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Edição 2023

29 de agosto de 2007
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Cartas

 

"Se chegaram a ponto de grampear a mais alta corte deste país, o que será dos cidadãos comuns?"
Takeyuti Ykeuti Filho
Itapeva, SP

STF sob pressão

A reportagem "A sombra do estado policial" (22 de agosto) reforça a certeza de que é lamentável a situação a que chegou a Justiça no Brasil. O autoritarismo policial – do qual alguns membros do STF se sentem vítimas – é conseqüência do esvaziamento de autoridade de praticamente todas as instituições brasileiras. Enquanto a sociedade se desintegra e se entrega à barbárie, as instituições se lançam ao corporativismo corrosivo, nas entranhas do estado, no Congresso, nos sindicatos, nas universidades e no meio empresarial. E não nos enganemos, a sociedade não é uma vítima indefesa. Somos um povo cujos valores básicos são a flexibilidade, a tolerância e a criatividade. Mas chegamos a um estágio da vida social em que isso já não nos basta. Talvez nossos valores tenham se corrompido. A flexibilidade cedeu lugar à permissividade, a tolerância se converteu em impunidade e a criatividade foi engolida pela improvisação irresponsável.
Joice Melo Vieira
Campinas, SP

A preocupação exposta pela alta corte brasileira aflige a todos os operadores do direito, não só magistrados que se vêem, quando não na iminência, no palco de um verdadeiro "big brother" de organismos subjudiciários, valendo-se de mecanismos espúrios e sub-reptícios que bem lembram os tempos de chumbo.
Francisco Roque Festa
Advogado
Cotia, SP

Realmente seria bruxaria se o conhecimento de informações privilegiadas acontecesse sem o monitoramento telefônico e que tal detalhe ocorresse sem autorização legal. Acontece que policiais federais somente trabalham nessa área com autorizações judiciais, e podem ter certeza de que ninguém em sã consciência arriscaria seu emprego cometendo um crime dessa natureza. Um ministro do STF, de acordo com a revista, afirma: "A Polícia Federal se transformou num braço de coação e tornou-se um poder político que passou a afrontar os outros poderes". Quando se afirma que um órgão adota certa conduta, quer-se dizer que a direção desse órgão, além de compactuar, coordenaria tal ação, ou peca por omissão. Grave acusação que merece prova, pois os policiais federais da "banda boa" e honesta não podem pagar por crimes que não cometeram.
Luís Cláudio Avelar
Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal
Brasília, DF

O desleixo de grande parte dos juízes ao conceder autorização judicial para a escuta telefônica agora se volta contra o STF. É fato notório que números de pessoas totalmente alheias a determinada investigação são inseridos, de modo sub-reptício, por interessados em bisbilhotá-las e, quem sabe, adquirir algum dado que posteriormente lhes permita chantagear o bisbilhotado. É igualmente sabido que boa parte das investigações policiais é hoje feita a partir de tal forma de escuta, especialmente de advogados, o que se revela uma prática inconstitucional e ilegal desde seu nascedouro, mas que é posteriormente confirmada por decisões judiciais. E, agora, os excelentíssimos ministros do Supremo Tribunal Federal são os atingidos. É a criatura se voltando contra o criador. Oportuna a reportagem como alerta para que os membros do Poder Judiciário, em todas as instâncias, passem a fazer a correta e refletida aplicação da lei, sem ceder às pressões provenientes de setores do Ministério Público e das polícias.
Fabio Malina Losso
Advogado e doutorando em direito civil pela USP
Curitiba, PR

Preocupar-se com a ilegalidade nas escutas telefônicas clandestinas, tudo bem; agora, querer acusar a Polícia Federal, sem provas concretas e com meras desconfianças, é lastimável. A Polícia Federal faz muito bem a sua parte, e por isso é um dos únicos órgãos neste país que tem credibilidade da população. E o STF, quando vai deixar de ser político e condenar criminalmente alguém, que tenha prerrogativa de função, com as provas que a Polícia Federal entrega de bandeja?
Joel Specht
Porto Alegre, RS

