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Cartas
O capitalismo brasileiro Brilhante a reportagem sobre a
supereconomia ("Os heróis do capitalismo",
23 de janeiro). É sempre muito bom abrir a revista e
descobrir a história de brasileiros que deram certo,
que brilham por sua capacidade de trabalho e por sua capacidade
empreendedora. Sou pequeno empresário há 22 anos,
lutando por um espaço num mercado competitivo, muitas
vezes sendo até atrapalhado por mudanças constantes
na condução da política econômica.
Tive a felicidade de conhecer o trabalho do Instituto Endeavor
em 2002 e sempre me surpreendeu a forma como ele ajuda o Brasil
a desenvolver a cultura empreendedora, incentivando um empreendedorismo
de resultados. Desde 2006 nos tornamos apoiadores do instituto,
pois é gratificante colaborar com quem sempre ajuda no
crescimento do Brasil. Realmente, acredito que o boom
de crescimento mundial atingiu em cheio o mercado de investimentos
e favoreceu o espírito empreendedor do brasileiro, trazendo
renda e melhorando a vida de muitos. Porém, tenho medo
de que a "alopralgia metamórfica" enfermidade
que acomete petistas e seus asseclas, transformando-os em aloprados
venha a contaminar toda a sociedade brasileira, e, dessa
forma, comecemos a achar que está tudo um mar de rosas.
Exemplo disso é o balanço do Programa de Ajeitamento
de Companheiros (PAC) que até o momento não
mostrou a que veio e é alardeado pelo governo aloprado
como a salvação da lavoura. A economia brasileira, com todas
as críticas ao atual governo, está numa situação
bem diferente da de anos passados. Quando vemos o governo americano buscando
formas de evitar a depressão, ficamos pensando que, mesmo
com os avanços que obtivemos, ainda há muita
coisa a ser feita. Mas falta essencialmente a participação
maior de vários segmentos no sentido de buscar uma melhor
distribuição de renda, o que é um fator
fundamental para diminuir a violência e os conflitos sociais.
O difícil é encontrar uma forma de estabelecer
o diálogo necessário. Nunca gostei de números
e de economia, mas a reportagem alegrou-me bastante, a ponto
de me interessar pela bolsa de valores. Agradeço as dicas
publicadas e vou colocá-las em prática. Além de empreendedor de
sucesso, o vietnamita Thai Quang Nghia sempre passou aos participantes
do Grupo de Jovens na Paróquia São Joaquim do
Cambuci, em São Paulo, uma mensagem de ética,
persistência, humildade e simplicidade, elementos essenciais
para alcançar o sucesso.
Governo Lula A imagem de Lula cumprimentando
o novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, é
talvez o epílogo da história do PT no governo
federal ("Cara de mau para Lobão", 23 de janeiro).
Quando o partido entrou no governo, não faltava modéstia
de seus filiados em reclamar para si a bandeira da ética
e da moral. Agora, de críticos ferrenhos, passaram a
usuários contumazes do fisiologismo, "como nunca
antes na história deste país". Lembro-me
de uma capa de anos atrás de VEJA que dizia que o PT
era vidro e se quebrou já prevendo resultados como esse. Magnífica a forma como Diego
Escosteguy descreve a melancólica situação do
presidente Lula, reveladora da sua condição de
refém político de um minúsculo,
porém astuto, grupo afeito às benesses do poder,
cujo líder o Brasil já conhece e o Maranhão,
por longa e penosa experiência, repudia. Fiquei impressionado com a cara
de constrangimento do presidente Lula ao empossar Edison Lobão
como ministro. Ao lotear o governo em favor do bando de seus
aliados, Lula deveria, pelo menos, exigir ficha corrida limpa
dos pretendentes, evitando situações como essa. Nos Estados Unidos, quando a economia
do país deu sinais de caminhar em direção
à recessão, a primeira providência do governo
foi diminuir tributos para empresas e consumidores, injetando,
dessa forma, 150 bilhões de dólares na economia.
