Poder limitado

Poucas máquinas rodam os jogos mais sofisticados

CyberGladiators,
Tomb Raider II
e Hunter
Hunted:
só para Pentiuns

Gerd Souza, gerente de pesquisa do hyperlink "http://www.idcresearch.com" International Data Corporation, escritório de estudos sobre o mercado de informática, já perdeu a conta das vezes em que tentou instalar no seu computador algum jogo para seus dois filhos. Na maioria das tentativas a máquina travou, deixando a família frustrada. Dono de um PC Pentium do qual esperava mais, Souza desistiu dos jogos para computador e optou por outro caminho: comprou para as crianças um novo videogame. Não é o único nessa situação. Oito em cada dez jogos lançados pelas distribuidoras não rodam em metade dos 6 milhões de computadores existentes no Brasil. A explicação é simples. Mais do que qualquer outro programa, o jogo exige o máximo da máquina, que precisa ter a potência dos equipamentos de última geração. "É cruel", afirma Souza. "Meu computador foi comprado há um ano, atende a todas as minhas necessidades como usuário, a não ser pelo fato de que não posso ter esses jogos."

A indústria de jogos é hoje a principal incorporadora das novas tecnologias de informática. Foi a primeira a exigir CD-ROM mais velozes, equipamentos de multimídia e, agora, placas com recursos para exibir imagens em três dimensões. O problema é que os computadores modelo 486, anteriores à geração Pentium, ainda são maioria entre os usuários brasileiros. Para brincar com os jogos recém-lançados, o usuário precisa de pelo menos um Pentium 200, que custa em torno de 2.500 reais. "Ao mesmo tempo que exige jogos modernos e de última geração, o consumidor não consegue atualizar seu computador no mesmo ritmo que o desenvolvimento desses produtos", afirma Paulo Roque, diretor da Brasoft, a maior distribuidora de jogos eletrônicos do país.

A própria Brasoft já deixou de lançar jogos por avaliar que teria dificuldades em vendê-los no mercado nacional e começou a relançar alguns antigos, que podem funcionar em computadores da velha-guarda. Recentemente vendeu 50.000 cópias de relançamentos. Cada relançamento vende quatro vezes mais do que um jogo novo. Sinal de que o velho continua bom para muita gente. Um bom exemplo disso é o Tetris, jogo criado em 1984 pelo matemático russo Alexey Pajitnov, que consiste em encaixar figuras geométricas coloridas com rapidez cada vez maior. Como pode ser instalado em qualquer computador, o jogo já teve 40 milhões de cópias vendidas. É um caso surpreendente de perenidade em meio ao turbilhão tecnológico.

Manoel Fernandes




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line