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Milionários
reconquistam Maiorca
Agora,
celebridades e ricaços
querem expulsar da bela ilha
espanhola no Mediterrâneo a
horda de turistas pobretões
Ibiza, a pequena ilha espanhola do arquipélago das Baleares, é
famosa por suas raves, discotecas e pelo nudismo liberado nas praias.
Até pouco tempo atrás, sua vizinha Maiorca, bem mais comportada,
era apenas um Guarujá europeu. Durante julho e agosto, no auge
do verão do Hemisfério Norte, a ilha de 600.000 habitantes
recebe 2,5 milhões de turistas. São na maioria ingleses
e alemães, que compram pacotes baratos e se apinham em minúsculos
apartamentos em condomínios ao redor da capital, Palma. No bucólico
interior da ilha, a turma é outra. Maiorca tornou-se, nos últimos
anos, um endereço badalado para tomar sol em iates e encontrar
milionários e celebridades em festas grã-finas e
tudo isso ao alcance das lentes dos papparazzi, os fotógrafos bisbilhoteiros
que todos fingem evitar.
Em Valldemosa, cidadezinha nas colinas onde o compositor Fréderic
Chopin morou no século XIX, formou-se uma vizinhança cinco-estrelas.
O ator americano Michael Douglas passa o verão lá com a
bela Catherine Zeta-Jones. Claudia Schiffer comprou um terreno de 200.000
metros quadrados e gastou 7 .milhões de reais para construir sua
mansão no local. O piloto Michael Schumacher contratou o mesmo
arquiteto de Schiffer para fazer sua casa ao lado da da modelo. A lista
de proprietários ainda inclui o ex-tenista Boris Becker, a família
venezuelana Cisneros, uma das mais ricas da América Latina, o empresário
inglês Richard Branson, dono do grupo Virgin, Liliane Bettencourt,
a maior acionista da L'Oréal. O estilista Valentino hospeda-se
no próprio iate, o Blue One. A atriz Gwyneth Paltrow pagou
a bagatela de 167 000 reais para passar um mês na região
conhecida como Tramontana.
AP
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Michael Schumacher: piloto contratou o
mesmo arquiteto da vizinha Claudia Schiffer |
Para o pessoal endinheirado, só falta uma coisa: livrar-se da incômoda
vizinhança do turismo pobretão. Um projeto em trâmite
no Legislativo das Ilhas Baleares pode resolver o problema. A ser votado
até o fim do ano, ele pretende reduzir drasticamente o número
de novas construções. Pela lei atual, a ilha que
é oito vezes maior que a de Santa Catarina, onde está Florianópolis
comportaria 188.000 novas casas. Se aprovado o projeto, o número
cairá para 44.000. O governo também pretende impor, a partir
do início do ano que vem, uma "ecotaxa", que será cobrada
de acordo com o tempo de permanência do turista. O objetivo é
devastar o minúsculo orçamento dos adolescentes ingleses
que voam para a ilha com pacotes de 200 dólares a semana e gastam
tudo o que têm em bebidas, drogas e viagens à vizinha Ibiza.
A idéia é lucrar mais com o turismo endinheirado e diminuir
a confusão no aeroporto de Palma, que chegou a receber 150.000
viajantes em um único dia no mês passado.
O lobby contra a horda turística é poderoso. Michael Douglas
até cozinhou e serviu uma paella em sua residência para políticos
locais com fotógrafos convidados, obviamente. O ator americano,
hoje um dos personagens mais queridos da ilha, já foi visto como
vilão. Isso porque resolveu fazer melhorias no casarão,
que comprou em 1989 por 5,5 milhões de reais. Os quatro quartos
originais eram insuficientes para receber hóspedes como Tom Cruise
e Jack Nicholson. Acabou enfurecendo os habitantes nativos, que consideram
o imóvel, construído em meados do século XIX, patrimônio
histórico. Por coincidência ou não, Douglas incorporou
o papel de um verdadeiro mecenas da ilha. Tirou 13 milhões de reais
do próprio bolso para fundar um centro cultural, o Costa Nord,
e não perde uma oportunidade de agradar à comunidade. No
começo deste mês, contratou o cantor Van Morrison para fazer
um show, prestigiado pelo príncipe herdeiro Felipe e por sua irmã,
a princesa Cristina. Embora o público tenha pago a entrada e outros
patrocinadores tenham contribuído, Douglas bancou um prejuízo
de 70.000 reais apenas pelo show de Van Morrison. Estima-se que esteja
gastando 1 milhão de reais por ano a fundo perdido. Tudo isso para
ficar de bem com a vizinhança. Detalhe: as modificações
na casa foram concluídas, e todo mundo esqueceu o assunto.
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