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Véu, grinalda e decote

Noivas incrementam o vestido
de princesa e o tomara-que-caia
sobe ao altar

Aida Veiga

Reginaldo Teixeira
Valter Pontes
Monica Zarttini/AE
i/AE
Noivas diferentes, estilos parecidos: Elba com o vestido de própria lavra, Paula no convento (fotos no alto), Verônica de Versolato e Keely com o maridão 007

Toda noiva sempre parte de um pressuposto básico: viver seu dia de princesa, num vestido cheio de brilhos e bordados, com saia ampla e metros de cauda. Ultimamente, o anseio se sofisticou e princesa só não basta. Vestido de noiva que se preze hoje em dia tem de ser sexy, com jeito de roupa de noite do Oscar, aspiração que, na maioria das vezes, se traduz em um vasto decote tomara-que-caia. Disseminado mundo afora, estimulado pelo renovado culto aos seios (ao natural ou siliconados), o estilo noiva decotada encanta famosas e anônimas, loiras e morenas, jovens e não tão jovens. De véu, grinalda e tomara-que-caia, casou-se em dezembro passado Paula, 23 anos, neta do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, num vestido da grife Daslu de ofuscar a beleza do Convento de Santa Clara do Desterro, local da cerimônia. De véu, orquídea e decote muito mais ousado – uma esvoaçante composição rosa-clarinho que ela mesma desenhou –, disse o sim ao companheiro Gaetano Lopes, 25, a cantora Elba Ramalho, no exato dia em que completava 50 anos, há duas semanas. A combinação decote máximo e saia assimétrica mínima (além de um bocado de Botox, como indicam as fotos) não passou incólume. "É um tipo de vestido que fica bom em fotos. Mas, para um casamento, acho meio inconveniente", critica o estilista carioca George Moreira, que veste as noivas das novelas da Globo.

Com ele concorda o estilista paulista Ronaldo Esper, que faz tomara-que-caia sim, porque é o que elas querem, mas antes sempre tenta convencer a noiva a mudar de idéia. "Fica um vestido sexy, insinuante, que não combina com o clima de um casamento", alfineta. Além de comprometer a modéstia, ponto que não costuma sensibilizar nenhuma noiva moderna, o tomara-que-caia pode ser uma dor de cabeça na hora da festa. Qualquer movimento – levantar o braço para cumprimentar alguém (e o que mais faz uma noiva?), esticá-lo para cortar o bolo, dar um abraço apertado, dançar a valsa – exige, findo o gesto, uma discreta levantada no decote. Mais: como é a cintura que sustenta a estrutura do corpete, o truque dos estilistas é fazê-la bem apertada (um ou dois números abaixo da medida natural), para segurar melhor o decote. Foi o que fez o estilista Ocimar Versolato no belo vestido usado em abril por Verônica, filha do ministro José Serra, com uma conseqüência freqüente e exasperante para noivas com os nervos já eriçados: o zíper descosturou. Teve de ser recomposto às pressas no corpo de Verônica, contribuindo para seu atraso de duas horas.

Mesmo fãs ardorosos do decote, como o estilista carioca Carlos Tufvesson, reconhecem que não é qualquer noiva que segura um vestido sem alças. "Se eu sentir que ela não vai ficar à vontade, sugiro uma estola ou uma alcinha", diz ele. Tufvesson atesta a popularidade do decotão: dos oito vestidos de noiva que confecciona por mês, sete são tomara-que-caia. A cobertura, quando há, em geral limita-se ao altar. Foi o que fez no começo do mês Keely Smith, 37 anos, a mulher de Pierce "James Bond" Brosnan. Na cerimônia numa igreja da Irlanda, ela enrolou-se em uma túnica rendada para trocar alianças com o ator, com quem vive há sete anos. Longe do padre, exibiu o decote e toda a pujança de mamãe recente.

   
 
   
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