Guia
Disque
0800.
E espere...

Monica
Weinberg (mweinberg@abril.com.br)
Ilustrações
Orlando
 |
Telefonar
para um call center exige, em geral, extrema paciência e tempo muito
tempo. Uma nova lei, que passa a valer a partir de dezembro, deve melhorar o cenário.
Com a legislação, pela
primeira vez os serviços de atendimento ao cliente de oito setores deverão
obedecer a certas regras. Entre elas, uma fundamental: o tempo para que um atendente
dê sinal de vida do outro lado da linha não poderá mais ultrapassar
um minuto. Um avanço diante das atuais esperas infindáveis, que,
não raro, se encerram porque a linha cai. Caso desobedeçam, as empresas
ficarão sujeitas a multas. Hoje, elas estão longe de oferecer um
serviço ágil. VEJA testou o atendimento nos maiores call centers
do país em cinco áreas. Também ouviu quem usa tais serviços.
O resultado da avaliação mostra que as empresas terão de
se esforçar muito para se adequar às novas regras.
Call
center testado: Net
Tempo médio
para falar com alguém: dois minutos
Etapas até chegar
à pessoa certa: para ouvir a voz do primeiro atendente, é preciso
passar por no mínimo dois menus eletrônicos e, às vezes,
a ligação é transferida para um colega
O atendimento:
os funcionários tentam evitar o cancelamento do serviço de todas
as formas, o que faz o atendimento se estender, certas vezes, por mais de meia
hora mesmo quando o cliente está determinado a seguir em frente
Quando é melhor recorrer à internet: para consultar a
segunda via da conta ou mudar a forma de pagamento do serviço
Call
center testado: Bradesco
Tempo
médio para falar com alguém: 45 segundos
Etapas até
chegar à pessoa certa: as alternativas oferecidas no menu são
muitas e pouco didáticas. Daí ser necessário fazer várias
incursões até conseguir se achar e, enfim, contatar alguém
apto a resolver o caso
O atendimento: a espera entre um e outro atendente
leva poucos segundos
Quando é melhor recorrer à
internet: para consultar detalhes sobre a conta e realizar operações
bancárias
Call
center testado: Vivo
Tempo médio
para falar com alguém: até vinte minutos às vezes,
a ligação cai durante a espera
Etapas até chegar à
pessoa certa: o menu inicial tem nove alternativas, que podem se desdobrar
em mais nove. Ao final, existe a opção de falar com um atendente,
que, freqüentemente, transfere a ligação para outro
O
atendimento: a cada novo funcionário na linha, é preciso começar
a explicar o problema do zero. Muitas vezes, ao ligar pela segunda vez para tratar
do mesmo assunto, descobre-se que o caso não havia sido sequer registrado
no sistema
Quando é melhor recorrer à internet: para obter
informações sobre os planos, os serviços adicionais disponíveis
e o preço dos aparelhos
Call
center testado: TAM
Tempo médio
para falar com alguém: 25 segundos
Etapas até chegar à
pessoa certa: menus enxutos, de até duas opções, tornam
o acesso ao atendente razoavelmente simples e rápido
O atendimento:
é pouco burocrático. A cada troca de atendente, não é
preciso repetir toda a história já narrada ao primeiro deles
Quando
é melhor recorrer à internet: para consultar o horário
de vôos e a pontuação no cartão Fidelidade, além
de informar-se sobre promoções e preço de passagens
Call
center testado: Telefônica
Tempo
médio para falar com alguém: um minuto e meio
Etapas até
chegar à pessoa certa: um sistema de reconhecimento de voz faz o encaminhamento
direto ao atendente, dispensando o périplo pelos menus. Uma eventual transferência
não costuma demorar
O atendimento: os funcionários têm
acesso fácil às informações da conta e o cancelamento
do serviço é feito na mesma hora
Quando é melhor recorrer
à internet: para buscar informações sobre planos e consultar
a segunda via da conta
Paulo
Pereira
 | Muitos
protocolos e nenhuma solução O
estudante Thiago Gomes, 21 anos, comprou um celular da Vivo que deveria
vir com serviço de internet mas não funciona: "Na
semana passada, fiquei ao todo dez horas falando com o call center".
Até agora não resolveu o problema |