Em quase dois anos de périplo
pelo Brasil e por outros treze países latino-americanos,
Robert B. Haas levou uma rotina dupla. Peixe graúdo do
mercado financeiro americano, ele gastava as madrugadas comandando,
pelo computador, seu banco de investimentos em Dallas. Tão
logo o sol raiava, contudo, Haas transmutava-se num aventureiro
da fotografia. Meio pendurado para fora de helicópteros
e pequenos aviões, ele capturava imagens do continente
a partir do alto pelo mesmo ângulo de um pássaro
como o condor. O resultado dessa empreitada é um livro
suntuoso recém-lançado pela National Geographic.
Aos Olhos do Condor reúne 114 fotografias
captadas em 47 localidades, da Cidade do México às
geleiras do extremo sul do Chile. O fotógrafo visitou
o Brasil em duas ocasiões, em 2006. Passou pela Amazônia,
pelo Pantanal e pelo litoral do Nordeste. São 24 imagens
do país. Elas mostram palmeiras do Pantanal que emergem
de uma névoa fantasmagórica. Ou algas e areia
se combinando num padrão que remete à pintura
abstrata trata-se da costa de Salvador, vista a 100 metros
de altura.
VIAGENS VISUAIS O flagrante "gráfico" de um rebanho
em Mato Grosso do Sul, o registro dos desmanches de carros
no topo de prédios da Cidade do México, um
cemitério nas margens de um rio amazônico,
com nuvens refletidas nas águas, e o autor das imagens,
o americano Robert B. Haas: ele já era um investidor
milionário quando descobriu seu talento para a fotografia
aérea
Há três anos, Haas
realizou um ensaio nos mesmos moldes sobre a África,
que teve mais de 115 000 cópias vendidas e foi traduzido
em dezessete línguas. Naquela experiência, ele
desenvolveu a técnica agora aprimorada. Haas produz milhares
de fotogramas de uma mesma cena até chegar à composição
perfeita. Por exemplo: ao retratar um bando de flamingos, não
lhe importa o registro naturalista, e sim o fato de que, a distância,
seu conjunto cria a ilusão de um exemplar gigante da
espécie. O mesmo olhar se aplica às cenas urbanas.
Na capital mexicana, Haas detém-se sobre o detalhe algo
surreal das coberturas de prédios transformadas em desmanches
de carros. Ele já era um profissional bem-sucedido (e
milionário) quando abraçou a fotografia, nos anos
90. E encontrou uma forma de separar a arte dos negócios:
todos os direitos de suas obras são doados a entidades
dedicadas à preservação ambiental.