
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Notícias
do idioma vivo
 |
 |
| O
Aurélio na capa em 1987 e o Houaiss |
Numa
de suas odes mais famosas, reproduzida em parte na introdução
do Aurélio, o poeta chileno Pablo Neruda diz que o dicionário
não é uma tumba de palavras, mas o celeiro do idioma. As
palavras ali estão vivas esperando para ser embelezadas, ressuscitadas
e, freqüentemente, modificadas pela simples razão de que são
usadas pelas pessoas na linguagem falada ou escrita. Esse é um
dos motivos pelos quais dicionário é notícia jornalística.
E das mais quentes. Especialmente quando o que se tem a contar é
a saga da criação do mais completo e moderno dicionário
da língua portuguesa. Durante um mês, o editor especial de
VEJA Silvio Ferraz mergulhou na história recente de mais de uma
centena de estudiosos que compilaram os 228.500 verbetes do Dicionário
Houaiss, materialização do sonho do filólogo
Antônio Houaiss, morto em 1999, pouco antes de ver os originais
da obra irem para uma gráfica na Itália, onde foram impressos.
"Pelo
que vi e ouvi dos especialistas que fizeram o Houaiss, essa é
uma das empreitadas humanas mais complexas e estafantes, tanto física
quanto mentalmente", diz Silvio. O resultado do trabalho do editor de
VEJA pode ser conferido na reportagem Especial
desta edição. Não é a primeira vez que a revista
dedica uma matéria de destaque a um dicionário. Em 1987,
quando a segunda edição do Aurélio foi lançada,
VEJA colocou na capa um relato da aventura cultural e comercial do livro
que, àquela altura, vendera três vezes mais do que toda a
obra de Jorge Amado, o escritor baiano morto há três semanas.
Dicionários são também, como se viu acima, ótimo
negócio para quem consegue vencer todas as etapas de sua compilação
e edição. Somente por essa razão já mereceriam
ser notícia. Mas eles interessam mesmo pelo impacto cultural que
produzem e pelo grau de maturidade civilizatória que a sociedade
brasileira reflete através de suas páginas.
|
|
 |