Não vai ser surpresa para nós, brasileiros, se a banda podre da Polícia Federal encontrar sua similar no Poder Judiciário. A própria VEJA já nos brindou com diversas matérias envolvendo juízes corruptos.
Sérgio Peixoto Mendes
Porto Alegre, RS

É mais fácil a Polícia Federal punir sua banda podre, como vem fazendo sistematicamente, do que o STF punir político corrupto.
Roosevelt Borges de Oliveira
Lagoa Santa, MG

É muito triste saber que uma parcela da Polícia Federal foi contaminada pela moda do "não respeite a lei". Uma instituição que vem ganhando importante papel no combate à corrupção não poderia permitir que sua reputação fosse abalada por tais funcionários, que, pelo que tudo indica, gostariam de instituir, novamente, um regime ditatorial em nosso país. Quebrar o sigilo telefônico sem prévia autorização judicial é violar diretamente a Constituição Federal.
Luciana Tudisco de Oliveira
São Paulo, SP

Com referência à matéria de capa da última edição da revista VEJA, em que o meu nome e o de minha empresa – Fence Consultoria Empresarial Ltda. – foram citados, solicito a V.Sa., se possível, publicar esta carta, dando-me a oportunidade de esclarecer que fui, sim, indiciado pela Polícia Federal, mas que a juíza encarregada do processo, acolhendo o parecer do Ministério Público, determinou o seu arquivamento.
Enio Gomes Fontenelle
Por e-mail

 

Renan Calheiros

Sou contador, professor universitário e perito contábil e manifesto minha satisfação com a cobertura de VEJA no caso Renan Calheiros, em especial o destaque para a perícia contábil, realizada pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, que permitiu obter elementos de prova sobre o comportamento ilícito do senhor Calheiros. A reportagem "Só falta a degola" (22 de agosto) traz informações relevantes a público sobre a utilidade e a importância do trabalho dos peritos contábeis. Pelo teor da matéria, o laudo apresentado poderá cumprir seu papel: servir como elemento técnico para subsidiar uma decisão justa e correta dos senhores julgadores.
Ivam Ricardo Peleias
São Paulo, SP

O caso Renan Calheiros fez-me lembrar um circo. Tem palhaços, domador de leões, malabaristas e uma platéia que insiste em olhar sem piscar os olhos e sem se manifestar. Desse jeito o Brasil vai desabar mais do que as bolsas asiáticas.
Rodrigo Capella
São Paulo, SP

É vergonhoso constatar que, depois de apresentar documentos falsos aos pares do Senado e ser acusado de participar de negócios escusos, o senador Renan Calheiros ainda queira ser absolvido. Mas, como sou um jovem otimista, sei que existem políticos éticos, competentes e que sempre lutam pela decência do Congresso Nacional. Demóstenes Torres, José Agripino, Pedro Simon e Cristóvam Buarque são alguns deles. O problema é que eles são a minoria. Essa crise não abala apenas o senador Renan, mas todos os senadores. Portanto, faço um apelo ao Senado Federal: senhores senadores, restaurem a credibilidade que o Senado perdeu nos últimos meses colocando em ação uma prática tão escassa na política brasileira: punição exemplar.
Murilo Augusto de Medeiros, 16 anos
Guará II, DF

A respeito da reportagem "Só falta a degola", faço o seguinte esclarecimento: nunca declarei que sou favorável ou contrário à cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Como um dos relatores do processo, tenho dito aos jornalistas que me procuram que não se pode julgar antes de a Polícia Federal concluir a sua perícia e antes de o Conselho de Ética ouvir o senador Renan Calheiros. Friso ainda que qualquer decisão sobre o assunto será tomada conjuntamente pelos três relatores do processo. No caso, eu, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) e o senador Almeida Lima (PMDB-SE).
Renato Casagrande
Senador (PSB-ES)
Brasília, DF

 

Trem da alegria

Parabéns pela reportagem "O novo trem da alegria" (22 de agosto), que na verdade deveria ser chamado de trem da vergonha. Nós, brasileiros, estamos cansados de ver o descaso com que muitos políticos vêm tratando seus eleitores, esquecendo-se de que eles são apenas nossos representantes. Será que com uma atitude dessas, de apadrinhar mais e mais pessoas para o funcionalismo público sem concurso, eles não percebem que estão na verdade afrontando toda uma sociedade?
Renato Fernandez
São Paulo, SP

