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Edição 1 736 - 30 de janeiro de 2002
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Quanta gente, pá!

Graças aos imigrantes, Portugal
e Espanha atingem a maior
população de sua história

 
Reuters

Fila no Consulado da Espanha em Buenos Aires: candidatos à imigração

Portugal está vivendo uma situação inusitada. No ano passado, o país rompeu a barreira dos 10 milhões de habitantes e atingiu a maior população de sua história. A vizinha Espanha vive fenômeno similar. Os números do censo de 2000, só agora consolidados, mostram que a população espanhola chegou a 41,1 milhões de pessoas, depois de uma década de estagnação. O que isso tem de mais surpreendente é o fato de que em ambos os casos o aumento demográfico decorre do fluxo de imigrantes. A taxa de natalidade em Portugal e na Espanha é tão baixa que, se a tarefa de procriar fosse deixada exclusivamente a seus habitantes, dentro de cinqüenta anos teriam população 22% menor que a atual. Outros países europeus, como Itália, Alemanha, Bélgica e Rússia, estão igualmente próximos de inverter o sentido de direção populacional. Na Itália, há mais idosos acima de 60 anos que jovens com menos de 15.

Nessas circunstâncias, a chegada de imigrantes em grande escala está se tornando uma questão de vida ou morte. Sem eles, começariam a faltar trabalhadores e consumidores. Os recém-chegados não apenas ajudam a gerar riquezas, mas também contribuem para o caixa da Previdência e, dessa maneira, garantem o futuro do número crescente de aposentados de cada país. Em toda a Europa, estima-se, será preciso absorver em cinco décadas 100 milhões de imigrantes só para manter o nível populacional atual. O caso ibérico é especial porque Espanha e Portugal, prisioneiros num ciclo infernal de ditadura e pobreza, foram exportadores de gente até a década de 70. Só nos últimos anos, com a integração à União Européia, esses países tornaram-se prósperos o suficiente para atrair imigrantes.

Vivem legalmente em Portugal 220.000 estrangeiros, o equivalente a 2,5% da população. O governo de Lisboa emitiu 131.000 vistos de residência permanente só nos últimos doze meses. O número elevado é atribuído à nova lei de imigração, que simplificou o processo de regularização dos clandestinos. Metade dos imigrantes é formada por africanos de países de língua portuguesa. Os brasileiros em situação legal somam 44.000. No ano passado, foram ultrapassados em número pelos imigrantes do Leste Europeu. Os 40.000 ucranianos formam o maior contingente. Existem 8.000 moldávios, 6.500 romenos e 4.500 russos. "Os que vêm do Leste Europeu têm elevado nível de especialização, mas aqui acabam trabalhando onde há demanda de mão-de-obra, como na construção civil", diz Fernando Casimiro, diretor de censo do Instituto Nacional de Estatística.

Na Espanha, a presença do imigrante é ainda mais visível. Apenas no ano passado, o país recebeu 250.000 estrangeiros – o equivalente a 25% de todos os que foram tentar a vida na União Européia. O crescimento vegetativo (diferença entre nascimentos e óbitos) da população espanhola foi de apenas 50.318 pessoas entre 1998 e 2000. Graças aos imigrantes, contudo, o número de habitantes aumentou em 1,2 milhão. No momento, o país se prepara para uma nova invasão: a dos argentinos. No ano passado, o consulado espanhol em Buenos Aires entregou 25.437 passaportes a descendentes de espanhóis ansiosos por deixar a Argentina. Neste ano, com a crise econômica ainda pior, o número diário de solicitações anda em torno de 1.000.

   
 
   
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