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Edição 2045

30 de janeiro de 2008
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Cartas

 

"Devíamos ter aproveitado esse período de prosperidade da economia mundial para fazer as reformas trabalhista, tributária e previdenciária."
Murilo Augusto de Medeiros
Guará II, DF

 

O capitalismo brasileiro

Brilhante a reportagem sobre a supereconomia ("Os heróis do capitalismo", 23 de janeiro). É sempre muito bom abrir a revista e descobrir a história de brasileiros que deram certo, que brilham por sua capacidade de trabalho e por sua capacidade empreendedora. Sou pequeno empresário há 22 anos, lutando por um espaço num mercado competitivo, muitas vezes sendo até atrapalhado por mudanças constantes na condução da política econômica. Tive a felicidade de conhecer o trabalho do Instituto Endeavor em 2002 e sempre me surpreendeu a forma como ele ajuda o Brasil a desenvolver a cultura empreendedora, incentivando um empreendedorismo de resultados. Desde 2006 nos tornamos apoiadores do instituto, pois é gratificante colaborar com quem sempre ajuda no crescimento do Brasil.
Paulo Surya Bento
São Paulo, SP

Realmente, acredito que o boom de crescimento mundial atingiu em cheio o mercado de investimentos e favoreceu o espírito empreendedor do brasileiro, trazendo renda e melhorando a vida de muitos. Porém, tenho medo de que a "alopralgia metamórfica" – enfermidade que acomete petistas e seus asseclas, transformando-os em aloprados – venha a contaminar toda a sociedade brasileira, e, dessa forma, comecemos a achar que está tudo um mar de rosas. Exemplo disso é o balanço do Programa de Ajeitamento de Companheiros (PAC) – que até o momento não mostrou a que veio e é alardeado pelo governo aloprado como a salvação da lavoura.
Vinícius Midlej S. Ramos
Mundo Novo, BA

A economia brasileira, com todas as críticas ao atual governo, está numa situação bem diferente da de anos passados. Quando vemos o governo americano buscando formas de evitar a depressão, ficamos pensando que, mesmo com os avanços que obtivemos, ainda há muita coisa a ser feita. Mas falta essencialmente a participação maior de vários segmentos no sentido de buscar uma melhor distribuição de renda, o que é um fator fundamental para diminuir a violência e os conflitos sociais. O difícil é encontrar uma forma de estabelecer o diálogo necessário.
Uriel Villas Boas
Santos, SP

Nunca gostei de números e de economia, mas a reportagem alegrou-me bastante, a ponto de me interessar pela bolsa de valores. Agradeço as dicas publicadas e vou colocá-las em prática.
Rodrigo Capella
São Paulo, SP

Além de empreendedor de sucesso, o vietnamita Thai Quang Nghia sempre passou aos participantes do Grupo de Jovens na Paróquia São Joaquim do Cambuci, em São Paulo, uma mensagem de ética, persistência, humildade e simplicidade, elementos essenciais para alcançar o sucesso.
Emanuel Silva
São Paulo, SP

 

Governo Lula

A imagem de Lula cumprimentando o novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, é talvez o epílogo da história do PT no governo federal ("Cara de mau para Lobão", 23 de janeiro). Quando o partido entrou no governo, não faltava modéstia de seus filiados em reclamar para si a bandeira da ética e da moral. Agora, de críticos ferrenhos, passaram a usuários contumazes do fisiologismo, "como nunca antes na história deste país". Lembro-me de uma capa de anos atrás de VEJA que dizia que o PT era vidro e se quebrou já prevendo resultados como esse.
Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP

Magnífica a forma como Diego Escosteguy descreve a melancólica situação do presidente Lula, reveladora da sua condição de refém político de um minúsculo, porém astuto, grupo afeito às benesses do poder, cujo líder o Brasil já conhece e o Maranhão, por longa e penosa experiência, repudia.
Aldo Pereira Gomes
Pedreiras, MA

