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Não
existem dados confiáveis sobre o conflito nos outros
Estados, mas há sinais de mudança no mercado
publicitário. Em Belo Horizonte, por exemplo, apenas a
Globo tinha audiência para preencher todas as 43 cotas
de trinta segundos de propaganda local a ser exibida nas
tardes de domingo até agora. Na semana
passada, graças a Gugu, pela primeira vez o SBT se
igualou à emissora rival. É cedo demais, de qualquer
modo, para cantar vitória, como fez um desenho de
publicidade do SBT exibido na semana passada, numa
seqüência em que os dois apresentadores eram colocados
num ringue até que Gugu, no papel de David, mandava a
nocaute Faustão-Golias. Faustão lidera as tardes de
domingo há quase uma década, existem cidades onde já
teve mais de 50% da audiência. Ele é um apresentador
com talento comprovado, carisma, e ainda dispõe da
máquina da Globo para ajudá-lo. "A Globo vai
reagir," diz Gugu. "Duvido que repita um
programa tão fraco como o daquele dia", provoca.
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Fotos: Frederic Jean |
| O
dia-a-dia do apresentador: café da manhã com
quatro jornais e passeio à feira disfarçado com
boné |
"Meu
programa não estava num dia favorável", explica
Faustão, lembrando o jogador de futebol que reclama da
"má fase". "Mas não custa lembrar que
ganhei do Silvio Santos por oito anos e meio, tanto que
ele abandonou meu horário." Para o SBT, o domingo,
19 de outubro, marcou um primeiro movimento público de
Silvio Santos para preparar, discretamente, sua sucessão
no vídeo. Ao trocar de lugar com Gugu, retirando-se para
o horário do meio-dia às 4 da tarde, o dono do SBT
passa a atuar num terreno menos árduo, preservando suas
energias para o conflito das 8 da noite, quando segue
apresentando o Namoro ou Amizade contra o Fantástico.
Outro passo a ser tomado é a entrega de uma nova
fatia a Celso Portiolli, apresentador de gincanas que
guarda até certa semelhança física com o dono do SBT.
No cotidiano da emissora, Silvio Santos anda mais ativo
do que nunca. A maioria das mudanças realizadas ao longo
do ano mostrou-se acertada e rendeu bons frutos na
audiência, como a novela em estilo mexicano Chiquititas
(veja reportagem).
Para a Globo, a derrota para Gugu foi a demonstração de
que idéias burocráticas podem ser um desastre diante de
um concorrente agressivo. Desperdiçando minutos
preciosos para cumprir uma função doméstica, de
alavancar outras atrações da casa, Faustão perdeu meia
hora com a atriz Regina Dourado, a Alzira Noronha de Anjo
Mau, chamada para falar de sua vida a
falta de interesse do público foi tamanha que a
audiência despencou para o ponto mais baixo. Também se
deu ao luxo de colocar no ar, mais uma vez, o casal
Glória Pires e Orlando Morais, atriz e compositor da
novela das 6. Outro momento de folga para o rival.
"O Fausto Silva tem atores para exibir e eu
não", diz Gugu. "Esse recurso pode ajudá-lo,
desde que bem aproveitado. Mas também pode me ajudar,
pois me obriga a inventar coisas, a apostar em temas
quentes."
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| Foto: Carol do
Vale |
Foto: Paulo
Jares |
| Silvio
Santos e Faustão: o dono do SBT prepara a
sucessão, e o rival da Globo arma o
contra-ataque |
Cachorros
que cantam O próximo conflito começou a ser
armado durante a semana passada, quando produtores e
assistentes dos dois apresentadores passaram manhãs,
tardes e noites em busca de idéias para golpear o rival e
também realizando delicadas operações de espionagem
para penetrar nos planos do adversário e evitar
surpresas desagradáveis. No domingo 19, Gugu levantou
seu programa logo no início, mostrando cenas da
intimidade das bailarinas do grupo É o Tchan, maior
vendedor de discos da atualidade. Sem a menor
preocupação com a originalidade, a produção de
Faustão despachou uma equipe de câmaras e repórteres
para Aracaju, com o intuito de mostrar, ao vivo, um show
do É o Tchan no programa do domingo 26. Para se
contrapor à corrida de caminhões animada por mulheres
sem sutiã que Gugu mostrara na semana retrasada,
armava-se, nos estúdios da Globo, atração igualmente
insólita. Apresentar um quadro no qual três atores,
entre eles Márcio Garcia, aquele namorado-instantâneo
de Xuxa e Angélica, devoram um prato de sushi no corpo
de uma modelo seminua. Como principal atração do
programa, Gugu havia convidado a dupla Zezé di Camargo
& Luciano. A produção de Fausto Silva ficou sabendo
e chamou Leandro & Leonardo. Num esforço especial
para recuperar a platéia no cenário da batalha perdida,
Angélica foi convocada a dar um passeio de helicóptero
pelo céu de São Paulo, enquanto a atriz Nair Bello teve
a incumbência de organizar um almoço em companhia de
Claudia Raia e seu bebê, Enzo. Esses quadros foram
acertados e produzidos no decorrer da semana, mas isso
não é garantia de que irão ao ar
numa disputa tensa e sujeita a viradas bruscas, nada tão
natural como mudanças de última hora.
