|
|
Especial A
vida sem casamento Nunca houve tantas
mulheres bem-sucedidas, bem-cuidadas e bem de vida. E nunca houve tantas
solteiras. Por opção, distração ou falta de oportunidade,
elas não acham um marido a contento. Ou, simplesmente, um marido  Bel
Moherdaui
Ernani
D`Almeida
 |
SOLTEIRA
POR DISTRAÇÃO "Quando sou apresentada
a alguém e digo que nunca me casei, as pessoas começam a procurar o que eu tenho
de errado. Isso acontece freqüentemente, mas não me sinto encalhada. Acho que
demorei para sair da adolescência. Vejo isso como um problema da minha geração.
Fomos muito protegidos pelos pais e acabamos ficando mais tempo na posição de
filhos, mesmo já sendo independentes financeiramente. Eu estava me divertindo,
a vida era boa, trabalhava bem e sempre achava que aquele não era o cara para
a vida inteira. Eu me distraí e não me casei. Mas quero me casar, só que não com
qualquer um. Quero me casar muito apaixonada. Não sei se sou romântica demais.
Acredito que ainda vou encontrar alguém para mim." Ângela Britto, 38
anos | |
Afinal, o que as
mulheres querem? No campo das aspirações femininas mais fundamentais,
essa é uma pergunta facílima de responder. Por razões sociais,
culturais e biológicas, a maioria absoluta das mulheres aspira a encontrar
um companheiro, casar-se, constituir família e, por intermédio dos
filhos, ver cumprido o imperativo tão profundamente entranhado em seu corpo
e em sua psique ao longo de centenas de milhares de anos de história evolutiva.
A diferença a que se assiste hoje é que não existe mais um
calendário fixo para que isso aconteça. A formidável mudança
que eclodiu e se consolidou ao longo do último século, com o processo
de emancipação feminina, o acesso à educação
e a conquista do controle reprodutivo, permitiu a um número crescente de
mulheres adiar a "programação" materno-familiar. As mulheres que
dispõem de autonomia econômica e vida independente não são
mais consideradas balzaquianas aos 30 anos apenas 30 anos! , encalhadas
aos 35 e, aos 40, reduzidas irremediavelmente à condição
de solteironas, quando não agregadas de baixíssimo status social,
melancolicamente mexendo tachos de comida para os sobrinhos nas grandes cozinhas
das famílias multinucleares do passado. Imaginem só chamar de titia
uma profissional em pleno florescimento, com um ou mais títulos universitários
e um corpinho bem-cuidado que enfrenta com honras o jeans de cintura baixa
ou o biquíni nos intervalos dos compromissos de trabalho. Além de
fora de moda, o termo pode ser até ofensivo. O contraponto a esses avanços
é que, quanto mais as mulheres prorrogam o casamento, mais se candidatam
a uma vida inteira sem alcançá-lo.
Em 1986, a revista americana Newsweek, em memorável reportagem de
capa, fez um alerta alarmante: as mulheres que estavam deixando para se casar
mais tarde, ou por exigir muito do parceiro, ou por medo de "perder a liberdade",
ou pela intenção de primeiro se firmar profissionalmente, iam acabar
ficando para... bem, para o time das que nunca se casaram. Com base nas projeções
de um estudo desenvolvido na Universidade Harvard, a revista dizia que "a mulher
branca, com diploma universitário, nascida em meados dos anos 50, que ainda
estiver solteira aos 30 anos tem só 20% de chance de se casar"; aos 35,
a probabilidade caía para 5% e aos 40, para parcos 2,6% propiciando
aí uma das frases mais execradas de todos os tempos, a de que essa mulher
teria "mais probabilidade de morrer num ataque terrorista" do que de encontrar
marido (isso, naturalmente, antes que os ataques terroristas chegassem ao território
americano). Passados vinte anos, a revista voltou ao mesmo assunto e aos mesmos
personagens, desta vez com base em fatos em vez de projeções, e
constatou: a previsão era exagerada. "Hoje se sabe que cerca de 90% dos
homens e das mulheres daquela geração já se casaram, ou vão
se casar, o que é perfeitamente compatível com as médias
históricas", concluiu a Newsweek. E, no Brasil, qual a situação
da mulher que chega à casa dos 30 sem se casar? VEJA consultou dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), examinou pesquisas,
conversou com especialistas e constatou: as mulheres que consideram de importância
fundamental a aliança na mão esquerda devem ficar atentas à
passagem do tempo ou, quem sabe, mudar-se para os Estados Unidos.
