"Se chegaram
a ponto de grampear a mais alta corte deste país, o
que será dos cidadãos comuns?" Takeyuti Ykeuti Filho
Itapeva, SP
STF sob pressão
A reportagem "A
sombra do estado policial" (22 de agosto) reforça a
certeza de que é lamentável a situação
a que chegou a Justiça no Brasil. O autoritarismo policial
do qual alguns membros do STF se sentem vítimas
é conseqüência do esvaziamento de
autoridade de praticamente todas as instituições
brasileiras. Enquanto a sociedade se desintegra e se entrega
à barbárie, as instituições se
lançam ao corporativismo corrosivo, nas entranhas do
estado, no Congresso, nos sindicatos, nas universidades e
no meio empresarial. E não nos enganemos, a sociedade
não é uma vítima indefesa. Somos um povo
cujos valores básicos são a flexibilidade, a
tolerância e a criatividade. Mas chegamos a um estágio
da vida social em que isso já não nos basta.
Talvez nossos valores tenham se corrompido. A flexibilidade
cedeu lugar à permissividade, a tolerância se
converteu em impunidade e a criatividade foi engolida pela
improvisação irresponsável. Joice Melo Vieira Campinas, SP
A preocupação
exposta pela alta corte brasileira aflige a todos os operadores
do direito, não só magistrados que se vêem,
quando não na iminência, no palco de um verdadeiro
"big brother" de organismos subjudiciários, valendo-se
de mecanismos espúrios e sub-reptícios que bem
lembram os tempos de chumbo. Francisco Roque Festa
Advogado
Cotia, SP
Realmente seria
bruxaria se o conhecimento de informações privilegiadas
acontecesse sem o monitoramento telefônico e que tal
detalhe ocorresse sem autorização legal. Acontece
que policiais federais somente trabalham nessa área
com autorizações judiciais, e podem ter certeza
de que ninguém em sã consciência arriscaria
seu emprego cometendo um crime dessa natureza. Um ministro
do STF, de acordo com a revista, afirma: "A Polícia
Federal se transformou num braço de coação
e tornou-se um poder político que passou a afrontar
os outros poderes". Quando se afirma que um órgão
adota certa conduta, quer-se dizer que a direção
desse órgão, além de compactuar, coordenaria
tal ação, ou peca por omissão. Grave
acusação que merece prova, pois os policiais
federais da "banda boa" e honesta não podem pagar por
crimes que não cometeram. Luís Cláudio Avelar
Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito
Federal
Brasília, DF
O desleixo de grande
parte dos juízes ao conceder autorização
judicial para a escuta telefônica agora se volta contra
o STF. É fato notório que números de
pessoas totalmente alheias a determinada investigação
são inseridos, de modo sub-reptício, por interessados
em bisbilhotá-las e, quem sabe, adquirir algum dado
que posteriormente lhes permita chantagear o bisbilhotado.
É igualmente sabido que boa parte das investigações
policiais é hoje feita a partir de tal forma de escuta,
especialmente de advogados, o que se revela uma prática
inconstitucional e ilegal desde seu nascedouro, mas que é
posteriormente confirmada por decisões judiciais. E,
agora, os excelentíssimos ministros do Supremo Tribunal
Federal são os atingidos. É a criatura se voltando
contra o criador. Oportuna a reportagem como alerta para que
os membros do Poder Judiciário, em todas as instâncias,
passem a fazer a correta e refletida aplicação
da lei, sem ceder às pressões provenientes de
setores do Ministério Público e das polícias. Fabio Malina Losso
Advogado e doutorando em direito civil pela USP
Curitiba, PR
Preocupar-se com
a ilegalidade nas escutas telefônicas clandestinas,
tudo bem; agora, querer acusar a Polícia Federal, sem
provas concretas e com meras desconfianças, é
lastimável. A Polícia Federal faz muito bem
a sua parte, e por isso é um dos únicos órgãos
neste país que tem credibilidade da população.
E o STF, quando vai deixar de ser político e condenar
criminalmente alguém, que tenha prerrogativa de função,
com as provas que a Polícia Federal entrega de bandeja? Joel Specht
Porto Alegre, RS
Não vai
ser surpresa para nós, brasileiros, se a banda podre
da Polícia Federal encontrar sua similar no Poder Judiciário.
