Nova geração
de aviões-robôs, controlados
a distância, será usada como força de
ataque
Rafael Corrêa
Fotos Divulgação
Global Hawk: avião de
35 milhões de dólares mapeou 55% dos alvos
na invasão do Iraque
Guerras
em que robôs tomam o lugar de soldados não são
mais exclusividade da ficção científica.
A Força Aérea americana anunciou que pretende
empregar em breve o primeiro esquadrão de ataque formado
somente por aviões-robôs. Batizadas de Reapers,
essas máquinas de guerra são uma evolução
dos Predators, aviões sem piloto já usados em
larga escala em missões de reconhecimento e espionagem.
Ao contrário dos seus irmãos, que são
lentos e têm alcance limitado, os Reapers podem voar
durante catorze horas ininterruptas, a uma velocidade de 480
quilômetros por hora. Possuem capacidade para transportar
1 tonelada de bombas e quatro mísseis Hellfire, que
podem destruir blindados em terra. Serão utilizados
em missões de combate no Afeganistão e no Iraque.
Uma esquadra de Reapers tem poder de fogo suficiente para
arrasar com uma coluna de tanques num único ataque.
A grande vantagem desses aparelhos é que seu aparato
tecnológico permite dispensar a presença física
de pilotos. Durante os combates, os Reapers serão controlados
por militares confortavelmente instalados numa base aérea
em Nevada, nos Estados Unidos, a mais de 11.000 quilômetros
de distância do Iraque. Além de evitarem a perda
de vidas humanas, os Reapers têm custo de produção
mais barato que o dos F-22, os aviões mais modernos
usados atualmente em missões tripuladas de combate.
Enquanto um F-22 custa 136 milhões de dólares,
um Reaper sai por meros 17,25 milhões.
Helicóptero Fire Scout:
autonomia de oito horas
Há
uma década e meia, era pequeno o número de pessoas
que apostariam no emprego de UAVs sigla pela qual são
identificadas as aeronaves não tripuladas do tipo Reaper
e Predator como força de ataque nas operações
de guerra. O alto comando militar americano enxergava os UAVs
como brinquedos exóticos. Os comandantes avaliavam
que uma máquina controlada a distância do solo
não poderia substituir as competências dos pilotos.
Tinham certa razão, já que a tecnologia dessas
aeronaves estava ainda em estágio inicial. Os UAVs
começaram a chamar a atenção dos militares
quando um Predator, controlado pela CIA, agência de
inteligência americana, identificou Osama bin Landen
no Afeganistão cerca de um ano antes dos atentados
de 11 de setembro. Os UAVs conquistaram definitivamente seu
espaço durante as operações realizadas
no Afeganistão e no Iraque. Mísseis lançados
por aviões Predator mataram diversos terroristas da
Al Qaeda sem arriscar a vida dos pilotos americanos. No Iraque,
um único avião-robô Global Hawk era capaz
de mapear uma área do tamanho do estado do Ceará
em apenas 24 horas e fornecer informações cruciais
para garantir a vitória nas batalhas.
Ajuda aérea: microaviões
podem ser usados pelos soldados no reconhecimento aéreo
do campo de batalha
Devido
à eficiência demonstrada nas campanhas no Oriente
Médio, países como Inglaterra, Israel e Coréia
do Sul passaram a empregar UAVs em missões de reconhecimento,
espionagem e patrulhamento de fronteiras. Hoje, já
há mais de cinqüenta empresas que fabricam UAVs
em vários países do mundo. Os modelos vão
de aeronaves de grande porte, como o Predator e o Global Hawk,
ao ScanEagle, da Boeing, microavião usado como apoio
em missões de combate terrestres. Os UAVs foram as
grandes estrelas da última feira de aviação
de Paris, a maior do gênero, atraindo a atenção
de autoridades militares e governantes de todo o mundo. A
consultoria americana Teal Group estima que o mercado mundial
de UAVs movimentou 2,8 bilhões de dólares no
ano passado. Em dez anos, esse valor deve triplicar. Nesse
período, o governo americano pretende gastar 230 bilhões
de dólares no desenvolvimento de novos robôs
de guerra, incluindo UAVs. Os aviões sem piloto já
começam a ser usados em operações civis.
Polícias de cidades americanas e inglesas os testam
em funções de vigilância e para perseguir
criminosos, em substituição aos helicópteros.
A Nasa, agência espacial americana, envia UAVs ao interior
de tempestades para colher dados meteorológicos. Os
militares avaliam que os UAVs são um dos grandes marcos
na história da estratégia militar, permitindo
que se poupe a vida de muitos combatentes tanto no
ar quanto no solo.