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| Foto:
Antonio Milena |
Foto:
Rogerio Montenegro |
| As
lojas e o Parque do Gugu: o filho do caminhoneiro
fatura 30 milhões por ano |
Com
a familiaridade de quem trabalha na televisão desde os
12 anos de idade, quando Silvio Santos lhe dava uns
trocados para ajudar a planejar gincanas que promovia na
finada TV Tupi, Gugu é um apresentador movido por duas
noções simples. A primeira é de que público adora
programas ao vivo, e se diverte até quando alguma coisa
sai errada. Seu outro ponto de honra é o que chama de
valorizar a notícia. "Reparei que no domingo não
há programas que tragam informação ao espectador.
Quando Ayrton Senna sofreu aquele acidente na curva
Tamburello, zapeava de canal em canal e ninguém falava
nada. Era uma agonia", diz. O conceito que Gugu
possui para notícia é bastante elástico. Vai desde a
cobertura de tragédias que comovem o país, como a morte
dos Mamonas Assassinas, que seu programa cobriu numa
jornada solitária e bem-sucedida, até a exibição de
curiosidades de outra natureza. Pelo seu critério, a
família mexicana Fajardo, cujos integrantes sofriam de
uma rara doença genética que fazia nascer pêlos no
rosto, é igualmente notícia. Cachorros que cantam,
também.
Seu programa exibe
baixarias, como o célebre quadro da banheira, no qual
uma modelo seminua se esfrega com um convidado dentro de
um tanque de água, ela tentando evitar que ele apanhe o
sabonete que está no fundo. Gugu se faz de perseguido:
"Hoje em dia, as pessoas vão com pouca roupa à
praia e ninguém acha isso escandaloso. Mas no meu
programa todo mundo reclama". Usa o mesmo argumento
para se defender do fato de ter apresentado meninas de 5
anos de idade em poses lúbricas rebolando ao som da
"dança da bundinha". "Qualquer criança
faz isso em festa infantil." Ele só tirou o quadro
do ar por determinação da Corregedoria de Menores. Já
em algumas ocasiões Gugu se arrepende. Achou de mau
gosto o quadro de seu programa em que mulheres nuas
pulavam de pára-quedas. "Foi coisa da produção,
que me escapou. Nunca mais farei isso." No domingo
retrasado, apareceu no seu programa uma corrida de
caminhoneiros em que mulheres sem sutiã desviavam a
atenção dos corredores. "Exigi que desfocassem os
seios delas", diz.
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Licenciamento:
94
produtos infantis fabricados
por cinco empresas |
| Foto:
Jota Miranda |
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Pobre em
bairro rico Além das apelações, ele chegou a
explorar artistas que tocavam em seu horário,
obrigando-os a fazer hora extra cantando na caravana do
Gugu. Com isso, ressuscitou uma forma de jabá que
parecia enterrada desde os tempos de Chacrinha. "Era
minha maneira de ganhar a vida. Hoje não preciso mais
fazer essas coisas", desculpa-se. Recentemente, Gugu
teve de pagar 150.000 reais de indenização a uma
cantora do grupo Banana Split, de sua empresa Promoart,
que se queixou de ter sido coagida a se apresentar numa
casa de massagem. "Pedi para meus ajudantes os
papéis e vi que, apesar do que se fazia lá, era uma
casa onde se apresentavam vários artistas respeitáveis,
entre eles Amado Batista", justifica-se Gugu, como
se a presença de Amado Batista pudesse modificar o
"que se fazia lá". Hoje, o apresentador diz
que quer deixar o passado de lado e entrar numa nova
fase. Sem jabás, exploração de artistas ou baixarias
no vídeo. "Não se pode buscar o sucesso a qualquer
preço. Já exagerei no passado, e fui punido por isso.
