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29 de agosto de 2007
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Made in Paraguai

Donas de Casa Desesperadas parece uísque batizado


Marcelo Marthe

Divulgação

Luxélia Xantos (à esq.): caretas

No ar há dez dias, a adaptação do seriado Donas de Casa Desesperadas exibida pela Rede TV! conta com elenco e direção brasileiros, foi gravada na Argentina – e tem jeitão de produto feito no Paraguai. O original americano tornou-se um fenômeno ao estrear, em 2004, graças ao texto afiado e às interpretações freqüentemente memoráveis das atrizes principais. Por mais que siga à risca as regras ditadas pela Disney, dona da franquia, a série da RedeTV! não chega lá. Se nos bastidores Sonia Braga e Lucélia Santos competiram pela posição de estrela do seriado, em cena as duas causam desespero. No novelão americano, uma suicida narra a história de além-túmulo – e sua ironia dá o tom. No mesmo papel, Sonia confundiu fantasma com zumbi e transformou o texto num ramerrão. A colega não fica atrás. Além de careteira, tem um jeito todo meigo de dizer as coisas: sua pronúncia transformaria, por exemplo, "Lucélia Santos" em "Luxélia Xantos". Mas as atuações de Sonia e Luxélia não são os únicos vexames. Cenas impagáveis do original tornam-se burocráticas devido à falta de ritmo. Em comédia, ritmo é tudo – e aqui a culpa é do diretor, Fábio Barreto. Apesar dos pesares, a série não se revelou um mau negócio para a RedeTV!. Até a semana passada, a emissora vinha conseguindo elevar o ibope com sua exibição nas noites de quarta e domingo. Com o perdão do palavrório importado, as donas-de-casa que no original são cult podem até vir a dar certo no Brasil. Como trash.

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