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VEJA
Recomenda
DVD
20th Century Fox
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| O
Rei da Comédia: Lewis
e De Niro em sua melhor forma |
O
Rei da Comédia (The King of Comedy, Estados
Unidos, 1983. Fox) Rupert Pupkin é um zé-ninguém,
sabe disso, e não gosta nem um pouco de sê-lo. Para
realizar sua ambição, de virar um humorista de sucesso,
ele concebe um plano: seqüestrar seu ídolo, o comediante
e apresentador de talk-shows Jerry Langford que, longe das
câmeras, é um poço de desdém, mau humor
e cansaço com as engrenagens do showbiz. Robert De Niro,
como o idólatra, e Jerry Lewis, como o idolatrado, estão
aqui no auge de sua forma. E o mesmo se pode dizer do diretor Martin
Scorsese, que carrega sem compunção no humor negro.
Há que notar ainda a perspicácia de Scorsese, que
soube dar forma a um fenômeno a busca desenfreada pelo
reconhecimento público, mesmo que ele venha das razões
mais vis quando ele mal se desenhava.
CD
Ma
Chère et Trende, Henri Salvador (EMI) Nascido
na Guiana Francesa e radicado em Paris, o cantor tem 86 anos e um
pé no Brasil. Na década de 40, ele veio ao Rio de
Janeiro para se apresentar com a orquestra de Ray Ventura
cuja especialidade eram as canções francesas. Salvador
se encantou tanto com os ritmos e belezas locais que decidiu passar
os anos de 1944 e 1945 viajando pelo Rio e pela Bahia. Por isso,
e por causa da "pegada" de bossa nova, sua música soa tão
familiar aos ouvidos nacionais. A diferença é que
Henri tem voz e não se importa de usá-la, ao contrário
dos adeptos do estilo mansinho de João Gilberto. Ma Chère
et Trende é um disco repleto de delicadezas, e não
há como não se emocionar com o samba Vous ou
com o arranjo de cordas na medida de Le
Voyage dans le Bonheur.
LIVROS
A
Metralhadora de Argila, de Victor Pelevin (tradução
de Maria Angela Villela; Rocco; 326 páginas; 46 reais)
Victor Pelevin é um dos escritores de maior popularidade
na Rússia atual, especialmente entre os jovens. Seus livros
satirizam o presente e o passado do país, com uma linguagem
que mescla ficção científica, referências
aos clássicos russos e doses de cultura pop ocidental. Lançado
em 1996, A Metralhadora de Argila tornou-se um best-seller
com 200.000 exemplares vendidos, apesar de sua trama um tanto complexa
e surreal. Seu protagonista é um filósofo atormentado
por pesadelos, em que se vê ora como interno de um manicômio,
ora como oficial do Exército em meio a uma guerra. A certa
altura, o leitor já não sabe qual dessas três
personas é a verdadeira.
Dicionário
de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni
Guadalupi (tradução de Pedro Maia Soares; Companhia
das Letras; 496 páginas; 56 reais) O canadense Alberto
Manguel um dos maiores especialistas mundiais em história
da leitura e o editor italiano Gianni Guadalupi tiveram uma
idéia original: criar um livro com descrições
de lugares que existiram só na imaginação de
escritores. O resultado é esse dicionário de mais
de 1.000 verbetes, lançado nos anos 80 e recentemente revisado
pelos autores. Há informações de todo tipo
da geografia da ilha de Lilipute, de Viagens de Gulliver,
aos costumes das fadas na Terra do Nunca, lar de Peter Pan.
Nas quatro páginas dedicadas ao mundo de O Mágico
de Oz, aprende-se: "As plantas canibais crescem ao longo das
estradas e suas folhas agarram quem se aproxima demais. Para evitar
o ataque, basta assobiar". A presente edição inclui
verbetes extraídos da literatura nacional, como o Sítio
do Pica-Pau Amarelo. Leia
trecho do livro.
Montanha
de Moluscos de Leonardo da Vinci, de Stephen Jay Gould (tradução
de Rejane Rubino; Companhia das Letras; 494 páginas; 52 reais)
Morto em 2002, o paleontólogo americano Stephen Jay
Gould prestou muitos serviços à ciência. Além
de pesquisador brilhante, ele tinha um dom raríssimo entre
os profissionais do ramo: em suas explanações, sabia
como trocar idéias complexas em miúdos, e assim difundi-las
com uma roupagem instigante para o público leigo. E isso
sem banalizar as teorias científicas. Publicada originalmente
em 1998, essa coletânea de ensaios é um excelente exemplo
de sua capacidade de comunicação. O livro reúne
21 textos em que Gould aborda os mais variados temas, como a relação
entre arte e ciência, a vida humana na pré-história
e as grandes polêmicas sobre a evolução das
espécies. Leia
trecho do livro.
| Literatura
brasileira |
Criado
pela empresa de telecomunicações homônima,
o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura
Brasileira anda mexendo com os bastidores do mercado editorial.
Nenhum outro evento do gênero se propõe a
pagar um dinheiro tão alto. Na noite de premiação,
no próximo dia 4, serão distribuídos
150.000 reais: 100.000 para o primeiro, 30.000 para o
segundo e 20.000 para o terceiro colocado. É um
montante e tanto para um país em que esse tipo
de premiação costuma render pouco prestígio
e pouco dinheiro (a exceção é a jornada
literária da cidade gaúcha de Passo Fundo,
que neste ano ofereceu 100.000 reais a seu vencedor).
A seleção começou no primeiro semestre,
quando 400 especialistas indicaram os melhores livros
lançados por escritores brasileiros em 2002. No
fim de agosto, um júri de vinte pessoas peneirou
as cerca de 200 obras resultantes daquela enquete. Restaram
dez finalistas, cujo destino será decidido por
sete jurados. Estão na disputa quatro títulos
de poesia: Meditação sob os Lajedos,
de Alberto da Cunha Melo; Desassombro, de Eucanaã
Ferraz; Horizonte de Esgrimas, de Mário
Chamie; e A Regra Secreta, de Sebastião
Uchôa Leite. Há também quatro romances:
O Anônimo Célebre, de Ignácio
de Loyola Brandão; Berkeley em Bellagio, de
João Gilberto Noll; Voltar a Palermo, de
Luzilá Gonçalves; e Nove Noites, de
Bernardo Carvalho. A lista se completa com dois volumes
de contos: A Cabeça, de Luiz Vilela, e Pico
na Veia, de Dalton Trevisan. |
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