A própria VEJA já nos brindou com diversas matérias
envolvendo juízes corruptos. Sérgio Peixoto Mendes
Porto Alegre, RS
É mais fácil
a Polícia Federal punir sua banda podre, como vem fazendo
sistematicamente, do que o STF punir político corrupto. Roosevelt Borges de Oliveira Lagoa Santa, MG
É muito
triste saber que uma parcela da Polícia Federal foi
contaminada pela moda do "não respeite a lei". Uma
instituição que vem ganhando importante papel
no combate à corrupção não poderia
permitir que sua reputação fosse abalada por
tais funcionários, que, pelo que tudo indica, gostariam
de instituir, novamente, um regime ditatorial em nosso país.
Quebrar o sigilo telefônico sem prévia autorização
judicial é violar diretamente a Constituição
Federal. Luciana Tudisco de Oliveira
São Paulo, SP
Com referência
à matéria de capa da última edição
da revista VEJA, em que o meu nome e o de minha empresa
Fence Consultoria Empresarial Ltda. foram citados,
solicito a V.Sa., se possível, publicar esta carta,
dando-me a oportunidade de esclarecer que fui, sim, indiciado
pela Polícia Federal, mas que a juíza encarregada
do processo, acolhendo o parecer do Ministério Público,
determinou o seu arquivamento. Enio Gomes Fontenelle
Por e-mail
Renan Calheiros
Sou contador, professor
universitário e perito contábil e manifesto
minha satisfação com a cobertura de VEJA no
caso Renan Calheiros, em especial o destaque para a perícia
contábil, realizada pelo Instituto de Criminalística
da Polícia Federal, que permitiu obter elementos de
prova sobre o comportamento ilícito do senhor Calheiros.
A reportagem "Só falta a degola" (22 de agosto) traz
informações relevantes a público sobre
a utilidade e a importância do trabalho dos peritos
contábeis. Pelo teor da matéria, o laudo apresentado
poderá cumprir seu papel: servir como elemento técnico
para subsidiar uma decisão justa e correta dos senhores
julgadores. Ivam Ricardo Peleias
São Paulo, SP
O caso Renan Calheiros
fez-me lembrar um circo. Tem palhaços, domador de leões,
malabaristas e uma platéia que insiste em olhar sem
piscar os olhos e sem se manifestar. Desse jeito o Brasil
vai desabar mais do que as bolsas asiáticas. Rodrigo Capella
São Paulo, SP
É vergonhoso
constatar que, depois de apresentar documentos falsos aos
pares do Senado e ser acusado de participar de negócios
escusos, o senador Renan Calheiros ainda queira ser absolvido.
Mas, como sou um jovem otimista, sei que existem políticos
éticos, competentes e que sempre lutam pela decência
do Congresso Nacional. Demóstenes Torres, José
Agripino, Pedro Simon e Cristóvam Buarque são
alguns deles. O problema é que eles são a minoria.
Essa crise não abala apenas o senador Renan, mas todos
os senadores. Portanto, faço um apelo ao Senado Federal:
senhores senadores, restaurem a credibilidade que o Senado
perdeu nos últimos meses colocando em ação
uma prática tão escassa na política brasileira:
punição exemplar. Murilo Augusto de Medeiros, 16 anos
Guará II, DF
A respeito da reportagem
"Só falta a degola", faço o seguinte esclarecimento:
nunca declarei que sou favorável ou contrário
à cassação do presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL). Como um dos relatores do processo, tenho
dito aos jornalistas que me procuram que não se pode
julgar antes de a Polícia Federal concluir a sua perícia
e antes de o Conselho de Ética ouvir o senador Renan
Calheiros. Friso ainda que qualquer decisão sobre o
assunto será tomada conjuntamente pelos três
relatores do processo. No caso, eu, a senadora Marisa Serrano
(PSDB-MS) e o senador Almeida Lima (PMDB-SE). Renato Casagrande
Senador (PSB-ES)
Brasília, DF
Trem da alegria
Parabéns
pela reportagem "O novo trem da alegria" (22 de agosto), que
na verdade deveria ser chamado de trem da vergonha. Nós,
brasileiros, estamos cansados de ver o descaso com que muitos
políticos vêm tratando seus eleitores, esquecendo-se
de que eles são apenas nossos representantes. Será
que com uma atitude dessas, de apadrinhar mais e mais pessoas
para o funcionalismo público sem concurso, eles não
percebem que estão na verdade afrontando toda uma sociedade? Renato Fernandez
São Paulo, SP
Quando estudamos
para concursos públicos, aprendemos sobre o princípio
da isonomia: todos são iguais perante a lei. Nossos
legisladores parecem desconhecer a Constituição
Federal; ignoram o artigo 37, inciso II, que impõe
aprovação em concurso público para o
ingresso em empregos públicos. Denilson Dias Costa Montes Claros, MG
Como pode ser considerada
a hipótese de efetivar milhares de requisitados e terceirizados
sem concurso público? Isso é um atentado à
democracia e à Constituição Federal.
