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30 de janeiro de 2008
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O enigma do urso

Participante faz da indefinição sexual uma
arma de sobrevivência no Big Brother Brasil


Marcelo Marthe

Fotos TV Globo/Divulgação
Marcelo, com a "amiga" Gyselle: se Ana Carolina pode ser bi, por que não ele?

Em menos de três semanas de participação no Big Brother Brasil 8, o mineiro Marcelo se revelou um Zelig sexual. Como o tipo criado por Woody Allen, que se transforma dependendo da pessoa com quem entra em contato, o psiquiatra mineiro tem dançado conforme a música quando o assunto é a libido. De início, Marcelo apresentou-se como heterossexual. Trocava chamegos com a modelo Gyselle e chegou a lhe confidenciar que se amarrava em "mulheres siliconadas" como a morena piauiense. Em seguida, eis que Marcelo saiu do armário. Numa conversa com outras duas participantes, assumiu sua homossexualidade. À medida que se abriu com os outros participantes, contudo, as coisas ficaram mais confusas. Marcelo finalmente disse a Gyselle que é gay – mas acrescentou que também gosta de mulheres. E insinuou-se: "Pensei que poderia rolar alguma coisa entre a gente" (coincidência ou não, caberia à moça naquela altura conferir a alguém imunidade e o direito a um carro zero). Marcelo também já demonstrava ciúme da relação de Gyselle com o entregador de verduras e dublê de roqueiro "emo" Rafinha – a quem o psiquiatra acabaria dizendo que na verdade é bissexual (depois disso, o "emo" ficou mais dócil com o desafeto). Se até a cantora Ana Carolina pode ser bi, por que não ele?

Rafinha: um verdureiro "emo"

Três anos atrás, o baiano Jean sacudiu o Big Brother ao se declarar gay e denunciar a homofobia dentro da casa. Na condição de "minoria oprimida", caiu nas graças do público e venceu a gincana. O caminho adotado por Marcelo é outro. De forma consciente ou não, ele parece estar tateando em busca da roupagem sexual mais adequada para ser aceito por seus pares. Como ensina a psicologia, a sexualidade é uma moeda de troca nas relações humanas. Mas o comportamento de Marcelo assinala algo inédito num Big Brother. "Ele usa a indefinição sexual como arma para manter as portas abertas com todos", observa a psiquiatra Carmita Abdo, da Universidade de São Paulo.

Na primeira entrevista de seleção, Marcelo, de 31 anos, omitiu sua homossexualidade e disse até que curtia "gatinhas". O fato só veio à tona numa segunda sabatina. "Ele é totalmente enrustido", diz o diretor Boninho. A conduta do psiquiatra não vem causando problemas a seu convívio na casa. Já se tornou comum vê-lo em conversas de luluzinha com as garotas ou dando uma de analista sentimental com os rapazes. Mas, em suas sondagens para captar o que o público pensa dos participantes, a produção da Globo diagnosticou que boa parte o rejeita, por enxergar falsidade em seu comportamento. "Mesmo os gays não estão felizes", afirma Boninho. Com seu tipo barbudo e "fofinho", ele bem que se enquadraria na tribo dos que no meio homossexual se convencionou chamar de "ursos". E atenção: ao que tudo indica, Marcelo não é o único a fugir do figurino heterossexual no BBB 8. Espera-se que em breve uma mulher se declare gay.


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