Quando estudamos para concursos públicos, aprendemos sobre o princípio da isonomia: todos são iguais perante a lei. Nossos legisladores parecem desconhecer a Constituição Federal; ignoram o artigo 37, inciso II, que impõe aprovação em concurso público para o ingresso em empregos públicos.
Denilson Dias Costa
Montes Claros, MG

Como pode ser considerada a hipótese de efetivar milhares de requisitados e terceirizados sem concurso público? Isso é um atentado à democracia e à Constituição Federal. Cumprimento VEJA por denunciar esse absurdo e levantar a voz contra essa atitude do nosso cada vez mais decadente Congresso. Vamos parar esse vergonhoso trem da alegria, que corrompe a democracia brasileira, antes que ele chegue ao seu destino.
Thiago C. Wallier
Rio de Janeiro, RJ

Não existe mais oposição, todos os políticos, com raríssimas exceções, se juntaram para saquear nossas riquezas; agora com esse "PAC" – Programa de Agrupar Corruptos – a coisa ficou escancarada. Enquanto isso, a situação da saúde e da segurança no país dispensa qualquer comentário.
Manoel Caliani
Feira de Santana, BA

 

Veja essa

A seção Veja essa (22 de agosto) cometeu um erro. Atribui aos petistas do grupo do ministro Tarso Genro um texto que não é deles. O trecho reproduzido ("O PT precisa fazer um severo ajuste de contas com as concepções políticas e com as práticas do grupo que teve em José Dirceu e em Antonio Palocci duas de suas principais, mas não únicas, expressões") faz parte da tese "A esperança é vermelha". Como sabem aqueles que conhecem o PT, as posições da tese em questão são muito distintas daquelas da tese "Mensagem ao partido", esta sim apoiada por Tarso Genro. Não deixa de ser divertido, entretanto, ver que – ao contrário da lenda que corre em algumas redações – estão em outras teses, e não na tese impulsionada por Tarso Genro, as críticas mais explícitas contra as concepções políticas que dirigiram o PT de 1995 a 2005. Peço que se registre essa correção.
Valter Pomar
Secretário de Relações Internacionais do PT e signatário da tese "A esperança é vermelha"
Por e-mail

Embora ela negue, a mídia escrita divulgou foto dessa diretora da Anac fumando charuto, tornando pública a gritante gafe de não ter ela retirado o selo, antes de acendê-lo, numa demonstração de exibicionismo de uma noviça pouco versada na matéria.
Joaquim Correia Lima Filho
Recife, PE

Essa Denise Abreu é uma triste piada para nós, brasileiros. Não tem graça nenhuma, muito menos citando a figura de Churchill. Charuto em boca de mulher fica melhor em terreiro de umbanda. E, na falta de uma figura de autoridade, depois de mais de trinta dias desse acidente pavoroso em Congonhas, tomara que baixe um santo poderoso o bastante para dar um "cala a boca", fazendo a justa limpeza e dando uma "regulada" nessa diretoria da Anac.
Maria de Lourdes Biagioni Santos
Belo Horizonte, MG

 

Recall de brinquedos

Em relação à reportagem "Brinquedos assassinos" (22 de agosto), gostaríamos de esclarecer que: 1) Os lotes de produtos com excesso de chumbo na tinta, tanto dos carrinhos do personagem Sarge como do recall anunciado pela Fisher-Price, não foram comercializados no Brasil. 2) O triste caso do falecimento de uma criança nos Estados Unidos no ano passado, como citado na matéria, está relacionado a um produto que não é de fabricação da Mattel. A Mattel reafirma que o recall de produtos com ímãs aparentes, que está em curso desde a semana passada, é uma ação preventiva decorrente dos resultados de pesquisas sobre novos processos para atingir padrões de segurança ainda mais rigorosos quanto à inserção de ímãs em seus brinquedos. Para a empresa, a ação de recall é uma demonstração de transparência na sua relação com os consumidores, com o varejo e com o governo, que contribui para fortalecer ainda mais a confiança que a sociedade deposita em suas marcas.
Alejandro Rivas
Gerente-geral da Mattel do Brasil
São Paulo, SP

