Edição 1826 . 29 de outubro de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda


DVD

 
20th Century Fox
O Rei da Comédia: Lewis e De Niro em sua melhor forma

O Rei da Comédia (The King of Comedy, Estados Unidos, 1983. Fox) – Rupert Pupkin é um zé-ninguém, sabe disso, e não gosta nem um pouco de sê-lo. Para realizar sua ambição, de virar um humorista de sucesso, ele concebe um plano: seqüestrar seu ídolo, o comediante e apresentador de talk-shows Jerry Langford – que, longe das câmeras, é um poço de desdém, mau humor e cansaço com as engrenagens do showbiz. Robert De Niro, como o idólatra, e Jerry Lewis, como o idolatrado, estão aqui no auge de sua forma. E o mesmo se pode dizer do diretor Martin Scorsese, que carrega sem compunção no humor negro. Há que notar ainda a perspicácia de Scorsese, que soube dar forma a um fenômeno – a busca desenfreada pelo reconhecimento público, mesmo que ele venha das razões mais vis – quando ele mal se desenhava.

 

CD

Ma Chère et Trende, Henri Salvador (EMI) – Nascido na Guiana Francesa e radicado em Paris, o cantor tem 86 anos e um pé no Brasil. Na década de 40, ele veio ao Rio de Janeiro para se apresentar com a orquestra de Ray Ventura – cuja especialidade eram as canções francesas. Salvador se encantou tanto com os ritmos e belezas locais que decidiu passar os anos de 1944 e 1945 viajando pelo Rio e pela Bahia. Por isso, e por causa da "pegada" de bossa nova, sua música soa tão familiar aos ouvidos nacionais. A diferença é que Henri tem voz e não se importa de usá-la, ao contrário dos adeptos do estilo mansinho de João Gilberto. Ma Chère et Trende é um disco repleto de delicadezas, e não há como não se emocionar com o samba Vous ou com o arranjo de cordas na medida de Le Voyage dans le Bonheur.

 

LIVROS

A Metralhadora de Argila, de Victor Pelevin (tradução de Maria Angela Villela; Rocco; 326 páginas; 46 reais) – Victor Pelevin é um dos escritores de maior popularidade na Rússia atual, especialmente entre os jovens. Seus livros satirizam o presente e o passado do país, com uma linguagem que mescla ficção científica, referências aos clássicos russos e doses de cultura pop ocidental. Lançado em 1996, A Metralhadora de Argila tornou-se um best-seller com 200.000 exemplares vendidos, apesar de sua trama um tanto complexa e surreal. Seu protagonista é um filósofo atormentado por pesadelos, em que se vê ora como interno de um manicômio, ora como oficial do Exército em meio a uma guerra. A certa altura, o leitor já não sabe qual dessas três personas é a verdadeira.

Dicionário de Lugares Imaginários, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi (tradução de Pedro Maia Soares; Companhia das Letras; 496 páginas; 56 reais) – O canadense Alberto Manguel – um dos maiores especialistas mundiais em história da leitura – e o editor italiano Gianni Guadalupi tiveram uma idéia original: criar um livro com descrições de lugares que existiram só na imaginação de escritores. O resultado é esse dicionário de mais de 1.000 verbetes, lançado nos anos 80 e recentemente revisado pelos autores. Há informações de todo tipo – da geografia da ilha de Lilipute, de Viagens de Gulliver, aos costumes das fadas na Terra do Nunca, lar de Peter Pan. Nas quatro páginas dedicadas ao mundo de O Mágico de Oz, aprende-se: "As plantas canibais crescem ao longo das estradas e suas folhas agarram quem se aproxima demais. Para evitar o ataque, basta assobiar". A presente edição inclui verbetes extraídos da literatura nacional, como o Sítio do Pica-Pau Amarelo. Leia trecho do livro.

Montanha de Moluscos de Leonardo da Vinci, de Stephen Jay Gould (tradução de Rejane Rubino; Companhia das Letras; 494 páginas; 52 reais) – Morto em 2002, o paleontólogo americano Stephen Jay Gould prestou muitos serviços à ciência. Além de pesquisador brilhante, ele tinha um dom raríssimo entre os profissionais do ramo: em suas explanações, sabia como trocar idéias complexas em miúdos, e assim difundi-las com uma roupagem instigante para o público leigo. E isso sem banalizar as teorias científicas. Publicada originalmente em 1998, essa coletânea de ensaios é um excelente exemplo de sua capacidade de comunicação. O livro reúne 21 textos em que Gould aborda os mais variados temas, como a relação entre arte e ciência, a vida humana na pré-história e as grandes polêmicas sobre a evolução das espécies. Leia trecho do livro.

 
Literatura brasileira
Criado pela empresa de telecomunicações homônima, o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira anda mexendo com os bastidores do mercado editorial. Nenhum outro evento do gênero se propõe a pagar um dinheiro tão alto. Na noite de premiação, no próximo dia 4, serão distribuídos 150.000 reais: 100.000 para o primeiro, 30.000 para o segundo e 20.000 para o terceiro colocado. É um montante e tanto para um país em que esse tipo de premiação costuma render pouco prestígio e pouco dinheiro (a exceção é a jornada literária da cidade gaúcha de Passo Fundo, que neste ano ofereceu 100.000 reais a seu vencedor). A seleção começou no primeiro semestre, quando 400 especialistas indicaram os melhores livros lançados por escritores brasileiros em 2002. No fim de agosto, um júri de vinte pessoas peneirou as cerca de 200 obras resultantes daquela enquete. Restaram dez finalistas, cujo destino será decidido por sete jurados. Estão na disputa quatro títulos de poesia: Meditação sob os Lajedos, de Alberto da Cunha Melo; Desassombro, de Eucanaã Ferraz; Horizonte de Esgrimas, de Mário Chamie; e A Regra Secreta, de Sebastião Uchôa Leite. Há também quatro romances: O Anônimo Célebre, de Ignácio de Loyola Brandão; Berkeley em Bellagio, de João Gilberto Noll; Voltar a Palermo, de Luzilá Gonçalves; e Nove Noites, de Bernardo Carvalho. A lista se completa com dois volumes de contos: A Cabeça, de Luiz Vilela, e Pico na Veia, de Dalton Trevisan.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
 
 
 
topo voltar