Miss cérebro
Candidatas
de concurso de beleza
farão teste de conhecimento
AP

Curvas e simpatia não bastam: elas têm de pensar |
Ter as medidas
perfeitas, saber equilibrar-se sobre um salto agulha, acenar com delicadeza,
distribuir sorrisos amáveis e fazer um discurso politicamente correto
não são mais os principais requisitos para conquistar o
título de miss América. A partir de agora, as candidatas
à coroa do concurso de beleza mais tradicional dos Estados Unidos
deverão provar que também pensam. No próximo evento,
que será realizado em 22 de setembro, as cinco finalistas passarão
por um teste de conhecimento. Entre os assuntos que as beldades deverão
ter na ponta da língua estão História americana,
política e atualidades.
Essa é
apenas uma das muitas medidas que a organização da competição
anunciou na semana passada para tentar recuperar o prestígio e
alavancar a audiência, que há anos vem caindo progressivamente.
"Fizemos algumas pesquisas e descobrimos que o público americano
quer ver mais competição e uma demonstração
mais precisa da inteligência das concorrentes", diz Robert Renneisen,
presidente da Miss America Organization. O pacote de novidades inclui
também uma entrada nos moldes do Oscar, com tapete vermelho e muitos
flashes, a abreviação dos números musicais e a remodelação
de alguns quadros. Neste ano, pela primeira vez desde que o concurso foi
criado, há 81 anos, as candidatas que não estiverem entre
as dez finalistas poderão votar nas que ficaram. Elas estarão
num estúdio onde serão vistas e ouvidas pelos telespectadores.
Dizem as
más línguas que o resultado final das mudanças é
fazer com que o show chegue bem próximo da fórmula que consagrou
o programa Survivor, que inspirou o No Limite da Rede Globo:
realismo, surpresas e constrangimentos. Talvez seja exatamente esse o
motivo de as alterações terem sido anunciadas tão
em cima da data do concurso. Em um mês, vai ser uma correria para
as candidatas menos estudiosas assimilarem os eventos cruciais da História
americana e os acontecimentos recentes que foram importantes para o país.
Deve ser exatamente nos deslizes das moçoilas e nos comentários
maldosos das desclassificadas que os organizadores estão apostando
para conquistar pontos no ibope. Se a fórmula der certo, quem sabe
ela pode ser copiada aqui no Brasil, onde o concurso nacional, por causa
da baixíssima audiência e da total falta de interesse dos
canais de televisão, deixou de ser transmitido há mais de
cinco anos.
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