Fiquei impressionado com a cara de constrangimento do presidente Lula ao empossar Edison Lobão como ministro. Ao lotear o governo em favor do bando de seus aliados, Lula deveria, pelo menos, exigir ficha corrida limpa dos pretendentes, evitando situações como essa.
Martônio Ribeiro
Ribeirão Preto, SP

Nos Estados Unidos, quando a economia do país deu sinais de caminhar em direção à recessão, a primeira providência do governo foi diminuir tributos para empresas e consumidores, injetando, dessa forma, 150 bilhões de dólares na economia. Aqui, num capitalismo perto do bolivariano, nosso governo, que declaradamente não confia na iniciativa privada, continua aumentando sistematicamente os impostos, retirando de circulação bilhões de reais que, em mãos competentes e produtivas, além de criar milhões de empregos, poderiam melhorar as condições do sistema de saúde, da segurança dos cidadãos, das escolas, do saneamento das cidades, da malha rodoviária, dos portos e aeroportos, das cadeias etc. Não, o nosso governo optou por empregar grande parte desse dinheiro para arrecadar votos. Votos dos pobres cidadãos ou dos cidadãos pobres, com o Bolsa-Esmola-Família, e os votos dos políticos corruptos, com o pagamento de mensalões e nomeações de velhos e leigos caudilhos no lugar de especialistas.
Victor Germano Pereira
São Paulo, SP

Não tem preço ver a carinha de Chapeuzinho Vermelho do Lula... Toma!
Regina Maria Alves
Belo Horizonte, MG

 

Matilde Ribeiro

Perde-se o crédito e o governo fica no débito com o procedimento vergonhoso de "autoridades" do nível da assistente social Matilde Ribeiro, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial ("Crédito ou débito?", 23 de janeiro). Afinal de contas, o que ela faz e por que um cartão de crédito corporativo com limite tão grande para quem faz o mínimo? Merece uma investigação séria mais esse caso de farra com recursos obtidos com o suor do contribuinte.
Carlos Alberto Lima
Florianópolis, SC

Através da ministra Matilde Ribeiro, titular de uma secretaria absolutamente estéril, o governo Lula esbofeteia e cospe na cara dos, já exauridos, contribuintes brasileiros.
César Augusto Pereira da Silva
Porto Alegre, RS

Fábio Portela mostrou os gastos da ministra Matilde Ribeiro, pagos com cartão de crédito do governo. O ponto de interrogação merece uma resposta. Crédito: nenhum. Débito: com todos os brasileiros de boa índole. Chega a ser danoso à saúde ler algo assim. Mas vale a pena ressaltar que o cartão da ministra pode pagar muitas contas, mas nunca poderá comprar integridade, honestidade e reputação.
Marilene Cristina Nagel
Gaspar, SC

Com muita honra e alegria sou negra e com muita tristeza e vergonha sou ex-petista. O PT no poder superou os outros partidos nas atitudes desonestas e parasitárias. Esse comportamento da ministra Matilde Ribeiro é um dos vários maus exemplos de líderes petistas. Poderia citar dezenas de outros. Moro em Jaboatão (Grande Recife), e o prefeito petista João Paulo, do Recife, fez uma campanha para arrecadar brinquedos para as crianças pobres. Gastou uma fortuna em mídia e, para completar, pagou 500 000 reais por um show da dupla Sandy e Júnior.
Solange Godoy
Jaboatão dos Guararapes, PE

Até quando nós, que temos de controlar rigidamente nossos gastos com o cartão de crédito, teremos de bancar os gastos com chopinhos, hotéis cinco-estrelas e outras mordomias desse bando de aloprados deslumbrados com o poder como a ministra, que até hoje não se sabe a que veio nem mesmo o que faz?
Francisco Arantes
Jundiaí, SP

Num país onde a carga tributária onera em demasia os contribuintes, o uso do cartão corporativo para pagamento de contas particulares, incluindo bares e free shop, revela um descompromisso total com a função pública exercida, gerando revolta e descrença na população e desestimulando o correto recolhimento de tributos. É necessário que não somente a ministra Matilde Ribeiro preste contas dos valores gastos, sendo responsabilizada pela utilização irregular de recursos públicos, mas que também preste contas à autoridade pública responsável por sua nomeação para o cargo.
Luiz Frederico Penachioni
Americana, SP

