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29 de agosto de 2007
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Televisão
Juros fantásticos

Série da Globo educa os consumidores
sobre os perigos da embriaguez financeira


Marcio Aith

Divulgação
Giannetti: "a eterna disputa entre o presente e o futuro"


Há duas semanas o Fantástico, da Rede Globo, exibe uma série de dez episódios capaz de amainar o ímpeto autodestrutivo de boa parte dos consumidores brasileiros de baixa renda. O Valor do Amanhã, apresentado pelo economista e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca, aborda os mecanismos sociais, psicológicos e biológicos por meio dos quais o ser humano decide viver intensamente o presente, sem pensar no amanhã, ou opta por trabalhar duro hoje e ter a certeza de um futuro mais tranqüilo. Mesmo com as participações do ator Matheus Nachtergaele e de Caetano Veloso, que dão ao programa um aspecto frugal e cênico, talvez incompatível com sua mensagem austera, Giannetti é didático, eficiente e inovador ao ajudar os telespectadores a "resolver a eterna disputa entre o presente e o futuro" em dilemas tão rotineiros quanto escolher o que comer ou como cuidar da saúde.

Mas é nas abordagens econômicas que os episódios fazem a diferença. Isso porque o Brasil se tornou, de uma hora para a outra, o país do crédito fácil. Fácil demais. Em apenas dez anos, subiu de 35 bilhões de reais para 150 bilhões de reais o valor dos empréstimos que os bancos entregaram a consumidores brasileiros de baixa renda – inúmeros deles, certamente, espectadores do Fantástico. Esse dinheiro permitiu a milhões de pessoas trocar de carro, comprar aparelho de DVD e voar pela primeira vez de avião. Mas não as tornou mais ricas. Ao contrário, boa parte delas se endividou além da conta: 45% das famílias brasileiras estão inadimplentes, segundo pesquisa do Instituto Fernand Braudel. Por dificuldade de fazer contas ou desejo inconseqüente de consumir, foram com muita sede ao pote na primeira oportunidade que lhes apareceu. E justamente no país com as maiores taxas de juro do planeta. Daí a importância de Giannetti e de seu ensinamento a respeito do custo da impaciência – na verdade, uma versão televisiva de seu livro, também intitulado O Valor do Amanhã, que já vendeu cerca de 40 000 exemplares.

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