Cumprimento VEJA por denunciar esse absurdo e levantar a voz
contra essa atitude do nosso cada vez mais decadente Congresso.
Vamos parar esse vergonhoso trem da alegria, que corrompe
a democracia brasileira, antes que ele chegue ao seu destino. Thiago C. Wallier
Rio de Janeiro, RJ
Não existe
mais oposição, todos os políticos, com
raríssimas exceções, se juntaram para
saquear nossas riquezas; agora com esse "PAC" Programa
de Agrupar Corruptos a coisa ficou escancarada. Enquanto
isso, a situação da saúde e da segurança
no país dispensa qualquer comentário. Manoel Caliani
Feira de Santana, BA
Veja essa
A seção
Veja essa (22 de agosto) cometeu um erro. Atribui aos petistas
do grupo do ministro Tarso Genro um texto que não é
deles. O trecho reproduzido ("O PT precisa fazer um severo
ajuste de contas com as concepções políticas
e com as práticas do grupo que teve em José
Dirceu e em Antonio Palocci duas de suas principais, mas não
únicas, expressões") faz parte da tese "A esperança
é vermelha". Como sabem aqueles que conhecem o PT,
as posições da tese em questão são
muito distintas daquelas da tese "Mensagem ao partido", esta
sim apoiada por Tarso Genro. Não deixa de ser divertido,
entretanto, ver que ao contrário da lenda que
corre em algumas redações estão
em outras teses, e não na tese impulsionada por Tarso
Genro, as críticas mais explícitas contra as
concepções políticas que dirigiram o
PT de 1995 a 2005. Peço que se registre essa correção. Valter Pomar
Secretário de Relações Internacionais
do PT e signatário da tese "A esperança é
vermelha"
Por e-mail
Embora ela negue,
a mídia escrita divulgou foto dessa diretora da Anac
fumando charuto, tornando pública a gritante gafe de
não ter ela retirado o selo, antes de acendê-lo,
numa demonstração de exibicionismo de uma noviça
pouco versada na matéria. Joaquim Correia Lima Filho Recife, PE
Essa Denise Abreu
é uma triste piada para nós, brasileiros. Não
tem graça nenhuma, muito menos citando a figura de
Churchill. Charuto em boca de mulher fica melhor em terreiro
de umbanda. E, na falta de uma figura de autoridade, depois
de mais de trinta dias desse acidente pavoroso em Congonhas,
tomara que baixe um santo poderoso o bastante para dar um
"cala a boca", fazendo a justa limpeza e dando uma "regulada"
nessa diretoria da Anac. Maria de Lourdes Biagioni Santos Belo Horizonte, MG
Recall de brinquedos
Em relação
à reportagem "Brinquedos assassinos" (22 de agosto),
gostaríamos de esclarecer que: 1) Os lotes de produtos
com excesso de chumbo na tinta, tanto dos carrinhos do personagem
Sarge como do recall anunciado pela Fisher-Price, não
foram comercializados no Brasil. 2) O triste caso do falecimento
de uma criança nos Estados Unidos no ano passado, como
citado na matéria, está relacionado a um produto
que não é de fabricação da Mattel.