Eu, como criança de 10 anos, fico triste em saber que brinquedos de que tanto gosto contêm substâncias que podem prejudicar minha saúde. Pedirei à minha mãe para olhar meus brinquedos, pois quero saber se neles há elementos que possam afetar minha saúde. Mesmo ficando triste, prefiro manter a saúde evitando comprar esses brinquedos.
Gabriela Caldeira de Faria Santiago, 10 anos
Montes Claros, MG

Mais uma vez VEJA enche de orgulho seus leitores com a reportagem "Brinquedos assassinos". Ao lê-la, achei um absurdo as pessoas comprarem brinquedos para proporcionar felicidade às crianças sem saber que compram um risco à saúde delas.
Miriã Rosa da Paixão,13 anos
São Paulo, SP

Decadência pura saber que nossas crianças correm sérios riscos de saúde, e até mesmo de morte, devido ao puro descaso com a segurança dos brinquedos vendidos por grandes empresas.
Camila da Fonsêca Aranha
Belém, PA

 

O pensamento da elite

VEJA dá a sua contribuição e nos convida a refletir sobre nosso modo de pensar e agir. Será que a reportagem oportuna, lúcida e clara "Como pensam os brasileiros" (22 de agosto) mexe com o cidadão comum? Mais uma vez fica claro que urge uma verdadeira revolução na educação do nosso país. Será que com a matéria igualmente lúcida "O novo trem da alegria" é possível sensibilizar alguns membros da nossa classe política? Por mais absurdo que pareça, o nosso servidor público passou de "cidadão comum" a "cidadão privilegiado!". E mais: o que me deixa perplexo não é só a qualificação absurda de "cidadão privilegiado", mas o apetite inesgotável por mais funcionários, em detrimento de esforços efetivos por maior eficiência e probidade na gestão pública. Aqui VEJA dá a sua incontestável contribuição. Eu permaneço vigilante.
Robert Gorian
São Paulo, SP

A excelente reportagem lança uma nova luz para a compreensão das causas básicas dos problemas nacionais. Ela destrói, inclusive, a tese do ex-governador paulista Cláudio Lembo, para quem as tragédias brasileiras são causadas por uma "elite branca e cruel". Ao contrário do que afirmou o doutor Lembo no auge dos ataques do PCC a São Paulo, o que ficou claro é que na raiz de nossas desgraças está a ignorância de um povo que elege para governá-lo pessoas como ele.
Gilberto Geraldo Garbi
Curitiba, PR

O que o sociólogo Alberto Carlos Almeida descobriu agora (A Cabeça do Brasileiro) os políticos brasileiros já sabiam havia muito tempo, principalmente os do Nordeste. Quanto mais ignorante a população, mais fácil é roubar o dinheiro público. Enquanto os brasileiros simplórios, e alguns espertos, não ligarem a falta de medicamentos, atendimento médico, estradas, segurança, água e comida e o excesso de impostos à corrupção, os políticos continuarão deitando e roubando, e sendo reeleitos.
Alberto de Assis Pena
Coronel Fabriciano, MG

Os números dessa pesquisa só ratificam o sentimento que temos de que estamos vivendo uma crise ética na sociedade brasileira, distorcendo o posicionamento da linha que limita o certo e o errado. Sem dúvida alguma a impunidade é a mola propulsora disso.
Marco Bomfim
Sobral, CE

Que bom que VEJA resolveu esclarecer o que é a elite brasileira. Pena que são relativamente poucos os seus leitores se comparados com o número de brasileiros. Acho que seria ideal contar ao senhor Lula, que tanto parece detestar "as elites", que são justamente as classes alta e média que pagam os impostos com os quais ele faz tanta propaganda do Bolsa-Família e de outras benesses que ele "oferece" aos pobres.
Zilda Costa de Souza
Porto Alegre, RS

 

