Meu Monstro de Estimação(The Water Horse, Estados Unidos/Inglaterra, 2007. Estréia
nesta sexta-feira no país) Está-se em plena
II Guerra, e o pai de Angus (o adorável Alex Etel) não
volta nunca do front, um regimento inteiro se aquartela na velha
mansão de que sua mãe (Emily Watson) é
governanta e um desconhecido (Ben Chaplin) aparece para trabalhar
como faz-tudo na propriedade. Mas nenhum desses problemas ou
novidades consegue competir, na imaginação do
menino, com a descoberta atordoante que ele fez à margem
do Loch Ness, onde mora: um ovo, do qual saiu uma estranha criatura
que logo se afeiçoou a ele e que, à medida
que come como louca e cresce na mesma proporção,
vai se transformando em nada menos que Nessie, o mítico
monstro do fiorde escocês. Baseado no romance homônimo,
lançado aqui pela Record, trata-se do raro filme infanto-juvenil
que se apóia muito mais no enredo cativante e nos personagens
do que nos efeitos especiais (aliás, lindos). Veja
cenas.
LIVROS
Maury Phillips /
Wireimage / Getty Images
Hiaasen: extravagante e colorido
como Miami
Caso Perdido, de
Carl Hiaasen (tradução de Claudio Carina; Companhia
das Letras; 376 páginas; 54 reais) Autor de Strip-Tease
que deu origem ao filme com Demi Moore , Carl
Hiaasen é um dos mais divertidos escritores dos Estados
Unidos. Sua obra é tão extravagante e colorida
quanto a Miami que lhe serve de cenário. Em Caso Perdido,
o herói é Jack Tagger, um jornalista de meia-idade
que se vê relegado à seção de obituários
depois de se desentender com o magnata que controla o jornal
em que trabalha. Por conta própria, ele começa
a investigar a misteriosa morte por afogamento de um astro de
rock dos anos 80, e entrevista a suspeitíssima viúva.
A partir daí, as excentricidades de Hiaasen seguem soltas
incluindo lutas em que um lagarto congelado é
usado como arma. Leia
trecho.
Seth Wenig/Reuters
Ruth: tensão da primeira
até a última página
Sem Perdão,
de Ruth Rendell (tradução de Júlio Bandeira;
Rocco; 448 páginas; 54 reais) Consagrada, ao lado
de P.D. James, como uma das maiores autoras de romances policiais
da Inglaterra hoje, Ruth Rendell é mestre em tramas de
investigação psicológica e em crimes que
envolvem dramas sociais. Em Sem Perdão, o detetive
Wex-ford personagem costumeiro da autora se vê
às voltas com duas adolescentes que escaparam de um rapto,
mas que estranhamente dizem não se lembrar do que aconteceu.
Na mesma cidade em que ocorreu o crime, acaba de se estabelecer
um homem que já cumpriu pena por abuso sexual de crianças
e que tenta manter seu passado oculto. A investigação
de Wexford o conduz a uma rede de abuso e pedofilia. O suspense
é mantido a cada página, à medida que a
história sugere que um assassinato está para ser
cometido. Leia
trecho.
DISCOS
Fotos divulgação
Stacey: antídoto contra
a mesmice
do jazz
Breakfast on the Morning Tram, Stacey Kent (EMI)
Para quem cansou da mistura de clássicos americanos com
bossa nova, adotada por nove em cada dez intérpretes
atuais de jazz, o disco da americana Stacey é um antídoto
e tanto. Ela faz incursões pela música folk (a
versão de Landslide, do Fleetwood Mac, é
um dos grandes momentos do disco) e pela chanson(Ces
Petits Riens e Las Saison des Pluies, de Serge Gainsbourg).
Também inicia uma boa parceria com o escritor anglo-japonês
Kazuo Ishiguro: ele assina quatro letras, entre elas a que dá
título ao disco. Quando cai na tentação
das releituras, Stacey o faz com classe a bossa Samba
da Bênção, de Baden Powell e Vinicius
de Moraes, virou Samba Saravah e é cantada em
francês. E sua voz doce transforma a surrada What a
Wonderful World numa bela canção de ninar.
Fotos divulgação
O quarteto ALO: rock para divertir
Roses & Clover, ALO
(Universal) Esse quarteto americano tem como padrinho
o cantor e compositor Jack Johnson, um artista predileto dos
surfistas. Johnson não apenas colocou o ALO (abreviação
de Animal Liberation Orchestra) para abrir seus shows como o
acolheu em seu selo, o Brushfire. Mas o som do grupo difere
bastante das baladas acústicas de seu mentor. Suas principais
influências são Little Feat e Allman Brothers,
grupos de blues-rock conhecidos por suas longas improvisações
(que, pelo menos aqui, foram deixadas de lado). Roses &
Clover, terceiro disco do ALO, traz dez rocks divertidos,
nos quais o tecladista e cantor Zach Gill dá um show
particular como se pode perceber na introdução
de Mariah, uma das melhores faixas do CD, e em Shine,
canção que emula o reggae da década de
70.
DVD
Down by Law (Estados Unidos/Alemanha,
1986. Lume) Um cafetão (John Lurie), um DJ de
rádio (Tom Waits) e um atônito turista italiano
(Roberto Benigni, aqui antes de se revelar um chato de galochas)
primeiro vão parar numa prisão da Louisiana e
depois fogem dela, vagando pelos pântanos à cata
de um café-da-manhã decente. Vá lá
que o pouco que Down by Law tem de história caberia
muito bem num curta-metragem: o segundo trabalho do diretor
Jim Jarmusch, feito na esteira de seu sucesso Estranhos no
Paraíso, virou um marco do cinema independente não
pelo que tem a contar, mas pela maneira como o faz como
uma espécie de colagem de nouvelle vague francesa, blues
americano e existencialismo pop, costurada de forma quase aleatória
e fotografada num preto-e-branco cheio de atmosfera.