A Mattel reafirma que o recall de produtos com ímãs
aparentes, que está em curso desde a semana passada,
é uma ação preventiva decorrente dos
resultados de pesquisas sobre novos processos para atingir
padrões de segurança ainda mais rigorosos quanto
à inserção de ímãs em seus
brinquedos. Para a empresa, a ação de recall
é uma demonstração de transparência
na sua relação com os consumidores, com o varejo
e com o governo, que contribui para fortalecer ainda mais
a confiança que a sociedade deposita em suas marcas. Alejandro Rivas
Gerente-geral da Mattel do Brasil
São Paulo, SP
Eu, como criança
de 10 anos, fico triste em saber que brinquedos de que tanto
gosto contêm substâncias que podem prejudicar
minha saúde. Pedirei à minha mãe para
olhar meus brinquedos, pois quero saber se neles há
elementos que possam afetar minha saúde. Mesmo ficando
triste, prefiro manter a saúde evitando comprar esses
brinquedos. Gabriela Caldeira de Faria Santiago, 10 anos
Montes Claros, MG
Mais uma vez VEJA
enche de orgulho seus leitores com a reportagem "Brinquedos
assassinos". Ao lê-la, achei um absurdo as pessoas comprarem
brinquedos para proporcionar felicidade às crianças
sem saber que compram um risco à saúde delas. Miriã Rosa da Paixão,13 anos
São Paulo, SP
Decadência
pura saber que nossas crianças correm sérios
riscos de saúde, e até mesmo de morte, devido
ao puro descaso com a segurança dos brinquedos vendidos
por grandes empresas. Camila da Fonsêca Aranha
Belém, PA
O pensamento
da elite
VEJA dá
a sua contribuição e nos convida a refletir
sobre nosso modo de pensar e agir. Será que a reportagem
oportuna, lúcida e clara "Como pensam os brasileiros"
(22 de agosto) mexe com o cidadão comum? Mais uma vez
fica claro que urge uma verdadeira revolução
na educação do nosso país. Será
que com a matéria igualmente lúcida "O novo
trem da alegria" é possível sensibilizar alguns
membros da nossa classe política? Por mais absurdo
que pareça, o nosso servidor público passou
de "cidadão comum" a "cidadão privilegiado!".
E mais: o que me deixa perplexo não é só
a qualificação absurda de "cidadão privilegiado",
mas o apetite inesgotável por mais funcionários,
em detrimento de esforços efetivos por maior eficiência
e probidade na gestão pública. Aqui VEJA dá
a sua incontestável contribuição. Eu
permaneço vigilante. Robert Gorian
São Paulo, SP
A excelente reportagem
lança uma nova luz para a compreensão das causas
básicas dos problemas nacionais. Ela destrói,
inclusive, a tese do ex-governador paulista Cláudio
Lembo, para quem as tragédias brasileiras são
causadas por uma "elite branca e cruel". Ao contrário
do que afirmou o doutor Lembo no auge dos ataques do PCC a
São Paulo, o que ficou claro é que na raiz de
nossas desgraças está a ignorância de
um povo que elege para governá-lo pessoas como ele. Gilberto Geraldo Garbi Curitiba, PR
O que o sociólogo
Alberto Carlos Almeida descobriu agora (A Cabeça
do Brasileiro) os políticos brasileiros já
sabiam havia muito tempo, principalmente os do Nordeste. Quanto
mais ignorante a população, mais fácil
é roubar o dinheiro público. Enquanto os brasileiros
simplórios, e alguns espertos, não ligarem a
falta de medicamentos, atendimento médico, estradas,
segurança, água e comida e o excesso de impostos
à corrupção, os políticos continuarão
deitando e roubando, e sendo reeleitos. Alberto de Assis Pena Coronel Fabriciano, MG
Os números
dessa pesquisa só ratificam o sentimento que temos
de que estamos vivendo uma crise ética na sociedade
brasileira, distorcendo o posicionamento da linha que limita
o certo e o errado. Sem dúvida alguma a impunidade
é a mola propulsora disso. Marco Bomfim Sobral, CE
Que bom que VEJA
resolveu esclarecer o que é a elite brasileira. Pena
que são relativamente poucos os seus leitores se comparados
com o número de brasileiros. Acho que seria ideal contar
ao senhor Lula, que tanto parece detestar "as elites", que
são justamente as classes alta e média que pagam
os impostos com os quais ele faz tanta propaganda do Bolsa-Família
e de outras benesses que ele "oferece" aos pobres. Zilda Costa de Souza
