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Quanta gente, pá!
Graças
aos imigrantes, Portugal
e Espanha atingem a maior
população de sua história
Reuters

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no Consulado da Espanha em Buenos Aires: candidatos à imigração |
Portugal
está vivendo uma situação inusitada. No ano passado,
o país rompeu a barreira dos 10 milhões de habitantes e
atingiu a maior população de sua história. A vizinha
Espanha vive fenômeno similar. Os números do censo de 2000,
só agora consolidados, mostram que a população espanhola
chegou a 41,1 milhões de pessoas, depois de uma década de
estagnação. O que isso tem de mais surpreendente é
o fato de que em ambos os casos o aumento demográfico decorre do
fluxo de imigrantes. A taxa de natalidade em Portugal e na Espanha é
tão baixa que, se a tarefa de procriar fosse deixada exclusivamente
a seus habitantes, dentro de cinqüenta anos teriam população
22% menor que a atual. Outros países europeus, como Itália,
Alemanha, Bélgica e Rússia, estão igualmente próximos
de inverter o sentido de direção populacional. Na Itália,
há mais idosos acima de 60 anos que jovens com menos de 15.
Nessas
circunstâncias, a chegada de imigrantes em grande escala está
se tornando uma questão de vida ou morte. Sem eles, começariam
a faltar trabalhadores e consumidores. Os recém-chegados não
apenas ajudam a gerar riquezas, mas também contribuem para o caixa
da Previdência e, dessa maneira, garantem o futuro do número
crescente de aposentados de cada país. Em toda a Europa, estima-se,
será preciso absorver em cinco décadas 100 milhões
de imigrantes só para manter o nível populacional atual.
O caso ibérico é especial porque Espanha e Portugal, prisioneiros
num ciclo infernal de ditadura e pobreza, foram exportadores de gente
até a década de 70. Só nos últimos anos, com
a integração à União Européia, esses
países tornaram-se prósperos o suficiente para atrair imigrantes.
Vivem legalmente
em Portugal 220.000 estrangeiros, o equivalente
a 2,5% da população. O governo de Lisboa emitiu 131.000
vistos de residência permanente só nos últimos doze
meses. O número elevado é atribuído à nova
lei de imigração, que simplificou o processo de regularização
dos clandestinos. Metade dos imigrantes é formada por africanos
de países de língua portuguesa. Os brasileiros em situação
legal somam 44.000. No ano passado, foram ultrapassados
em número pelos imigrantes do Leste Europeu. Os 40.000
ucranianos formam o maior contingente. Existem 8.000
moldávios, 6.500 romenos e 4.500
russos. "Os que vêm do Leste Europeu têm elevado nível
de especialização, mas aqui acabam trabalhando onde há
demanda de mão-de-obra, como na construção civil",
diz Fernando Casimiro, diretor de censo do Instituto Nacional de Estatística.
Na Espanha,
a presença do imigrante é ainda mais visível. Apenas
no ano passado, o país recebeu 250.000
estrangeiros o equivalente a 25% de todos os que foram tentar a
vida na União Européia. O crescimento vegetativo (diferença
entre nascimentos e óbitos) da população espanhola
foi de apenas 50.318 pessoas entre 1998 e 2000.
Graças aos imigrantes, contudo, o número de habitantes aumentou
em 1,2 milhão. No momento, o país se prepara para uma nova
invasão: a dos argentinos. No ano passado, o consulado espanhol
em Buenos Aires entregou 25.437 passaportes
a descendentes de espanhóis ansiosos por deixar a Argentina. Neste
ano, com a crise econômica ainda pior, o número diário
de solicitações anda em torno de 1.000.
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