Aqui, num capitalismo perto do bolivariano, nosso governo, que
declaradamente não confia na iniciativa privada, continua
aumentando sistematicamente os impostos, retirando de circulação
bilhões de reais que, em mãos competentes e produtivas,
além de criar milhões de empregos, poderiam melhorar
as condições do sistema de saúde, da segurança
dos cidadãos, das escolas, do saneamento das cidades,
da malha rodoviária, dos portos e aeroportos, das cadeias
etc. Não, o nosso governo optou por empregar grande parte
desse dinheiro para arrecadar votos. Votos dos pobres cidadãos
ou dos cidadãos pobres, com o Bolsa-Esmola-Família,
e os votos dos políticos corruptos, com o pagamento de
mensalões e nomeações de velhos e leigos
caudilhos no lugar de especialistas. Não tem preço ver
a carinha de Chapeuzinho Vermelho do Lula... Toma!
Matilde Ribeiro Perde-se o crédito e o governo
fica no débito com o procedimento vergonhoso de
"autoridades" do nível da assistente social
Matilde Ribeiro, ministra da Secretaria de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial ("Crédito
ou débito?", 23 de janeiro). Afinal de contas, o
que ela faz e por que um cartão de crédito corporativo
com limite tão grande para quem faz o mínimo?
Merece uma investigação séria mais esse
caso de farra com recursos obtidos com o suor do contribuinte. Através da ministra Matilde
Ribeiro, titular de uma secretaria absolutamente estéril,
o governo Lula esbofeteia e cospe na cara dos, já exauridos,
contribuintes brasileiros. Fábio Portela mostrou os
gastos da ministra Matilde Ribeiro, pagos com cartão
de crédito do governo. O ponto de interrogação
merece uma resposta. Crédito: nenhum. Débito:
com todos os brasileiros de boa índole. Chega a ser danoso
à saúde ler algo assim. Mas vale a pena ressaltar
que o cartão da ministra pode pagar muitas contas, mas
nunca poderá comprar integridade, honestidade e reputação. Com muita honra e
alegria sou negra e com muita tristeza e vergonha sou ex-petista.
O PT no poder superou os outros partidos nas atitudes desonestas
e parasitárias. Esse comportamento da ministra Matilde
Ribeiro é um dos vários maus exemplos de líderes
petistas. Poderia citar dezenas de outros. Moro em Jaboatão
(Grande Recife), e o prefeito petista João Paulo, do
Recife, fez uma campanha para arrecadar brinquedos para as crianças
pobres. Gastou uma fortuna em mídia e, para completar,
pagou 500 000 reais por um show da dupla Sandy e Júnior. Até quando
nós, que temos de controlar rigidamente nossos gastos
com o cartão de crédito, teremos de bancar os
gastos com chopinhos, hotéis cinco-estrelas e outras mordomias
desse bando de aloprados deslumbrados com o poder como a ministra,
que até hoje não se sabe a que veio nem mesmo o
que faz? Num país onde
a carga tributária onera em demasia os contribuintes, o
uso do cartão corporativo para pagamento de contas particulares,
incluindo bares e free shop, revela um descompromisso total
com a função pública exercida, gerando revolta
e descrença na população e desestimulando o
correto recolhimento de tributos. É necessário
que não somente a ministra Matilde Ribeiro preste
contas dos valores gastos, sendo responsabilizada pela
utilização irregular de recursos públicos,
mas que também preste contas à autoridade pública
responsável por sua nomeação para o cargo. É realmente
uma vergonha que indigna qualquer cidadão brasileiro
que sofrida e honestamente recolhe seus impostos. Em um país
que possui uma das maiores cargas tributárias do mundo,
cujo cidadão trabalha aproximadamente cinco meses do
ano para pagar seus impostos, é absolutamente reprovável
o péssimo exemplo dado pela "ministra" Matilde
Ribeiro.
Justiça Sobre a matéria
"O efeito Tuma", publicada na edição
2.043 desta revista, de 16 de janeiro de 2008, o Ministério
da Justiça tem a dizer que o secretário nacional
de Justiça, Romeu Tuma Jr., não interfere politicamente
no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação
Jurídica Internacional, por ele coordenado. Também
negamos a informação segundo a qual Tuma Jr. teria
pedido, em reunião, uma lista de políticos investigados
pelo departamento para "cobrar fatura depois". As
duas servidoras que solicitaram desligamento do departamento,
recentemente, o fizeram devido a incompatibilidades de natureza
administrativa com a direção do órgão.