Bispos na cadeia

A reportagem "O templo caiu para os Hernandes" (22 de agosto) merece uma reflexão por parte de todos, porque é exemplar. Mostra-nos que há países no mundo onde a lei existe para ser cumprida, tal como tem de ser. As leis frouxas e a Justiça preguiçosa do Brasil representam um empecilho para que sejamos guindados ao status de nação. Que a punição aos Hernandes indique ao Congresso Nacional qual o caminho que os brasileiros de bem exigem.
Francisco Souto Neto
Curitiba, PR

Apesar de serem "assim" com os céus, a bispa e o apóstolo não conseguiram se safar da prisão. Coitadinhos, tão santinhos! Com que cara eles vão voltar para o Brasil e pregar para o seu rebanho? Isto é, se na ocasião ele ainda existir.
Waldete Cestari
Jaú, SP

 

Cartas

Ao ler a excelente reportagem "O templo caiu para os Hernandes", principalmente no que se refere aos dados que indicam o encolhimento da Renascer, senti-me surpreso e ao mesmo tempo otimista. Afinal, aproximadamente a metade de seus seguidores acordou para a realidade e deixou de freqüentá-la. Minha esperança é que seguidores de outras religiões, que também só visam ao lucro para seus dirigentes, façam o mesmo, independentemente da necessidade de qualquer escândalo.
José Rubens do Amaral
Valinhos, SP

 

Novelas

Somos alunas do Colégio Visão, e a reportagem "Mais velozes e mais agitadas" (22 de agosto) nos interessou muito. Nós gostamos de acompanhar as novelas globais, mas elas estavam ficando cansativas e desinteressantes. De uns tempos para cá, isso mudou, elas estão melhorando e nos estimulando a vê-las. Estávamos curiosas para descobrir o "segredo" dos autores para esse grande avanço, e adoramos saber através da reportagem qual é. Temos certeza de que VEJA matou a curiosidade de vários outros noveleiros do Brasil. Parabéns!
Priscila Albuquerque e Rebeka Correia
Recife, PE

 

Cartas

No caso da lei estadual que concede foro privilegiado a sem-número de autoridades de Minas Gerais, o governador afirmou ter agido "com absoluta coerência com meu passado" (Cartas, 22 de agosto). Apenas para recordar, o atual governador mineiro era o presidente da Câmara dos Deputados (biênio 2001/2003) durante toda a tramitação do projeto de lei 6295/02, transformado na Lei nº 10628/02, que alterou e acrescentou parágrafos ao artigo 84 do Código de Processo Penal, estendendo o foro privilegiado inclusive aos ex-ocupantes de cargos públicos e também ao "funcionário ou autoridade" nos casos de improbidade administrativa (Lei nº 8429/92). A alteração e os acréscimos foram, por fim, considerados inconstitucionais pelo STF (ADIN 2797/DF).
Fernando Brandini Barbagalo
Juiz de direito
Brasília, DF

Surpreendi-me com as notas publicadas em VEJA (edições 2 021 e 2 022) sobre o "gigante" ucraniano e o "gigante" americano. Gostaria de informar que se trata de uma doença chamada de acromegalia, causada por um tumor na glândula hipófise, que produz em excesso o hormônio do crescimento, provocando em certos pacientes (crianças e adolescentes) o crescimento contínuo até a morte. Sou portador desse mal e presidente da Associação dos Pacientes Portadores de Acromegalia do Rio Grande do Sul, e temos a cada notícia publicada repassado informações aos jornalistas para dar-lhes subsídios sobre essa doença e pleiteado espaço para informar a população sobre como identificá-la. É uma doença rara de difícil diagnóstico, pois o tumor cresce muito lentamente. Os portadores têm normalmente um diagnóstico equivocado, tratando somente seus inúmeros sintomas (atinge praticamente todo o organismo), principalmente os articulares e cardíacos. Centenas de pessoas têm a doença, e mesmo com auxílio médico não conseguem o diagnóstico correto.
Ricardo Augusto Dias
Porto Alegre, RS

 

André Petry

Pirataria é crime. Não pode e não deve ser tolerada, sob nenhum argumento. Todo e qualquer DVD do filme Amor Estranho Amor é, necessariamente, pirata, uma vez que o filme jamais foi produzido em tal suporte e os direitos de comercialização da obra, em qualquer formato, no Brasil e no exterior, pertencem à artista Xuxa Meneghel. Sua venda no mercado ilegal de camelôs deve ser combatida e condenada, pois ("O filme proibido de Xuxa", 22 de agosto).
Luiz Claudio Lopes Moreira
Diretor jurídico
Xuxa Promoções e Produções Artísticas Ltda.
Rio de Janeiro, RJ

