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É
com um sentimento dividido entre indignação e esperança
que escrevo esta carta. A indignação por enxergarmos assim,
tão claramente, as condições em que vive grande parte
de nossa população. Mas fico otimista ao testemunhar um
trabalho jornalístico de compromisso, tão eficiente e concreto
que não pode deixar de gerar mudanças ("O paradoxo da miséria",
23 de janeiro). O
Brasil melhorou, sim, e daí? O que adianta viver de falsas aparências
enquanto grande parte da população agoniza? Parabéns
a VEJA por mostrar os caminhos de uma não impossível reforma
social. Obrigado,
VEJA, por mostrar a miséria tal como ela é: cruel. A reportagem
serve como manual para a solução de muitos dos problemas
mencionados. Há esperança e solução, pois
eu também vendi ossos para sobreviver, mas hoje estou terminando
um MBA nos Estados Unidos. Em
1984, quando fomos brigar nas ruas pelas diretas já, tínhamos
a convicção de que democracia e injustiça social
não poderiam viver juntas. Talvez seja hora de nossa classe política
acordar. Incômoda
reportagem. Indubitavelmente credível. É impressionante
a forma como os brasileiros, de modo geral, reagem ao flagelo social,
à miséria que devasta o país. A mancha negra é
numerosa, são 23 milhões a morrer sem dignidade nenhuma.
É
importante que os candidatos à Presidência da República
e os responsáveis pela educação superior reflitam
sobre duas coisas que diz Claudio de Moura Castro em seu artigo "A faculdade
do interior" (Ponto de vista, 23 de janeiro): primeiro, que o Provão
diz pouco, quase nada, sobre a qualidade dos cursos. Segundo, que a educação,
mesmo na pior das hipóteses, faz bem à sociedade.
Imagino
que o artigo de Diogo Mainardi ("O livro que não farei", 23 de
janeiro) vá resultar em manifestações iradas de leitores
cariocas. Mas por que, se o texto dele descreve corretamente o esvaziamento
que de fato ocorreu no Rio de Janeiro, desde que deixamos de ser capital,
em 1960? Nasci aqui há 64 anos e acho que está mais que
na hora de nos perguntarmos o que há por fazer para que possamos
orgulhar-nos do que produz nossa Cidade Maravilhosa. Para começar,
que tal se nos perguntássemos se temos estado atentos à
escolha de nossos representantes?
CORREÇÕES:
A foto que ilustrou a reportagem "Caro,
mas na hora" (23 de janeiro) é do Aeroporto Santos Dumont,
no Rio de Janeiro, e não de um aeroporto paulista.
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