O Sivam decolou
Já
estão em testes os jatos
que vão vigiar a Amazônia
Cley
Scholz
Fotos divulgação
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| Os
dois modelos da Embraer em ação: um com uma antena de 1 200 quilos
nas costas e o outro com um super-radar na barriga |
Os
primeiros aviões do Sistema de Vigilância da Amazônia
(Sivam), projeto que custou ao Brasil 1,4 bilhão de dólares
e cujo objetivo é velar pela segurança da maior floresta
do planeta, já estão voando. Encontram-se em testes, por
enquanto nos céus do interior paulista, os cinco primeiros jatos
ERJ 145 da Embraer da frota do Sivam. Na prática, guardam apenas
semelhança de linhas com as aeronaves de transporte regional fabricadas
em São José dos Campos. A esquadra do sistema terá
oito ERJ 145 equipados com um formidável recheio tecnológico.
Um modelo para passageiros sai por 16 milhões de dólares.
Os do Sivam custaram mais de 50 milhões de dólares cada
um. Cinco deles levam nas costas antenas de radares de 10 metros de comprimento
e 1.200 quilos, fabricadas pela empresa sueca Ericsson. Elas servem para
vigilância aérea e podem localizar emissões eletromagnéticas
e outros aviões num raio de até 200 quilômetros. Também
farão a conexão com outras aeronaves ou estações
de superfície para transmitir dados e imagens. Os equipamentos
ocupam a área correspondente às cinqüenta poltronas
do avião de passageiros. Sobra espaço para onze tripulantes.
Os aparelhos serão usados para orientar o tráfego aéreo,
mas terão também utilidades militares e de prospecção
geológica. Entre outras informações, eles podem levantar
dados sobre a existência de minérios até 1,5 metro
de profundidade.
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São José dos Campos vista pelo
equipamento do avião: os círculos mostram alvos móveis |
Voando a 10 quilômetros de altura, os jatos localizam vôos
em qualquer altitude, inclusive aqueles rentes à selva, que normalmente
escapam dos radares de terra. Três dos aviões possuem radar
com sistema óptico e infravermelho. Eles produzem imagens de radar
tanto pelo método convencional quanto pela emissão de calor.
Também percebem nuances de umidade na vegetação.
"Isso permite vigiar barcos suspeitos ou encontrar laboratórios
de traficantes sob as árvores mesmo à noite e com chuva",
explica o tenente-coronel Carlos Baptista Junior, comandante do batalhão
de Anápolis, em Goiás. O Sivam terá ainda cinco Cessna
Grand Caravan e quatro aviões-laboratório Hawker 800 XP.
Quando todos os aparelhos forem entregues, a frota será equivalente
à de uma empresa do porte da Nordeste Linhas Aéreas, que
possui dezesseis jatos e transportou 1,1 milhão de passageiros
no ano passado. A turbulência na contratação dos fornecedores
atrasou o projeto em cinco anos. As companhias Raytheon e Thomson, hoje
sócias, disputavam o negócio separadamente. A demora acabou
permitindo modernizar ainda mais o sistema de vigilância dos 5,2
milhões de quilômetros quadrados de floresta. A mudança
mais visível é a entrada dos jatos ERJ 145, maior sucesso
da Embraer, no lugar dos turboélices Brasília.
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