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Edição 1 715 - 29 de agosto de 2001
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O show das letras

Passo Fundo vira meca de
leitores e escritores

Diogo Schelp

O menino Pedro Lhullier Rosa, de 2 anos, está ansioso para encontrar Gustavo Finkler, o autor de seu livro preferido, A Mulher Gigante. O grande momento acontecerá durante a 9ª Jornada Nacional de Literatura, entre 28 e 31 de agosto, na cidade gaúcha de Passo Fundo, a 300 quilômetros de Porto Alegre. Se já é incomum um fã de literatura com a idade de Pedro, mais espetacular ainda é o sucesso desse evento bienal que desta vez tem 10.000 leitores inscritos para a participação nos debates – 6.000 deles, crianças. Contando a programação paralela, serão 30.000 pessoas reunidas em torno de questões literárias, num país que tem só 1.200 livrarias. Para comparar, na Argentina há 850 lojas, para uma população que equivale a um quarto da brasileira. Proporcionalmente à população da cidade, a jornada de Passo Fundo, que tem 170.000 habitantes, reúne mais gente do que a Bienal do Livro em São Paulo. Com uma diferença: o objetivo do encontro não é vender obras e sim debatê-las com os autores e especialistas. Neste ano, mais de 115 escritores e professores participam de 100 debates e oficinas.

A jornada, promovida pela prefeitura e pela Universidade de Passo Fundo, tornou-se o evento preferido dos escritores no Brasil por duas razões: dá um grande prêmio a alguns deles (veja quadro) e junta público que realmente leu o que escreveram para tratar de suas obras. Quatro meses antes das reuniões é divulgada uma lista de livros dos autores convidados cujos trabalhos serão discutidos nas pré-jornadas – palestras que acontecem antes do encontro em Passo Fundo. Mesmo quem não participa das pré-jornadas costuma ler pelo menos algumas das 200 obras indicadas. Com isso, os escritores, acostumados a palestrar para platéias que ignoram seus personagens e cenários, surpreendem-se com o conhecimento do público que se espreme sob a lona dos sete circos montados no campus da universidade para os eventos. Um deles comporta 4.300 adultos. Os circos são também um símbolo do espírito que norteia a jornada desde sua primeira edição, em 1981. "É um encontro de natureza acadêmica, mas em tom festivo", define a professora de literatura Tania Rösing, idealizadora do projeto. Nesses espaços também há debates relacionados a teatro, cinema, internet e televisão, a cada ano com mais público de fora da universidade. Quando foi realizada a primeira jornada, Passo Fundo não tinha nenhuma livraria. Hoje, tem dez, depois da passagem pela cidade de nomes como Augusto Boal, João Ubaldo Ribeiro, Lygia Bojunga Nunes, Ana Maria Machado, Nélida Piñon, Antonio Callado e Mario Quintana.

 

O grande prêmio

Fotos Bruno Veiga/André Brant e Pedro Rubens
José Sarney, Patrícia Melo e Rubem Fonseca: finalistas de 2001

Os escritores concorrem a mais do que prestígio em Passo Fundo. Desde 1999, a jornada concede o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, o maior do país na área e um dos maiores do mundo: 100 000 reais para o melhor romance publicado nos dois anos anteriores ao evento, eleito por um júri de professores e literatos. O Booker, da Inglaterra, dá 75.000 reais. Neste ano houve 190 inscritos. Onze são finalistas. Em 1999, o vencedor foi o gaúcho Sinval Medina.



   
 
   
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