Hoje acho que há limites."
Para fazer a pauta
de seu programa, Gugu dorme às 10 da noite, e às 8 da
manhã já leu dois jornais. Também assiste a todos os
telejornais que consegue. Passa os dias em seu
escritório na casa de vinte cômodos e 1000 metros
quadrados que possui num condomínio fechado em Aldeia da
Serra, a 30 quilômetros de São Paulo, e uma paisagem de
subúrbio de filme americano. Ali despacha com os
produtores de seus dois programas, Sabadão Sertanejo
e Domingo Legal, sempre diante de sete aparelhos
de TV que ficam ligados ao mesmo tempo. Quando vê algo
que interessa, convoca uma equipe para sair em campo. Na
semana passada, por exemplo, Gugu viu na televisão o
acidente na Ponte Rio Niterói envolvendo quatro
ônibus e um caminhão. Na mesma hora pediu uma matéria
especial sobre acidentes automobilísticos. "Só os
que tiveram final feliz", fez questão de ressaltar.
"Os que acabam mal afastam a audiência." Na
quinta-feira de manhã, chamou sua auxiliar, Esther
Rocha, pedindo-lhe que providenciasse uma atração
especial para os espectadores que estão conectados na
Internet: "Nos intervalos do programa, quem estiver
na rede poderá acompanhar as cenas que se passam no
palco," explica. Com um contrato pelo qual tem
obrigação de manter a audiência em 14 pontos, pelo
menos, Gugu tem autonomia de vôo e
trabalha como seu próprio patrão. Pilota seu Domingo
Legal de olho em um monitor de TV colocado no fundo
do palco. Só chama os comerciais quando vê que Faustão
também chamou. "Assim, se alguém mudar de canal no
meu intervalo, verá que no canal concorrente também há
propaganda, e acaba voltando", ensina.
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| Fotos: Arquivo pessoal |
| Álbum de
família: agenciando coroinhas na infância;
participando de uma gincana de Silvio Santos; e
apresentando a Sessão Premiada,
no início de carreira no SBT |
Gugu
e Faustão são apresentadores populares e talentosos,
mas cada um conta uma história diferente. Fausto Silva
só ficou rico depois de trabalhar na TV, mas é filho de
uma família de classe média letrada. Seu pai é
economista e a mãe, professora. O próprio Fausto chegou
a cursar até o 3º ano de direito na PUC de Campinas,
que acabou largando para trabalhar no rádio. Já o
paulistano Antonio Augusto Liberato, chamado de
"Toninho" quando era pequeno, viveu a típica
infância de menino pobre em bairro rico. Seu pai era
caminhoneiro. Seus avós, donos de uma pequena mercearia
na Avenida Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins, em
São Paulo, possuíam um sobrado onde, no 2º andar,
devia caber a família inteira. Gugu teve a infância do
menino que olhava para o quintal do vizinho e admirava um
gramado imenso que não podia freqüentar. Não tinha
brinquedos mas juntava na rua
aqueles que os meninos de famílias endinheiradas jogavam
fora. "A sorte é que os garotos que têm dinheiro
se desfazem dos brinquedos quando aparece um pequeno
defeito", lembra.
Correspondente
em Paris Essa diferença marca o estilo dos
apresentadores. Fausto Silva é o típico sarrista, o
adolescente que tem posição para rir de todo mundo,
debochar dos outros, agredir e até falar palavrão
pois seu lugar social sempre esteve assegurado. Ele olha
a breguice brasileira de cima, com bom humor, e está na
situação de quem tem direito de falar mal. Gugu não
faz piada com o brega, até porque o sabe próximo. É
educadíssimo, simpático, não esconde que quer agradar.
Quando recebe médicos e advogados em seu programa,
costuma tratá-los com a reverência de quem se dirige a
um "doutor". Não decora a própria casa
chama profissionais, que ali colocaram móveis caros, uma
tapeçaria Aubusson, um quadro da princesa Carlota
Joaquina, livros de arte espalhados pela mesa servindo
como suporte para cinzeiros. Gugu não tem segurança de
escolher as próprias roupas, combinar os próprios
ternos e as gravatas prefere copiar o que vê
em revistas italianas. Já ganhou mais dinheiro do que
conseguirá gastar ao longo da vida, mas trabalha como o
cidadão que está batalhando para pagar a prestação de
um pacote numa classe turística para Miami. "Meu
público são os chamados 'emergentes sociais'",
analisa Gugu, usando um jargão da moda. "E eu sei
exatamente o que eles querem, porque também sou um
deles."