Porto Alegre, RS
Bispos na cadeia
A reportagem "O
templo caiu para os Hernandes" (22 de agosto) merece uma reflexão
por parte de todos, porque é exemplar. Mostra-nos que
há países no mundo onde a lei existe para ser
cumprida, tal como tem de ser. As leis frouxas e a Justiça
preguiçosa do Brasil representam um empecilho para
que sejamos guindados ao status de nação. Que
a punição aos Hernandes indique ao Congresso
Nacional qual o caminho que os brasileiros de bem exigem. Francisco Souto Neto Curitiba, PR
Apesar de serem
"assim" com os céus, a bispa e o apóstolo não
conseguiram se safar da prisão. Coitadinhos, tão
santinhos! Com que cara eles vão voltar para o Brasil
e pregar para o seu rebanho? Isto é, se na ocasião
ele ainda existir. Waldete Cestari
Jaú, SP
Cartas
Ao ler a excelente
reportagem "O templo caiu para os Hernandes", principalmente
no que se refere aos dados que indicam o encolhimento da Renascer,
senti-me surpreso e ao mesmo tempo otimista. Afinal, aproximadamente
a metade de seus seguidores acordou para a realidade e deixou
de freqüentá-la. Minha esperança é
que seguidores de outras religiões, que também
só visam ao lucro para seus dirigentes, façam
o mesmo, independentemente da necessidade de qualquer escândalo. José Rubens do Amaral
Valinhos, SP
Novelas
Somos alunas do
Colégio Visão, e a reportagem "Mais velozes
e mais agitadas" (22 de agosto) nos interessou muito. Nós
gostamos de acompanhar as novelas globais, mas elas estavam
ficando cansativas e desinteressantes. De uns tempos para
cá, isso mudou, elas estão melhorando e nos
estimulando a vê-las. Estávamos curiosas para
descobrir o "segredo" dos autores para esse grande avanço,
e adoramos saber através da reportagem qual é.
Temos certeza de que VEJA matou a curiosidade de vários
outros noveleiros do Brasil. Parabéns! Priscila Albuquerque e Rebeka Correia
Recife, PE
Cartas
No caso da lei
estadual que concede foro privilegiado a sem-número
de autoridades de Minas Gerais, o governador afirmou ter agido
"com absoluta coerência com meu passado" (Cartas, 22
de agosto). Apenas para recordar, o atual governador mineiro
era o presidente da Câmara dos Deputados (biênio
2001/2003) durante toda a tramitação do projeto
de lei 6295/02, transformado na Lei nº 10628/02, que
alterou e acrescentou parágrafos ao artigo 84 do Código
de Processo Penal, estendendo o foro privilegiado inclusive
aos ex-ocupantes de cargos públicos e também
ao "funcionário ou autoridade" nos casos de improbidade
administrativa (Lei nº 8429/92). A alteração
e os acréscimos foram, por fim, considerados inconstitucionais
pelo STF (ADIN 2797/DF). Fernando Brandini Barbagalo
Juiz de direito
Brasília, DF
Surpreendi-me com
as notas publicadas em VEJA (edições 2 021 e
2 022) sobre o "gigante" ucraniano e o "gigante" americano.
Gostaria de informar que se trata de uma doença chamada
de acromegalia, causada por um tumor na glândula hipófise,
que produz em excesso o hormônio do crescimento, provocando
em certos pacientes (crianças e adolescentes) o crescimento
contínuo até a morte. Sou portador desse mal
e presidente da Associação dos Pacientes Portadores
de Acromegalia do Rio Grande do Sul, e temos a cada notícia
publicada repassado informações aos jornalistas
para dar-lhes subsídios sobre essa doença e
pleiteado espaço para informar a população
sobre como identificá-la. É uma doença
rara de difícil diagnóstico, pois o tumor cresce
muito lentamente. Os portadores têm normalmente um diagnóstico
equivocado, tratando somente seus inúmeros sintomas
(atinge praticamente todo o organismo), principalmente os
articulares e cardíacos. Centenas de pessoas têm
a doença, e mesmo com auxílio médico
não conseguem o diagnóstico correto. Ricardo Augusto Dias
Porto Alegre, RS
André
Petry
Pirataria é
crime. Não pode e não deve ser tolerada, sob
nenhum argumento. Todo e qualquer DVD do filme Amor Estranho
Amor é, necessariamente, pirata, uma vez que o
filme jamais foi produzido em tal suporte e os direitos de
comercialização da obra, em qualquer formato,
no Brasil e no exterior, pertencem à artista Xuxa Meneghel.
