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Filhos Contra a ignorânciaPor que é uma bobagem achar As revistas Time e Newsweek ecoaram recentemente em suas páginas uma pergunta que ronda a cabeça de muitos americanos: será que as vacinas tradicionais fazem mal às crianças? O receio nos Estados Unidos surgiu da divulgação de notícias de que a tríplice (a vacina contra a difteria, o tétano e a coqueluche) poderia causar danos ao cérebro. Depois foi dito que a proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola seria responsável por casos de autismo. A desconfiança atingiu também a substância à base de mercúrio denominada thimerosal, que compõe a maioria das vacinas. Apesar de a quantidade de mercúrio ser mínima nas doses, o serviço de saúde pública nos Estados Unidos recomendou aos fabricantes que parem de usá-lo. É verdade que as vacinas não são totalmente isentas de riscos, mas eles são mínimos (veja fichário). Como alguns pais brasileiros, aconselhados por pediatras obscurantistas, estão deixando de imunizar os filhos, o tema é mais do que pertinente. Numa escala maior, esse tipo de atitude pode até comprometer o sucesso das campanhas de vacinação em massa. "Deixar de cumprir o calendário de vacinas no Brasil seria mais trágico do que nos países desenvolvidos", diz o infectologista David Uip, do Hospital das Clínicas de São Paulo. "O risco de epidemias aumenta onde a desnutrição infantil é maior." Conforme dados do Ministério da Saúde, apenas 56% das crianças brasileiras foram vacinadas contra a difteria, o tétano e a coqueluche no ano de 1982. Naquela época havia 45 casos de coqueluche para cada 100.000 habitantes. A doença provoca tosse persistente, pneumonia e febre alta, matando uma em cada 100 vítimas. Em 1998, 94% das crianças do país foram imunizadas, fazendo com que a taxa de incidência da coqueluche caísse para apenas 0,37 caso por 100.000 habitantes. "A vacinação foi, é e continuará sendo a forma mais eficiente de prevenir doenças graves e reduzir a mortalidade infantil", afirma a pediatra Lucia Ferro Bricks, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. O calendário oficial de vacinação no Brasil incluiu neste ano mais uma vacina: a que previne contra a Haemophilus influenzae, tipo B, uma bactéria que causa várias doenças, entre elas aquele tipo de meningite que costuma matar rapidamente crianças pequenas e a epiglotite, uma inflamação capaz de bloquear as vias respiratórias. |
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