É realmente uma vergonha que indigna qualquer cidadão brasileiro que sofrida e honestamente recolhe seus impostos. Em um país que possui uma das maiores cargas tributárias do mundo, cujo cidadão trabalha aproximadamente cinco meses do ano para pagar seus impostos, é absolutamente reprovável o péssimo exemplo dado pela "ministra" Matilde Ribeiro.
Rogério Bastos Vieira
Curitiba, PR

 

Justiça

Sobre a matéria "O efeito Tuma", publicada na edição 2.043 desta revista, de 16 de janeiro de 2008, o Ministério da Justiça tem a dizer que o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., não interfere politicamente no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, por ele coordenado. Também negamos a informação segundo a qual Tuma Jr. teria pedido, em reunião, uma lista de políticos investigados pelo departamento para "cobrar fatura depois". As duas servidoras que solicitaram desligamento do departamento, recentemente, o fizeram devido a incompatibilidades de natureza administrativa com a direção do órgão. Em nenhum momento declinaram razões de natureza ética para a sua demissão. O anteprojeto de lei de cooperação internacional apresentado como substitutivo pelo senador Romeu Tuma foi encaminhado ao senador pelo próprio DRCI antes da posse de Romeu Tuma Jr. como secretário.
Ludmila Luz
Chefe da assessoria de comunicação social do Ministério da Justiça
Brasília, DF

 

João Guilherme Estrella

Só tive um conhecimento mais profundo da vida desse carioca João Guilherme Estrella após ler a entrevista nas páginas amarelas (23 de janeiro). Ao contrário do que ele afirma, o uso de drogas é, sim, conseqüência de problemas familiares, e não "uma fase, superada quando o jovem faz a transição para uma postura mais séria na vida". O problema (ou drama) dos viciados é muito mais estrutural e muito menos "pura diversão". "Situação financeira privilegiada e boa educação" estão bem distantes do mínimo necessário para enfrentar o grande, encantado e incontestável mundo moderno, onde prevalecem as competições, rivalidades e um egocentrismo desmedido.
Mirna Machado
Atibaia, SP

A ressocialização do senhor João Guilherme Estrella é digna de louvor. Em um sistema punitivo totalmente falido, o seu renascimento deveu-se unicamente a ele próprio, pela sua inteligência e capacidade de sobreviver em um meio hostil. Entretanto, gostaria de saber qual o "destino" de inúmeras pessoas cujo consumo de drogas se deveu à sua atividade, pela indução ou facilitação. Acredito que a forma utilizada para gastar a receita por ele auferida no tráfico não tornou menos predadora da sociedade a sua conduta, assim como a de todos os demais que optam livremente por se envolver em tal atividade, independentemente da motivação e da classe social. Não percebo a diferença entre eles. O dano social é o mesmo.
Marcos dos Santos Ferreira
Rio de Janeiro, RJ

Sou leitor de VEJA desde seu número 1 e, entre estupefato e atônito, li nas páginas amarelas a entrevista com o pior dos marginais que podem existir: um traficante de drogas. Quantas terão sido as pessoas lesadas de forma irrecuperável com o seu tráfico? Quantas vítimas espalhadas mundo afora? Sobrevivente, hein! Lamentável!
José Wohlgemuth Koelzer Neto
Por e-mail

 

Farc

Não demorará muito e o líder e os guerrilheiros das Farc estarão ocupando cargos no governo colombiano. Quem sabe como chefe da Casa Civil, secretário dos Direitos Humanos e, muito provavelmente, recebendo indenizações polpudas, promoções ao generalato e manifestações de apoio de artistas e intelectuais. A esse filme nós estamos assistindo há algum tempo. É viver para ver (" ‘São terroristas, sim’ ", 23 de janeiro).
Mário Soares de Sousa
Taguatinga, DF