 

Roberto Pompeu de Toledo

Parabéns a Roberto Pompeu de Toledo pela precisão com que definiu o Brasil atual em seu ensaio "O Brasil é isso mesmo que está aí" (22 de agosto). O que existe hoje do Brasil é apenas, ainda, um imenso território. O individualismo exacerbado, que busca somente o "bem do próprio umbigo e o resto que se dane", associado à ética do "pagando bem, que mal tem?", produziu isso que está aí: um arremedo de nação e a absoluta nulidade do conceito de pátria.
Pedro M. Piccoli
Curitiba, PR

O diagnóstico preciso de desesperança na "pátria que se desintegra aos nossos olhos" trouxe inquietação e tristeza para os meus 27 anos de idade, mas não o desânimo. É natural da juventude sonhar, é própria do ser humano a esperança, e é nesse sentimento, que acredito estar na base do movimento que leva adiante a humanidade, que eu aposto. Acredito no trabalho que desempenho, no exemplo que me foi deixado, nas instituições democráticas, livres, como esta imprensa que expõe a doença inequívoca. Acredito em um país renascido dessa esperança, para que nele possam crescer e sonhar meu filho de 2 anos e todos os filhos desta mãe que na sua essência ainda é gentil e amada.
Bruno Covas

Deputado estadual
São Paulo, SP

Nossa inércia, nossa passividade e, por que não dizer, nossa conivência com os assaltantes de nossa alegria que habitam câmaras de vereadores e deputados por todo este país, sem contar o Senado e os palácios em Brasília, fazem de nós mesmos, como diria Drummond, algozes dos inocentes que não somos. Nosso país morre e nós o matamos, não reagimos, não gritamos, não vamos às ruas em atos cívicos, não agitamos bandeiras, panelas, apitos e tudo o mais que esteja ao nosso alcance. Apenas assistimos a tudo, parvos, como se não houvesse nada a fazer.
Ilson Carlos de Mello Consoli
São José, SC

 

Livros

Sobre a reportagem "O Islã próximo" (22 de agosto), de Ali Kamel, creio também no homem de bem. Que a verdade aproxima os homens e a paz, enquanto a calúnia e os mitos só nos afastam. Creio na coragem de Ali Kamel em desmistificar o Islã e trazer a verdade à tona, mesmo que a verdade doa. Assim como faz a revista VEJA, esclarecendo o mundo aos seus leitores. Parabéns, Ali Kamel, parabéns, revista VEJA.
Said Mourad
Deputado estadual Líder do Partido Social Cristão (PSC)
São Paulo, SP

 

Alfabetização bilíngüe

Tenho 77 anos e fui uma criança bilíngüe com todo o sucesso ("Yes, nós somos bilíngües", 22 de agosto). Minha mãe só falava inglês em casa com meu irmão e comigo. Freqüentamos uma escola primária inglesa e, aos 9 anos, iniciei-me no francês. Com 12 anos já falava correntemente as duas línguas, escrevia e aprendia gramática sem nenhum trauma ou confusão. Segui os mesmos caminhos com meus filhos, que também fizeram o mesmo com meus netos. Os resultados sempre foram positivos: nas viagens aproveitamos muito mais, nos estudos esses conhecimentos foram fundamentais, e até hoje agradeço aos meus pais por terem tido essa visão. Quem tem filho pequeno não hesite em dar a ele essa grande oportunidade de aprender sem esforço.
Nicia Maria Dantas
Salvador, BA