Em nenhum momento declinaram razões de natureza ética
para a sua demissão. O anteprojeto de lei de cooperação
internacional apresentado como substitutivo pelo senador Romeu
Tuma foi encaminhado ao senador pelo próprio DRCI antes
da posse de Romeu Tuma Jr. como secretário.
João Guilherme Estrella Só tive um
conhecimento mais profundo da vida desse carioca João
Guilherme Estrella após ler a entrevista nas páginas
amarelas (23 de janeiro). Ao contrário do que ele afirma,
o uso de drogas é, sim, conseqüência de problemas
familiares, e não "uma fase, superada quando o jovem
faz a transição para uma postura mais séria
na vida". O problema (ou drama) dos viciados é muito
mais estrutural e muito menos "pura diversão".
"Situação financeira privilegiada e boa educação"
estão bem distantes do mínimo necessário
para enfrentar o grande, encantado e incontestável mundo
moderno, onde prevalecem as competições, rivalidades
e um egocentrismo desmedido. A ressocialização
do senhor João Guilherme Estrella é digna de louvor.
Em um sistema punitivo totalmente falido, o seu renascimento
deveu-se unicamente a ele próprio, pela sua inteligência
e capacidade de sobreviver em um meio hostil. Entretanto, gostaria
de saber qual o "destino" de inúmeras pessoas
cujo consumo de drogas se deveu à sua atividade, pela
indução ou facilitação. Acredito
que a forma utilizada para gastar a receita por ele auferida
no tráfico não tornou menos predadora da sociedade
a sua conduta, assim como a de todos os demais que optam livremente
por se envolver em tal atividade, independentemente da motivação
e da classe social. Não percebo a diferença entre
eles. O dano social é o mesmo. Sou leitor de VEJA
desde seu número 1 e, entre estupefato e atônito,
li nas páginas amarelas a entrevista com o pior dos marginais
que podem existir: um traficante de drogas. Quantas terão
sido as pessoas lesadas de forma irrecuperável com o
seu tráfico? Quantas vítimas espalhadas mundo
afora? Sobrevivente, hein! Lamentável!
Farc Não demorará
muito e o líder e os guerrilheiros das Farc estarão
ocupando cargos no governo colombiano. Quem sabe como chefe
da Casa Civil, secretário dos Direitos Humanos e, muito
provavelmente, recebendo indenizações polpudas,
promoções ao generalato e manifestações
de apoio de artistas e intelectuais. A esse filme nós
estamos assistindo há algum tempo. É viver para
ver (" São terroristas, sim ",
23 de janeiro). A reportagem mostrou
uma realidade antiga das esquerdas radicais. O movimento internacional
socialista incentiva esses atos. Faz parte do processo de tomada
do poder pela luta armada. Aqui no Brasil tivemos os nossos
seqüestradores, e eles aplicavam as mesmas técnicas
que as Farc utilizam. Faz parte da história recente do
Brasil e precisa ser reconhecido. As guerrilhas comunistas brasileiras
foram derrotadas. Como estaríamos se tivéssemos
guerrilhas comunistas no nosso país hoje? Acredito que
teríamos muitos seqüestrados, como a Colômbia. Como pode ainda existir
tanta gente que acredita nessa coisa de comunismo. Se fosse
tão bom, países como a antiga URSS e os do Leste
Europeu teriam continuado com o socialismo. E o pior de tudo
é que ainda vemos nas universidades muitos professores
pregando essa doutrina e incentivando os alunos a apoiar o movimento.
Cadê os caras-pintadas da época do impeachment
do Collor? Só sabem ir às ruas para detonar os
Estados Unidos?