Descendente de
imigrantes portugueses da região de Trás-Os-Montes, que
na infância acordava de madrugada para ligar o forno de
uma padaria da qual o pai foi sócio, Gugu tem o melhor
contrato da televisão brasileira. Ele é o único
artista que tem direito a negociar, ele próprio, doze
minutos de merchandising em seu programa, o que lhe
permite faturar 12 milhões de reais por ano. Com esse
dinheiro, Gugu alavanca uma rede de onze lojas que vendem
brinquedos e produtos eletroeletrônicos, ainda mantém
um edifício comercial em São Paulo onde cobra aluguel,
um parque de diversões, um estacionamento e sua empresa
de agenciamento artístico, a Promoart, da qual pretende
se desfazer pois, como diz, "artista dá muito
trabalho". Tudo somado, Gugu é uma máquina que
fatura 30 milhões de reais por ano
sem contar receitas de novos negócios em preparação,
como uma rede de postos de gasolina e, agora entrando na
área de construção, três edifícios residenciais.
Para tocar seus negócios, Gugu tem um conselheiro de
todas as horas, o empresário, homem de circo e TV Beto
Carrero, seu sócio na maioria dos investimentos, a quem
atribui boa parte de seu sucesso. Mas também conta com
outras três pessoas de confiança. Uma delas é o
irmão, Amandio Augusto Liberato, ex-funcionário da
Petrobrás. A outra é André Murad, irmão de Beto
Carrero, advogado. A terceira é um amigo de infância,
Ruy Lanzoni, ex-gerente das lojas Garbo. "Ele tem
muitas atividades, mas é muito participativo, faz
questão de se manter a par de tudo", diz Lanzoni.
Aos 68 anos, sua
mãe, Maria do Céu, lembra que o menino sempre foi bom
para ganhar dinheiro. Aos 8 anos ele apanhava flores na
vizinhança, picotava as pétalas e misturava com
álcool. "Como o cheiro não ficava lá muito bom,
ele sempre completava com uma pitada de um de meus
perfumes", lembra a mãe. Gugu vendia suas
criações às empregadas domésticas do bairro
que, segundo ele próprio, compravam "por
pena". Mais tarde, especializou-se em recrutar
coroinhas para casamentos. Teve seu primeiro emprego aos
12 anos, como office-boy de uma imobiliária e ganhou sua
primeira bicicleta num concurso de balas. Na mesma época
começou sua ligação com a televisão, onde entrou como
aplicado participante de gincanas promovidas por Silvio
Santos. Um dia, conseguiu chegar perto de seu futuro
patrão para entregar um envelope com sugestões de novas
promoções. Três semanas mais tarde, o apresentador
decidiu aproveitar algumas delas e, encontrando o garoto,
resolveu pagar-lhe 50 cruzeiros para cada idéia colocada
em prática na época, essa quantia
equivalia a quase o dobro de seu salário na
imobiliária. Seis meses mais tarde foi contratado como
assistente de produção, tinha 19 anos quando ganhou a
direção de um programa infantil, Domingo no Parque.
Desconfiado de que, apesar de tudo, ali não tinha
futuro, prestou vestibular e acabou aprovado num curso
para dentista em Marília, no interior de São Paulo.
Não agüentou um mês. De volta à TV, convenceu Silvio
Santos a lhe dar um emprego como jornalista. "Meu
sonho era ser correspondente em Paris, meu ídolo era o
Reali Junior", conta.
Televisão
e reeleição A realidade foi diferente. Silvio
Santos o encarregou de comandar o programa Semana do
Presidente, no qual apresentava relatos
invariavelmente edificantes sobre o chefe de Estado de
plantão. Acabou em Paris, uma vez, onde acompanhou João
Figueiredo, realizando uma reportagem em que a
primeira-dama, dona Dulce, conseguiu ser apanhada apenas
em situações favoráveis. Satisfeito com o serviço,
Silvio Santos mandou a fita para o presidente, que
agradeceu. "Ele disse que dona Dulce não parava de
assistir ao programa e mostrá-lo às amigas",
relembra Homero Salles, ex-diretor do programa de Gugu e
hoje na TV Manchete. Silvio Santos usava a Semana do
Presidente como cacife para arrebatar uma concessão
de TV e Gugu, que também quer sua emissora, segue por um
caminho parecido.
