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Edição 1 715 - 29 de agosto de 2001
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Miss cérebro

Candidatas de concurso de beleza
farão teste de conhecimento

 
AP

Curvas e simpatia não bastam: elas têm de pensar

Ter as medidas perfeitas, saber equilibrar-se sobre um salto agulha, acenar com delicadeza, distribuir sorrisos amáveis e fazer um discurso politicamente correto não são mais os principais requisitos para conquistar o título de miss América. A partir de agora, as candidatas à coroa do concurso de beleza mais tradicional dos Estados Unidos deverão provar que também pensam. No próximo evento, que será realizado em 22 de setembro, as cinco finalistas passarão por um teste de conhecimento. Entre os assuntos que as beldades deverão ter na ponta da língua estão História americana, política e atualidades.

Essa é apenas uma das muitas medidas que a organização da competição anunciou na semana passada para tentar recuperar o prestígio e alavancar a audiência, que há anos vem caindo progressivamente. "Fizemos algumas pesquisas e descobrimos que o público americano quer ver mais competição e uma demonstração mais precisa da inteligência das concorrentes", diz Robert Renneisen, presidente da Miss America Organization. O pacote de novidades inclui também uma entrada nos moldes do Oscar, com tapete vermelho e muitos flashes, a abreviação dos números musicais e a remodelação de alguns quadros. Neste ano, pela primeira vez desde que o concurso foi criado, há 81 anos, as candidatas que não estiverem entre as dez finalistas poderão votar nas que ficaram. Elas estarão num estúdio onde serão vistas e ouvidas pelos telespectadores.

Dizem as más línguas que o resultado final das mudanças é fazer com que o show chegue bem próximo da fórmula que consagrou o programa Survivor, que inspirou o No Limite da Rede Globo: realismo, surpresas e constrangimentos. Talvez seja exatamente esse o motivo de as alterações terem sido anunciadas tão em cima da data do concurso. Em um mês, vai ser uma correria para as candidatas menos estudiosas assimilarem os eventos cruciais da História americana e os acontecimentos recentes que foram importantes para o país. Deve ser exatamente nos deslizes das moçoilas e nos comentários maldosos das desclassificadas que os organizadores estão apostando para conquistar pontos no ibope. Se a fórmula der certo, quem sabe ela pode ser copiada aqui no Brasil, onde o concurso nacional, por causa da baixíssima audiência e da total falta de interesse dos canais de televisão, deixou de ser transmitido há mais de cinco anos.

   
 
   
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