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Negócios
A Amazon brasileira
É o que está por trás da
idéia de fundir
o site Submarino e a Americanas.com

Chrystiane Silva
O fato fundador do comércio
eletrônico no mundo divide os especialistas. Para alguns teria
sido a venda on-line pela NetMarket de um CD do cantor Sting, em
1994. Para outros a pioneira foi uma loja de equipamentos eletrônicos
da Califórnia que conseguiu vender, por meio de um portal
improvisado, 100 dólares em acessórios de computador.
O mais certo é que o primeiro produto vendido pela web tenha
sido uma garrafa de vinho ou um livro. Quando o americano Mark Andreessen
lançou sua primeira versão gráfica do Mosaic
para internet, as duas primeiras lojas a anunciar seus produtos
na página inicial do browser eram uma livraria e uma loja
de bebidas só depois viria a terceira onda, a de lojas
de ração para cães e gatos.
No Brasil, o comércio
eletrônico chegou tardiamente no fim da década de 90.
Não faltaram razões a renda achatada da classe
média e pouca penetração da internet no país.
Mas nos últimos dois anos a explosão do crédito
e a popularização dos computadores elevaram em 145%
as vendas on-line, que devem fechar o ano em 4,3 bilhões
de reais. No despertar do comércio virtual, as duas maiores
lojas do segmento no Brasil anunciaram a assinatura de um acordo
com potencial de criar uma das cinco maiores lojas virtuais do mundo
em vendas e valor de mercado.
A Americanas.com, líder
do mercado, pretende unir-se à vice-líder Submarino.
A fusão ainda depende da aprovação do Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Se confirmada,
criaria uma nova empresa, a B2W Companhia Global de Varejo, com
mais de 50% do comércio eletrônico nacional e faturamento
anual de 2 bilhões de reais. A Americanas.com é uma
subsidiária das Lojas Americanas, que estão há
77 anos no Brasil. O sucesso do braço on-line do grupo é
fruto da sagacidade de seus controladores e do uso da infra-estrutura
e da logística da rede tradicional. Já o Submarino
é uma empresa quase que exclusivamente virtual, líder
em número de pedidos na internet. As duas lojas tiveram como
controladores, em momentos diferentes, o mesmo trio de acionistas
que arquitetou, em 2004, a fusão entre a fabricante de bebidas
AmBev, da qual eram sócios, e a belga Interbrew. São
eles Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira e Jorge Paulo Lemann.
Como acionistas das Americanas desde 1982, os três participam
do bloco de controle. No Submarino, exerceram o mando de 1999 a
março de 2006. Não se sabe se a idéia de fusão
partiu deles, mas a estratégia faz sentido. Juntas, as duas
lojas virtuais terão fôlego para negociar com fornecedores
e competir com grandes varejistas. Além disso, prepara as
empresas para uma eventual entrada, no Brasil, de gigantes internacionais
como a Amazon.com. O mercado justifica tanta competição:
o comércio eletrônico representa apenas 2% de todos
os produtos e serviços comprados pelos brasileiros; nos Estados
Unidos, esse porcentual é de 6%. Mesmo com atraso, a tendência
é o Brasil atingir o mesmo patamar.
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