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Televisão
O esquisito que satisfaz
Versátil,
José Wilker faz sucesso
como o "felomenal'' Giovanni,
de Senhora do Destino

Ricardo Valladares
Divulgação
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André Nazareth/Strana
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| Wilker e sua atual amada, Guilhermina
Guinle: pouca badalação |
José
Wilker está com tudo. Em uma pesquisa recente realizada pela
Globo, o ex-bicheiro Giovanni Improtta aparece ao lado da perua
Maria do Carmo (Suzana Vieira) e do garçom-galã Viriato
(Marcelo Antony) como um dos personagens mais queridos pelo público
na novela das 8, Senhora do Destino. "O Giovanni é
um contraventor romântico. Ou, como ele mesmo diria, um 'contravensor'
", define Wilker, brincando com as dificuldades de seu personagem
com o vernáculo. Aos 58 anos, Wilker é um dos atores
mais versáteis da televisão. Já foi gay, galã,
vilão, reacionário, rebelde. "Wilker cabe em qualquer
papel", diz o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa. Na direção
da emissora, o consenso é que Wilker conservou maior jogo
de cintura que outros atores de sua geração. José
Mayer, por exemplo, especializou-se no tipo machão sedutor.
E a circunferência abdominal de Antonio Fagundes já
começa a limitar suas possibilidades românticas.
O personagem
de Wilker é um novo-rico que maltrata a língua portuguesa
com palavras como "felomenal" ou frases do tipo "Você não
preenche os esquisitos necessários". Giovanni tem dois grandes
objetivos: conquistar uma posição de respeito na sociedade
e, no caminho, arrebatar o coração nordestino de Maria
do Carmo. Na próxima semana, o ex-bicheiro vai tascar mais
um beijo na pernambucana do sotaque arretado e artificial. O autor
da novela, Aguinaldo Silva, anuncia que o núcleo dos pobres
ao qual Giovanni está, digamos, espiritualmente afiliado,
apesar da fortuna que angariou com o jogo ilícito
crescerá na trama. "É uma inovação:
desta vez, não serão os suburbanos que virão
à Zona Sul, serão os afluentes que seguirão
no rumo da Baixada Fluminense'', diz Silva.
Embora
arraste a asa para Maria do Carmo, Giovanni anda de braços
com uma namoradinha bem mais jovem, a espevitada Danielle (Ludmila
Dayer). O personagem parece seguir os passos do ator, um quase sessentão
casado com a atriz Guilhermina Guinle, de 29 anos. A ex de Fábio
Júnior é sua terceira mulher. Wilker tem uma queda
pelas colegas só se casa com atrizes. Mônica
Torres, hoje casada com Marcelo Antony, tem uma filha de 19 anos
com Wilker, a modelo Isabel. O primeiro casamento, com Renée
de Vielmond, também deu frutos: a psicóloga Mariana,
de 24 anos.
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Alexandre Tokitaka
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As atrizes Renée
de Vielmond (à esq.), nos anos 70, e Mônica
Torres: ex-mulheres
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A versatilidade
do ator não se limita à televisão. Wilker faz
um programa na Rádio Paradiso e toda semana grava um comentário
de cinema para o canal por assinatura Telecine. Nessas atividades,
ele faz o gênero "ator-que-pensa", o que talvez explique sua
fama de arrogante. Desde junho do ano passado, Wilker também
é diretor-presidente da Riofilme, a entidade de cinema da
prefeitura do Rio de Janeiro. Somando o salário da Globo
a esses "bicos" públicos e privados, estima-se que o ator
ganhe em torno de 50.000 reais por mês. A despeito das finanças
folgadas, mantém uma vida discreta. "Sou avesso a badalação.
Muitas vezes fico em casa assistindo a um filminho", diz. Em sua
casa no bairro carioca do Jardim Botânico, possui mais de
4.000 DVDs. O próprio Wilker participou de algumas produções
brasileiras marcantes, como Dona Flor e Seus Dois Maridos
até hoje a maior bilheteria nacional, com 12 milhões
de espectadores. Ficou famosa a cena final do filme, em que ele
desce a ladeira do Pelourinho, em Salvador, abraçado a Sônia
Braga . e completamente nu. Wilker nem lembra como fez a cena:
precisou tomar um pileque homérico para encarar a filmagem.
O jeito
meio pretensioso já vem da infância em Juazeiro do
Norte, Ceará. Quarto filho de uma família de seis
irmãos, Wilker atazanava a família recitando literatura
de cordel. "Eu era muito chato. Às vezes eles me pagavam
para ficar quieto'', lembra. Iniciou sua carreira na TV Rádio
Recife. Como bom dublê de ator e intelectual, nutriu suas
simpatias pelo comunismo e chegou a ser preso algumas vezes depois
do golpe de 1964. "Nessa época, também puxei fumo
e tomei ácido para abrir as portas da percepção",
diz. Cinéfilo inveterado, por muito tempo desprezou a televisão.
Mas capitulou em 1971, quando estreou na Globo, na novela Bandeira
2. Desde então, já atuou em trinta programas da
emissora fez até o personagem-título de um
dos mais célebres folhetins da Globo, Roque Santeiro
(1985). Também se arriscou na direção, administrando
os egos dos atores do humorístico Sai de Baixo. Dessa
ampla experiência televisiva, desenvolveu um método
curioso de avaliar o próprio trabalho: "Sei que o personagem
está bom quando os câmeras e os contra-regras, que
são todos macacos velhos, se interessam pela cena". E é
notável como José Wilker, com sua voz grave e sua
maneira estranhamente pausada de falar, consegue segurar a atenção
de câmeras e telespectadores nos mais diversos papéis.
"Minha mãe falava que eu era o seu filho esquisito", diz.
Um esquisito que satisfaz.
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