Na condição de escola bilíngüe e bicultural, apreciamos a interessante reportagem. Gostaríamos de informar que o Colégio Miguel de Cervantes, citado na matéria, é uma instituição hispano-brasileira, cuja principal meta é desenvolver um projeto educativo que visa à integração dos currículos brasileiro e espanhol. Nossos alunos são alfabetizados primeiramente em português e, paulatinamente, no decorrer de sua escolaridade, as estruturas da leitura e da escrita em espanhol vão sendo acrescentadas ao seu aprendizado. Cumpre ressaltar que a Espanha é referência mundial em educação e em estudos pedagógicos e, assim como os países citados na matéria, possui quatro línguas oficiais: espanhol, galego, catalão e vasco, em três regiões bilíngües.
Miguel Ángel Valmaseda e Amélia Salazar,
Diretor-gerente e diretora de ensino do Colégio Miguel de Cervantes
São Paulo, SP

 

VEJA especial Tecnologia

A VEJA o meu muito obrigado por esclarecer que existe o lado positivo dos computadores, games e televisão, que até agora tinham sido apenas atacados como negativos pela mídia. Simplesmente ótima a entrevista com Steven Johnson. Parabéns à equipe! (VEJA especial Tecnologia, agosto de 2007).
Rodolfo Luiz Diniz Araújo
Bom Despacho, MG

Quando li a edição especial de VEJA, pude perceber que hoje a tecnologia tem tomado conta do pensamento dos brasileiros. O país vem crescendo e quem não tem noções básicas de tecnologia, como a computação, fica para trás no mercado de trabalho e pode perder grandes oportunidades na vida. Não podemos perder tempo ao correr atrás do nosso futuro.
Abner Henrique Fleury
Anápolis, GO

 

Frans de Waal

Obrigado, Frans de Waal (Amarelas, 22 de agosto), por me apresentar ao meu "pólo" bonobo. Vou tentar aprofundá-lo, ou melhor, deixar que ele aflore o mais que puder. Gostei muito do jeito bonobo de ser. É surpreendente a dificuldade de parcela expressiva da nossa espécie em aceitar talvez a evidência mais óbvia e mais comprovada na face da Terra. Por que não admitir que temos ancestrais comuns com chimpanzés e bonobos?
Paulo Augusto Franke
São José dos Campos, SP

 

Claudio de Moura Castro

Parabéns ao economista Cláudio de Moura Castro pela visão sobre as redes de sistemas de ensino da educação privada brasileira (Ponto de vista, 22 de agosto). Nós, do Centro Educacional Nilopolitano, na Baixada Fluminense, unimos nossos 75 anos de tradição à metodologia do Sistema Pentágono de Ensino e, como resultado, observamos alunos mais reflexivos e participantes do processo de construção do próprio conhecimento. A mudança teve a aprovação da comunidade escolar e se apresenta como um ótimo caminho para a educação brasileira.
Berta Limani
Diretora do Centro Educacional Nilopolitano
Nilópolis, RJ

O ensino superior foi muito afetado por essa cultura das apostilas. No Brasil, não se escrevem mais livros técnicos pela simples razão de que nossos alunos dos cursos superiores esperam uma apostila pasteurizada, que não exige reflexões mais elaboradas, contendo apenas as famosas receitas de bolo para ser aprovados.
José Roberto Cardoso
Vice-diretor da Escola Politécnica da USP
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

Ao relembrar os dólares enviados de Cuba para a campanha eleitoral do presidente Lula, Diogo Mainardi contribuiu para que muitos brasileiros fizessem a seguinte pergunta: será que o favor (empréstimo) que Fidel Castro fez em 2002 foi retribuído agora, em 2007, com a deportação dos pugilistas cubanos desertores da ilha ("A agenda de Dirceu", 22 de agosto)?
Jose Antonio Rodrigues Agostinho
Maringá, PR

 

Turismo até Machu Picchu

Mesmo indo de ônibus e trem, é possível ter uma viagem agradável, além de poder conviver com o simpático e sofrido povo boliviano. Há opções para todos os gostos e bolsos. As paisagens são lindas, as cidades têm muitos atrativos e são excelentes para compras (não só de artesanatos). Machu Picchu, no topo dos Andes peruanos, é realmente uma maravilha que merece ser visitada ("Poncho, conga e iPod", 22 de agosto).
Carla Ferreira Mastrella de Carvalho
Goiânia, GO

 

