No
ar há dez dias, a adaptação do seriado Donas de Casa Desesperadas
exibida pela Rede TV! conta com elenco e direção brasileiros,
foi gravada na Argentina e tem jeitão de produto feito no Paraguai.
O original americano tornou-se um fenômeno ao estrear, em 2004, graças
ao texto afiado e às interpretações freqüentemente memoráveis
das atrizes principais. Por mais que siga à risca as regras ditadas pela
Disney, dona da franquia, a série da RedeTV! não chega lá.
Se nos bastidores Sonia Braga e Lucélia Santos competiram pela posição
de estrela do seriado, em cena as duas causam desespero. No novelão americano,
uma suicida narra a história de além-túmulo e sua
ironia dá o tom. No mesmo papel, Sonia confundiu fantasma com zumbi e transformou
o texto num ramerrão. A colega não fica atrás. Além
de careteira, tem um jeito todo meigo de dizer as coisas: sua pronúncia
transformaria, por exemplo, "Lucélia Santos" em "Luxélia Xantos".
Mas as atuações de Sonia e Luxélia não são
os únicos vexames. Cenas impagáveis do original tornam-se burocráticas
devido à falta de ritmo. Em comédia, ritmo é tudo
e aqui a culpa é do diretor, Fábio Barreto. Apesar dos pesares,
a série não se revelou um mau negócio para a RedeTV!. Até
a semana passada, a emissora vinha conseguindo elevar o ibope com sua exibição
nas noites de quarta e domingo. Com o perdão do palavrório importado,
as donas-de-casa que no original são cult podem até vir a dar certo
no Brasil. Como trash.