Shia LaBeouf em Paranóia:
suspense teen que faz uma boa homenagem a Janela
Indiscreta
Paranóia (Disturbia,
Estados Unidos, 2007. Estréia nesta sexta-feira
no país) Só um louco pensaria em
refilmar Janela Indiscreta, uma das obras-primas
de Alfred Hitchcock, como um suspense teen. O diretor
D.J. Caruso, porém, ainda não perdeu o
juízo: veterano da televisão, ele se aproveitou
do entrecho central de seu modelo, mas reduziu seu escopo.
Em prisão domiciliar por ter agredido um professor,
por razões compreensíveis, o jovem interpretado
pelo simpaticíssimo Shia LaBeouf se entedia até
a morte. Quase que literalmente, aliás: de tanto
espionar um vizinho e imaginar que ele é um assassino
de mulheres, o garoto coloca a si e a outros no caminho
do perigo. Lá pelo final, o diretor se empolga
além da conta. Mas o saldo é positivo
e bem amarrado. Veja
cenas.
DVD
Divulgação
Affleck em Hollywoodland:
de tanto errar, aprendeu
Hollywoodland
Bastidores da Fama(Hollywoodland,
Estados Unidos, 2006. Buena Vista) Ben Affleck errou
como ninguém nos últimos anos no namoro
espalhafatoso com Jennifer Lopez, na escolha de projetos inanes,
na negligência em lapidar seus nunca muito expressivos
dotes dramáticos. Foram justamente esses erros, porém,
que o prepararam para tirar o melhor de seu papel nessa pequena
e cuidadosa produção. Ele interpreta aqui George
Reeves, galã de terceira linha e primeiro Super-Homem
da televisão, que em 1959 morreu em circunstâncias
suspeitas, indicativas de suicídio, mas que não
eliminavam a hipótese de assassinato. Da investigação
do caso, conduzida pelo personagem de Adrien Brody, emerge
um retrato patético da ânsia pela fama à
moda americana, da qual Affleck foi vítima em estado
crítico.
LIVROS
AFP
Eco: como traduzir sem trair
Quase
a Mesma Coisa,de
Umberto Eco (tradução de Eliana Aguiar; Record;
492 páginas; 50 reais) Um dos mais renomados
teóricos da literatura, o italiano Umberto Eco examina
nesse livro os problemas da tradução. O ideal
do tradutor é dizer, em outra língua, a mesma
coisa que vai dita no texto original mas, dadas as
diferenças culturais que separam os dois idiomas, esse
é um empreendimento impossível. Com uma profusão
de exemplos de várias línguas italiano,
inglês, francês, alemão , Eco se
dedica a mostrar, na prática, como se chega a uma versão
aproximada e aceitável do original. O livro vai de
traduções de clássicos como Shakespeare
com divertidas especulações sobre a palavra
rat (rato) em Hamlet às traduções
de O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault,
do próprio Eco. Leia
trecho.
Só
para Fumantes, de Julio Ramón Ribeyro (tradução
de Laura Janina Hosiasson; Cosac Naify; 304 páginas;
45 reais) Ao contrário de contemporâneos
como Mario Vargas Llosa, o peruano Julio Ramón Ribeyro
(1929-1994) nunca investiu nos romanções de
fundo político típicos do boom literário
da América Latina nos anos 60. Era, na sua própria
expressão, um "corredor de distâncias curtas".
Admirador do francês Guy de Maupassant, Ribeyro dominava
o conto realista, com retratos irretocáveis tanto da
pobreza de Lima quanto dos habitantes do aristocrático
bairro de Miraflores uma versatilidade social que está
bem representada nos treze contos dessa primeira coletânea
do autor no Brasil. A narrativa que dá título
ao livro, de inspiração autobiográfica,
fala da relação íntima de um escritor
com seus cigarros. Leia
trecho.
DISCOS
Divulgação
Luciana Souza: uma
das melhores vozes do jazz
The
New Bossa Nova,
Luciana Souza (Universal) Para os críticos de
jazz americanos, poucas cantoras do gênero reúnem
hoje tantos atributos quanto Luciana Souza, dona de uma técnica
impecável e uma interpretação graciosa.
Luciana também domina um repertório abrangente,
que vai do jazz e da MPB à música erudita (o
compositor argentino Osvaldo Golijov se encantou com ela a
ponto de lhe dedicar a obra Oceania). Em seu novo CD,
ela dá um tratamento bossa-nova a composições
de autores pop como Sting e Joni Mitchell. A princípio,
a idéia soa inane. Afinal, até os Rolling Stones
já foram adaptados para o formato banquinho-e-violão.
Mas a voz de Luciana especialmente inspirada em Never
Die Young, dueto com James Taylor e a presença
de convidados do quilate do saxofonista Chris Potter dissipam
qualquer desconfiança.
Our
Earthly Pleasures, Maximo Park (Peligro) O
quinteto surgido na cidade de Newcastle pertence a uma facção
mais intelectual do novo rock inglês. A começar
pela escolha do nome, referência ao parque Maximo Gomez,
em Havana, ponto de encontro dos revolucionários cubanos
na década de 1950. As influências do grupo são
bandas como The Jam, ícone do punk dos anos 70, e Pulp,
surgida na década passada. Segundo disco do Maximo
Park, Our Earthly Pleasures tem produção
de Gil Norton, que trabalhou com os principais nomes do rock
alternativo americano. Seu grande mérito foi ter dado
um destaque maior às guitarras recurso cuja
eficácia pode ser percebida em Girls Who Play Guitars,
a melhor faixa do CD.