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O show das letras
Passo
Fundo vira meca de
leitores e escritores

Diogo Schelp
O menino
Pedro Lhullier Rosa, de 2 anos, está ansioso para encontrar Gustavo
Finkler, o autor de seu livro preferido, A Mulher Gigante. O grande
momento acontecerá durante a 9ª Jornada Nacional de Literatura,
entre 28 e 31 de agosto, na cidade gaúcha de Passo Fundo, a 300
quilômetros de Porto Alegre. Se já é incomum um fã
de literatura com a idade de Pedro, mais espetacular ainda é o
sucesso desse evento bienal que desta vez tem 10.000
leitores inscritos para a participação nos debates
6.000 deles, crianças. Contando a programação
paralela, serão 30.000 pessoas reunidas
em torno de questões literárias, num país que tem
só 1.200 livrarias. Para comparar, na
Argentina há 850 lojas, para uma população que equivale
a um quarto da brasileira. Proporcionalmente à população
da cidade, a jornada de Passo Fundo, que tem 170.000
habitantes, reúne mais gente do que a Bienal do Livro em São
Paulo. Com uma diferença: o objetivo do encontro não é
vender obras e sim debatê-las com os autores e especialistas. Neste
ano, mais de 115 escritores e professores participam de 100 debates e
oficinas.
A jornada,
promovida pela prefeitura e pela Universidade de Passo Fundo, tornou-se
o evento preferido dos escritores no Brasil por duas razões: dá
um grande prêmio a alguns deles (veja
quadro) e junta público que realmente leu o que
escreveram para tratar de suas obras. Quatro meses antes das reuniões
é divulgada uma lista de livros dos autores convidados cujos trabalhos
serão discutidos nas pré-jornadas palestras que acontecem
antes do encontro em Passo Fundo. Mesmo quem não participa das
pré-jornadas costuma ler pelo menos algumas das 200 obras indicadas.
Com isso, os escritores, acostumados a palestrar para platéias
que ignoram seus personagens e cenários, surpreendem-se com o conhecimento
do público que se espreme sob a lona dos sete circos montados no
campus da universidade para os eventos. Um deles comporta 4.300
adultos. Os circos são também um símbolo do espírito
que norteia a jornada desde sua primeira edição, em 1981.
"É um encontro de natureza acadêmica, mas em tom festivo",
define a professora de literatura Tania Rösing, idealizadora do projeto.
Nesses espaços também há debates relacionados a teatro,
cinema, internet e televisão, a cada ano com mais público
de fora da universidade. Quando foi realizada a primeira jornada, Passo
Fundo não tinha nenhuma livraria. Hoje, tem dez, depois da passagem
pela cidade de nomes como Augusto Boal, João Ubaldo Ribeiro, Lygia
Bojunga Nunes, Ana Maria Machado, Nélida Piñon, Antonio
Callado e Mario Quintana.
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O
grande prêmio
| Fotos Bruno Veiga/André
Brant e Pedro Rubens |
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| José
Sarney, Patrícia Melo e Rubem Fonseca: finalistas de
2001 |
Os
escritores concorrem a mais do que prestígio em Passo Fundo.
Desde 1999, a jornada concede o Prêmio Passo Fundo Zaffari
& Bourbon de Literatura, o maior do país na área
e um dos maiores do mundo: 100 000 reais para o melhor romance publicado
nos dois anos anteriores ao evento, eleito por um júri de
professores e literatos. O Booker, da Inglaterra, dá 75.000
reais. Neste ano houve 190 inscritos. Onze são finalistas.
Em 1999, o vencedor foi o gaúcho Sinval Medina.
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