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Edição 2045

30 de janeiro de 2008
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CINEMA


Meu Monstro de Estimação (The Water Horse, Estados Unidos/Inglaterra, 2007. Estréia nesta sexta-feira no país) – Está-se em plena II Guerra, e o pai de Angus (o adorável Alex Etel) não volta nunca do front, um regimento inteiro se aquartela na velha mansão de que sua mãe (Emily Watson) é governanta e um desconhecido (Ben Chaplin) aparece para trabalhar como faz-tudo na propriedade. Mas nenhum desses problemas ou novidades consegue competir, na imaginação do menino, com a descoberta atordoante que ele fez à margem do Loch Ness, onde mora: um ovo, do qual saiu uma estranha criatura que logo se afeiçoou a ele – e que, à medida que come como louca e cresce na mesma proporção, vai se transformando em nada menos que Nessie, o mítico monstro do fiorde escocês. Baseado no romance homônimo, lançado aqui pela Record, trata-se do raro filme infanto-juvenil que se apóia muito mais no enredo cativante e nos personagens do que nos efeitos especiais (aliás, lindos). Veja cenas.

 

LIVROS

Maury Phillips /
Wireimage / Getty Images
Hiaasen: extravagante e colorido como Miami  

Caso Perdido, de Carl Hiaasen (tradução de Claudio Carina; Companhia das Letras; 376 páginas; 54 reais) – Autor de Strip-Tease – que deu origem ao filme com Demi Moore –, Carl Hiaasen é um dos mais divertidos escritores dos Estados Unidos. Sua obra é tão extravagante e colorida quanto a Miami que lhe serve de cenário. Em Caso Perdido, o herói é Jack Tagger, um jornalista de meia-idade que se vê relegado à seção de obituários depois de se desentender com o magnata que controla o jornal em que trabalha. Por conta própria, ele começa a investigar a misteriosa morte por afogamento de um astro de rock dos anos 80, e entrevista a suspeitíssima viúva. A partir daí, as excentricidades de Hiaasen seguem soltas – incluindo lutas em que um lagarto congelado é usado como arma. Leia trecho.

  

Seth Wenig/Reuters
Ruth: tensão da primeira até a última página  

Sem Perdão, de Ruth Rendell (tradução de Júlio Bandeira; Rocco; 448 páginas; 54 reais) – Consagrada, ao lado de P.D. James, como uma das maiores autoras de romances policiais da Inglaterra hoje, Ruth Rendell é mestre em tramas de investigação psicológica e em crimes que envolvem dramas sociais. Em Sem Perdão, o detetive Wex-ford – personagem costumeiro da autora – se vê às voltas com duas adolescentes que escaparam de um rapto, mas que estranhamente dizem não se lembrar do que aconteceu. Na mesma cidade em que ocorreu o crime, acaba de se estabelecer um homem que já cumpriu pena por abuso sexual de crianças e que tenta manter seu passado oculto. A investigação de Wexford o conduz a uma rede de abuso e pedofilia. O suspense é mantido a cada página, à medida que a história sugere que um assassinato está para ser cometido. Leia trecho.

 

DISCOS

Fotos divulgação
Stacey: antídoto contra a mesmice
do jazz
 


Breakfast on the Morning Tram
,
Stacey Kent (EMI) – Para quem cansou da mistura de clássicos americanos com bossa nova, adotada por nove em cada dez intérpretes atuais de jazz, o disco da americana Stacey é um antídoto e tanto. Ela faz incursões pela música folk (a versão de Landslide, do Fleetwood Mac, é um dos grandes momentos do disco) e pela chanson (Ces Petits Riens e Las Saison des Pluies, de Serge Gainsbourg). Também inicia uma boa parceria com o escritor anglo-japonês Kazuo Ishiguro: ele assina quatro letras, entre elas a que dá título ao disco. Quando cai na tentação das releituras, Stacey o faz com classe – a bossa Samba da Bênção, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, virou Samba Saravah e é cantada em francês. E sua voz doce transforma a surrada What a Wonderful World numa bela canção de ninar.

 

Fotos divulgação
O quarteto ALO: rock para divertir  

Roses & Clover, ALO (Universal) – Esse quarteto americano tem como padrinho o cantor e compositor Jack Johnson, um artista predileto dos surfistas. Johnson não apenas colocou o ALO (abreviação de Animal Liberation Orchestra) para abrir seus shows como o acolheu em seu selo, o Brushfire. Mas o som do grupo difere bastante das baladas acústicas de seu mentor. Suas principais influências são Little Feat e Allman Brothers, grupos de blues-rock conhecidos por suas longas improvisações (que, pelo menos aqui, foram deixadas de lado). Roses & Clover, terceiro disco do ALO, traz dez rocks divertidos, nos quais o tecladista e cantor Zach Gill dá um show particular – como se pode perceber na introdução de Mariah, uma das melhores faixas do CD, e em Shine, canção que emula o reggae da década de 70.

 

DVD


Down by Law (Estados Unidos/Alemanha, 1986. Lume) – Um cafetão (John Lurie), um DJ de rádio (Tom Waits) e um atônito turista italiano (Roberto Benigni, aqui antes de se revelar um chato de galochas) primeiro vão parar numa prisão da Louisiana e depois fogem dela, vagando pelos pântanos à cata de um café-da-manhã decente. Vá lá que o pouco que Down by Law tem de história caberia muito bem num curta-metragem: o segundo trabalho do diretor Jim Jarmusch, feito na esteira de seu sucesso Estranhos no Paraíso, virou um marco do cinema independente não pelo que tem a contar, mas pela maneira como o faz – como uma espécie de colagem de nouvelle vague francesa, blues americano e existencialismo pop, costurada de forma quase aleatória e fotografada num preto-e-branco cheio de atmosfera.

 

 
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