Ag. B.A.R.

Nahara
Bauchwitz
Ag. B.A.R.

A
estréia da casa, com Roberto Carlos no palco e roupas
de
gala na platéia |
A
mais moderna casa de espetáculos do país, com um elevador
exclusivo para levar artistas dos camarins ao palco de 1.000
metros quadrados, foi inaugurada no Recife. A Classic Hall põe
o Nordeste definitivamente nos roteiros dos bons shows no Brasil e atende
a uma velha demanda dos empresários do ramo: quanto mais paradas
uma estrela de porte internacional possa fazer no país, mais viável
se torna trazê-la da Europa ou dos Estados Unidos para se apresentar
por aqui. Poucos artistas, afinal, têm shows do tipo que possa resistir
à acústica dos estádios de futebol. A nova casa do
Recife tem espaço gigantesco e equipamento adequado a mega-shows.
"O Brasil precisa disso", diz Toy Lima, produtor musical de grandes eventos,
como o Heineken Concerts, que passou por diversas casas noturnas brasileiras.
"É muito melhor que esses grandes nomes façam um circuito
de cinco ou seis shows de qualidade pelo país do que apenas duas
apresentações tumultuadas em locais impróprios."
Os três
donos do Classic Hall são empresários tradicionais da noite
no Nordeste. Luiz Augusto Nobrega, o líder do grupo, é representante
na região de estrelas nacionais, como o cantor Leonardo, a banda
KLB e a dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Eles dizem ter investido
10 milhões de reais na construção da obra. São
18.000 metros quadrados de área construída,
que inclui uma passagem subterrânea pela qual se abastecem os eventos
de alimentos e se transportam os equipamentos para os shows. Parte do
investimento uma soma que os proprietários preferem omitir
foi financiada naquele esquema camarada de sempre do BNDES. "O
importante é realçar que construímos uma casa de
espetáculos na qual se enxerga o que está acontecendo no
palco de qualquer ponto da platéia", diz Nobrega.
De fato,
quanto aos aspectos técnicos, as mais de 20.000
pessoas que compareceram aos dois shows de inauguração do
espaço não registraram nenhuma queixa. Mulheres de longo
e laquê e homens de terno, figurinos raros de ver na noite do Recife,
lotaram as apresentações de Roberto Carlos. A apresentadora
Hebe Camargo voou de São Paulo para assistir a uma delas. Para
a elite local, a festa foi uma daquelas oportunidades para celebrar num
setor em que a capital pernambucana pode orgulhar-se de um recorde nacional.
Em conforto e infra-estrutura, o Classic Hall bate até mesmo as
casas mais modernas inauguradas nos últimos anos em São
Paulo e no Rio de Janeiro (veja
quadro). Entre outros itens, a casa ostenta 100 camarotes,
26 a mais que o paulistano Credicard Hall. O palco é mais que o
dobro do ATL Hall, ponto de parada dos maiores shows no Rio de Janeiro.
O Classic Hall tem até heliporto. O trajeto desde o aeroporto leva
dez minutos e custa 200 reais por pessoa. Antes de embarcar, o cliente
aguarda o aparelho abrigado numa sala vip, que oferece drinques e petiscos.
Os ambientes
das chamadas casas de espetáculos, que mesclam comodidades para
o público com qualidade tecnológica para os artistas, expandem-se
rapidamente no país. Por décadas, espaços como o
do pioneiro Canecão, inaugurado no Rio em 1967, resistiram quase
solitariamente em algumas cidades, enquanto celebridades musicais batiam
seus recordes de público em eventos tão grandes quanto desconfortáveis.
Frank Sinatra e Paul McCartney, por exemplo, cantaram no Brasil
mas não se pode dizer grande coisa da qualidade do som ouvido por
quem foi a um desses shows. Sinatra e McCartney foram duas estrelas que
fizeram seus mega-shows no Estádio do Maracanã. Uma novidade
que está permitindo ampliar esse circuito de boas casas é
a transformação dos investimentos num negócio de
peso. As paulistanas Credicard e DirecTV Music Hall, mais a ATL, do Rio,
são dirigidas pela Corporación Interamericana de Entretenimiento
(CIE), a maior empresa de entretenimento ao vivo da América Latina,
com atuação em oito países. O grupo investiu nos
três locais cerca de 40 milhões de dólares, boa parte
disso em cuidados com a acústica. Cada metro do espaço interno
das grandes casas noturnas foi desenhado em detalhes, projetando-se tetos
com inclinação em vários níveis, paredes feitas
de tijolos cerâmicos recheados de ar e revestimentos especiais nos
pisos e nas colunas tudo contra a reverberação e
o eco fora de controle.
Em outra
ponta, esse negócio não se mantém apenas com os shows.
Marcas conhecidas dão nome aos estabelecimentos, e pagam um bom
dinheiro para ter esse privilégio. "Em 1997, visitei 46 casas de
shows nos Estados Unidos e tomei contato com esse modelo de marketing
cultural", lembra Fernando Alterio, presidente da CIE no Brasil e introdutor
do sistema no país. Quem aluga o nome da casa também tem
o direito de usá-la com exclusividade durante alguns dias do ano
e dispõe de uma suíte privativa para seus convidados. Para
o produtor Manuel Poladian, que atua no ramo desde os tempos heróicos
e já trouxe ao Brasil os cantores Sting, Tina Turner, James Taylor
e David Bowie, esse casamento de interesses só pode ser saudado
de uma maneira. "Viva a iniciativa privada", ele diz. Financiada, lembre-se,
com o dinheiro público disponível no BNDES. Mas isso são
outros quinhentos.
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Campeões
de público
Gente
que fez história com shows no Brasil
Rod
Stewart
foi para o Guinness Book depois de cantar para 3,5 milhões
de pessoas em Copacabana, no réveillon de 1994
James
Taylor, em 1985, e o grupo Silverchair, em 2001, apresentaram-se
para públicos de 250 000 pagantes no Rock in Rio
Paul
McCartney teve seu maior público pagante 184 000
pessoas no Estádio do Maracanã, em 1990
Frank
Sinatra cantou para 140 000 pessoas em janeiro de 1980. "Foi
o maior momento de minha vida profissional", disse depois
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