Carta ao Leitor
Planetas diferentes
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DAS
TREVAS À CIÊNCIA
Camila (à esq.), numa das universidades
de Chávez, na Venezuela, e Renata, na Finlândia:
duas apostas distintas |
A presente edição
de VEJA traz duas reportagens que fazem refletir sobre realidades
bastante distintas: a das universidades venezuelanas controladas
pelo presidente Hugo Chávez e a da maior fabricante
de celulares do mundo, a finlandesa Nokia. Na Venezuela, a
editora assistente Camila Pereira visitou as "faculdades
bolivarianas", criadas por Chávez para se tornar
verdadeiras máquinas de lavagem cerebral. Ali, os estudantes
recebem lições de ódio ao "capitalismo
selvagem" e são formados para servir ao regime
chavista. Os professores, por sua vez, precisam seguir à
risca a cartilha ideológica do governo venezuelano.
Caso contrário, perdem o emprego. "A ideologia
é assumida abertamente pelos professores e pela direção
das universidades", diz Camila. Eles se orgulham de divulgar
na sala de aula uma visão atrasada do mundo. Um velho
ideário que se presta a tolher as liberdades individuais
e a confinar os estudantes ao obscurantismo intelectual. Sem
dúvida, um retrocesso até para um país
onde a educação já padece de precariedades
históricas.
Na Finlândia,
outra repórter de VEJA conheceu o produto final de
uma educação primorosa. Nos laboratórios
da Nokia, na cidade de Espoo, Renata Betti foi saber como
a maior fabricante de telefones celulares do mundo se prepara
para o choque do futuro e não é o das
bolsas. Falamos aqui da corrida pela inovação
tecnológica que resulta, a cada dia, em aparelhos com
mais recursos, menores e mais baratos. Na sede da empresa,
Renata conversou com cientistas que estão sob pressão
da concorrência e têm a obsessão de produzir
conhecimento e avançar. Nesse ambiente em que prevalece
a competitividade, o amor à inovação
contrasta brutalmente com a aposta no atraso das universidades
de Chávez. São dois mundos tão distintos
que se poderia pensar que as repórteres visitaram planetas
diferentes.