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Edição 1 715 - 29 de agosto de 2001
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O Sivam decolou

Já estão em testes os jatos
que vão vigiar a Amazônia

Cley Scholz

Fotos divulgação
Os dois modelos da Embraer em ação: um com uma antena de 1 200 quilos nas costas e o outro com um super-radar na barriga

Os primeiros aviões do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), projeto que custou ao Brasil 1,4 bilhão de dólares e cujo objetivo é velar pela segurança da maior floresta do planeta, já estão voando. Encontram-se em testes, por enquanto nos céus do interior paulista, os cinco primeiros jatos ERJ 145 da Embraer da frota do Sivam. Na prática, guardam apenas semelhança de linhas com as aeronaves de transporte regional fabricadas em São José dos Campos. A esquadra do sistema terá oito ERJ 145 equipados com um formidável recheio tecnológico. Um modelo para passageiros sai por 16 milhões de dólares. Os do Sivam custaram mais de 50 milhões de dólares cada um. Cinco deles levam nas costas antenas de radares de 10 metros de comprimento e 1.200 quilos, fabricadas pela empresa sueca Ericsson. Elas servem para vigilância aérea e podem localizar emissões eletromagnéticas e outros aviões num raio de até 200 quilômetros. Também farão a conexão com outras aeronaves ou estações de superfície para transmitir dados e imagens. Os equipamentos ocupam a área correspondente às cinqüenta poltronas do avião de passageiros. Sobra espaço para onze tripulantes. Os aparelhos serão usados para orientar o tráfego aéreo, mas terão também utilidades militares e de prospecção geológica. Entre outras informações, eles podem levantar dados sobre a existência de minérios até 1,5 metro de profundidade.


São José dos Campos vista pelo equipamento do avião: os círculos mostram alvos móveis

Voando a 10 quilômetros de altura, os jatos localizam vôos em qualquer altitude, inclusive aqueles rentes à selva, que normalmente escapam dos radares de terra. Três dos aviões possuem radar com sistema óptico e infravermelho. Eles produzem imagens de radar tanto pelo método convencional quanto pela emissão de calor. Também percebem nuances de umidade na vegetação. "Isso permite vigiar barcos suspeitos ou encontrar laboratórios de traficantes sob as árvores mesmo à noite e com chuva", explica o tenente-coronel Carlos Baptista Junior, comandante do batalhão de Anápolis, em Goiás. O Sivam terá ainda cinco Cessna Grand Caravan e quatro aviões-laboratório Hawker 800 XP.

Quando todos os aparelhos forem entregues, a frota será equivalente à de uma empresa do porte da Nordeste Linhas Aéreas, que possui dezesseis jatos e transportou 1,1 milhão de passageiros no ano passado. A turbulência na contratação dos fornecedores atrasou o projeto em cinco anos. As companhias Raytheon e Thomson, hoje sócias, disputavam o negócio separadamente. A demora acabou permitindo modernizar ainda mais o sistema de vigilância dos 5,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta. A mudança mais visível é a entrada dos jatos ERJ 145, maior sucesso da Embraer, no lugar dos turboélices Brasília.

   
 
   
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