No ano passado,
chegou a subir no palanque do candidato José Serra,
derrotado por Celso Pitta nas eleições municipais de
São Paulo. Seu discurso é de tucano histórico.
"Sempre votei no Fernando Henrique e no Covas e voto
no PSDB desde a fundação. Também só subo em palanques
de candidatos do partido, sem cobrar nada." Antes do
tucanato, Gugu já foi admirador de Jânio Quadros, que
derrotou Fernando Henrique, nas eleições municipais de
1985. Tem em casa duas esculturas compradas de seu
espólio e um espelho que pertenceu a dona Eloá. Em
1989, ele votou em Mário Covas no primeiro turno e, no
segundo, liderou uma caravana sertaneja que apoiou
Collor. Foi Fernando Henrique sem hesitar em 1994 e,
assim que for preciso, estará com a camisa de militante
da reeleição.
Estilo
mexicano
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A
novela infantil
Chiquititas: 18
pontos e
800.000 CDs vendidos |
| Foto: Divulgação |
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O faro de
Silvio Santos como homem de televisão continua
aguçado como sempre. Foi ele próprio quem
comandou a mudança de rumos na emissora a partir
do início deste ano. Primeiro, deixou Boris
Casoy ir embora para a Record. No lugar de
telenovelas com produção cara
no ano passado, o SBT chegou a investir 60
milhões de dólares na construção de uma
cidade cenográfica ,
voltaram os programas de linha brega-romântica.
A emissora, que começava a ser ameaçada em seu
propalado segundo lugar pela Record, voltou a
ganhar fôlego no Ibope. A idéia de Silvio que
deu mais certo foi a novela infantil Chiquititas.
Co-produção argentino-brasileira, copiada de um
programa do país vizinho, Chiquititas
alcança média de 18 pontos de audiência no
horário das 8 e já incomoda o Jornal
Nacional. Espera-se um sucesso parecido com o
da novela mexicana Carrossel, que
em seu auge chegou a uma média de 25 pontos.
Até porque Chiquititas é uma febre entre
as crianças. O disco com a trilha sonora da
novela é o mais bem-sucedido lançamento
infantil do ano. Já vendeu 800.000 cópias. O CD
de Angélica, para citar um exemplo, vendeu
300.000. "A novela estava prevista para durar
até fevereiro, mas com o sucesso deverá ser
prorrogada", diz Roberto Monteiro, produtor
executivo do programa, que comanda o elenco de 25
brasileiros hospedados na Argentina, onde Chiquititas
é gravada.
Outros
programas da emissora também estão fazendo
sucesso. A apresentadora Márcia Goldschmidt,
aquela que traz os convidados para brigar no ar,
tem média de 14 pontos de Ibope, um belo
desempenho no horário
crescimento de 67% em relação ao programa
anterior. Alô Cristina, em que a
apresentadora Cristina Rocha distribui prêmios
para quem atende o telefone enquanto assiste ao
seu programa, dá uma média de 12 pontos, 20%
mais do que o antecessor, a série Hércules.
Até programas antigos estão em alta. O de Hebe
Camargo, por exemplo, melhorou até 10 pontos de
julho para cá. A pergunta é: o que Silvio
Santos vai fazer com o elenco que contratou para
novelas que não davam mais de 6 pontos no Ibope,
audiência de Os Ossos do Barão? A
resposta: teleteatros populares. Entre os
primeiros estão No Amor Não Tem Reprise
e Do Destino Ninguém Foge, escritos pela
mexicana Marisa Garrido, que, como os títulos
sugerem, contam histórias lacrimogêneas de
paixões malsucedidas. Algumas das estrelas da
emissora, como Irene Ravache, Jussara Freire,
Jandira Martini e Joana Fomm, comandaram na
semana passada um levante contra a ruindade dos
textos. Na quarta-feira, a situação já estava
contornada. As gravações começam no próximo
dia 3. As atrizes ficaram satisfeitas com
pequenas modificações nas falas. Talvez tenham
assistido também a algum capítulo de Por
Amor, da Globo, e descobrido que, em matéria
de mexicanização, a novela das 8 da Globo é
insuperável.
R.V
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