Ernani
D`Almeida
 |
MEDO,
NÃO. TRISTEZA "Às vezes me sinto
adolescente, como se o tempo não tivesse passado. Mas também me assusto quando
vejo que já estou com 35 anos e poderia ter um filho. Não tenho medo de não me
casar, não vivo em função disso. Mas claro que seria triste se ficasse solteira
para sempre, porque acho que o casamento faz parte da vida. Por muito tempo sonhei
em casar na igreja, com véu e grinalda. Mas, até uns cinco anos atrás, tinha pavor
de casamento. Quando pensava nisso, me sentia muito nova, despreparada. Hoje,
mudei de sonho e de atitude. Só quero encontrar alguém legal, com quem eu possa
dividir as coisas e que encare a vida como eu." Leticia
Cardinali, 35 anos |
| O número
de mulheres com 35 a 39 anos que continuam solteiras é bem maior agora
do que há dez anos pelo censo do IBGE, a porcentagem, na faixa daquelas
com diploma universitário, pulou de uma já alentada média
de 20% em 1991 para 30% em 2000, o último dado disponível. E as
perspectivas não são animadoras. A pedido de VEJA, um grupo de pesquisadores
do departamento de estatísticas e demografia da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte cruzou dados do último censo com informações
do Registro Civil e, aplicando a mesma técnica usada para prever taxas
de expectativa de vida, calculou a chance de brasileiras solteiras atualmente
virem a se casar em algum momento no futuro. O resultado: aos 30, elas têm
27,6% de chance de encontrar um marido. Parece pouco? Pois aos 35, a chance cai
quase 10 pontos, e aos 40 despenca para meros 13,7%. Aos 45, a solteira tem apenas
10,1% de probabilidade de comparecer perante um juiz de paz. Não se trata
de um cenário que se possa tomar como incontornável ou irreversível.
"É importante ressaltar que o gráfico trabalha com a chance de uma
mulher se casar oficialmente contraposta à de ela ou permanecer solteira,
ou se unir a alguém sem se casar oficialmente, ou morrer", enumera o pesquisador
Flávio Henrique Freire, coordenador do estudo. Todo mundo sabe que as uniões
não formalizadas são freqüentes, em especial entre casais nos
quais a parte feminina não sente a premência do "papel passado".
Mas que os números impressionam, impressionam.
Ao contrário do estudo americano, o cálculo feito por Freire e sua
equipe leva em consideração não apenas as mulheres brancas
com alta escolaridade, mas toda a população feminina do país.
De acordo com o economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas,
que já analisou a questão de sexo e estado civil em estudos do Centro
de Políticas Sociais da FGV, que ele coordena, para o grupo específico
das que chegam à universidade (onde se incluiriam justamente as mulheres
executivas) as probabilidades tendem a ser ainda menores. "Mulheres sozinhas têm
renda 62% mais alta que a das acompanhadas. Quanto mais renda, mais sozinhas;
quanto maior a idade, menor o número de acompanhadas; e nas cidades grandes
há mais sozinhas do que nas cidades menores ou nas zonas rurais", diz ele.
"Quer dizer, se você é executiva, é solteira, passou dos 45
e vive na capital, prepare-se para tirar o máximo proveito da vida a um",
aconselha. A atenção
despertada pelo grande contingente de mulheres solteiras é produto de um
momento de transição: as transformações sociais, econômicas
e tecnológicas das últimas décadas foram tão rápidas
que a matriz de comportamentos profundamente solidificados não teve tempo
de acompanhar a mudança. Num futuro não muito distante, mulheres
e também homens que nunca se casam ou não têm filhos, ou ainda
que resolvem tê-los depois dos 50 e até dos 60 anos, provavelmente
estarão tão entranhados na paisagem social que ninguém vai
reparar. Depois de deixar de ser incontrolável, o imperativo da reprodução
da espécie também não terá nada de categórico.
"O adiamento do casamento é conseqüência da pílula anticoncepcional,
que permitiu separar prazer de reprodução, do aumento da longevidade
hoje a mulher morre, em média, com 75 anos, cinco a mais do que
há quinze anos , da chamada adolescência tardia dos que permanecem
na casa dos pais com liberdade e conforto e da emancipação econômica",
lista a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital
das Clínicas da Universidade de São Paulo. Em sua área de
atuação, a psiquiatra depara constantemente com mulheres que deixam
o casamento para mais tarde porque privilegiam a carreira de maneira consistente,
não como atividade paralela ao interesse principal casar e ter filhos.
"Elas querem destaque profissional, não apenas trabalhar e ter um salário",
analisa Carmita. É mais ou menos a história de vida da publicitária
paulistana Regina Celi de Macedo, 42 anos, que por muitos anos pôs a carreira
na frente do casamento, para desgosto da família de uma tia mais
preocupada, ganhou "uma imagem de Santo Antônio com uma fitinha benzida",
para aumentar as chances de arranjar marido. Chegando perto dos 40, porém,
a própria Regina acusou a pressão. "Percebi que alguma coisa estava
faltando. Comecei a fazer terapia e vi que tinha deixado o tempo e as oportunidades
passarem. Mudei", afirma. Adiar a
união até a carreira estar relativamente bem encaminhada e a independência
econômica consolidada tem uma vantagem evidente: o eventual marido deixa
de ser a tábua da salvação financeira, a garantia de sobrevivência.
