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Edição 1 736 - 30 de janeiro de 2002
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"Enquanto a miséria render votos no Brasil, vamos ter de conviver com essa calamidade."
Ailton José Batista
Araxá, MG

 

Miséria

É com um sentimento dividido entre indignação e esperança que escrevo esta carta. A indignação por enxergarmos assim, tão claramente, as condições em que vive grande parte de nossa população. Mas fico otimista ao testemunhar um trabalho jornalístico de compromisso, tão eficiente e concreto que não pode deixar de gerar mudanças ("O paradoxo da miséria", 23 de janeiro).
Viviane Senna
Presidente do Instituto Ayrton Senna
São Paulo, SP

O Brasil melhorou, sim, e daí? O que adianta viver de falsas aparências enquanto grande parte da população agoniza? Parabéns a VEJA por mostrar os caminhos de uma não impossível reforma social.
Andreas Kegel
Frankfurt, Alemanha

Obrigado, VEJA, por mostrar a miséria tal como ela é: cruel. A reportagem serve como manual para a solução de muitos dos problemas mencionados. Há esperança e solução, pois eu também vendi ossos para sobreviver, mas hoje estou terminando um MBA nos Estados Unidos.
João Santos
San Jose, Califórnia, EUA

Em 1984, quando fomos brigar nas ruas pelas diretas já, tínhamos a convicção de que democracia e injustiça social não poderiam viver juntas. Talvez seja hora de nossa classe política acordar.
Rodrigo Studart Correa
Melbourne, Austrália

Incômoda reportagem. Indubitavelmente credível. É impressionante a forma como os brasileiros, de modo geral, reagem ao flagelo social, à miséria que devasta o país. A mancha negra é numerosa, são 23 milhões a morrer sem dignidade nenhuma.
Nara Pontes
Fortaleza, CE

 

Claudio de Moura Castro

É importante que os candidatos à Presidência da República e os responsáveis pela educação superior reflitam sobre duas coisas que diz Claudio de Moura Castro em seu artigo "A faculdade do interior" (Ponto de vista, 23 de janeiro): primeiro, que o Provão diz pouco, quase nada, sobre a qualidade dos cursos. Segundo, que a educação, mesmo na pior das hipóteses, faz bem à sociedade.
Dilvo I. Ristoff
Florianópolis, SC

 

Diogo Mainardi

Imagino que o artigo de Diogo Mainardi ("O livro que não farei", 23 de janeiro) vá resultar em manifestações iradas de leitores cariocas. Mas por que, se o texto dele descreve corretamente o esvaziamento que de fato ocorreu no Rio de Janeiro, desde que deixamos de ser capital, em 1960? Nasci aqui há 64 anos e acho que está mais que na hora de nos perguntarmos o que há por fazer para que possamos orgulhar-nos do que produz nossa Cidade Maravilhosa. Para começar, que tal se nos perguntássemos se temos estado atentos à escolha de nossos representantes?
Cláudio Janowitzer
Rio de Janeiro, RJ

 

CORREÇÕES: A foto que ilustrou a reportagem "Caro, mas na hora" (23 de janeiro) é do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e não de um aeroporto paulista. Diferentemente do que diz a reportagem "O alvo é Roseana" (23 de janeiro), o Ministério da Saúde não financiou o ato de campanha em favor do ministro José Serra em Mossoró, no Rio Grande do Norte. As despesas com a banda de música e as faixas foram pagas pela prefeitura local.

 
O DINHEIRO DA EDUCAÇÃO

Em sua reportagem de capa da semana passada, "O paradoxo da miséria", VEJA publicou um estudo do professor José Márcio Camargo sobre como o governo federal aplica o dinheiro da chamada "área social". Em seu trabalho, Camargo informa que 60% da verba do Ministério da Educação é aplicada nas universidades e comenta que essa quantia poderia ser usada no reforço ao ensino fundamental e médio. No texto, a revista fez referência ao destino do dinheiro do "governo" sem explicar a que nível de governo se referia o trabalho. Por causa desse erro, ficou a impressão de que 60% do volume total de recursos reservados à educação no país é carreado para as universidades, o que não é verdade. Camargo não se debruçou sobre o orçamento dos Estados e municípios, responsáveis pelo ensino fundamental (antiga 1ª a 8ª séries) e médio (antigo colegial). Portanto, diferentemente do que a reportagem sugere, não estão incluídos naquele trabalho os montantes que as prefeituras e os governos estaduais destinam às escolas. A Constituição de 1988 reserva 25% da receita de Estados e municípios e 18% da Receita Federal para investimentos em educação. Cabe à União a responsabilidade prioritária pelos cursos superiores, aos Estados o ensino fundamental e médio e aos municípios o ensino fundamental. Atualmente, 95% das crianças em idade escolar têm onde estudar, mas o ingresso de novos recursos poderia permitir mais investimentos na qualificação e aumento do salário dos professores. Também é oportuno esclarecer que o Ministério da Educação não investe prioritariamente no ensino superior por opção, mas por imposição legal.



 
 
   
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