Sua venda no mercado ilegal de camelôs deve ser combatida
e condenada, pois ("O filme proibido de Xuxa", 22 de agosto). Luiz Claudio Lopes Moreira
Diretor jurídico
Xuxa Promoções e Produções Artísticas
Ltda.
Rio de Janeiro, RJ
Roberto Pompeu
de Toledo
Parabéns
a Roberto Pompeu de Toledo pela precisão com que definiu
o Brasil atual em seu ensaio "O Brasil é isso mesmo
que está aí" (22 de agosto). O que existe hoje
do Brasil é apenas, ainda, um imenso território.
O individualismo exacerbado, que busca somente o "bem do próprio
umbigo e o resto que se dane", associado à ética
do "pagando bem, que mal tem?", produziu isso que está
aí: um arremedo de nação e a absoluta
nulidade do conceito de pátria. Pedro M. Piccoli Curitiba, PR
O diagnóstico
preciso de desesperança na "pátria que se desintegra
aos nossos olhos" trouxe inquietação e tristeza
para os meus 27 anos de idade, mas não o desânimo.
É natural da juventude sonhar, é própria
do ser humano a esperança, e é nesse sentimento,
que acredito estar na base do movimento que leva adiante a
humanidade, que eu aposto. Acredito no trabalho que desempenho,
no exemplo que me foi deixado, nas instituições
democráticas, livres, como esta imprensa que expõe
a doença inequívoca. Acredito em um país
renascido dessa esperança, para que nele possam crescer
e sonhar meu filho de 2 anos e todos os filhos desta mãe
que na sua essência ainda é gentil e amada.
Bruno Covas
Deputado estadual
São Paulo, SP
Nossa inércia,
nossa passividade e, por que não dizer, nossa conivência
com os assaltantes de nossa alegria que habitam câmaras
de vereadores e deputados por todo este país, sem contar
o Senado e os palácios em Brasília, fazem de
nós mesmos, como diria Drummond, algozes dos inocentes
que não somos. Nosso país morre e nós
o matamos, não reagimos, não gritamos, não
vamos às ruas em atos cívicos, não agitamos
bandeiras, panelas, apitos e tudo o mais que esteja ao nosso
alcance. Apenas assistimos a tudo, parvos, como se não
houvesse nada a fazer. Ilson Carlos de Mello Consoli
São José, SC
Livros
Sobre a reportagem
"O Islã próximo" (22 de agosto), de Ali Kamel,
creio também no homem de bem. Que a verdade aproxima
os homens e a paz, enquanto a calúnia e os mitos só
nos afastam. Creio na coragem de Ali Kamel em desmistificar
o Islã e trazer a verdade à tona, mesmo que
a verdade doa. Assim como faz a revista VEJA, esclarecendo
o mundo aos seus leitores. Parabéns, Ali Kamel, parabéns,
revista VEJA. Said Mourad
Deputado estadual Líder do Partido Social Cristão
(PSC)
São Paulo, SP
Alfabetização
bilíngüe
Tenho 77 anos e
fui uma criança bilíngüe com todo o sucesso
("Yes, nós somos bilíngües", 22 de agosto).
Minha mãe só falava inglês em casa com
meu irmão e comigo. Freqüentamos uma escola primária
inglesa e, aos 9 anos, iniciei-me no francês. Com 12
anos já falava correntemente as duas línguas,
escrevia e aprendia gramática sem nenhum trauma ou
confusão. Segui os mesmos caminhos com meus filhos,
que também fizeram o mesmo com meus netos. Os resultados
sempre foram positivos: nas viagens aproveitamos muito mais,
nos estudos esses conhecimentos foram fundamentais, e até
hoje agradeço aos meus pais por terem tido essa visão.
Quem tem filho pequeno não hesite em dar a ele essa
grande oportunidade de aprender sem esforço. Nicia Maria Dantas
Salvador, BA
Na condição
de escola bilíngüe e bicultural, apreciamos a
interessante reportagem. Gostaríamos de informar que
o Colégio Miguel de Cervantes, citado na matéria,
é uma instituição hispano-brasileira,
cuja principal meta é desenvolver um projeto educativo
que visa à integração dos currículos
brasileiro e espanhol. Nossos alunos são alfabetizados
primeiramente em português e, paulatinamente, no decorrer
de sua escolaridade, as estruturas da leitura e da escrita
em espanhol vão sendo acrescentadas ao seu aprendizado.
