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Brasília
Roriz na cabeça
Bicheiro se sente traído e acusa governador
Sandra Brasil
Roberto Jayme
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| Joaquim Roriz é acusado de prometer
ajuda a bicheiro em troca de um salário mensal
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O governador Joaquim Roriz, do Distrito Federal, não é o primeiro político
acusado de ter ligações com bicheiros ou receber favores deles. Mas é,
certamente, o primeiro caso conhecido de autoridade com acusação de ser
assalariada da contravenção. Na semana passada, Manoel Ventura Durso,
uma espécie de Castor de Andrade de Brasília, foi ao Ministério Público
e revelou que durante quinze meses pagou uma mesada de 10.000
reais ao governador. Não que Roriz, sem mandato, estivesse trabalhando
como apontador do bicho. Segundo o bicheiro, o então candidato ao governo
de Brasília recebia a bolsa, todo dia 30, por ter prometido um excelente
negócio a Durso. Se eleito, autorizaria o funcionamento de máquinas de
bicho eletrônico – uma experiência que em
outros Estados praticamente acabou com a aposta de esquina. A licitação,
disfarçada de loteria local, viria na medida para o contraventor abocanhá-la.
Ele já estava, inclusive, negociando com uma empresa carioca a compra
dos equipamentos. Manoel Durso disse que foi traído na reta final do negócio.
O depoimento do bicheiro, que já foi preso por homicídio, impressionou
pelos detalhes. Ele conta que esteve três vezes com o governador. A última
delas em março, quando foi entregar, na casa de Roriz, a minuta do edital
de licitação que dirigiria a concorrência para sua empresa. Roriz recebeu
o documento e prometeu encaminhá-lo à procuradoria jurídica. Há quinze
dias, o edital foi publicado, mas não era o que os técnicos da contravenção
haviam redigido. "Este beneficia os bicheiros de Goiás", acusa
Manoel Durso, que sofreu um infarto depois que leu o documento. Revoltado,
dirigiu-se ao Palácio do Buriti, mas não foi atendido pelo governador.
Resolveu denunciar tudo. Além da mesada mensal para Roriz, o bicheiro
conta que contribuiu com 810.000 reais para
a campanha do governador. Joaquim Roriz não se pronunciou. Seus assessores
lembraram que não se pode dar crédito à palavra de bandido –
mesmo estando escrita e lavrada em documento oficial.
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