre
sexo é uma obrigação moral, e a velha idéia de que
se deve deixar que a vida lhes ensine essas coisas, um disparate. Cedo ou tarde
elas terão relações, e estarão mais protegidas se
os pais e a escola as prepararem para isso. AS
PESSOAS MAIS VELHAS PODEM SER TÃO FELIZES QUANTO OS JOVENS EM MATÉRIA
DE SEXO? Eu diria que podem ser até mais felizes, na medida em
que a idade lhes traga sabedoria para entender e aceitar seu corpo. Pessoas mais
velhas de bem consigo mesmas não sentem a obrigação de chegar
ao clímax todas as vezes que tocam seus parceiros e elas ainda podem
obter grande prazer de práticas como o beijo e as carícias. Existe
ainda uma grande vantagem em relação à molecada: os velhos
não precisam se preocupar com uma gravidez indesejada. ALGUMA
VEZ, AO RESPONDER A PERGUNTAS SOBRE SEXO, A SENHORA FICOU CHOCADA? Não
tenha dúvida disso. Afinal, sou uma mulher de família. A história
mais bizarra, creio eu, foi a de um casal que tinha o hábito de fazer sexo
dentro do carro, sobre uma linha ferroviária. A garota só atingia
o orgasmo quando sentia o trem se aproximando. Fantasias sexuais são maravilhosas,
mas entram no campo do ilícito quando envolvem coerção, riscos
físicos e a exploração de menores. COMO
A SENHORA SE TORNOU UMA EXPERT EM SEXO? Sou enfermeira por formação
e, em 1970, fui chamada para dar aulas sobre controle de natalidade numa escola
do ensino médio. Tratava-se da primeira iniciativa do gênero num
colégio dos Estados Unidos e o resultado foi surpreendente. Descobrimos
que os jovens estavam fazendo muito mais sexo do que os adultos supunham, sem
dispor de informação adequada em casa ou na escola. Então
voltei à universidade e me especializei no assunto. Exerci por treze anos
o ofício de professora de educação sexual antes de entrar
para a TV. QUANDO A SENHORA COMEÇOU
A FALAR DE SEXO NA TELEVISÃO ENFRENTOU DIFICULDADES? Quando estreei,
já era uma mulher madura e ostentava credenciais acadêmicas. Isso
minorou o preconceito. Além disso, eu soube me impor. Consigo falar com
gente de todas as idades, pois trato o tema com objetividade, sem dar lição
de moral ou fazer gracejos desnecessários. E
SUA FAMÍLIA, PASSOU POR ALGUM CONSTRANGIMENTO? Meus filhos não
falavam sobre o emprego da mãe, a menos que fosse indispensável.
Já meus netos me vêem na TV desde que nasceram e se divertem com
a vovó especialista em sexo. |