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CINEMA
2001 Castle Rock Ent.

Lembranças:
boa dose de charme |
Lembranças de um Verão (Hearts in Atlantis,
Estados Unidos, 2001. Desde sexta-feira em cartaz no país)
É verdade que Anthony Hopkins cada vez mais interpreta em piloto
automático, e é certo também que o australiano Scott
Hicks não é um diretor assim tão original quanto
se alardeou à época de Shine. Mas isso não
impede que este drama sentimental e nostálgico tenha uma boa dose
de charme. Hopkins é um estranho que, no início dos anos
60, aluga um quarto na casa do garoto Bobby, que vive só com sua
mãe uma viúva bonita e jovem, que trata o filho como
um empecilho à oportunidade de refazer sua vida. A amizade que
surge entre o inquilino, o menino e a melhor amiga deste será a
senha para que as duas crianças dêem seus primeiros passos
no mundo adulto. A ala infantil do elenco, formada por Anton Yelchin e
Mika Boorem, é irresistível. E, se o clima da história
lembra um tantinho o de Conta Comigo, não é por acaso:
como o sucesso de 1986, este filme se baseia num escrito de Stephen King.
LIVROS
O
Evento Cobra, de Richard Preston (tradução de Aulyde
Soares Rodrigues; Rocco; 416 páginas; 42 reais) O jornalista
americano Richard Preston é uma das poucas pessoas do planeta a
ter "batizado" um asteróide. E é bem apropriado que esse
asteróide faça parte da lista dos que podem vir a se chocar
com a Terra: Preston é um especialista em combinar (boa) ciência
e sensação. Seu best-seller Zona Quente, por exemplo,
deflagrou uma epidemia de pânico e de notícias
em torno do vírus Ebola. Neste novo romance, ele confirma seu senso
de oportunidade. No enredo, uma adolescente manifesta estranhos sintomas.
Trata-se, na verdade, da primeira vítima de uma ação
terrorista com armas biológicas. Preston diz ter se baseado em
extensa pesquisa, o que só torna seu diagnóstico mais assustador.
Coração
Enfurecido, de Ingrid Betancourt (tradução de Adalgisa
Campos da Silva; Objetiva; 238 páginas; 29,90 reais) Senadora
mais votada nas últimas eleições de seu país
e atual candidata à Presidência (com 2% das intenções
de voto), Ingrid Betancourt tece um relato impressionante da aventura
que é fazer política na Colômbia. Crítico,
mas não moralista, seu livro autobiográfico reflete sobre
as causas do atual estágio de violência e corrupção
naquele país. Ingrid denuncia ligações do narcotráfico
com a classe política. Os trechos mais impactantes, contudo, são
aqueles em que ela descreve seu cotidiano. Devido a ameaças de
morte, seus filhos têm de morar no exterior e ela vive cercada de
forte aparato de segurança.
Alexandre
e César As Vidas Comparadas dos Maiores Guerreiros da Antiguidade,
de Plutarco (tradução de Hélio Vega; Prestígio;
256 páginas; 25,90 reais) Alexandre, o líder macedônio,
tinha fama de gostar de um copo, mas seu prazer era na verdade conversar,
e não beber. Já o romano César inspirava tal afeição
que fazia até soldados comuns se tornarem invencíveis. Os
fãs dos romances históricos, pródigos nesse tipo
de detalhe, podem ir agora diretamente à fonte: o grego Plutarco,
que viveu no século I e é considerado um dos pais do gênero
biográfico. Sua preocupação, como fica evidente neste
volume (para o qual Plutarco não chegou a escrever uma comparação
formal entre os dois personagens), era menos tratar dos fatos e mais captar
a alma, por assim dizer, do biografado. Para os cultores do gênero,
uma obra fundamental.
QUADRINHOS
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| Gorazde:
sobre a Guerra da Bósnia |
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Área
de Segurança Gorazde, de Joe Sacco (tradução
de Sérgio Augusto Miranda; Conrad; 228 páginas; 37 reais)
Apesar de ser uma história em quadrinhos, este lançamento
é tudo, menos um passatempo inconseqüente. Seu autor, Joe
Sacco, notabilizou-se por criar obras que misturam desenhos realistas
em branco-e-preto e narrativas quase documentais. Ele fez isso de forma
brilhante em Palestina, que recebeu o prestigioso American Books
Award de 1996, descrevendo sua estada naquela região de conflito
do Oriente Médio. Repete agora a dose em Área de Segurança
Gorazde. Trata-se de um apanhado dos fatos que testemunhou e dos depoimentos
que colheu em quatro viagens à cidade de Gorazde, durante a Guerra
da Bósnia. Sacco mostra, com boa dose de humor negro, como os habitantes
do lugarejo bósnio, longamente sitiado por forças sérvias,
lutaram para tocar a vida em meio à barbárie.
DISCOS
Brasilidade,
Bossacucanova & Roberto Menescal (Trama) Não é
de hoje que DJs americanos e europeus surrupiam trechos de clássicos
da bossa nova a fim de usá-los como matéria-prima de suas
canções. Nada mais natural que artistas brasileiros jovens,
de música eletrônica, acabassem fazendo uso do mesmo recurso.
O trio Bossacucanova, contudo, não se limitou a tomar emprestado
antigas melodias. Eles fizeram questão de ter como parceiro um
artista que entende do velho riscado: Roberto Menescal, um bossa-novista
de primeira hora. O violão elegante de Menescal adoça o
baticum eletrônico e faz de Brasilidade um CD para ser apreciado
do começo ao fim. No disco, misturam-se composições
inéditas e releituras criativas de canções como Água
de Beber e Garota de Ipanema.
Dwitza,
Ed Motta (Universal) O cantor carioca nunca escondeu o desejo de
lançar um disco de música instrumental, distante do pop.
Dwitza é esse disco. Ele traz catorze faixas em que Ed dedilha
o piano elétrico e a guitarra semi-acústica e, claro,
em que solta o vozeirão. Mas atenção. Só duas
músicas, Doce Ilusão e Coisas Naturais, têm
letra. Nas outras composições, ele se dedica aos chamados
vocalises canta sílabas sem sentido no estilo "dubi-dubi"
ou "paparapá". Uma faixa dá errado: Valse au Beurre Blanc
parece a leitura de uma carta de vinhos em francês de quinta categoria.
Mas o restante do álbum é biscoito fino, com influências
que vão do jazz com sotaque nordestino do maestro Moacir Santos
ao suingue do tecladista americano Herbie Hancock.
Divulgação
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The Chemical Brothers: mais pop e leve |
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Come
with Us, The Chemical Brothers (EMI) Os ingleses Ed Simons
e Tom Rowlands são os DJs mais criativos da música eletrônica.
Em doze anos de carreira eles burilaram um estilo inconfundível.
Adicionam programações eletrônicas e toneladas de
teclados a ritmos que variam do rock ao funk. Os Chemical Brothers são
também os DJs mais bem-sucedidos do gênero: suas apresentações
ao vivo costumam reunir grandes platéias. Em seu quarto disco,
Come with Us, eles põem a casa abaixo com a primeira faixa,
que traz a batida pesada de seus primeiros trabalhos. O restante do CD
é um pouco mais leve e pop. Há brincadeiras com a disco
music (Star Guitar) e até ecos surpreendentes da banda de
rock progressivo Pink Floyd, em The State We're in.
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