Cumpre ressaltar que a Espanha é referência mundial
em educação e em estudos pedagógicos
e, assim como os países citados na matéria,
possui quatro línguas oficiais: espanhol, galego, catalão
e vasco, em três regiões bilíngües. Miguel Ángel Valmaseda e Amélia Salazar, Diretor-gerente e diretora de ensino do Colégio
Miguel de Cervantes
São Paulo, SP
VEJA especial
Tecnologia
A VEJA o meu muito
obrigado por esclarecer que existe o lado positivo dos computadores,
games e televisão, que até agora tinham sido
apenas atacados como negativos pela mídia. Simplesmente
ótima a entrevista com Steven Johnson. Parabéns
à equipe! (VEJA especial Tecnologia, agosto
de 2007). Rodolfo Luiz Diniz Araújo
Bom Despacho, MG
Quando li a edição
especial de VEJA, pude perceber que hoje a tecnologia tem
tomado conta do pensamento dos brasileiros. O país
vem crescendo e quem não tem noções básicas
de tecnologia, como a computação, fica para
trás no mercado de trabalho e pode perder grandes oportunidades
na vida. Não podemos perder tempo ao correr atrás
do nosso futuro. Abner Henrique Fleury
Anápolis, GO
Frans de Waal
Obrigado, Frans
de Waal (Amarelas, 22 de agosto), por me apresentar ao meu
"pólo" bonobo. Vou tentar aprofundá-lo, ou melhor,
deixar que ele aflore o mais que puder. Gostei muito do jeito
bonobo de ser. É surpreendente a dificuldade de parcela
expressiva da nossa espécie em aceitar talvez a evidência
mais óbvia e mais comprovada na face da Terra. Por
que não admitir que temos ancestrais comuns com chimpanzés
e bonobos? Paulo Augusto Franke
São José dos Campos, SP
Claudio de Moura
Castro
Parabéns
ao economista Cláudio de Moura Castro pela visão
sobre as redes de sistemas de ensino da educação
privada brasileira (Ponto de vista, 22 de agosto). Nós,
do Centro Educacional Nilopolitano, na Baixada Fluminense,
unimos nossos 75 anos de tradição à metodologia
do Sistema Pentágono de Ensino e, como resultado, observamos
alunos mais reflexivos e participantes do processo de construção
do próprio conhecimento. A mudança teve a aprovação
da comunidade escolar e se apresenta como um ótimo
caminho para a educação brasileira. Berta Limani
Diretora do Centro Educacional Nilopolitano
Nilópolis, RJ
O ensino superior
foi muito afetado por essa cultura das apostilas. No Brasil,
não se escrevem mais livros técnicos pela simples
razão de que nossos alunos dos cursos superiores esperam
uma apostila pasteurizada, que não exige reflexões
mais elaboradas, contendo apenas as famosas receitas de bolo
para ser aprovados. José Roberto Cardoso
Vice-diretor da Escola Politécnica da USP
São Paulo, SP
Diogo Mainardi
Ao relembrar os
dólares enviados de Cuba para a campanha eleitoral
do presidente Lula, Diogo Mainardi contribuiu para que muitos
brasileiros fizessem a seguinte pergunta: será que
o favor (empréstimo) que Fidel Castro fez em 2002 foi
retribuído agora, em 2007, com a deportação
dos pugilistas cubanos desertores da ilha ("A agenda de Dirceu",
22 de agosto)? Jose Antonio Rodrigues Agostinho
Maringá, PR
Turismo até
Machu Picchu
Mesmo indo de ônibus
e trem, é possível ter uma viagem agradável,
além de poder conviver com o simpático e sofrido
povo boliviano. Há opções para todos
os gostos e bolsos. As paisagens são lindas, as cidades
têm muitos atrativos e são excelentes para compras
(não só de artesanatos). Machu Picchu, no topo
dos Andes peruanos, é realmente uma maravilha que merece
ser visitada ("Poncho, conga e iPod", 22 de agosto). Carla Ferreira Mastrella de Carvalho Goiânia, GO
Infanticídio
em tribos indígenas
Cumprimentamos
o jornalista Leonardo Coutinho e toda a equipe da revista
VEJA pela coragem, sensibilidade e seriedade com que o tema
do infanticídio nas tribos indígenas foi abordado
("Crimes na floresta", 15 de agosto). A reportagem deixou
