Auto-Retrato
Kylie Minogue
Divulgação
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A cantora australiana, que se apresenta no Brasil no início
de novembro, é um ícone pop e símbolo
sexual. Kylie começou a carreira aos 19 anos, cantando
pop adocicado para o público adolescente. Mas, com
o passar dos anos, aprimorou seu trabalho e ganhou o respeito
do público adulto e da crítica. Em entrevista
ao repórter Sérgio Martins, ela conta como é
envelhecer fazendo música pop e como superou um câncer.
Você está
com 40 anos. Diria que, para uma artista pop, envelhecer é
um problema?
Depende. Para quem vive apenas da aparência, talvez
signifique decadência. Para quem está sempre
em busca do novo, da evolução, não quer
dizer muita coisa. Pertenço ao segundo grupo. Tenho
duas décadas de carreira e, apesar de ter completado
40, estou numa ótima fase profissional. Aliás,
o artista pop tem de se conscientizar de que o envelhecimento
traz também a maturidade.
Que mudanças
essa maturidade trouxe?
Para começar, aposentei as calças justas e os
shortinhos. Depois de uma certa idade, isso não cola.
Que tal ser um
ícone do público gay?
Fui praticamente adotada por esse público. Em troca
desse carinho, participo de eventos em prol da causa gay.
Mas a minha platéia não se resume aos gays.
Tenho fãs heterossexuais que acompanham minha carreira
desde que eu tinha 19 anos e cantava músicas como Loco-motion.
Três anos
atrás, você recebeu um diagnóstico de
câncer no seio. A doença foi superada?
Felizmente, a doença foi detectada no estágio
inicial. Eu tinha acabado de sair em turnê quando recebi
a notícia. Dei um tempo na carreira, segui o tratamento
e hoje estou completamente curada. Sei que é um clichê
dizer isso, mas problemas desse tipo fazem você rever
suas prioridades. Hoje encontro prazer nas coisas mais simples,
como sair às ruas e ver pessoas.
Você teve
medo de morrer?
Sim. Muito medo. Perdi peso, perdi os cabelos e tinha dias
em que não conseguia me olhar no espelho. Cheguei a
me revoltar e perguntar por que aquilo estava acontecendo
comigo. Mas minha família e meu ex-namorado me ajudaram
a superar esse trauma. A turnê que farei pelo Brasil
em novembro já é a segunda desde que me recuperei
do câncer.
Por que seus
discos são sucesso de venda na Europa e fracassam nas
paradas americanas?
Se eu soubesse o porquê de ser esnobada nos Estados
Unidos, certamente já teria resolvido esse problema.
Mas acho que é uma questão cultural. Os americanos
têm um conceito muito claro de como deve ser a música
pop, ou qual o tipo físico ideal de uma pop star. Acho
que não preencho esses requisitos. Adoraria ser como
o Coldplay, que faz sucesso no mundo todo. Mas não
fico triste em ser um fenômeno apenas europeu. Não
é exatamente pouca coisa.
O último
disco do Coldplay teria uma parceria sua. Por que a canção
ficou de fora?
Acho melhor perguntar a eles. Chegaram a dizer que a canção
era "sexy demais" para a banda, mas até hoje
ninguém me deu uma explicação convincente.
Em julho, você
recebeu uma medalha da Ordem do Império Britânico.
Que tal a experiência?
Emocionante. Eu me ajoelhei perante o príncipe de Gales,
recebi minha condecoração e ele me perguntou
se eu havia me curado do câncer. A Inglaterra é
meu segundo lar. Ser condecorada pela realeza britânica
é uma mostra de que eles também gostam do meu
trabalho.