Dom
João VI e sua mulher, Carlota Joaquina: fuga que mudou a história do Brasil
O
ano de 2008 marcará o bicentenário da chegada de dom João
VI ao Brasil. O evento precipitado por Napoleão a corte portuguesa,
afinal, estava fugindo da invasão francesa foi determinante para
a independência brasileira, realizada pelo filho de dom João VI,
dom Pedro I. Lançado pela editora Planeta em 2007 para se antecipar às
comemorações, 1808, do jornalista Laurentino Gomes
diretor-superintendente da Editora Abril, que publica VEJA , tornou-se um
best-seller ao reconstituir a aventura da corte portuguesa na colônia e
vendeu mais de 200 000 exemplares. Datas redondas como os 200 anos da viagem de
dom João VI conseguem acender o interesse do público pela história.
Elas transformam o passado em atualidade. Em 2000, por exemplo, outra efeméride
os 500 anos do descobrimento do Brasil também incrementou
um fenômeno editorial: a série Terra Brasilis (Objetiva), do jornalista
Eduardo Bueno, que relata a vida dos primeiros colonizadores brasileiros, já
vendeu meio milhão de exemplares dos seus quatro primeiros volumes (o quinto
e último, A França Antártica, deve ser lançado
em 2008). Mas o sucesso desses livros também evidencia um interesse permanente
do público pela história, e em particular pela história brasileira.
Seja em busca de uma compreensão mais ampla das virtudes e dos vícios
da civilização brasileira, seja pela simples curiosidade sobre como
seus antepassados viviam, o leitor brasileiro vem convertendo livros de história
em sucessos de venda.
Além de
1808, dois outros livros de história tiveram vendagens expressivas
em 2007: D. Pedro II (Companhia das Letras) vendeu 24 000 exemplares e
O Príncipe Maldito, 13 000. O primeiro, obra do historiador e integrante
da Academia Brasileira de Letras José Murilo de Carvalho, é uma
breve mas vigorosa biografia de dom Pedro II, monarca que governou o Brasil por
meio século. O segundo, escrito pela historiadora Mary Del Priore (que
em 2008 deve apresentar uma biografia da condessa de Barral, amante de dom Pedro
II), recupera um personagem mais obscuro: o príncipe Pedro Augusto, neto
de dom Pedro II que foi educado para ser imperador do Brasil, mas acabou seus
dias em um manicômio da Áustria. Afinadas com a demanda do leitor,
as editoras programaram vários lançamentos históricos para
2008, alguns mais acadêmicos, outros voltados para o público não
especializado. Um Dicionário Joanino (Objetiva) está sendo
elaborado por uma equipe de historiadores coordenada por Ronaldo Vainfas, historiador
que já lançou um Dicionário do Brasil Imperial. Lilia
Moritz Schwarcz, autora de As Barbas do Imperador, lança O Sol
do Brasil (Companhia das Letras), sobre a "missão francesa"
grupo de artistas da França que serviu na corte de dom João
VI. E não poderia, claro, faltar uma biografia do próprio dom João
VI, da historiadora Lúcia Bastos, a ser publicada pela Record. 2008 será
um ano para investigar o passado.