A reportagem mostrou uma realidade antiga das esquerdas radicais. O movimento internacional socialista incentiva esses atos. Faz parte do processo de tomada do poder pela luta armada. Aqui no Brasil tivemos os nossos seqüestradores, e eles aplicavam as mesmas técnicas que as Farc utilizam. Faz parte da história recente do Brasil e precisa ser reconhecido. As guerrilhas comunistas brasileiras foram derrotadas. Como estaríamos se tivéssemos guerrilhas comunistas no nosso país hoje? Acredito que teríamos muitos seqüestrados, como a Colômbia.
Cezar Augusto Rodrigues Lima Junior
Brasília, DF

Como pode ainda existir tanta gente que acredita nessa coisa de comunismo. Se fosse tão bom, países como a antiga URSS e os do Leste Europeu teriam continuado com o socialismo. E o pior de tudo é que ainda vemos nas universidades muitos professores pregando essa doutrina e incentivando os alunos a apoiar o movimento. Cadê os caras-pintadas da época do impeachment do Collor? Só sabem ir às ruas para detonar os Estados Unidos?
Fabio Rodrigues Franco
Vespasiano, MG

 

Lya Luft

Sou policial rodoviária federal, mulher, 29 anos. Abracei essa profissão por amor. Como muitos policiais, tive a intenção de mudar o mundo, de ajudar na construção de uma sociedade mais justa e, como muitos policiais, deparei com inúmeras dificuldades. Já sofri acidentes, já troquei tiros com marginais, já vi famílias inteiras morrer, já presenciei o choro de um pai de família que teve todo o seu salário roubado e me entristeci porque não pude recuperar seu tão suado sustento. Já me virei de costas para deixar rolar uma lágrima quando presenciei um pai perder um filho. Já me emocionei com crianças que sorriram para mim quando acariciei seus cabelos, já sorri diante de senhoras com a idade da minha avó que vinham me dar parabéns simplesmente por eu estar vestindo minha farda. Senhoras que achavam lindo uma mulher representando essa tão perigosa porém gratificante profissão. Todos os problemas do mundo parecem ter fim quando um sorriso de gratidão brota no rosto de quem posso ajudar e quando ouço um "muito obrigado". Dona Lya, eu me exponho, sim, ao risco, em cada plantão. Por você e por toda pessoa que venha a precisar de mim. E tudo o que eu quero, tudo o que me faz seguir em frente é poder contribuir para um mundo melhor, mais seguro e mais justo. Muito obrigada pelo seu lindo artigo "O jovem policial" (Ponto de vista, 23 de janeiro).
Letícia Zacca
Por e-mail

Lya Luft encarnou, em poucas palavras, as angústias de minha mãe. Depois de dezoito anos como policial, só agora, depois de calejado pelo tempo e pelas pragas da sociedade, entendi suas preocupações com seu filho, que nunca sabia se retornaria vivo, e com a sociedade, cada dia mais cruel. Não somos santos, mas antes de encarnar o rabo do diabo somos pais de família, trabalhadores e, salvo exceções, que sempre haverá em qualquer profissão, também buscamos uma sociedade melhor.
Adauto Silva Junior
São Paulo, SP

A cena captada por Lya Luft revela enorme sensibilidade e isenção, próprias das mães e das grandes almas. Além de todas as carências materiais e de infra-estrutura que frustram a vocação e afetam diretamente a dignidade da profissão, o policial tem de fazer enorme esforço pessoal para não se deixar atingir pelo embrutecimento, já que lida diariamente com os enjeitados da sociedade, com o produto da falha de todas as demais instituições, as quais não perdem a oportunidade de vigiar de perto seus atos, seja por atribuição específica, seja em busca de notoriedade.
Lúcia Machado Castralli
Delegada de polícia
Salvador, BA

 