Lya Luft Sou policial rodoviária
federal, mulher, 29 anos. Abracei essa profissão por
amor. Como muitos policiais, tive a intenção de
mudar o mundo, de ajudar na construção de uma
sociedade mais justa e, como muitos policiais, deparei com inúmeras
dificuldades. Já sofri acidentes, já troquei tiros
com marginais, já vi famílias inteiras morrer,
já presenciei o choro de um pai de família que
teve todo o seu salário roubado e me entristeci porque
não pude recuperar seu tão suado sustento. Já
me virei de costas para deixar rolar uma lágrima quando
presenciei um pai perder um filho. Já me emocionei com
crianças que sorriram para mim quando acariciei seus
cabelos, já sorri diante de senhoras com a idade da minha
avó que vinham me dar parabéns simplesmente por
eu estar vestindo minha farda. Senhoras que achavam lindo uma
mulher representando essa tão perigosa porém gratificante
profissão. Todos os problemas do mundo parecem ter fim
quando um sorriso de gratidão brota no rosto de quem
posso ajudar e quando ouço um "muito obrigado".
Dona Lya, eu me exponho, sim, ao risco, em cada plantão.
Por você e por toda pessoa que venha a precisar de mim.
E tudo o que eu quero, tudo o que me faz seguir em frente é
poder contribuir para um mundo melhor, mais seguro e mais justo.
Muito obrigada pelo seu lindo artigo "O jovem policial"
(Ponto de vista, 23 de janeiro). Lya Luft encarnou,
em poucas palavras, as angústias de minha mãe.
Depois de dezoito anos como policial, só agora, depois
de calejado pelo tempo e pelas pragas da sociedade, entendi
suas preocupações com seu filho, que nunca sabia
se retornaria vivo, e com a sociedade, cada dia mais cruel.
Não somos santos, mas antes de encarnar o rabo do diabo
somos pais de família, trabalhadores e, salvo exceções,
que sempre haverá em qualquer profissão, também
buscamos uma sociedade melhor. A cena captada por
Lya Luft revela enorme sensibilidade e isenção,
próprias das mães e das grandes almas. Além
de todas as carências materiais e de infra-estrutura que
frustram a vocação e afetam diretamente a dignidade
da profissão, o policial tem de fazer enorme esforço
pessoal para não se deixar atingir pelo embrutecimento,
já que lida diariamente com os enjeitados da sociedade,
com o produto da falha de todas as demais instituições,
as quais não perdem a oportunidade de vigiar de perto
seus atos, seja por atribuição específica,
seja em busca de notoriedade.
As férias de Mainardi Embora Diogo Mainardi
esteja em gozo de suas merecidas férias, sentimos falta
de suas esclarecedoras matérias. A sua ausência
deixa uma sensação de que faltou algo para iniciar
a semana; ficamos sem assunto para comentar e refletir. Diogo, volte logo,
rapaz! Você tem de trabalhar. Está pensando o quê?
Você é brasileiro. Este país tem futuro.
Felipe Suplicy Eu sinceramente lamento
que a repórter somente tenha tido a capacidade de assimilar
e ressaltar, em uma entrevista de meia hora sobre as ações
do governo Lula para fomentar o desenvolvimento sustentável
da maricultura no Brasil, aspectos fúteis e sem importância
para os leitores sobre meu parentesco com um dos senadores mais
respeitados do país, e do qual tenho grande orgulho em
ser sobrinho, e minhas opiniões pessoais (portanto questionáveis)
sobre ele e sobre meu desempenho profissional (" Sou
sobrinho do senador mais querido do Brasil ",
23 de janeiro).
Correções: Por uma falha técnica, saiu sem crédito o artigo "O capitalismo brasileiro", publicado nas páginas 62 e 63 da edição de 23 de janeiro, de autoria de Armínio Fraga. O Blu-ray faz com o HD-DVD, e não com o HDTV, o que o VHS fez com o Betamax ("O Blu-ray venceu", 23 de janeiro). No quadro sobre o faturamento anual das companhias de telefonia celular ("Rumo à supertele", 16 de janeiro), o faturamento anual da Claro é de 8,3 bilhões de reais, e não de 6 bilhões. A Claro está presente também no Distrito Federal, informação que o quadro omite.
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