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Edição 2084

29 de outubro de 2008
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Kylie Minogue

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A cantora australiana, que se apresenta no Brasil no início de novembro, é um ícone pop e símbolo sexual. Kylie começou a carreira aos 19 anos, cantando pop adocicado para o público adolescente. Mas, com o passar dos anos, aprimorou seu trabalho e ganhou o respeito do público adulto e da crítica. Em entrevista ao repórter Sérgio Martins, ela conta como é envelhecer fazendo música pop e como superou um câncer.

Você está com 40 anos. Diria que, para uma artista pop, envelhecer é um problema?
Depende. Para quem vive apenas da aparência, talvez signifique decadência. Para quem está sempre em busca do novo, da evolução, não quer dizer muita coisa. Pertenço ao segundo grupo. Tenho duas décadas de carreira e, apesar de ter completado 40, estou numa ótima fase profissional. Aliás, o artista pop tem de se conscientizar de que o envelhecimento traz também a maturidade.

Que mudanças essa maturidade trouxe?
Para começar, aposentei as calças justas e os shortinhos. Depois de uma certa idade, isso não cola.

Que tal ser um ícone do público gay?
Fui praticamente adotada por esse público. Em troca desse carinho, participo de eventos em prol da causa gay. Mas a minha platéia não se resume aos gays. Tenho fãs heterossexuais que acompanham minha carreira desde que eu tinha 19 anos e cantava músicas como Loco-motion.

Três anos atrás, você recebeu um diagnóstico de câncer no seio. A doença foi superada?
Felizmente, a doença foi detectada no estágio inicial. Eu tinha acabado de sair em turnê quando recebi a notícia. Dei um tempo na carreira, segui o tratamento e hoje estou completamente curada. Sei que é um clichê dizer isso, mas problemas desse tipo fazem você rever suas prioridades. Hoje encontro prazer nas coisas mais simples, como sair às ruas e ver pessoas.

Você teve medo de morrer?
Sim. Muito medo. Perdi peso, perdi os cabelos e tinha dias em que não conseguia me olhar no espelho. Cheguei a me revoltar e perguntar por que aquilo estava acontecendo comigo. Mas minha família e meu ex-namorado me ajudaram a superar esse trauma. A turnê que farei pelo Brasil em novembro já é a segunda desde que me recuperei do câncer.

Por que seus discos são sucesso de venda na Europa e fracassam nas paradas americanas?
Se eu soubesse o porquê de ser esnobada nos Estados Unidos, certamente já teria resolvido esse problema. Mas acho que é uma questão cultural. Os americanos têm um conceito muito claro de como deve ser a música pop, ou qual o tipo físico ideal de uma pop star. Acho que não preencho esses requisitos. Adoraria ser como o Coldplay, que faz sucesso no mundo todo. Mas não fico triste em ser um fenômeno apenas europeu. Não é exatamente pouca coisa.

O último disco do Coldplay teria uma parceria sua. Por que a canção ficou de fora?
Acho melhor perguntar a eles. Chegaram a dizer que a canção era "sexy demais" para a banda, mas até hoje ninguém me deu uma explicação convincente.

Em julho, você recebeu uma medalha da Ordem do Império Britânico. Que tal a experiência?
Emocionante. Eu me ajoelhei perante o príncipe de Gales, recebi minha condecoração e ele me perguntou se eu havia me curado do câncer. A Inglaterra é meu segundo lar. Ser condecorada pela realeza britânica é uma mostra de que eles também gostam do meu trabalho.



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