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30 de janeiro de 2008
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Fotografia
É de causar vertigem

O americano Robert B. Haas retrata o
Brasil e seus vizinhos latino-americanos
em imagens aéreas surpreendentes


Marcelo Marthe

Fotos Robert B. Haas
Formações de algas e areia vistas do alto: parece pintura abstrata, mas é a costa de Salvador

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Em quase dois anos de périplo pelo Brasil e por outros treze países latino-americanos, Robert B. Haas levou uma rotina dupla. Peixe graúdo do mercado financeiro americano, ele gastava as madrugadas comandando, pelo computador, seu banco de investimentos em Dallas. Tão logo o sol raiava, contudo, Haas transmutava-se num aventureiro da fotografia. Meio pendurado para fora de helicópteros e pequenos aviões, ele capturava imagens do continente a partir do alto – pelo mesmo ângulo de um pássaro como o condor. O resultado dessa empreitada é um livro suntuoso recém-lançado pela National Geographic. Aos Olhos do Condor reúne 114 fotografias captadas em 47 localidades, da Cidade do México às geleiras do extremo sul do Chile. O fotógrafo visitou o Brasil em duas ocasiões, em 2006. Passou pela Amazônia, pelo Pantanal e pelo litoral do Nordeste. São 24 imagens do país. Elas mostram palmeiras do Pantanal que emergem de uma névoa fantasmagórica. Ou algas e areia se combinando num padrão que remete à pintura abstrata – trata-se da costa de Salvador, vista a 100 metros de altura.

VIAGENS VISUAIS
O flagrante "gráfico" de um rebanho em Mato Grosso do Sul, o registro dos desmanches de carros no topo de prédios da Cidade do México, um cemitério nas margens de um rio amazônico, com nuvens refletidas nas águas, e o autor das imagens, o americano Robert B. Haas: ele já era um investidor milionário quando descobriu seu talento para a fotografia aérea

Há três anos, Haas realizou um ensaio nos mesmos moldes sobre a África, que teve mais de 115 000 cópias vendidas e foi traduzido em dezessete línguas. Naquela experiência, ele desenvolveu a técnica agora aprimorada. Haas produz milhares de fotogramas de uma mesma cena até chegar à composição perfeita. Por exemplo: ao retratar um bando de flamingos, não lhe importa o registro naturalista, e sim o fato de que, a distância, seu conjunto cria a ilusão de um exemplar gigante da espécie. O mesmo olhar se aplica às cenas urbanas. Na capital mexicana, Haas detém-se sobre o detalhe algo surreal das coberturas de prédios transformadas em desmanches de carros. Ele já era um profissional bem-sucedido (e milionário) quando abraçou a fotografia, nos anos 90. E encontrou uma forma de separar a arte dos negócios: todos os direitos de suas obras são doados a entidades dedicadas à preservação ambiental.

 

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