Isso, por sua vez, cria uma espécie de ciclo vicioso. Como não precisa,
a todo custo, ter um homem para lhe assegurar o status social e econômico,
a mulher profissionalmente bem-sucedida é também mais exigente na
hora de escolher seu parceiro. "Mulheres que se dedicaram à carreira e
se tornaram qualificadas buscam homens tão ou mais qualificados do que
elas. Só que a qualificação se divide na população
como uma pirâmide, ou seja, quanto mais qualificado e bem remunerado, mais
raro o parceiro. Elas terão mais dificuldade em achar um homem do seu nível",
diz o professor de relacionamento amoroso do Instituto de Psicologia da Universidade
de São Paulo Ailton Amélio da Silva, autor do livro O Mapa do
Amor. A administradora de empresas
Beatriz Rossi está, aos 46 anos, segura de que não se casou por
opção e fez a escolha certa. "Até os 30, eu queria. Mas aí
vi a vida das amigas que tinham se casado e mudei de idéia. Tem de dar
muita satisfação ao outro", explica. No entanto, quer e continua
buscando "um companheiro, cada um na sua casa". Sua procura tropeça num
fator cada vez mais freqüente na vida das mulheres maduras e bem-sucedidas:
o homem mais novo, que tanto pode ser um problema quanto uma solução.
"Aparece muito rapaz mais jovem. Para eles, é cômodo se casar com
alguém que é financeiramente independente. Casar, não quero.
Mas no futuro me vejo, sim, namorando alguém mais novo do que eu", reflete.
De fato, as estatísticas mostram que, sobretudo no segmento das pessoas
com alta escolaridade, a curva das solteiras não acompanha a dos solteiros
(veja gráfico na pág. 92): na faixa dos 45 aos 49 anos, mais
de 12% das mulheres jamais se casaram, contra apenas 5% dos homens. "Era verdade
em 1970 e é verdade agora: em 74% dos casamentos, o homem é mais
velho que a mulher", confirma Neri. Ocorre que: 1) quanto mais alta a faixa etária,
maior é o número de homens comprometidos; 2) quando se descomprometem,
eles tendem majoritariamente para mulheres de faixa etária bem inferior;
3) ainda por cima, morrem mais cedo (sete anos, em média). Logo, a pirâmide
de parceiros se estreita justo no momento em que a mulher que deixou para se casar
mais tarde começa a apontar o radar nessa direção. O dado
estatístico é comprovado empiricamente por qualquer mulher que esteja
no mercado amoroso. "O homem mais disponível é casado. O mais interessado
é jovem demais. E os mais difíceis são os da mesma faixa
etária, que só querem sair com meninas novinhas", resume a advogada
Eunice Feigel, 53 anos, uma solteira da linha realista, que gosta da liberdade
de ação proporcionada pela solteirice, mas reconhece a dureza da
falta de ter alguém "para dividir emoções".
Na imensa maioria dos casos, a mulher não parou, pensou e resolveu: não
vou me casar. Viver sozinha é, em geral, ou buscar e não achar parceiro,
ou conseqüência não planejada de uma trajetória voltada
para a realização profissional. "Estava me divertindo, a vida estava
boa, trabalhava bem e sempre achava que aquele não era o cara para a vida
inteira. Eu me distraí e não me casei", relata a escritora e atriz
carioca Ângela Britto, 38 anos, que só reclama mesmo quando sente
na pele bem-cuidada e sem rugas o peso do que descreve como um preconceito nacional
contra a solteira madura. "Quando sou apresentada a alguém e digo que nunca
me casei, as pessoas começam a procurar o que eu tenho de errado", critica.
A idéia de que é perfeitamente possível levar uma vida plena
e satisfatória, sem cair no individualismo estéril nem na solidão
autodestrutiva, também não tem nada de estranho para a professora
de inglês Elizabeth Salem Chammas, 54 anos. "Pude viajar o mundo inteiro.
Conheço Líbano, Turquia, Marrocos, Estados Unidos, toda a Europa,
o Caribe", enumera. "Se fosse casada, teria viajado menos." Ultimamente, porém,
Elizabeth tem repensado suas convicções, sobretudo depois que um
homem por quem se sentiu atraída lhe confessou, no dia de seu casamento
com outra, que havia se afastado por não ter sentido interesse maior da
parte dela. Outra solteira convicta, a arquiteta mineira Leticia de Paula Cardinali,
35 anos, vive o mesmo misto de satisfação pela vida independente
e ansiedade pelo que acha que pode estar perdendo. "Às vezes me sinto adolescente,
como se o tempo não tivesse passado", diz. "Mas também me assusto
quando vejo que já tenho 35 anos e poderia ter um filho."