Infanticídio em tribos indígenas

Cumprimentamos o jornalista Leonardo Coutinho e toda a equipe da revista VEJA pela coragem, sensibilidade e seriedade com que o tema do infanticídio nas tribos indígenas foi abordado ("Crimes na floresta", 15 de agosto). A reportagem deixou evidente o protagonismo dos próprios indígenas nesse processo de mudança social. É hora de silenciarmos nossas ideologias e paixões e de começarmos a ouvir a voz dessas mulheres indígenas, que sofrem com essa prática e que têm todo o direito de lutar por mudanças. Lamentamos profundamente que mães amorosas tenham de se suicidar por não ter coragem de matar seus filhos, como foi o caso da mãe de Hakani, nossa filha adotiva. Hoje lutamos para erradicar essa prática cruel através da ONG Atini – Voz pela Vida.
Edson e Márcia Suzuki
www.vozpelavida.blogspot.com

 

 

 

A VACINA DO DOUTOR GAZZINELLI

A reportagem "A nova cara da ciência" (15 de agosto), que falou dos três jovens brasileiros da lista dos cientistas mais influentes do mundo, contou a história do veterinário mineiro Ricardo Gazzinelli, que "apareceu no topo, ao lado dos especialistas mais influentes do mundo em sua área: a imunologia". O pesquisador da Fiocruz e da Universidade Federal de Minas Gerais foi relacionado entre os melhores "por ter sido o primeiro a desvendar a função de um hormônio na defesa das células contra microrganismos causadores de doenças típicas de países pobres, como a malária e o mal de Chagas". A reportagem dizia também que a maior obsessão do doutor Gazzinelli era ver sua descoberta transformada em vacinas. Na semana passada, Viviane Leão, da empresa Hertape Calier Saúde Animal S.A, escreveu à redação para informar que a vacina, descoberta de Gazzinelli, em breve estará no mercado. "O laboratório Hertape Calier investiu em sua pesquisa e está idealizando o sonho do pesquisador. A indústria investiu na construção de um laboratório que produzirá a vacina contra a leishmaniose visceral canina, na forma de vacina recombinante, inovação no ramo de vacinas para animais. Será o único laboratório no Brasil e o primeiro no mundo a produzir vacinas recombinantes e geneticamente modificadas", informa Viviane.

 

CAOS AÉREO GLOBALIZADO

Airlines.net

O leitor Paulo Thiago Fernandes, do Rio de Janeiro, envia um relato que faz lembrar o caos aéreo em que vivemos: "Minha filha viajou no dia 10 para Paris, com conexão em Madri. Do destino, mandou-me o e-mail abaixo, que reproduzo parcialmente, no qual se evidencia que certo tipo de problema não é privilégio nosso nem de nossas companhias aéreas. (note-se: era um Airbus A320): 'Chegados a Madri, embarcamos num avião da Air France e ficamos esperando que decolasse. Quase uma hora depois, os motores são ligados, mas custam a pegar. Finalmente, é dada a partida. Segue-se um barulho forte e o avião derrapa e fica atravessado na pista. Os motores são desligados. Silêncio quase mortal entre os passageiros, até que o piloto explica que um dos motores do Airbus A320 tinha estourado. Fomos rebocados para o desembarque e voltamos ao balcão da Air France. Fila, fila, fila... fome, sede e comentários dos companheiros de vôo, alguns assustados. Chegamos a Paris com cinco horas de atraso'."

 

A nota publicada nesta seção, na edição passada, sob o título "Novos estados" merece maiores esclarecimentos. Nela, dava-se conta da estranheza de alguns leitores pelo fato de o colunista Roberto Pompeu de Toledo, em seu artigo "O Maranhão do Sul na Wikipédia", ter citado reportagem de O Estado de S. Paulo sobre a criação de novos estados, em vez de remeter a notícia que, antes, sobre o mesmo assunto, saíra na própria VEJA. A revista reconhece que, se houve cochilo de Pompeu, a quem escapou a notícia em VEJA, também falharam os mecanismos de filtro da redação. Publicado o artigo, a revista poderia ter comunicado a Pompeu que chegavam manifestações de leitores externando sua estranheza. Se o tivesse feito, ele mesmo poderia se ter corrigido, em seu espaço. Soou como censura ao colunista. Não foi a intenção da nota.

 

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