Morte
misteriosa
IML
não detecta droga, não explica
por que
Cássia Eller morreu e a
investigação continua
Antonio Milena

Cássia,
em foto de 2001: só novo exame pode apontar a causa da morte |
Passado
quase um mês, o Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro
ainda não conseguiu chegar a uma conclusão sobre o que causou
a morte da cantora Cássia Eller. Na semana passada, a diretora
do IML, Silvia Falcão, afirmou que não foram detectados
vestígios de droga no organismo de Cássia Eller e que, portanto,
ela não fez uso de nenhuma substância desse tipo. O exame
toxicológico vai contra o que disseram alguns dos integrantes da
banda que estiveram com Cássia na clínica em que foi socorrida.
A percussionista Lan Lan chegou a garantir em entrevista à imprensa
que Cássia ingeriu álcool e que teria confessado ao médico
o uso de 1 grama de cocaína. O conflito de versões suscitou
mais dúvidas que certezas. Algumas delas:
Por que as próprias amigas da cantora afirmaram que Cássia
teria admitido o uso de cocaína?
A partir de que quantidade os equipamentos do IML detectariam vestígios
da droga?
Por que um dos médicos que a viram na clínica em que foi
atendida declarou que se tratava de intoxicação exógena
(por elemento estranho ao organismo)?
Por fim, qual seria então a causa da morte da cantora?
VEJA ouviu cinco especialistas nas áreas de toxicologia e medicina
legal, que concordam em alguns pontos. O principal é que exames
dessa natureza devem ter sempre uma contraprova para confirmar o primeiro
resultado. "Já vi casos em que a primeira amostra deu negativo
e a segunda, positivo, com um equipamento mais sensível", afirma
o toxicologista Marco Aurélio Dornelles. É necessário
também que haja substância em quantidade suficiente para
a detecção. Outro ponto importante é que o atendimento
de emergência a que a artista foi submetida utiliza substâncias
que podem mascarar o uso de drogas. Na sexta-feira, o presidente do Conselho
Regional de Medicina do Rio, Mário Noronha, declarou que o laudo
não condiz com a descrição do estado de Cássia
quando ela chegou à clínica Santa Maria. Serão necessários
exames mais minuciosos. O principal deles, feito a partir da análise
de fios de cabelo, pode indicar a substância causadora da morte,
mesmo após longos períodos. Foi assim que se concluiu, um
século e meio depois, que o imperador francês Napoleão
Bonaparte foi envenenado por arsênico. A investigação
sobre a morte de Cássia Eller ainda continua com dúvidas
a esclarecer. A polícia fluminense cogita fazer a exumação
do corpo da cantora.
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