Série
da Globo educa os consumidores sobre os perigos da embriaguez financeira
Marcio
Aith
Divulgação
Giannetti:
"a eterna disputa entre o presente e o futuro"
Há
duas semanas o Fantástico, da Rede Globo, exibe uma série
de dez episódios capaz de amainar o ímpeto autodestrutivo de boa
parte dos consumidores brasileiros de baixa renda. O Valor do Amanhã, apresentado
pelo economista e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca, aborda os mecanismos
sociais, psicológicos e biológicos por meio dos quais o ser humano
decide viver intensamente o presente, sem pensar no amanhã, ou opta por
trabalhar duro hoje e ter a certeza de um futuro mais tranqüilo. Mesmo com
as participações do ator Matheus Nachtergaele e de Caetano Veloso,
que dão ao programa um aspecto frugal e cênico, talvez incompatível
com sua mensagem austera, Giannetti é didático, eficiente e inovador
ao ajudar os telespectadores a "resolver a eterna disputa entre o presente e o
futuro" em dilemas tão rotineiros quanto escolher o que comer ou como cuidar
da saúde.
Mas é
nas abordagens econômicas que os episódios fazem a diferença.
Isso porque o Brasil se tornou, de uma hora para a outra, o país do crédito
fácil. Fácil demais. Em apenas dez anos, subiu de 35 bilhões
de reais para 150 bilhões de reais o valor dos empréstimos que os
bancos entregaram a consumidores brasileiros de baixa renda inúmeros
deles, certamente, espectadores do Fantástico. Esse dinheiro permitiu
a milhões de pessoas trocar de carro, comprar aparelho de DVD e voar pela
primeira vez de avião. Mas não as tornou mais ricas. Ao contrário,
boa parte delas se endividou além da conta: 45% das famílias brasileiras
estão inadimplentes, segundo pesquisa do Instituto Fernand Braudel. Por
dificuldade de fazer contas ou desejo inconseqüente de consumir, foram com
muita sede ao pote na primeira oportunidade que lhes apareceu. E justamente no
país com as maiores taxas de juro do planeta. Daí a importância
de Giannetti e de seu ensinamento a respeito do custo da impaciência
na verdade, uma versão televisiva de seu livro, também intitulado
O Valor do Amanhã, que já vendeu cerca de 40 000 exemplares.