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Regime parlamentar

Uma esperança varre a Câmara
e o Senado: a de emagrecer
almoçando atum com torrada

Lourenço Flores

 
Fotos Ana Araujo
Fortes (7 quilos a menos) e seu parco almoço; Coelho (11 quilos a menos) muda o furo do cinto: "milagre" condenado por médicos

Quando o ponteiro da balança chegou aos 117 quilos, o deputado federal e ex-governador da Bahia Nilo Coelho (PSDB) pensou em fazer uma cirurgia de redução do estômago para baixar o peso a "menos de três dígitos". Antes de Coelho entrar na faca, porém, um amigo lhe trouxe dos Estados Unidos uma dieta milagrosa, supostamente elaborada pela prestigiosa Associação Americana do Coração. Batizado de "dieta do atum", o regime fez o deputado perder 11 quilos em quatro meses e ganhou a mesa dos colegas congressistas. Heráclito Fortes (PFL-PI), agora seu maior divulgador, emagreceu 7 quilos em dois meses – 9, na verdade, mas recuperou 2 no recesso parlamentar – e carrega sua latinha de atum até quando vai almoçar fora. Atualmente, pelo menos dez deputados federais e dezenas de funcionários da Câmara e do Senado seguem o regime.

A dieta é semanal e tem duas fases. A primeira, de três dias, é a da contenção alimentar, com refeições à base de atum, ricota e ovo cozido (veja quadro). Nos outros quatro dias, vem a liberação. Pode-se comer de tudo, moderadamente. A base é a mesma de tantas receitas mirabolantes para perder peso rápido: pouca comida, quase nenhum carboidrato (embora o regime do atum inclua estranhas porções de sorvete de creme) e uma combinação arbitrária de componentes. O resultado provavelmente será o de sempre nesse tipo de dieta – a volta dos quilos perdidos, e mais alguns. Contra-indicada por especialistas, a dieta do atum obviamente não tem nada a ver com a Associação Americana do Coração, que em seu site recomenda a tradicional combinação balanceada de alimentos de todos os grupos, inclusive carboidratos. "Trata-se de uma picaretagem das maiores", afirma a presidente da seção do Distrito Federal da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Valéria Guimarães. Nada que abale os esperançosos. Como se sabe, em se tratando de regime, não há inteligência, experiência nem esperteza que resista à promessa de um bom milagre, por mais absurdo que seja o caminho até ele.

 



   
 



   
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