Outra travessia difícil na aceitação da solteirice feminina
é a percepção de envelhecer sozinha esta, ao contrário
da premência biológica de engravidar, uma constatação
que se instala devagar, sub-repticiamente, na vida da mulher sem companheiro.
A consultora de recursos humanos Maria Elisia Marine, 45, não quer se casar,
não lamenta a falta de filhos e considera sua vida muito boa, obrigada.
"Depois que aprendi a viver sozinha, é difícil tolerar os hábitos
dos outros", acredita. Mesmo bem resolvida, Maria Elisia conta que há momentos
em que baqueia. "Bate a solidão, uma certa tristeza, até um sentimento
de fracasso. Mas não posso embarcar nisso, porque o pior é ficar
amarga." E conclui, pragmática: "Tenho muitas amigas casadas que também
passam por questionamentos". Talvez aí esteja uma pequena lição.
Para solteiras, casadas ou enroladas, com filhos ou sem eles, o importante é
aceitar que o tecido da vida é forrado de questionamentos. Muitos e, freqüentemente,
sem respostas fáceis. O que faz a vida valer a pena é enfrentá-los
com honestidade, coragem e, se possível, leveza de espírito. Um
exercício que a cronista Danuza Leão pratica habitualmente. "Acho
muito bom viver sozinha. Você se habitua a fazer o que quer e não
tem de aturar os amigos dele, as manias dele", contabiliza Danuza, com a experiência
de uma vida amorosa recheada de momentos incandescentes, filhos e netos adultos,
hoje guardiã de dois gatos, sozinha há mais de vinte anos. "Mas
tem vezes que eu grito: 'Queria um homem!'. Mais especificamente quando o carro
enguiça, ou o computador, ou o DVD. E quando tenho de fazer o imposto de
renda. Coisas que só homens têm capacidade de resolver."
Otavio
Dias de Oliveira
 |
CHANCES
DESPERDIÇADAS "Ser solteira é bom? Aparentemente,
é ótimo. Mas o fato de ser solteira não te dá uma varinha mágica para ficar tudo
maravilhoso. Claro que tenho meu espaço, minha vida, meu dinheiro, a liberdade
de estar com quem eu quero, quando quero. Mas também tem o lado negativo, que
é a solidão. Sinto falta de dividir as emoções com alguém. Já encontrei pessoas
maravilhosas e hoje penso que eu poderia ter dado uma chance. Quantas vezes deixei
de namorar porque ele fumava? Ou falava alto? Dizem que quem pensa muito não se
casa. Acho que é isso mesmo." Eunice Feigel, 53 anos |
|
TERAPIA DA VIRADA "Há
dois ou três anos percebi que alguma coisa estava faltando. Comecei a fazer
terapia e vi que tinha deixado passar o tempo e as oportunidades. Mudei
desde o cabelo até o jeito de me vestir. Passei a usar mais decote, fiquei
mais jovem e feminina. Comecei a me matar menos no trabalho e a sair mais cedo.
Aprendi a delegar funções a outras pessoas. Agora só desmarco
programas pessoais em caso de urgência. Não troco mais minhas coisas
por trabalho. Conheci muita gente nova, mas ainda não apareceu nenhum namorado."
Regina Macedo,
42 anos | Otavio Dias de Oliveira
 |
|
Lailson Santos
 | SEM
BEBÊS ELEFANTES "Até os 30 anos
eu queria me casar. Mas aí vi a vida das amigas que tinham se casado e mudei de
idéia. Tem de dar muita satisfação ao outro. Hoje, quero um companheiro, mas cada
um na sua casa. Não fico procurando namorado. Aparece muito rapaz mais jovem.
Para eles, é cômodo se casar com alguém que é financeiramente independente. Casar,
não quero. Afinal, quem tem filho grande é elefante. Mas no futuro me vejo, sim,
namorando alguém mais novo do que eu." Beatriz Rossi, 46 anos |
|
PARTILHAR BANHEIRO, NÃO
"Depois que aprendi a viver sozinha,
é difícil aprender a tolerar os hábitos dos outros. Casamento
tem rotinas que para mim são absolutamente dispensáveis, como dormir
junto ou dividir o mesmo banheiro. Acho possível um relacionamento longo
sem morar na mesma casa. Às vezes bate a solidão, uma certa tristeza,
até um sentimento de fracasso. Mas não posso embarcar nisso, porque
o pior é ficar amarga. Tenho muitas amigas casadas que também passam
por questionamentos." Maria Elisia Marine, 45 anos | Otavio
Dias de Oliveira
 |
| Com reportagem
de Laura Ming |