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Edição 1 736 - 30 de janeiro de 2002
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Morte misteriosa

IML não detecta droga, não explica
por que
Cássia Eller morreu e a
investigação continua

 
Antonio Milena

Cássia, em foto de 2001: só novo exame pode apontar a causa da morte

Passado quase um mês, o Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro ainda não conseguiu chegar a uma conclusão sobre o que causou a morte da cantora Cássia Eller. Na semana passada, a diretora do IML, Silvia Falcão, afirmou que não foram detectados vestígios de droga no organismo de Cássia Eller e que, portanto, ela não fez uso de nenhuma substância desse tipo. O exame toxicológico vai contra o que disseram alguns dos integrantes da banda que estiveram com Cássia na clínica em que foi socorrida. A percussionista Lan Lan chegou a garantir em entrevista à imprensa que Cássia ingeriu álcool e que teria confessado ao médico o uso de 1 grama de cocaína. O conflito de versões suscitou mais dúvidas que certezas. Algumas delas:

Por que as próprias amigas da cantora afirmaram que Cássia teria admitido o uso de cocaína?

A partir de que quantidade os equipamentos do IML detectariam vestígios da droga?

Por que um dos médicos que a viram na clínica em que foi atendida declarou que se tratava de intoxicação exógena (por elemento estranho ao organismo)?

Por fim, qual seria então a causa da morte da cantora?

VEJA ouviu cinco especialistas nas áreas de toxicologia e medicina legal, que concordam em alguns pontos. O principal é que exames dessa natureza devem ter sempre uma contraprova para confirmar o primeiro resultado. "Já vi casos em que a primeira amostra deu negativo e a segunda, positivo, com um equipamento mais sensível", afirma o toxicologista Marco Aurélio Dornelles. É necessário também que haja substância em quantidade suficiente para a detecção. Outro ponto importante é que o atendimento de emergência a que a artista foi submetida utiliza substâncias que podem mascarar o uso de drogas. Na sexta-feira, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio, Mário Noronha, declarou que o laudo não condiz com a descrição do estado de Cássia quando ela chegou à clínica Santa Maria. Serão necessários exames mais minuciosos. O principal deles, feito a partir da análise de fios de cabelo, pode indicar a substância causadora da morte, mesmo após longos períodos. Foi assim que se concluiu, um século e meio depois, que o imperador francês Napoleão Bonaparte foi envenenado por arsênico. A investigação sobre a morte de Cássia Eller ainda continua com dúvidas a esclarecer. A polícia fluminense cogita fazer a exumação do corpo da cantora.

 

 
 
   
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