evidente o protagonismo dos próprios indígenas
nesse processo de mudança social. É hora de
silenciarmos nossas ideologias e paixões e de começarmos
a ouvir a voz dessas mulheres indígenas, que sofrem
com essa prática e que têm todo o direito de
lutar por mudanças. Lamentamos profundamente que mães
amorosas tenham de se suicidar por não ter coragem
de matar seus filhos, como foi o caso da mãe de Hakani,
nossa filha adotiva. Hoje lutamos para erradicar essa prática
cruel através da ONG Atini Voz pela Vida. Edson e Márcia Suzuki
www.vozpelavida.blogspot.com
A VACINA DO
DOUTOR GAZZINELLI
A reportagem "A
nova cara da ciência" (15 de agosto), que falou
dos três jovens brasileiros da lista dos cientistas
mais influentes do mundo, contou a história do
veterinário mineiro Ricardo Gazzinelli, que "apareceu
no topo, ao lado dos especialistas mais influentes do
mundo em sua área: a imunologia". O pesquisador
da Fiocruz e da Universidade Federal de Minas Gerais
foi relacionado entre os melhores "por ter sido o primeiro
a desvendar a função de um hormônio
na defesa das células contra microrganismos causadores
de doenças típicas de países pobres,
como a malária e o mal de Chagas". A reportagem
dizia também que a maior obsessão do doutor
Gazzinelli era ver sua descoberta transformada em vacinas.
Na semana passada, Viviane Leão, da empresa Hertape
Calier Saúde Animal S.A, escreveu à redação
para informar que a vacina, descoberta de Gazzinelli,
em breve estará no mercado. "O laboratório
Hertape Calier investiu em sua pesquisa e está
idealizando o sonho do pesquisador. A indústria
investiu na construção de um laboratório
que produzirá a vacina contra a leishmaniose
visceral canina, na forma de vacina recombinante, inovação
no ramo de vacinas para animais. Será o único
laboratório no Brasil e o primeiro no mundo a
produzir vacinas recombinantes e geneticamente modificadas",
informa Viviane.
CAOS AÉREO
GLOBALIZADO
Airlines.net
O leitor Paulo Thiago
Fernandes, do Rio de Janeiro, envia um relato que faz
lembrar o caos aéreo em que vivemos: "Minha filha
viajou no dia 10 para Paris, com conexão em Madri.
Do destino, mandou-me o e-mail abaixo, que reproduzo
parcialmente, no qual se evidencia que certo tipo de
problema não é privilégio nosso
nem de nossas companhias aéreas. (note-se: era
um Airbus A320): 'Chegados a Madri, embarcamos num avião
da Air France e ficamos esperando que decolasse. Quase
uma hora depois, os motores são ligados, mas
custam a pegar. Finalmente, é dada a partida.
Segue-se um barulho forte e o avião derrapa e
fica atravessado na pista. Os motores são desligados.
Silêncio quase mortal entre os passageiros, até
que o piloto explica que um dos motores do Airbus A320
tinha estourado. Fomos rebocados para o desembarque
e voltamos ao balcão da Air France. Fila, fila,
fila... fome, sede e comentários dos companheiros
de vôo, alguns assustados. Chegamos a Paris com
cinco horas de atraso'."
A nota publicada
nesta seção, na edição passada,
sob o título "Novos estados" merece maiores esclarecimentos.
Nela, dava-se conta da estranheza de alguns leitores
pelo fato de o colunista Roberto Pompeu de Toledo, em
seu artigo "O Maranhão do Sul na Wikipédia",
ter citado reportagem de O Estado de S. Paulo
sobre a criação de novos estados, em vez
de remeter a notícia que, antes, sobre o mesmo
assunto, saíra na própria VEJA. A revista
reconhece que, se houve cochilo de Pompeu, a quem escapou
a notícia em VEJA, também falharam os
mecanismos de filtro da redação. Publicado
o artigo, a revista poderia ter comunicado a Pompeu
que chegavam manifestações de leitores
externando sua estranheza. Se o tivesse feito, ele mesmo
poderia se ter corrigido, em seu espaço. Soou
como censura ao colunista. Não foi a intenção
da nota.