As férias de Mainardi

Embora Diogo Mainardi esteja em gozo de suas merecidas férias, sentimos falta de suas esclarecedoras matérias. A sua ausência deixa uma sensação de que faltou algo para iniciar a semana; ficamos sem assunto para comentar e refletir.
Cleunice, 65 anos
Professora
Vitória, ES

Diogo, volte logo, rapaz! Você tem de trabalhar. Está pensando o quê? Você é brasileiro. Este país tem futuro.
Everton Ferreira do Nascimento
Medianeira, PR

 

Felipe Suplicy

Eu sinceramente lamento que a repórter somente tenha tido a capacidade de assimilar e ressaltar, em uma entrevista de meia hora sobre as ações do governo Lula para fomentar o desenvolvimento sustentável da maricultura no Brasil, aspectos fúteis e sem importância para os leitores sobre meu parentesco com um dos senadores mais respeitados do país, e do qual tenho grande orgulho em ser sobrinho, e minhas opiniões pessoais (portanto questionáveis) sobre ele e sobre meu desempenho profissional (" ‘Sou sobrinho do senador mais querido do Brasil’ ", 23 de janeiro).
Felipe Matarazzo Suplicy, Ph.D.
Por e-mail

 

Correções: Por uma falha técnica, saiu sem crédito o artigo "O capitalismo brasileiro", publicado nas páginas 62 e 63 da edição de 23 de janeiro, de autoria de Armínio Fraga. O Blu-ray faz com o HD-DVD, e não com o HDTV, o que o VHS fez com o Betamax ("O Blu-ray venceu", 23 de janeiro). No quadro sobre o faturamento anual das companhias de telefonia celular ("Rumo à supertele", 16 de janeiro), o faturamento anual da Claro é de 8,3 bilhões de reais, e não de 6 bilhões. A Claro está presente também no Distrito Federal, informação que o quadro omite.

 

 

 

Uma história exemplar

Maria Lucia e Asdrúbal com os filhos Robson, Clayton e Luciano

Leitores de VEJA há trinta anos, Asdrúbal Botelho de Paiva Caldas e Maria Lucia de Paiva Caldas escreveram para compartilhar com a redação uma história de sucesso, que coroa uma vida de luta. "Sendo de classe média baixa, com muito esforço conseguimos formar nossos três filhos em engenharia da computação. O fato inédito é que os três estudaram na mesma classe, fizeram o mesmo curso e terminaram juntos em dezembro último", conta Asdrúbal, feliz da vida com a formatura de Robson, Clayton e Luciano.



Olhos de cigana

Machado de Assis e Capitu: olhos de cigana oblíqua e dissimulada

Os leitores Francisca Duarte, Sarah Roriz de Freitas, Rogério Moreira e Suzana Borges da Fonseca Bins escreveram para apontar uma falha na pergunta número 3 do teste "100 perguntas para você conferir se está ligado no mundo" (29 de dezembro). Segundo os leitores, há duas possibilidades de resposta para a pergunta sobre os olhos da personagem Capitu, do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. As alternativas eram que Capitu teria olhos de cigana, de ressaca ou de jabuticaba, e a resposta dada como correta era a segunda opção. "A alternativa B (ressaca) está correta, mas a A (olhos de cigana) também está", diz Suzana, que tem mestrado em literatura da língua portuguesa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Olhos de ressaca é a expressão pela qual os olhos de Capitu ficaram mais conhecidos, a expressão inclusive dá nome aos capítulos 32 e 123. Na ocasião mais importante em que a expressão é usada, insinua que os olhos de Capitu teriam a mesma força do mar em dias de ressaca, que arrasta para dentro sem possibilidade de resistência. No entanto, no capítulo 25, os olhos dela são descritos como olhos de cigana: "A gente do Pádua não é de todo má. Capitu, apesar daqueles olhos que o diabo lhe deu... Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada (...)". Por isso, tanto a letra A quanto a letra B são respostas corretas". A leitora está certa. A expressão volta a aparecer no capítulo 32 ("Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, ‘olhos de cigana oblíqua e dissimulada’ ") e no capítulo 148: "Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada".


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